Polícia prende vizinho suspeito do 13º feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul
Idosa de 66 anos foi assassinada a golpes de facão em chácara de Naviraí; suspeito tentou culpar terceiro, mas foi detido em flagrante.

O estado de Mato Grosso do Sul registrou no último domingo, dia 28 de junho de 2026, o seu 13º caso de feminicídio do ano, interrompendo um período de 41 dias sem ocorrências dessa natureza no território estadual. A vítima, Maria do Carmo de Souza, de 66 anos, foi brutalmente assassinada a golpes de facão em sua própria residência, localizada em uma propriedade rural no Setor Chácaras, no município de Naviraí. O suspeito do crime, o vizinho Pedro Lopes Menezes, de 63 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil após uma rápida investigação conduzida pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Naviraí, em conjunto com equipes do Setor de Investigações Gerais (SIG).
O crime chocou a comunidade local pela brutalidade das agressões e pelo comportamento do suspeito, que tentou simular um papel de testemunha colaborativa para confundir as autoridades policiais nas primeiras horas após a descoberta do corpo. A elucidação do caso dependeu de depoimentos colhidos com moradores da região e de perícias técnicas realizadas no local do crime e na motocicleta de Menezes. A ação policial rápida evitou que o investigado deixasse a cidade ou ocultasse provas importantes para o desdobramento do inquérito.
O Que Aconteceu
Na manhã do dia 28 de junho de 2026, por volta das 08h30, um dos filhos de Maria do Carmo de Souza deslocou-se até a pequena chácara de sua mãe após ter recebido uma mensagem anônima em seu celular, via aplicativo de conversação, que informava que a idosa estaria ferida ou caída no interior do imóvel rural. Ao entrar na casa, ele encontrou a mãe já sem vida na cozinha, com uma expressiva quantidade de sangue ao redor do corpo. Imediatamente, o familiar acionou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, que constataram o óbito e isolaram o local para os exames periciais.
A perícia técnica da Polícia Civil identificou que a idosa possuía múltiplos ferimentos corto-contundentes concentrados na região da cabeça, pescoço e braços, indicando uma tentativa desesperada de defesa. A arma utilizada no crime foi um facão de uso agrícola, que foi posteriormente localizado escondido sob a vegetação rasteira próximo à cerca que divide as propriedades da vítima e do suspeito. No decorrer dos levantamentos preliminares, as equipes policiais notaram a presença de Pedro Lopes Menezes rondando a chácara de forma suspeita.
Ao ser abordado pelos policiais, Menezes demonstrou extremo nervosismo, mas inicialmente alegou que estava apenas tentando ajudar. Em um primeiro momento, ele forneceu um depoimento informando ter visto um homem desconhecido rondando a casa da vítima no sábado à noite e sugeriu que o autor do homicídio seria um terceiro morador da região, com quem Maria do Carmo teria tido desentendimentos passados relacionados a limites de terra.
Entretanto, as equipes de investigação confrontaram a versão do suspeito com o relato de um vizinho de fundos da propriedade. Essa testemunha chave informou às autoridades ter ouvido uma discussão ruidosa no pátio da casa da idosa por volta das 23h30 de sábado (27). Além disso, a testemunha descreveu com clareza o som de uma motocicleta com escapamento barulhento saindo em alta velocidade do local logo após o término da briga. A descrição da motocicleta coincidia perfeitamente com o veículo de propriedade de Pedro Lopes Menezes.
Com base nessas contradições e nos indícios coletados, os peritos criminais examinaram a motocicleta de Pedro e detectaram vestígios de sangue no paralama dianteiro e nos manetes do guidão, além de constatar que o motor do veículo apresentava sinais de lavagem recente. Confrontado com os exames biológicos preliminares realizados com reagentes químicos na delegacia, Pedro Lopes Menezes entrou em contradição repetidas vezes e acabou recebendo voz de prisão em flagrante por homicídio qualificado como feminicídio.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul é historicamente um dos estados com maiores índices de feminicídio proporcional do país, o que tem motivado a implementação de políticas públicas severas de combate à violência doméstica e familiar. A ocorrência em Naviraí quebrou uma trégua de 41 dias sem mortes violentas de mulheres motivadas por gênero no estado, uma marca que havia sido celebrada pelas forças de segurança pública e subsecretarias estaduais no início daquele mês.
