Dona de casa coloca veneno no refrigerante do ex-companheiro e é presa
Mulher foi detida no bairro Estrela Park, em Campo Grande, após vítima passar mal e ser socorrida; polícia investiga tentativa de homicídio

A garrafa de refrigerante estava na geladeira. O ex-companheiro serviu um copo, bebeu e começou a passar mal. Quando o Samu chegou ao bairro Estrela Park, na região sul de Campo Grande, a dona de casa já havia confessado: colocou veneno na bebida. Foi presa em flagrante na manhã deste sábado (11).
O Que Aconteceu
A Polícia Militar foi acionada após vizinhos relatarem que um homem passava mal dentro de uma residência no Estrela Park. Ao chegar ao local, os policiais encontraram a vítima — o ex-companheiro da mulher — sendo socorrida. Ele apresentava sintomas compatíveis com intoxicação.
A autora, uma dona de casa cuja identidade não foi divulgada, admitiu ter colocado uma substância tóxica no refrigerante que estava na geladeira da residência. O tipo exato de veneno utilizado não foi informado pela polícia até o fechamento desta reportagem.
O homem foi encaminhado a uma unidade de saúde para atendimento. A mulher foi conduzida à delegacia, onde o caso foi registrado como tentativa de homicídio qualificado — o uso de veneno é uma das qualificadoras previstas no Código Penal, por ser considerado meio insidioso.
A Polícia Civil investiga a motivação do crime. Há indícios de que o casal mantinha relação conflituosa e que a separação foi recente.
Contexto e Histórico
Casos de envenenamento são raros nas estatísticas policiais de Campo Grande. A maioria das tentativas de homicídio na Capital envolve armas de fogo ou armas brancas. O uso de veneno, por sua natureza silenciosa, é classificado pelo Código Penal como meio insidioso — a vítima não percebe o perigo até que os efeitos se manifestem.
Em Mato Grosso do Sul, a violência doméstica é um problema crônico. Segundo dados da Sejusp, o estado registrou 18.742 ocorrências de violência doméstica em 2025, uma média de 51 por dia. Campo Grande concentrou 38% dos casos.
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê medidas protetivas, como afastamento do agressor e proibição de aproximação. Quando a violência escala para tentativa de homicídio, o caso é tratado pelo Código Penal com as agravantes da lei. Em MS, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande registrou 3.280 boletins de ocorrência por violência doméstica em 2025 — média de nove por dia só na Capital. A unidade funciona na Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, no centro, e atende 24 horas, mas opera com efetivo reduzido: são 14 investigadores para cobrir toda a demanda, segundo o Sindicato dos Policiais Civis de MS.
A rede de apoio à mulher em situação de violência em Campo Grande inclui o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), a Casa da Mulher Brasileira — inaugurada em 2015 e considerada modelo nacional — e o Núcleo de Atendimento à Mulher da Defensoria Pública. A Casa da Mulher Brasileira reúne num mesmo espaço delegacia, Ministério Público, Defensoria, Juizado e serviços de acolhimento, facilitando o acesso da vítima a todos os órgãos sem precisar percorrer a cidade. Em 2025, a unidade realizou 12.400 atendimentos, entre acolhimentos, orientações jurídicas e encaminhamentos para abrigos.
Casos de envenenamento, embora raros, carregam agravante específica no Código Penal. O artigo 121, parágrafo 2º, inciso III, classifica o uso de veneno como "meio insidioso" — a vítima não percebe o perigo até que os efeitos se manifestem. A pena para homicídio qualificado por meio insidioso vai de 12 a 30 anos de reclusão. Na tentativa, a pena é reduzida de um a dois terços, mas ainda assim pode ultrapassar 10 anos. "Envenenamento é crime de covardia. A vítima confia, bebe, come — e só descobre quando já é tarde", observou um promotor do MPMS que atua em casos de violência doméstica.
O bairro Estrela Park, na região sul de Campo Grande, tem perfil residencial com comércio local. Não é classificado entre as áreas mais violentas da cidade, mas registra ocorrências de violência doméstica com frequência, assim como a maioria dos bairros da Capital.
Impacto Para a População
O caso reforça a gravidade da violência doméstica e a importância dos canais de denúncia.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Crime | Tentativa de homicídio qualificado |
| Método | Envenenamento (meio insidioso) |
| Local | Bairro Estrela Park, CG |
| Pena prevista | 12 a 30 anos (reduzida por tentativa) |
| Violência doméstica em MS (2025) | 18.742 ocorrências |
| Média diária | 51 casos/dia |
| CG no total | 38% das ocorrências |
| Canal de denúncia | Ligue 180 ou 190 |
Para mulheres e homens em situação de violência doméstica, os canais de denúncia são o primeiro passo. O Ligue 180 atende 24 horas, é gratuito e pode ser acionado de forma anônima. O 190 (Polícia Militar) atende emergências.
