Mato Grosso do Sul Atinge Recorde em Bioenergia e Celulose em 2026
Investimentos industriais em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas impulsionam o PIB do estado em 2026, consolidando a região como polo global de produção sustentável.

O estado de Mato Grosso do Sul consolidou nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, uma marca histórica no desempenho de sua matriz industrial e no comércio exterior. Os dados consolidados do balanço econômico divulgados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) apontam que o volume total de celulose de fibra curta processada e exportada pelas plantas industriais sul-mato-grossenses superou a marca de 5,4 milhões de toneladas nos primeiros oito meses deste ano. O índice coloca o Estado na liderança nacional das exportações do setor e amplia a geração de energia renovável a partir de biomassa florestal de eucalipto.
O crescimento vertiginoso reflete a plena operação das megausinas localizadas nos municípios de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, agregando tecnologias de ponta e sistemas industriais autossuficientes em eletricidade. O excedente energético gerado pelas caldeiras de recuperação química abastece o Sistema Interligado Nacional (SIN), injetando megawatts de energia limpa na rede elétrica brasileira e contribuindo diretamente para as metas estaduais de neutralidade de carbono assumidas pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
Além dos indicadores operacionais das fábricas, o balança comercial demonstra um superávit expressivo de mais de US$ 2,8 bilhões acumulados até agosto nas operações vinculadas ao complexo de celulose e papel. Os principais destinos internacionais da produção sul-mato-grossense incluem os mercados da Ásia, União Europeia e América do Norte, impulsionados pela demanda global por embalagens biodegradáveis e celulose solúvel destinada a produtos têxteis e farmacêuticos.
Expansão do Polo Industrial e Geração de Empregos
A consolidação do Vale da Celulose transformou a dinâmica socioeconômica da Costa Leste e da Região Central do Estado. O número de empregos diretos e indiretos gerados na cadeia produtiva — que engloba o manejo florestal, viveiros de mudas, transporte rodoviário e ferroviário, manutenção de máquinas e operação fabril — ultrapassou a marca de 48 mil postos de trabalho ativos em agosto de 2026. A qualificação profissional de mão de obra local contou com investimentos em programas conjuntos entre o Governo Estadual, Sistema Fiems e universidades públicas.
As prefeituras dos municípios localizados no raio de influência das florestas plantadas registraram um incremento substancial no recolhimento do Imposto sobre Serviços (ISS) e na cota-parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os recursos arrecadados vêm sendo aplicados em obras de ampliação da rede de atenção primária à saúde, construção de creches, pavimentação de vias urbanas e estruturação de polos de ensino técnico voltados às demandas da indústria pesada.
O ecossistema florestal de Mato Grosso do Sul se destaca ainda pelo modelo de integração entre lavoura, pecuária e floresta (ILPF), permitindo que áreas de pastagens degradadas sejam convertidas em maciços florestais produtivos sem avançar sobre vegetação nativa do Pantanal ou do Cerrado. Essa dinâmica assegura o cumprimento de exigências ambientais rigorosas exigidas pelos compradores internacionais mais criteriosos.
Sustentabilidade e Matriz Energética de Carbono Neutro
A sustentabilidade ambiental constitui o pilar central da expansão da indústria de celulose em solo sul-mato-grossense. As unidades industriais instaladas no Estado operam sob o conceito de economia circular, onde praticamente todos os resíduos do processo de cozimento da madeira são reaproveitados para a produção de vapor de alta pressão e produtos químicos constitutivos. A cinza resultante da queima da biomassa é aplicada como corretivo de solo nas áreas florestais, fechando o ciclo produtivo.
No quesito hídrico, a tecnologia implementada nas novas plantas fabris reduz drasticamente o consumo específico de água por tonelada de celulose produzida, utilizando circuitos fechados de lavagem da polpa e tratamento avançado de efluentes antes do lançamento nos corpos hídricos. Os relatórios de monitoramento ambiental demonstram que os efluentes tratados cumprem integralmente os padrões exigidos pelas normas da Companhia Ambiental do Estado.
A neutralidade climática do setor é impulsionada pela capacidade de sequestro de carbono das florestas plantadas de eucalipto, que absorvem milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera ao longo de seu ciclo de crescimento de seis anos. Esse balanço positivo fortalece a posição de Mato Grosso do Sul no mercado global de créditos de carbono de alta integridade.
