DOF apreende R$ 2,1 milhões em contrabando e descaminho em caminhão-baú na MS-040
Motorista de 41 anos foi preso em Santa Rita do Pardo transportando 105 volumes com cigarros, eletrônicos e vestuário. Destino era São Paulo.

Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam um caminhão-baú carregado com materiais de contrabando e descaminho avaliados em aproximadamente R$ 2,1 milhões na rodovia MS-040, na zona rural de Santa Rita do Pardo. Um homem de 41 anos foi preso em flagrante. O veículo transportava 105 volumes contendo cigarros, cigarros eletrônicos, vestuário e essência de narguilé, com destino à cidade de São Paulo.
O Que Aconteceu
Os policiais do DOF realizavam bloqueio na MS-040, na zona rural do município de Santa Rita do Pardo, quando deram ordem de parada ao condutor do caminhão-baú. Durante a entrevista inicial, o homem de 41 anos não tentou dissimular a natureza da carga: afirmou aos policiais que transportava "muamba" — termo popular utilizado para designar mercadorias de contrabando e descaminho.
A vistoria no caminhão-baú revelou 105 volumes contendo uma variedade de produtos ilegais. Entre os itens apreendidos estavam cigarros convencionais, cigarros eletrônicos (vapes), peças de vestuário e essência de narguilé. A diversidade da carga indica que o transporte atendia a diferentes segmentos do mercado ilegal, desde o comércio de cigarros contrabandeados até a venda de produtos eletrônicos sem registro na Anvisa.
Questionado sobre a logística do transporte, o motorista informou que pegou os produtos em Campo Grande e os levaria até a cidade de São Paulo (SP), onde receberia R$ 6,5 mil pelo serviço. O valor do frete ilegal é significativamente superior ao de um frete convencional para a mesma rota, refletindo o risco envolvido no transporte de mercadorias ilegais.
O material apreendido, avaliado em aproximadamente R$ 2,1 milhões, foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Três Lagoas, juntamente com o motorista preso. A competência da Polícia Federal para investigar crimes de contrabando e descaminho decorre da natureza transnacional dessas infrações, que envolvem a entrada ilegal de mercadorias estrangeiras no território brasileiro.
Contexto e Histórico
O contrabando de cigarros é um dos crimes transfronteiriços de maior impacto econômico no Brasil. Segundo estimativas do setor, o mercado ilegal de cigarros representa uma parcela significativa do consumo total no país, causando perdas bilionárias em arrecadação tributária para os governos federal, estaduais e municipais. Os cigarros contrabandeados entram no Brasil principalmente pela fronteira com o Paraguai, que é um dos maiores produtores de cigarros destinados ao mercado ilegal brasileiro.
Mato Grosso do Sul, por sua extensa fronteira com o país vizinho, é um dos principais pontos de entrada dessas mercadorias. A partir da fronteira, os cigarros são transportados por rodovias estaduais e federais até os grandes centros consumidores, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A rota Campo Grande–São Paulo pela MS-040 e rodovias federais é uma das alternativas utilizadas pelos contrabandistas para evitar os bloqueios mais frequentes nas rodovias BR-163 e BR-267. Santa Rita do Pardo, município localizado na região leste de Mato Grosso do Sul, está no caminho entre Campo Grande e Três Lagoas, de onde a carga seguiria em direção ao estado de São Paulo. A escolha dessa rota demonstra o conhecimento detalhado que as organizações criminosas possuem sobre a distribuição das forças de segurança nas rodovias do estado.
Os cigarros eletrônicos (vapes) apreendidos na operação são produtos cuja comercialização é proibida no Brasil pela Anvisa desde 2009, com a proibição reforçada pela Resolução RDC 855/2024. Apesar da proibição, o mercado ilegal de cigarros eletrônicos tem crescido no Brasil, alimentado pelo contrabando de produtos fabricados na China, nos Estados Unidos e em outros países. A apreensão de vapes junto com cigarros convencionais demonstra que as organizações criminosas diversificam suas cargas para maximizar os lucros de cada transporte.
O transporte de mercadorias de contrabando e descaminho é crime previsto nos artigos 334 e 334-A do Código Penal brasileiro, com penas que variam de um a cinco anos de reclusão.