Em Campo Grande, a Patrulha Maria da Penha — unidade da Guarda Civil Metropolitana criada em 2019 — realiza visitas periódicas a mulheres com medida protetiva ativa. Em 2025, a patrulha fez 4.680 visitas e registrou 312 descumprimentos de medida protetiva, resultando em prisões em flagrante. O serviço funciona como uma camada extra de proteção entre a medida judicial e a realidade da vítima. Para quem está em situação de risco imediato, a Casa da Mulher Brasileira, na Rua Bahia, oferece acolhimento emergencial com pernoite, atendimento psicológico e encaminhamento jurídico.
O Que Dizem os Envolvidos
A Polícia Civil confirmou a prisão em flagrante e o registro como tentativa de homicídio qualificado. Detalhes sobre a identidade da autora e da vítima não foram divulgados.
A Polícia Militar informou que foi acionada por vizinhos e que a mulher não resistiu à prisão.
Próximos Passos
A autora deve passar por audiência de custódia nas próximas horas, quando o juiz decidirá se mantém a prisão preventiva ou concede liberdade provisória. A Polícia Civil deve concluir o inquérito com a identificação da substância utilizada e a oitiva de testemunhas.
Se o caso for confirmado como violência doméstica, medidas protetivas serão aplicadas automaticamente, independentemente do desfecho criminal.
A Polícia Civil também investiga se há registros anteriores de violência entre o casal. Em muitos casos de tentativa de homicídio por violência doméstica, há histórico de agressões que não foram denunciadas ou que resultaram apenas em medidas protetivas descumpridas. Segundo a Sejusp, 62% das vítimas de feminicídio em MS em 2025 já tinham registrado pelo menos uma ocorrência anterior contra o agressor. O padrão de escalada — da ameaça verbal à agressão física, da agressão à tentativa de homicídio — é documentado em estudos criminológicos e reforça a importância da intervenção precoce.
Fechamento
Uma garrafa de refrigerante, veneno e um ex-companheiro no hospital. O caso do Estrela Park é mais um capítulo da violência doméstica que atinge 51 famílias por dia em Mato Grosso do Sul. A diferença é o método — silencioso, calculado e quase letal. A rede de proteção existe: Casa da Mulher Brasileira, Deam, Patrulha Maria da Penha, Ligue 180. O desafio é fazer essa rede chegar antes do veneno.
Denúncias podem ser feitas pelo Ligue 180 (violência contra a mulher) ou 190 (emergência policial).
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Sejusp — Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS
- Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006)
- Ligue 180 / 190
💰 Caso de envenenamento
Local
Bairro Estrela Park, CG
Método
Veneno em refrigerante
Vítima
Ex-companheiro
Tipificação
Tentativa de homicídio
Fonte: Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
Uma dona de casa foi presa no bairro Estrela Park, em Campo Grande, após colocar veneno no refrigerante do ex-companheiro. A vítima ingeriu a bebida, passou mal e foi socorrida. A mulher foi detida pela Polícia Militar e encaminhada à delegacia, onde o caso foi registrado como tentativa de homicídio. As circunstâncias exatas do envenenamento — tipo de substância utilizada, quantidade e motivação — estão sendo investigadas pela Polícia Civil. O ex-companheiro foi encaminhado a uma unidade de saúde para atendimento.
A tentativa de homicídio por envenenamento é tipificada no Código Penal brasileiro como homicídio qualificado tentado, com pena que pode variar de 12 a 30 anos de reclusão, reduzida de um a dois terços por se tratar de tentativa. O uso de veneno é uma das qualificadoras previstas no artigo 121, parágrafo 2º, inciso III do Código Penal, por ser considerado meio insidioso — ou seja, a vítima não percebe o perigo. Se comprovado o contexto de violência doméstica, a Lei Maria da Penha também se aplica, com medidas protetivas e agravantes.
O Estrela Park é um bairro da região sul de Campo Grande, com perfil residencial e comercial. A região registra ocorrências policiais variadas, incluindo crimes contra o patrimônio e violência doméstica, mas não é classificada como uma das áreas mais violentas da Capital. O caso de envenenamento chamou atenção pela gravidade e pelo método utilizado, que é incomum em ocorrências policiais da cidade. A Polícia Civil investiga se há histórico de violência doméstica entre a autora e a vítima.
Camila Ferreira
Repórter
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