Chikungunya avança em MS com mais de 3.200 casos e 7 óbitos: estado lidera incidência nacional
Onze municípios estão em situação de epidemia e a doença já chegou a 37 das 79 cidades do estado. SES reforça ações de combate ao Aedes aegypti

Mato Grosso do Sul enfrenta em 2026 um cenário epidemiológico alarmante com a febre chikungunya assumindo protagonismo sobre a dengue e colocando o estado entre os líderes nacionais em incidência da doença. Os dados mais recentes da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), referentes ao boletim epidemiológico do final de março, apontam mais de 3.200 casos prováveis da doença, 7 óbitos confirmados e 11 municípios classificados oficialmente em situação de epidemia — um quadro que mobiliza todas as esferas de governo e exige ação urgente da população.
A chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito Aedes aegypti responsável pela dengue e pela zika, tem se espalhado rapidamente pelo estado. Até o momento, 37 das 79 cidades de Mato Grosso do Sul registraram circulação confirmada do vírus, com concentração mais intensa nas regiões Sudeste e Cone-Sul do estado — áreas que combinam clima quente, alta umidade e precariedade no saneamento básico em determinados bairros periféricos.
Municípios em estado de epidemia
Os 11 municípios que tiveram epidemia declarada pelas autoridades sanitárias enfrentam índices de infestação do Aedes aegypti acima do limiar crítico (mais de 3,9% no Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti — LIRAa). Entre eles, destacam-se cidades das regiões mais populosas do interior:
As prefeituras desses municípios decretaram situação de emergência em saúde pública, o que permite a aquisição emergencial de inseticidas, contratação temporária de agentes de endemias e intensificação das ações de bloqueio químico (fumacê) nos bairros com maior concentração de casos.
A SES-MS reforça que a chikungunya difere da dengue em um aspecto crucial: as dores articulares causadas pelo vírus chikungunya podem persistir por meses ou até anos após a infecção aguda, gerando impacto prolongado na qualidade de vida dos pacientes e sobrecarregando o sistema de saúde com demandas de acompanhamento reumatológico.
Perfil dos óbitos e grupos de risco
Os 7 óbitos confirmados até o final de março apresentam um padrão comum identificado pela vigilância epidemiológica estadual. A maioria das vítimas fatais pertencia a grupos de risco conhecidos para complicações da chikungunya:
- Idosos acima de 65 anos, com comorbidades como hipertensão e diabetes
- Pacientes em uso de medicamentos imunossupressores
- Pessoas com doenças reumatológicas preexistentes
A SES-MS alerta que, diferentemente da dengue — que em 2026 apresenta cenário menos grave no estado, com número significativamente menor de casos e nenhum óbito confirmado —, a chikungunya tem demonstrado capacidade de evolução para formas graves em idosos e pacientes com comorbidades, com quadros de encefalite, miocardite e insuficiência respiratória que exigem internação em UTI.
Dengue com números menores, mas vigilância mantida
Enquanto a chikungunya domina o cenário epidemiológico, a dengue apresenta números consideravelmente menores em Mato Grosso do Sul neste início de 2026. Os boletins da SES-MS apontam uma redução significativa nos casos prováveis de dengue em comparação com o mesmo período de 2025, quando o estado viveu uma das piores epidemias de sua história.
Até o final de março de 2026, não houve registro de óbitos confirmados por dengue no estado. A SES-MS atribui a menor incidência a uma combinação de fatores: a imunidade adquirida pela população após a epidemia de 2025, a campanha de vacinação contra a dengue voltada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos (público prioritário da vacina Qdenga) e as ações intensificadas de combate ao mosquito nos municípios mais afetados no ano anterior.
No entanto, as autoridades sanitárias mantêm o alerta: o Aedes aegypti transmite tanto dengue quanto chikungunya e zika, e a redução de uma doença não elimina o risco das demais. Com o início do outono e a permanência de temperaturas elevadas em MS, as condições ambientais continuam favoráveis à reprodução do vetor.
Ações governamentais e mobilização
A Secretaria de Estado de Saúde intensificou as ações de combate ao Aedes aegypti em todo o estado, com investimentos em:
Mutirões de limpeza: Equipes da SES-MS e das secretarias municipais realizaram mais de 150 mutirões de limpeza em bairros de alta incidência nas últimas quatro semanas, removendo focos de água parada e orientando moradores sobre a eliminação de criadouros em quintais, caixas d'água, pneus e vasos de plantas.
