Quase 6 kg de cocaína são encontrados escondidos em tanque de moto que saiu de Ponta Porã
Ação conjunta da PRF e PM Rodoviária apreendeu 42 tabletes da droga em Chapecó (SC); motociclista foi preso em flagrante

Uma ação conjunta da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina resultou na apreensão de quase 6 quilos de cocaína na rodovia SC-480, em Chapecó, no oeste catarinense. O caso, divulgado nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, teve origem em Mato Grosso do Sul, mais especificamente na cidade fronteiriça de Ponta Porã.
A fiscalização ocorreu após denúncia anônima de que uma motocicleta que havia partido de Ponta Porã estaria sendo utilizada para o transporte de drogas com destino ao sul do país. O veículo foi abordado no posto de fiscalização de Goio-Ên, distrito de Chapecó, após percorrer mais de 1.200 quilômetros desde a fronteira com o Paraguai.
Compartimento oculto no tanque
Durante a vistoria minuciosa do veículo, os policiais localizaram 42 tabletes de cocaína escondidos dentro de um compartimento oculto no tanque de combustível da motocicleta. A droga totalizou 5,9 quilos e tem valor estimado em R$ 350 mil no mercado ilegal do sul do Brasil.
O tanque havia sido modificado por especialistas para criar um espaço secreto que não comprometia o funcionamento normal da moto. "É uma técnica sofisticada que exige conhecimento mecânico", explicou o inspetor da PRF responsável pela operação. "A moto funcionava normalmente, o que dificulta a detecção em abordagens de rotina."
A modificação incluía:
| Componente | Alteração | Finalidade |
|---|---|---|
| Tanque original | Reduzido em 40% | Criar espaço para droga |
| Compartimento oculto | Soldado internamente | Esconder tabletes |
| Sistema de combustível | Adaptado | Manter funcionamento |
| Acabamento externo | Preservado | Evitar suspeitas |
Prisão e interrogatório
O motociclista, um homem de 34 anos natural de Dourados (MS), foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Durante o interrogatório, ele confessou que havia recebido R$ 5 mil para transportar a droga de Ponta Porã até Chapecó, onde entregaria a carga a um contato que não soube identificar.
Segundo o preso, ele já havia realizado a mesma rota pelo menos três vezes nos últimos meses, sempre utilizando motocicletas com tanques modificados. A cada viagem, recebia valores entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, dependendo da quantidade transportada.
O homem foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Chapecó, onde foi autuado por tráfico de drogas (art. 33 da Lei 11.343/2006), com pena prevista de 5 a 15 anos de reclusão. A motocicleta foi apreendida e será periciada para identificar a oficina responsável pelas modificações.
Rota do tráfico pela fronteira de MS
Ponta Porã é uma das principais portas de entrada de drogas no Brasil devido à sua fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. As duas cidades são separadas apenas por uma avenida, sem qualquer barreira física, o que facilita o trânsito de pessoas e mercadorias ilegais.
Dados da Secretaria de Segurança Pública de MS indicam que a região de fronteira concentra aproximadamente 60% das apreensões de cocaína no estado. Em 2025, foram apreendidas mais de 8 toneladas de cocaína em operações na faixa de fronteira sul-mato-grossense.
As principais rotas utilizadas pelos traficantes incluem:
- Ponta Porã → Dourados → Presidente Prudente (SP) — abastece o interior paulista
- Ponta Porã → Campo Grande → Cuiabá (MT) — segue para o norte do país
- Ponta Porã → Cascavel (PR) → Chapecó (SC) — abastece o sul do Brasil
- Ponta Porã → Maringá (PR) → São Paulo (SP) — rota alternativa para a capital
Operações integradas
A apreensão em Chapecó é resultado de um trabalho de inteligência integrado entre as polícias de MS, PR e SC. A denúncia que originou a operação partiu de informações compartilhadas pelo Gefron (Grupo Especial de Fronteira) de Mato Grosso do Sul.
O Gefron monitora constantemente as movimentações na fronteira e compartilha informações com forças de segurança de outros estados. "Quando identificamos um veículo suspeito saindo da região de fronteira, alertamos as polícias das rotas prováveis", explicou o coordenador do grupo.