Maria do Carmo de Souza morava sozinha na chácara há aproximadamente dois anos, desde o falecimento de seu companheiro. Vizinhos relataram que a idosa mantinha uma rotina pacata, dedicando-se ao cultivo de hortaliças e à criação de pequenos animais. Pedro Lopes Menezes, morador da propriedade vizinha, tinha um histórico de atritos com a vítima decorrentes do avanço de animais de criação sobre as cercas divisórias e desentendimentos menores relacionados ao uso da água de um poço artesiano comum.
A polícia investiga se a motivação do crime está diretamente atrelada a essas discussões cotidianas potencializadas pelo machismo estrutural, uma vez que o agressor se mostrava constantemente incomodado com a autonomia da idosa em gerir sua chácara sem supervisão masculina. A apreensão de uma espingarda calibre .22 na residência da vítima também levantou questões sobre a segurança em áreas rurais. A arma pertencia a Maria do Carmo e era mantida para defesa pessoal devido ao isolamento da chácara, embora ela não tenha tido tempo ou oportunidade de utilizá-la para se defender do ataque repentino com o facão.
Impacto Para a População
O aumento da violência nas áreas rurais e de chácaras periféricas tem gerado preocupação crescente na população de Naviraí e municípios adjacentes da região sul do estado. Moradores reclamam da escassez de patrulhamento da Patrulha Rural da Polícia Militar e do tempo de resposta prolongado para atendimentos fora do perímetro urbano. O feminicídio de uma idosa de 66 anos reforça o sentimento de vulnerabilidade de mulheres que residem sozinhas em locais isolados.
Abaixo, apresentamos uma tabela informativa com os principais indicadores relacionados aos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul e a estrutura de atendimento disponível na macrorregião:
| Indicador Analisado | Dados de MS (2026) | Impacto Social e Medidas |
|---|---|---|
| Total de Feminicídios | 13 casos registrados até o momento | Alerta máximo para rede de proteção social estadual |
| Faixa Etária Vulnerável | Mulheres acima de 60 anos em alta | Necessidade de campanhas específicas para idosas rurais |
| Tempo de Trégua Quebrado | 41 dias consecutivos sem registros | Período mais longo de redução criminal do ano |
| Armas mais Utilizadas | Objetos cortantes (facas/facões) em 60% | Facilidade de acesso a ferramentas agrícolas no campo |
| Delegacias da Mulher (DAM) | 12 unidades ativas no estado | Centralização de denúncias e acolhimento psicológico |
| Investimento Governamental | R$ 4,2 milhões em patrulhamento rural | Foco no reforço das equipes da Patrulha Maria da Penha |
Diante do ocorrido, lideranças comunitárias de Naviraí começaram a articular reuniões com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para solicitar a implantação de uma base móvel da Patrulha Rural e o fortalecimento do programa Rede de Vizinhos Protegidos na zona de chácaras.
O Que Dizem os Envolvidos
A delegada responsável pelo caso na DAM de Naviraí ressaltou que as provas técnicas foram fundamentais para desmascarar a versão inicial do suspeito. Segundo a autoridade policial, a tentativa de Pedro de apontar um terceiro inocente demonstrou frieza e intenção deliberada de obstruir a justiça. O Ministério Público estadual já acompanha o inquérito e manifestou que denunciará Pedro Lopes Menezes por homicídio qualificado pelo feminicídio, além das qualificadoras de motivo fútil e utilização de meio que impossibilitou a defesa da vítima.