Tabela de Indicadores de Produção e Exportação
A tabela a seguir apresenta os principais dados e números que caracterizam o desempenho do setor de celulose e bioenergia no Estado em 2026:
| Indicador Econômico / Operacional | Desempenho Registrado em 2026 |
|---|---|
| Volume Exportado (Jan-Ago) | 5,4 milhões de toneladas de celulose |
| Superávit Comercial da Cadeia | US$ 2,8 bilhões no acumulado do ano |
| Postos de Trabalho Gerados | Mais de 48.000 empregos (diretos e indiretos) |
| Principais Polos Produtores | Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência |
| Destinos Principais da Exportação | China, União Europeia e Estados Unidos |
| Capacidade de Geração Elétrica | Autossuficiência fabril + injeção de excedente no SIN |
Principais Fatores do Crescimento Econômico
Entre os elementos direcionadores da rápida expansão industrial e da liderança do Estado no setor, destacam-se:
- Condições edafoclimáticas ideais: Solo e clima favoráveis que proporcionam um dos menores ciclos de rotação de eucalipto do mundo (cerca de seis anos).
- Segurança jurídica e incentivos estaduais: Políticas públicas consolidadas de atração de investimentos privados e ambiente regulatório ágil.
- Malha logística em modernização: Investimentos na Malha Norte, hidrovias e duplicação de rodovias estaduais estratégicas para o escoamento ao Porto de Santos e Paranaguá.
- Mão de obra qualificada: Parcerias de capacitação continuada com o Senai e institutos federais tecnológicos.
- Compromisso de sustentabilidade: Certificações internacionais de manejo florestal sustentável exigidas pelos mercados importadores.
Impacto na Infraestrutura Regional e Logística
O aumento expressivo da produção exigiu um plano integrado de obras públicas de logística para suportar o tráfego de composições tritrens e vagões ferroviários. O Governo do Estado, em conjunto com concessionárias federais e estaduais, intensificou as obras de restauração e pavimentação das rodovias MS-040, MS-338 e MS-316, conectando as regiões produtoras às rotas de exportação.
No modal ferroviário, a ampliação dos pátios de manobra e a modernização da sinalização das vias operadas pela concessionária garantiram o aumento da velocidade média dos trens de carga que transportam celulose até os terminais portuários litorâneos. Além disso, os estudos para a plena consolidação do Corredor Bioceânico trazem a perspectiva de abertura de novas rotas de escoamento pelo Oceano Pacífico rumo ao mercado asiático.
A infraestrutura urbana dos municípios do entorno também recebeu investimentos privados diretos das empresas do setor como contrapartida às licenças ambientais. Foram construídas novas vias de acesso, trevos em nível, contornos rodoviários e conjuntos habitacionais planejados para acomodar os novos moradores e trabalhadores da cadeia fabril.
Perguntas Frequentes sobre a Cadeia da Celulose em MS
Como a produção de celulose contribui para a geração de energia elétrica limpa no Brasil?
As fábricas modernas de celulose utilizam a licor negro (subproduto da digestão da madeira) e resíduos de casca de eucalipto em caldeiras de biomassa para gerar vapor em alta pressão. Este vapor movimenta turbinas termoelétricas que geram eletricidade suficiente para suprir 100% da demanda interna da fábrica. O excedente de energia elétrica produzido é injetado diretamente no Sistema Interligado Nacional (SIN), abastecendo milhares de residências e indústrias brasileiras com energia limpa e renovável.
O crescimento das florestas de eucalipto traz riscos de desmatamento da vegetação nativa?
Não. A Legislação Ambiental Brasileira e as normas estaduais de Mato Grosso do Sul proíbem rigorosamente a supressão de vegetação nativa do Cerrado e do Pantanal para o plantio de florestas exóticas. Os maciços florestais de eucalipto são implantados exclusivamente em áreas agrícolas consolidadas ou pastagens com histórico de degradação. Além disso, as empresas mantêm por lei reservas legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs) preservadas, criando corredores ecológicos para a fauna local.
Quais são os principais investimentos em infraestrutura previstos para dar suporte ao setor?
O plano de investimentos estaduais e concedidos abrange a pavimentação de trechos estratégicos de rodovias estaduais na Região Leste, a duplicação de acessos urbanos e o fortalecimento de pontes e viadutos. No setor ferroviário, há projetos de ampliação da capacidade de carga nos trilhos que cortam o Estado com destino aos portos do Sudeste, além da futura integração com a infraestrutura da Rota Bioceânica, reduzindo custos de frete e tempo de transporte para a Ásia.
Fonte: Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC)
Redação Foco do Estado
Repórter
💬 Fale com a Redação
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal? Envie fotos, vídeos e informações direto para nossos jornalistas no WhatsApp.
Leia também
Plano de infraestrutura em MS acelera obras da Rota Bioceânica e impulsiona Safra 2026
17 de setembro de 2026
📈 EconomiaGoverno de MS Consolida Polo de Celulose e Atrai R$ 90 Bilhões em Investimentos Privados
16 de setembro de 2026
📈 EconomiaProcon-MS Orienta Consumidores Sobre Ressarcimento por Perdas com Falta de Energia
13 de setembro de 2026
📈 EconomiaCibersegurança em 2027: O Que Esperar do Cenário de Ameaças, IA e Criptografia Quântica
11 de setembro de 2026