Imasul e Governo de MS Avançam na Recuperação e Desassoreamento da Bacia do Rio Taquari em Coxim
Projeto de engenharia ambiental reúne dragagem de sedimentos, recomposição de matas ciliares e fiscalização de nascentes no Pantanal.

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), registrou importantes avanços na execução do Plano Diretor de Recuperação da Bacia do Rio Taquari. Considerado um dos maiores desafios de engenharia ambiental e sustentabilidade hídrica do Brasil, o projeto visa reverter o grave processo histórico de assoreamento que afetou a navegabilidade, a pesca e a dinâmica ecológica do rio no município de Coxim e ao longo da planície pantaneira até a sua foz no Rio Paraguai, em Corumbá.
O Rio Taquari, cujas cabeceiras nascem no planalto de divisa entre Mato Grosso do Sul e Goiás (nos municípios de Alto Araguaia, Costa Rica e Alcinópolis), sofreu durante décadas com o carregamento massivo de sedimentos arenosos. A falta de práticas conservacionistas do solo na metade do século passado provocou voçorocas nas áreas altas, depositando milhões de toneladas de areia na calha do rio na parte baixa de Coxim, criando imensos bancos de areia (bancos de bancos pluviais) e causando o fenômeno conhecido como "arrombados" — aberturas na margem que desviaram as águas para campos secos, inundando permanentemente mais de 1 milhão de hectares no Pantanal do Paiaguás.
Dragagem Mecânica e Fechamento de Arrombados Críticos
O plano de ação em execução em Coxim combina tecnologia de dragagem hidráulica de grande porte e obras de engenharia civil pesada para devolver o curso natural ao rio:
- Operação de Dragas de Sucção e Recreio: Equipamentos de alta potência removem continuamente milhares de metros cúbicos de areia do fundo do canal principal do Rio Taquari em trechos críticos de Coxim. O sedimento retirado é destinado de forma ambientalmente adequada para áreas de aterro e contenção terrestre longe da calha hídrica.
- Fechamento e Estabilização dos Arrombados: Obras de contenção com enrocamento de pedras, estacas de aço e geotêxtil fecham os desvios indesejados da água nas margens pantaneiras. A reestruturação força o fluxo da água a retornar ao canal principal, elevando a lâmina d'água necessária para a navegação de médio porte.
- Construção de Espigões de Redirecionamento de Fluxo: Estruturas posicionadas no leito direcionam a força da correnteza para o centro do canal, promovendo a autolimpeza natural dos sedimentos sedimentados pela própria força da água.
Proteção das Nascentes no Planalto e Curvas de Nível
A engenharia executada na calha de Coxim é complementada por uma fiscalização rigorosa nas cabeceiras situadas no planalto. O Imasul e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) utilizam sistemas de monitoramento contínuo por imagens de satélite de altíssima resolução capazes de detectar focos de erosão ou voçorocas em estágio inicial dentro de propriedades rurais privadas.
Por meio do programa estadual de conservação de águas, os proprietários rurais do planalto são notificados a implantar sistemas obrigatórios de terraceamento em curva de nível, caixas de captação de água das chuvas ao longo de estradas internas e o cercamento permanente de Áreas de Preservação Permanente (APPs) de nascentes. A recomposição da vegetação nativa do Cerrado nas margens dos córregos afluentes (como o Rio Coxim e o Rio Jauru) impede que nova areia seja arrastada para o Taquari durante as tempestades de verão.
Impactos Econômicos para a Comunidade de Coxim e Pantanal
A recuperação gradativa da bacia do Rio Taquari traz alívio econômico e social direto para a população de Coxim, tradicional polo de turismo de pesca e comércio do Norte do Estado. A desobstrução dos canais de navegação restabelece a rota dos barcos de pesca esportiva, movimenta a rede de pousadas e hotéis da região e permite que famílias de ribeirinhos e comunidades tradicionais pantaneiras voltem a utilizar a via fluvial para o transporte de suprimentos e gado.
Além disso, a restauração do fluxo ecológico permite que espécies nativas de peixes da bacia do Prata — como o pintado, o pacu, o dourado e o cachara — encontrem novamente condições ideais de desova e migração durante a piracema, recuperando os estoques pesqueiros e garantindo a sustentabilidade da pesca artesanal e turística no Pantanal sul-mato-grossense.
Educação Ambiental e Engajamento da Comunidade Ribeirinha
Juntamente com as obras pesadas de engenharia hidráulica, o projeto de recuperação da bacia do Rio Taquari desenvolve ações continuadas de educação ambiental e assistência técnica para as populações residentes em Coxim e nas colônias rurais vizinhas. Equipes multidisciplinares do Imasul, da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e de ONGs ambientalistas locais realizam oficinas práticas com ribeirinhos e pescadores artesanais.
As atividades focam no manejo adequado de resíduos sólidos domésticos, produção de mudas de árvores nativas do Pantanal para viveiros comunitários e técnicas de aquicultura sustentável em tanques-rede fora do leito do rio. O envolvimento direto das comunidades locais garante que a população atue como agente fiscalizadora permanente contra o descarte ilegal de lixo, queimadas não autorizadas e desmatamentos em áreas de preservação ao longo do Rio Taquari.
Compromisso Institucional e Monitoramento Contínuo
O Secretário de Estado da Semadesc reafirmou que as obras de recuperação do Rio Taquari têm caráter permanente e contam com acompanhamento técnico de comitês de bacia hidrográfica, pesquisadores da Embrapa Pantanal e universidades locais (UFMS e UEMS):
"A recuperação do Rio Taquari é um compromisso histórico de Mato Grosso do Sul com o Pantanal. Unimos investimentos públicos robustos em engenharia de dragagem à conscientização e exigência de práticas agrícolas conservacionistas no planalto. O resgate da dignidade das comunidades ribeirinhas de Coxim e a preservação do Pantanal são prioridades absolutas da nossa gestão ambiental", finalizou o gestor estadual.
Fonte: Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul) / Semadesc MS / Prefeitura de Coxim
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Redação Foco do Estado
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