Nos primeiros três meses de 2026, as operações integradas já resultaram em:
- 12 toneladas de maconha apreendidas
- 890 quilos de cocaína apreendidos
- 156 pessoas presas por tráfico
- 78 veículos apreendidos
Impacto no mercado de drogas
A cocaína apreendida em Chapecó abasteceria o mercado ilegal de cidades do oeste catarinense e noroeste gaúcho por aproximadamente duas semanas, segundo estimativas da polícia. A droga seria fracionada e vendida em porções menores, multiplicando seu valor de mercado.
O delegado responsável pelo caso em SC destacou que a apreensão representa um golpe significativo no tráfico regional. "Cada quilo de cocaína que tiramos de circulação significa menos dependentes, menos violência e menos famílias destruídas", afirmou.
Especialistas em segurança pública estimam que a cocaína pura apreendida em Ponta Porã, ao ser fracionada e misturada com adulterantes nos pontos de venda do sul do país, poderia render até R$ 1,5 milhão para as organizações criminosas. O preço do grama da cocaína no varejo de Chapecó oscila entre R$ 80 e R$ 120, valor significativamente superior aos R$ 30 a R$ 50 praticados nas cidades de fronteira.
Técnicas de ocultação cada vez mais sofisticadas
A apreensão em Chapecó evidencia a evolução das técnicas utilizadas pelos traficantes para transportar drogas pelas rodovias brasileiras. As forças de segurança registram um aumento expressivo no uso de compartimentos ocultos em veículos nos últimos anos.
Segundo levantamento da PRF, as principais estratégias de ocultação identificadas em 2025 e 2026 incluem:
- Tanques de combustível modificados — reduzidos internamente para criar espaço para tabletes de droga
- Painéis e portas com fundos falsos — soldados com compartimentos secretos acessíveis por mecanismos ocultos
- Assoalhos rebaixados — com chapas metálicas adicionais formando câmaras entre o piso original e o chassi
- Pneus estepe com interior revestido — onde a droga é embalada a vácuo e inserida dentro do pneu reserva
- Cargas legais como cobertura — a droga é escondida entre mercadorias lícitas em caminhões e vans
A PRF estima que apenas 15% a 20% das cargas de droga que cruzam a fronteira de MS são efetivamente interceptadas, o que reforça a necessidade de investimentos contínuos em tecnologia de detecção e inteligência policial.
Consequências legais para os envolvidos
O motociclista preso em Chapecó será processado com base no artigo 33 da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas), que prevê pena de 5 a 15 anos de reclusão e multa. Por se tratar de tráfico interestadual, a competência para julgamento pode ser transferida à Justiça Federal, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça.
A investigação busca agora identificar os responsáveis pela oficina que realizou as modificações no tanque da motocicleta. Caso localizados, os mecânicos poderão ser enquadrados como coautores do crime de tráfico, com as mesmas penas previstas para o transportador.
As autoridades também investigam possíveis conexões entre o preso e organizações criminosas que operam na faixa de fronteira de MS, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que disputam o controle das rotas de drogas na região.
Canais de denúncia
A população pode denunciar atividades suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas pelos seguintes canais:
- PRF: 191
- Polícia Civil: 197
- Disque-Denúncia: 181 (anônimo)
- Gefron MS: (67) 3318-6000
As autoridades reforçam que denúncias anônimas são fundamentais para o sucesso das operações de combate ao tráfico e garantem total sigilo ao denunciante.
Fonte: Polícia Rodoviária Federal, PM Rodoviária de Santa Catarina
💰 Números da apreensão
Cocaína apreendida
5,9 kg
Tabletes encontrados
42 unidades
Valor estimado
R$ 350 mil
Origem
Ponta Porã (MS)
Fonte: PRF / PM Rodoviária SC
❓ Perguntas Frequentes
Os traficantes modificaram o tanque de combustível da moto, criando um compartimento oculto onde foram escondidos os 42 tabletes de cocaína. A moto ainda funcionava normalmente, dificultando a detecção.
Ponta Porã faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, sem barreiras físicas entre as cidades. Essa característica facilita o trânsito de pessoas e mercadorias, sendo explorada pelo tráfico internacional.
Roberto Almeida
Repórter
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