Chikungunya avança em MS: estado soma 5 mil casos e 12 mortes em 2026
Dourados lidera com mais de 1.800 casos prováveis; Secretaria de Saúde intensifica nebulização e bloqueio de focos do Aedes aegypti

Doze mortes confirmadas. Mais de cinco mil casos prováveis. A chikungunya avança em Mato Grosso do Sul em ritmo quatro vezes maior do que no ano passado e já configura a pior epidemia da doença na história do estado. Os dados são do último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), divulgado neste domingo, 19 de abril.
O Que Aconteceu
O boletim epidemiológico da 16ª semana de 2026 contabiliza 5.237 casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul — um aumento de 320% em relação ao mesmo período de 2025, quando o estado registrava 1.100 casos acumulados. Os óbitos confirmados pela doença chegaram a 12, todos em pessoas com comorbidades ou acima de 60 anos.
Dourados lidera o ranking com 1.843 casos prováveis, o que equivale a uma taxa de incidência de 818 por 100 mil habitantes — mais de quatro vezes acima do limiar epidêmico. A cidade decretou situação de emergência em saúde pública no início de março e mantém operações diárias de nebulização e bloqueio de focos.
Municípios Mais Afetados
| Município | Casos prováveis | Óbitos |
|---|---|---|
| Dourados | 1.843 | 4 |
| Naviraí | 624 | 2 |
| Itaporã | 387 | 1 |
| Campo Grande | 293 | 2 |
| Caarapó | 218 | 1 |
| Outros (18 municípios) | 1.872 | 2 |
Ações do Governo
A SES-MS intensificou o combate ao Aedes aegypti com as seguintes medidas:
- Nebulização: equipes operam diariamente em Dourados, Naviraí e Itaporã com veículos lança-névoa
- Bloqueio de focos: agentes comunitários de saúde realizam visitas domiciliares em bairros críticos
- Capacitação médica: treinamento para profissionais de saúde no manejo da dor articular crônica
- Mutirões de limpeza: parcerias com prefeituras para remoção de lixo e entulho em terrenos baldios
A secretária de Saúde alertou que o período chuvoso — que se estende até maio — mantém as condições favoráveis para a reprodução do mosquito. "Estamos em uma corrida contra o tempo. Cada foco eliminado pode prevenir dezenas de novos casos", afirmou.
Alerta para Dores Crônicas
Diferentemente da dengue, a chikungunya é conhecida pela dor articular prolongada que pode persistir por meses ou anos após a infecção aguda. Em Dourados, os serviços de reumatologia estão com filas de espera de até 90 dias, já que muitos pacientes desenvolvem artrite crônica pós-chikungunya.
A SES-MS orienta que pessoas com febre alta e dores articulares intensas procurem atendimento médico imediato e evitem automedicação, especialmente com anti-inflamatórios que contenham ácido acetilsalicílico (aspirina), que pode agravar quadros hemorrágicos.
💰 Epidemia de chikungunya
Casos prováveis
5.200+
Óbitos confirmados
12
Município mais afetado
Dourados (1.800 casos)
Municípios em alerta
23
Fonte: SES-MS / Rádio Caçula
❓ Perguntas Frequentes
Até a 16ª semana epidemiológica de 2026, Mato Grosso do Sul registrou mais de 5.200 casos prováveis de chikungunya e 12 óbitos confirmados pela doença. Dourados é o município mais afetado, com mais de 1.800 casos prováveis, seguido por Naviraí (620), Itaporã (380) e Campo Grande (290). O número de casos é mais de quatro vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o estado tinha 1.100 casos acumulados. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) classifica 23 municípios em situação de alerta ou emergência epidemiológica.
A chikungunya causa febre alta (acima de 38,5°C), dores articulares intensas (especialmente mãos, pés, joelhos e tornozelos), dor de cabeça, dor muscular e erupções cutâneas. O diferencial da doença são as dores articulares crônicas, que podem persistir por meses ou anos após a infecção. A prevenção se concentra no combate ao mosquito Aedes aegypti: eliminar água parada, usar repelente, instalar telas em janelas e portas, e manter quintais limpos. Não existe vacina disponível para chikungunya no Brasil em 2026.
Dourados concentra o maior número de casos por uma combinação de fatores: clima quente e úmido favorável à reprodução do Aedes aegypti, áreas urbanas com grande quantidade de terrenos baldios e lixo acumulado, adensamento populacional em bairros periféricos com infraestrutura sanitária precária, e circulação prévia do sorotipo do vírus chikungunya que encontrou população vulnerável. A cidade de 225 mil habitantes já havia registrado surtos de dengue nos anos anteriores, indicando alta infestação do mosquito transmissor.
Patrícia Souza
Repórter
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