Impacto Para a População
A apreensão de R$ 2,1 milhões em contrabando retira do mercado produtos que causam prejuízos à economia formal e riscos à saúde dos consumidores.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Valor total apreendido | R$ 2,1 milhões |
| Volumes | 105 |
| Produtos | Cigarros, vapes, vestuário, essência de narguilé |
| Motorista preso | Homem de 41 anos |
| Rota | Campo Grande → São Paulo (MS-040) |
| Valor do frete ilegal | R$ 6,5 mil |
| Delegacia responsável | Polícia Federal em Três Lagoas |
| Denúncias | 0800 647-6300 (DOF) |
O contrabando e o descaminho de mercadorias causam prejuízos significativos à economia brasileira. Além da perda de arrecadação tributária, a entrada de produtos sem controle sanitário e de qualidade representa riscos à saúde e à segurança dos consumidores. Os cigarros contrabandeados não passam pelos controles da Anvisa e podem conter substâncias nocivas em concentrações superiores às permitidas pela legislação brasileira.
Para a população de Santa Rita do Pardo e da região da MS-040, a operação demonstra que o DOF amplia a cobertura de fiscalização para rodovias estaduais, dificultando a utilização de rotas alternativas pelos contrabandistas. A presença policial nessas vias inibe a ação das organizações criminosas e protege a economia formal.
O Que Dizem os Envolvidos
O DOF informou que a ação ocorreu no âmbito do Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, parceria entre a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública).
"A atuação do DOF não se limita ao combate ao tráfico de drogas. O Departamento de Operações de Fronteira atua de forma abrangente contra todas as modalidades de crime transfronteiriço, incluindo o contrabando de cigarros e eletrônicos, o descaminho de mercadorias e o tráfico de armas", informou a unidade em comunicado.
O motorista de 41 anos confessou a natureza ilegal da carga e informou os detalhes da rota e do pagamento que receberia. Foi encaminhado à Polícia Federal em Três Lagoas.
Próximos Passos
A Polícia Federal em Três Lagoas conduz as investigações para identificar a origem dos produtos, os fornecedores em Campo Grande e os receptadores em São Paulo, mapeando a cadeia completa do contrabando que operava na rota MS-040. A análise do celular do motorista e dos documentos encontrados no veículo deve fornecer pistas sobre os demais integrantes da organização.
O DOF mantém operações permanentes em rodovias estaduais como a MS-040, ampliando a cobertura de fiscalização e dificultando a utilização de rotas alternativas pelos contrabandistas. A cooperação com a Polícia Federal garante que os crimes transnacionais sejam investigados com a profundidade necessária para o desmantelamento das redes criminosas.
Fechamento
A apreensão de R$ 2,1 milhões em contrabando na MS-040 reforça que a atuação do DOF é abrangente e cobre todas as modalidades de crime transfronteiriço, não apenas o tráfico de drogas. A fiscalização em rotas alternativas demonstra a capacidade do Departamento de adaptar suas operações às estratégias dos criminosos.
O DOF mantém canal direto com o cidadão para denúncias anônimas pelo telefone 0800 647-6300. O sigilo é garantido. As informações da população são fundamentais para o planejamento das operações na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.
Fontes e Referências
- Departamento de Operações de Fronteira — DOF (dof.ms.gov.br)
- Polícia Federal em Três Lagoas
- Sejusp — Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de MS
- Programa Protetor das Fronteiras e Divisas (MJSP)
- Anvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Resolução RDC 855/2024)
💰 Números da apreensão
Valor total apreendido
R$ 2,1 milhões
Volumes apreendidos
105
Valor que o motorista receberia
R$ 6,5 mil
Idade do preso
41 anos
Fonte: DOF / Polícia Federal em Três Lagoas
❓ Perguntas Frequentes
Foram apreendidos 105 volumes contendo uma variedade de produtos ilegais: cigarros convencionais, cigarros eletrônicos (vapes), peças de vestuário e essência de narguilé. O material foi avaliado em aproximadamente R$ 2,1 milhões e encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Três Lagoas. A diversidade da carga indica que o transporte atendia a diferentes segmentos do mercado ilegal, desde o comércio de cigarros contrabandeados até a venda de produtos eletrônicos sem registro na Anvisa.
O motorista de 41 anos informou que pegou os produtos em Campo Grande e os levaria até a cidade de São Paulo, onde receberia R$ 6,5 mil pelo serviço. O valor do frete ilegal é significativamente superior ao de um frete convencional para a mesma rota, refletindo o risco envolvido no transporte de mercadorias ilegais. A rota Campo Grande–São Paulo pela MS-040 é uma das alternativas utilizadas pelos contrabandistas para evitar os bloqueios mais frequentes nas rodovias BR-163 e BR-267.
Os cigarros eletrônicos (vapes) têm comercialização proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, com a proibição reforçada pela Resolução RDC 855/2024. A proibição abrange a venda, a importação e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo vapes, pods e cigarros eletrônicos descartáveis. Os produtos apreendidos não passaram por avaliação de segurança sanitária, podendo conter substâncias nocivas em concentrações superiores às permitidas pela legislação brasileira, representando risco direto à saúde dos consumidores.
Roberto Almeida
Repórter
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