Motociclista morre em colisão com carreta na MS-157 entre Dourados e Itaporã
Vítima de 28 anos seguia em direção a Dourados quando colidiu na traseira da carreta. Trecho é alvo de reclamações por falta de iluminação e acostamento.

Um motociclista de 28 anos morreu após colidir na traseira de uma carreta na MS-157, entre Dourados e Itaporã, no início da noite desta segunda-feira, 31. O acidente ocorreu por volta das 18h45, no km 14 da rodovia, trecho que não possui iluminação pública e tem acostamento de terra.
A vítima, identificada como Thiago Oliveira dos Santos, natural de Dourados, pilotava uma Honda CG 160 e seguia no sentido Itaporã-Dourados quando colidiu na traseira de uma carreta bitrem que transportava soja. Segundo informações preliminares da Polícia Militar Rodoviária (PMR), a carreta estava reduzindo velocidade para acessar a entrada de uma propriedade rural à margem direita da rodovia.
O Corpo de Bombeiros de Dourados foi acionado às 18h52 e chegou ao local em 15 minutos, mas a vítima já apresentava sinais de óbito. O médico do Samu que acompanhou a equipe constatou o falecimento no local. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Dourados para exame necroscópico.
Circunstâncias da colisão
A PMR isolou o local para a perícia, que trabalhou até as 22h para reconstituir a dinâmica do acidente. As marcas no pavimento indicam que a motocicleta seguia a uma velocidade compatível com a rodovia (limite de 80 km/h no trecho), mas a falta de iluminação e a poeira levantada pela carreta na entrada de terra podem ter reduzido a visibilidade do motociclista.
Testemunhas relataram que a carreta estava com sinalização de alerta (pisca-alerta) ligada no momento da redução de velocidade, e que as luzes traseiras funcionavam normalmente. No entanto, a refletividade da parte traseira do veículo foi considerada inadequada durante a perícia — o painel refletivo estava parcialmente encoberto por poeira e barro, reduzindo significativamente sua eficiência em condições de pouca luz.
O condutor da carreta, um homem de 47 anos de Maracaju, fez o teste do etilômetro com resultado negativo e prestou depoimento na delegacia. Ele não foi preso, mas a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do acidente.
Trecho perigoso
O km 14 da MS-157 é apontado pela comunidade como um dos pontos mais perigosos da rodovia. A combinação de tráfego pesado de carretas graneleiras (a região é grande produtora de soja), falta de iluminação, ausência de acostamento pavimentado e acessos a propriedades rurais sem faixas de desaceleração cria uma zona de alto risco, especialmente no período noturno.
Dados da PMR mostram que o trecho entre os km 10 e km 20 da MS-157 concentrou 23 acidentes graves em 2025, com 4 mortes e 31 feridos. Do total de acidentes, 14 envolveram motocicletas — refletindo a alta presença de motociclistas na região, onde a moto é o principal meio de transporte entre as comunidades rurais e as cidades.
A Prefeitura de Dourados e o Governo do Estado já foram notificados pelo Ministério Público Estadual sobre a necessidade de melhorias no trecho, incluindo a instalação de iluminação pública, pavimentação de acostamentos e construção de faixas de desaceleração nos acessos a propriedades. A Agesul informou que o projeto de melhorias está em fase de elaboração, mas não apresentou cronograma.
Thiago Oliveira dos Santos trabalhava como auxiliar de manutenção em uma cooperativa agrícola de Itaporã e retornava para casa após o expediente. Ele era solteiro e deixa pais e um irmão. O velório foi marcado para a manhã de terça-feira, no Velório Municipal de Dourados.
Cobranças por melhorias se intensificam
A morte de Thiago reacende o debate sobre a segurança viária nas rodovias estaduais de MS que cortam regiões de produção agrícola intensa. A MS-157, com 96 km de extensão, conecta Dourados a Itaporã e é utilizada diariamente por centenas de carretas graneleiras nos períodos de safra, compartilhando o pavimento com veículos de passeio e motocicletas.
O Conselho Regional de Trânsito de Dourados já encaminhou, em novembro de 2025, um relatório técnico à Agesul solicitando a instalação de iluminação em LEDs nos 15 pontos mais críticos da rodovia, sinalização horizontal tipo "olho de gato" refletivo e a construção de baias de desaceleração nos 23 acessos a propriedades rurais entre os km 5 e km 30. O custo estimado das melhorias é de R$ 8,4 milhões.
A Associação dos Motociclistas de Dourados divulgou nota lamentando a morte e convocando uma manifestação pacífica para a próxima sexta-feira, pedindo medidas imediatas de segurança. "Não podemos aceitar que rodovias movimentadas como a MS-157 continuem sem iluminação. São vidas que poderiam ser salvas com investimentos básicos", disse o presidente da entidade.
O Detran-MS informou que realizará, nas próximas semanas, uma operação de fiscalização focada na refletividade e condições de sinalização de veículos pesados na região. Carretas com painéis refletivos danificados ou obstruídos serão autuadas e impedidas de circular até a regularização.
Fonte: PMR / Corpo de Bombeiros
❓ Perguntas Frequentes
No km 14, trecho entre Dourados e Itaporã, próximo ao posto fiscal desativado. O local não possui iluminação pública nem acostamento pavimentado.
A Polícia Militar Rodoviária investiga. Testemunhas relataram que a carreta estava reduzindo velocidade para acessar a entrada de uma fazenda quando a motocicleta colidiu na traseira.
Sim. A vítima usava capacete com viseira, mas o impacto foi tão forte que o equipamento se desprendeu durante a colisão.
Sim. Somente em 2025, foram registrados 23 acidentes graves no trecho, com 4 mortes. A falta de acostamento e de iluminação é apontada como fator agravante.
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Lucas Martins
Repórter
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