Aplicação de inseticidas: O fumacê tem sido utilizado em esquema rotativo nos municípios em epidemia, com aplicações nos períodos da manhã e do final da tarde — horários de maior atividade do mosquito. A SES-MS reforça que a nebulização é uma medida complementar e que a eliminação mecânica dos criadouros continua sendo a ação mais eficaz.
Capacitação de profissionais de saúde: Foram realizados treinamentos em 12 polos regionais de saúde para médicos, enfermeiros e agentes comunitários sobre o diagnóstico diferencial entre dengue, chikungunya e zika, o manejo clínico de pacientes com formas graves e o protocolo de notificação de óbitos suspeitos.
Laboratório de referência: O Laboratório Central de Saúde Pública de MS (Lacen) ampliou a capacidade de processamento de amostras para diagnóstico molecular (RT-PCR) de chikungunya, reduzindo o tempo de liberação dos resultados de 7 para 3 dias úteis.
Sistema de alerta extremo
No dia 30 de março, a população de Dourados — segunda maior cidade do estado e um dos epicentros da epidemia — recebeu alertas da Defesa Civil diretamente em seus aparelhos celulares, classificados como "alerta extremo" — o nível mais alto de urgência do sistema de avisos. As mensagens, que disparam notificações sonoras mesmo para celulares no modo silencioso, continham orientações sobre:
- Importância de eliminar água parada em todos os recipientes
- Manter quintais, lotes vagos e terrenos limpos
- Usar repelentes, especialmente em crianças e idosos
- Procurar atendimento médico imediato ao apresentar febre alta, dores articulares intensas e manchas avermelhadas na pele
O uso do sistema de alerta extremo, conforme informado pelo Ministério da Integração, foi coordenado com a Prefeitura de Dourados e as autoridades estaduais. É a primeira vez que o sistema é acionado em Mato Grosso do Sul para uma emergência sanitária — anteriormente, sua utilização havia sido restrita a desastres naturais como enchentes e tempestades severas.
Recomendações à população
A SES-MS reforça as orientações fundamentais para prevenção:
- Elimine água parada: vire garrafas de boca para baixo, limpe calhas, tampe caixas d'água, ponha areia nos pratos de vasos
- Use repelente: aplique repelente com DEET ou icaridina a cada 4 horas, especialmente em crianças e idosos
- Procure atendimento rápido: ao apresentar febre acima de 38,5°C acompanhada de dores articulares intensas, procure a unidade de saúde mais próxima
- Não se automedique: anti-inflamatórios como ibuprofeno e AAS são contraindicados nas arboviroses e podem agravar o quadro
- Denuncie terrenos sujos: ligue para a Vigilância Sanitária municipal ou para o Disque-Dengue (0800 644 0099)
Impacto econômico e previdenciário
Além do sofrimento dos pacientes, a epidemia de chikungunya gera impacto econômico relevante para o estado. A fase crônica da doença — que pode durar meses ou anos — afasta trabalhadores de suas atividades produtivas, gerando pedidos de auxílio-doença ao INSS e perda de produtividade para as empresas. Dados do Observatório de Saúde do Trabalhador de MS indicam que cada caso de chikungunya com evolução crônica resulta em uma média de 45 dias de afastamento do trabalho.
Com mais de 3.200 casos prováveis registrados no estado em 2026, e considerando que aproximadamente 30% evoluem para a forma crônica (cerca de 960 pacientes), o impacto previdenciário e econômico estimado pode ultrapassar R$ 15 milhões em benefícios, tratamentos reumatológicos e perda de produtividade ao longo do ano. O cenário reforça a urgência das ações preventivas e a necessidade de investimento contínuo no combate ao Aedes aegypti — uma guerra que, como reforça a SES-MS, se vence casa por casa, quintal por quintal.
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de MS (saude.ms.gov.br), Agência de Notícias do Governo de MS
💰 Panorama epidemiológico
Casos prováveis
3.200+
Óbitos confirmados
7
Municípios em epidemia
11
Cidades com circulação
37 de 79
Fonte: SES-MS / saude.ms.gov.br
❓ Perguntas Frequentes
Até o final de março de 2026, foram registrados mais de 3.200 casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul, com 7 óbitos confirmados.
As regiões Sudeste e Cone-Sul concentram a circulação mais intensa do vírus, com 11 municípios classificados em situação de epidemia.
Patrícia Souza
Repórter
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