A defesa de Pedro Lopes Menezes, exercida temporariamente por um defensor dativo nomeado para a audiência de custódia, alegou que o suspeito possui problemas crônicos de saúde mental e requereu a realização de um exame de sanidade mental. A defesa alega que Pedro agiu em um momento de perda de discernimento decorrente de abuso de bebidas alcoólicas e conflitos de vizinhança acumulados. A família da vítima, por sua vez, refuta qualquer alegação de insanidade e clama por justiça rápida, apontando que o agressor vinha ameaçando a idosa de forma velada há meses.
Próximos Passos
O inquérito policial deverá ser concluído no prazo legal de dez dias, visto que o réu se encontra preso em flagrante. Os laudos definitivos da perícia necroscópica e a análise datiloscópica do facão apreendido serão anexados aos autos para dar robustez à denúncia do Ministério Público. A prisão em flagrante de Pedro Lopes Menezes foi convertida em prisão preventiva pelo juiz plantonista da comarca de Naviraí, que considerou a manutenção da prisão indispensável para a garantia da ordem pública e para evitar coação de testemunhas que residem na mesma região de chácaras.
Pedro será transferido para a Penitenciária de Segurança Média de Naviraí, onde aguardará o andamento da ação penal. Caso a denúncia seja recebida e o processo siga o rito do Tribunal do Júri, o réu será submetido a julgamento popular, podendo pegar uma pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão.
Fechamento
O feminicídio de Maria do Carmo de Souza registra a necessidade contínua de vigilância e aprimoramento dos mecanismos de denúncia de violência doméstica, mesmo em contextos não conjugais, onde relações de vizinhança e coabitação também se tornam cenários de crimes motivados pelo ódio de gênero. As autoridades de Mato Grosso do Sul reforçam que denúncias preventivas podem ser feitas pelo telefone 180 ou diretamente nas delegacias especializadas, ajudando a evitar desfechos fatais como o ocorrido na zona rural de Naviraí.
Fontes e Referências
- Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Naviraí (MS): Boletim de Ocorrência nº 1489/2026 e relatório preliminar de investigação de homicídio qualificado.
- Coordenadoria Geral de Perícias de MS: Laudo pericial preliminar de local de crime e exame necroscópico da vítima Maria do Carmo de Souza.
- Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS): Decisão de homologação de prisão em flagrante e conversão em preventiva nos autos do processo de custódia da Comarca de Naviraí.
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS): Estatísticas criminais de monitoramento de feminicídios em Mato Grosso do Sul para o ano de 2026.
💰 Dados de Violência e Orçamento de Segurança
Feminicídios em MS (2026)
13 casos registrados
Intervalo sem registros
41 dias consecutivos
Investimento em Delegacias
R$ 4,2 milhões
Idade da Vítima
66 anos
Fonte: Polícia Civil de MS / Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM)
❓ Perguntas Frequentes
O suspeito do crime é Pedro Lopes Menezes, de 63 anos, vizinho da vítima. Inicialmente, ele tentou se apresentar como testemunha para desviar o foco da investigação, inclusive apontando uma terceira pessoa como o autor do assassinato. No entanto, após contradições em seu depoimento, relatos de testemunhas sobre brigas e a perícia na moto dele, a Polícia Civil obteve provas suficientes para prendê-lo em flagrante na tarde de domingo, 28 de junho.
Maria do Carmo de Souza, de 66 anos, morava sozinha e foi encontrada morta na manhã de domingo (28) por um de seus filhos. Ele foi à chácara após receber uma mensagem alertando que a mãe estava caída. O corpo apresentava graves ferimentos na região da cabeça e pescoço, compatíveis com golpes de facão. Um facão com vestígios de sangue foi apreendido na propriedade rural e encaminhado para perícia.
Embora a perícia policial tenha encontrado uma espingarda adaptada para calibre .22 no interior da residência da vítima durante os levantamentos de praxe, os exames necroscópicos preliminares apontaram que a causa da morte foram as lesões corto-contundentes provocadas pelo facão. O suspeito também foi autuado por posse ilegal de arma de fogo devido à localização do armamento na área comum das chácaras.
Camila Ferreira
Repórter
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