Chikungunya avança em MS com 3.490 casos e 13 mortes em 2026; vacinação ainda limitada
Boletim da SES-MS de 23 de abril aponta crescimento de chikungunya em MS; Dourados concentra mais infectados e a vacina segue limitada a grupos prioritários.

O boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) registra 3.490 casos confirmados de chikungunya em Mato Grosso do Sul no ano de 2026, com 13 óbitos registrados. A doença avança pelo estado, com Dourados concentrando o maior número de infectados, enquanto a vacinação segue restrita a grupos prioritários.
O Que Aconteceu
A SES-MS divulgou o boletim epidemiológico semanal que consolida os dados de monitoramento das arboviroses em todo o estado. O documento aponta crescimento no número de casos de chikungunya em relação à semana anterior, com novos municípios entrando na faixa de alerta epidemiológico.
Paralelamente, a dengue registra 597 casos confirmados em 2026, sem óbitos até o momento — dados bem mais controlados do que a chikungunya, que segue em trajetória ascendente preocupante.
Os 13 óbitos por chikungunya em 2026 estão concentrados principalmente em pessoas idosas com doenças preexistentes, como cardiopatias, insuficiência renal e doenças respiratórias crônicas. A combinação da febre alta com as condições de saúde fragilizadas é o principal fator de mortalidade.
Contexto da Epidemia
Mato Grosso do Sul vive uma situação epidêmica de chikungunya que se intensificou no verão de 2026. Dourados foi o primeiro município a ter a emergência reconhecida pelo Ministério da Saúde e permanece como o epicentro da doença no estado.
A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti — o mesmo vetor da dengue e da zika —, mas apresenta características clínicas distintas: a dor articular intensa é o sintoma mais marcante e pode se tornar crônica em uma parcela dos infectados, levando a meses de limitação funcional mesmo após a recuperação.
| Arbovirose | Casos 2026 | Óbitos |
|---|---|---|
| Chikungunya | 3.490 | 13 |
| Dengue | 597 | 0 |
| Zika | Dados em apuração | — |
Vacinação em MS
A vacina Ixchiq (Valneva), aprovada pela Anvisa para uso em adultos acima de 18 anos, está sendo distribuída prioritariamente para grupos de risco nos municípios com maior incidência. A aplicação em rede pública segue restrita, mas o governo estadual trabalha para ampliar o acesso.
Para a população em geral, a vacina está disponível em clínicas privadas de vacinação, com custo entre R$ 350 e R$ 700 por dose (dose única).
O Que Dizem os Envolvidos
A SES-MS reforça que a prevenção pela eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal medida de controle. O estado mantém equipes de vigilância epidemiológica em campo para monitorar a evolução dos casos.
"A chikungunya é uma emergência de saúde pública em Mato Grosso do Sul. Pedimos à população que elimine criadouros de mosquito e que procure atendimento médico imediatamente ao apresentar febre e dores nas articulações", alertou a SES-MS.
Sintomas e Como Agir
Se você apresentar febre alta e dores nas articulações — especialmente nas mãos, pés, joelhos e coluna — procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Não tome anti-inflamatórios sem orientação médica.
Telefones úteis:
- Disque Saúde: 136
- SAMU: 192
- UBS de referência do seu bairro
Próximos Passos
A SES-MS continuará publicando boletins epidemiológicos semanais com a evolução dos casos. O Ministério da Saúde analisa a ampliação da distribuição de doses da vacina Ixchiq para os municípios com maior incidência. A vigilância epidemiológica reforçará o bloqueio de focos nos bairros com maior concentração de casos.
Fontes e Referências
- SES-MS — Secretaria de Estado de Saúde (saude.ms.gov.br)
- Agência de Notícias de Mato Grosso do Sul (agenciadenoticias.ms.gov.br)
- MS.gov.br (ms.gov.br)
💰 Boletim Chikungunya — MS, 23/04/2026
Casos confirmados
3.490
Óbitos
13
Dengue (paralelo)
597 casos, sem mortes
Município mais afetado
Dourados
Fonte: SES-MS / Agência de Notícias MS
❓ Perguntas Frequentes
A chikungunya é uma doença viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos vetores da dengue e da zika. Os sintomas característicos são febre alta de início súbito e dor articular intensa — muitas vezes incapacitante — nas mãos, pés, joelhos e coluna. Em casos graves, especialmente em idosos com doenças preexistentes (cardíacas, renais, respiratórias), a chikungunya pode causar complicações fatais. Diferentemente da dengue, a dor articular da chikungunya pode persistir por meses ou anos após a infecção, causando um quadro de artrite crônica.
Sim. A vacina Ixchiq, aprovada pela Anvisa em 2024 para adultos acima de 18 anos, está disponível no Brasil. Em MS, a vacinação pública é destinada a grupos prioritários, como idosos, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde em regiões de surto. Para a população geral, a vacina pode ser encontrada em clínicas particulares de vacinação, com valores que variam entre R$ 350 e R$ 700 por dose (é necessária apenas uma dose). O governo estadual está ampliando a disponibilidade em municípios com maior incidência.
A prevenção da chikungunya é idêntica à da dengue, pois ambas são transmitidas pelo mesmo mosquito. As principais medidas são: eliminar recipientes com água parada (pratos de vasos, pneus, calhas, caixas d'água sem tampa), usar repelente com DEET ou IR3535, usar roupas que cubram braços e pernas em períodos de maior atividade do mosquito (ao amanhecer e ao entardecer), instalar telas em janelas e portas e dormir com mosquiteiro em áreas de risco. Em caso de febre e dores nas articulações, procure uma UBS imediatamente e evite o uso de anti-inflamatórios sem orientação médica.
Camila Ferreira
Repórter
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