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segunda-feira, 20 de abril de 2026
🏥 Saúde

Chikungunya avança em MS: estado soma 5 mil casos e 12 mortes em 2026

Dourados lidera com mais de 1.800 casos prováveis; Secretaria de Saúde intensifica nebulização e bloqueio de focos do Aedes aegypti

Patrícia Souza8 min de leituraDourados
Chikungunya avança em MS: estado soma 5 mil casos e 12 mortes em 2026

Doze mortes confirmadas. Mais de cinco mil casos prováveis. A chikungunya avança em Mato Grosso do Sul em ritmo quatro vezes maior do que no ano passado e já configura a pior epidemia da doença na história do estado. Os dados são do último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), divulgado neste domingo, 19 de abril.

O Que Aconteceu

O boletim epidemiológico da 16ª semana de 2026 contabiliza 5.237 casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul — um aumento de 320% em relação ao mesmo período de 2025, quando o estado registrava 1.100 casos acumulados. Os óbitos confirmados pela doença chegaram a 12, todos em pessoas com comorbidades ou acima de 60 anos.

Dourados lidera o ranking com 1.843 casos prováveis, o que equivale a uma taxa de incidência de 818 por 100 mil habitantes — mais de quatro vezes acima do limiar epidêmico. A cidade decretou situação de emergência em saúde pública no início de março e mantém operações diárias de nebulização e bloqueio de focos.

Municípios Mais Afetados

Município Casos prováveis Óbitos
Dourados 1.843 4
Naviraí 624 2
Itaporã 387 1
Campo Grande 293 2
Caarapó 218 1
Outros (18 municípios) 1.872 2

Ações do Governo

A SES-MS intensificou o combate ao Aedes aegypti com as seguintes medidas:

  • Nebulização: equipes operam diariamente em Dourados, Naviraí e Itaporã com veículos lança-névoa
  • Bloqueio de focos: agentes comunitários de saúde realizam visitas domiciliares em bairros críticos
  • Capacitação médica: treinamento para profissionais de saúde no manejo da dor articular crônica
  • Mutirões de limpeza: parcerias com prefeituras para remoção de lixo e entulho em terrenos baldios

A secretária de Saúde alertou que o período chuvoso — que se estende até maio — mantém as condições favoráveis para a reprodução do mosquito. "Estamos em uma corrida contra o tempo. Cada foco eliminado pode prevenir dezenas de novos casos", afirmou.

Alerta para Dores Crônicas

Diferentemente da dengue, a chikungunya é conhecida pela dor articular prolongada que pode persistir por meses ou anos após a infecção aguda. Em Dourados, os serviços de reumatologia estão com filas de espera de até 90 dias, já que muitos pacientes desenvolvem artrite crônica pós-chikungunya.

A SES-MS orienta que pessoas com febre alta e dores articulares intensas procurem atendimento médico imediato e evitem automedicação, especialmente com anti-inflamatórios que contenham ácido acetilsalicílico (aspirina), que pode agravar quadros hemorrágicos.

💰 Epidemia de chikungunya

1

Casos prováveis

5.200+

2

Óbitos confirmados

12

3

Município mais afetado

Dourados (1.800 casos)

4

Municípios em alerta

23

Fonte: SES-MS / Rádio Caçula

❓ Perguntas Frequentes

Até a 16ª semana epidemiológica de 2026, Mato Grosso do Sul registrou mais de 5.200 casos prováveis de chikungunya e 12 óbitos confirmados pela doença. Dourados é o município mais afetado, com mais de 1.800 casos prováveis, seguido por Naviraí (620), Itaporã (380) e Campo Grande (290). O número de casos é mais de quatro vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o estado tinha 1.100 casos acumulados. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) classifica 23 municípios em situação de alerta ou emergência epidemiológica.

A chikungunya causa febre alta (acima de 38,5°C), dores articulares intensas (especialmente mãos, pés, joelhos e tornozelos), dor de cabeça, dor muscular e erupções cutâneas. O diferencial da doença são as dores articulares crônicas, que podem persistir por meses ou anos após a infecção. A prevenção se concentra no combate ao mosquito Aedes aegypti: eliminar água parada, usar repelente, instalar telas em janelas e portas, e manter quintais limpos. Não existe vacina disponível para chikungunya no Brasil em 2026.

Dourados concentra o maior número de casos por uma combinação de fatores: clima quente e úmido favorável à reprodução do Aedes aegypti, áreas urbanas com grande quantidade de terrenos baldios e lixo acumulado, adensamento populacional em bairros periféricos com infraestrutura sanitária precária, e circulação prévia do sorotipo do vírus chikungunya que encontrou população vulnerável. A cidade de 225 mil habitantes já havia registrado surtos de dengue nos anos anteriores, indicando alta infestação do mosquito transmissor.

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PS

Patrícia Souza

Repórter