Câmara de Campo Grande aprova telemedicina com trava contra terceirização da saúde
Vereadores aprovam regulamentação da telemedicina em CG. Emenda impede terceirização da gestão dos serviços de saúde e garante atendimento presencial.

Câmara de Campo Grande aprova telemedicina com trava contra terceirização da saúde
A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou nesta terça-feira (19) o projeto de lei que regulamenta a prática da telemedicina e da telessaúde na rede pública de saúde da capital. A aprovação ocorreu com a inclusão de uma emenda fundamental que estabelece travas contra a terceirização dos serviços públicos de saúde.
O que prevê o projeto
O PL 11.603/25, de autoria dos vereadores Rafael Tavares e André Salineiro (PL), tem como objetivo modernizar o atendimento médico na rede municipal, permitindo que consultas de baixa complexidade possam ser realizadas de forma remota, por videochamada ou plataformas digitais.
Entre os principais pontos da regulamentação estão:
- Redução de filas: Consultas de acompanhamento e retorno poderão ser feitas remotamente, liberando vagas presenciais para casos que exigem exame físico
- Menos deslocamentos: Pacientes de regiões periféricas não precisarão se deslocar até UBSs centrais para consultas simples
- Laudos digitais: Exames laboratoriais e de imagem poderão ser laudados por especialistas à distância, agilizando diagnósticos
- Prontuário integrado: O sistema prevê integração com o prontuário eletrônico da rede municipal
A emenda que protege o SUS
O ponto mais polêmico do projeto foi a possibilidade de parcerias com a iniciativa privada para operacionalizar o sistema de telemedicina. O vereador Jean Ferreira (PT) apresentou uma emenda — aprovada pela maioria dos vereadores — que estabelece limites claros.
A emenda determina que parceiros privados podem fornecer apenas:
- Tecnologia e infraestrutura digital
- Suporte técnico e manutenção de sistemas
- Capacitação de profissionais de saúde
Em contrapartida, ficam expressamente proibidas:
- A transferência da gestão dos serviços de saúde a terceiros
- A substituição de profissionais, equipes ou unidades próprias da rede municipal
- A terceirização da regulação e da coordenação assistencial
Direito do paciente ao atendimento presencial
A legislação aprovada garante que o paciente tem o direito de recusar o atendimento remoto a qualquer momento, sem necessidade de justificativa. Nesse caso, a rede municipal é obrigada a oferecer atendimento presencial em unidade de saúde próxima ao domicílio do cidadão.
Essa proteção foi incluída para garantir que a telemedicina seja uma opção adicional, e não uma substituição forçada do atendimento presencial, especialmente para idosos e pessoas com dificuldade de acesso à tecnologia.
Votação e oposição
O projeto foi aprovado com três votos contrários na votação final em plenário. Os vereadores que votaram contra argumentaram que a telemedicina pode mascarar a precarização da saúde pública, com redução de investimentos em infraestrutura presencial.
O projeto já havia avançado em primeira discussão no dia 14 de maio, quando foram apresentadas e debatidas as emendas. A votação final ocorreu nesta terça-feira, completando a tramitação legislativa.
Próximos passos
O projeto segue agora para sanção do prefeito, que tem prazo de 15 dias úteis para sancionar ou vetar. Caso sancionado, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) terá 90 dias para regulamentar a implementação da telemedicina na rede, incluindo a definição de protocolos clínicos, plataformas tecnológicas e treinamento de profissionais.
Contexto nacional
Campo Grande se junta a outras capitais brasileiras que já regulamentaram a telemedicina em suas redes municipais. A prática ganhou impulso durante a pandemia de Covid-19 e foi consolidada pela Lei Federal nº 14.510/2022, que autorizou a telemedicina em todo o território nacional. No entanto, a regulamentação municipal é necessária para estabelecer as regras específicas de cada rede pública local.
Com informações da Câmara Municipal de Campo Grande e veículos locais.
💰 O que muda para o cidadão
Consultas remotas
Disponíveis na rede municipal
Direito do paciente
Pode recusar e exigir presencial
Terceirização
Proibida para gestão da saúde
Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande
❓ Perguntas Frequentes
A regulamentação permite consultas remotas pela rede municipal, reduz filas e deslocamentos. O paciente mantém o direito de pedir atendimento presencial.
Não. Uma emenda aprovada proíbe a terceirização da gestão, regulação e coordenação da saúde pública. Parceiros privados podem fornecer apenas tecnologia e suporte técnico.
Redação Foco do Estado
Repórter
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