Pular para o conteúdo
quinta-feira, 09 de abril de 2026
🔴 Urgente🚔 Polícia

Subtenente da PM é assassinada a tiros pelo namorado em Campo Grande

Marlene Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta dentro de casa. Suspeito de 50 anos confessou após tentar simular suicídio da vítima.

Juliana Mendes8 min de leituraCampo Grande
Subtenente da PM é assassinada a tiros pelo namorado em Campo Grande

Uma subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foi assassinada a tiros dentro da própria casa em Campo Grande na segunda-feira, 6 de abril de 2026. Marlene Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta pelo namorado, um homem de 50 anos, preso em flagrante após confessar o crime. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) investiga o caso como feminicídio — qualificadora prevista na Lei 13.104/2015.

O Que Aconteceu

Os disparos que mataram Marlene foram ouvidos por um vizinho — também policial militar. Ele entrou na residência e encontrou o suspeito com a arma nas mãos, ao lado do corpo da subtenente. O homem de 50 anos tentou dissimular: disse que ela havia tirado a própria vida. Não convenceu. Diante das evidências no local e da pressão dos primeiros policiais que chegaram, confessou ser o autor dos tiros.

A perícia criminal foi acionada e realizou levantamentos na casa, coletando projéteis, estojos e vestígios que vão compor o inquérito. A arma usada no crime foi apreendida e passará por exame balístico.

Marlene e o suspeito namoravam há aproximadamente um ano e moravam juntos havia cerca de dois meses, segundo depoimento do próprio homem à polícia. As circunstâncias que levaram ao assassinato ainda estão sendo apuradas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande.

Contexto e Histórico

Marlene Brito Rodrigues era subtenente da PMMS — uma das patentes mais altas entre as praças. Décadas de serviço na segurança pública do estado. Colegas de farda descreveram uma profissional comprometida e respeitada. A notícia da morte gerou comoção dentro da corporação.

O feminicídio é qualificadora do crime de homicídio desde 2015, quando a Lei 13.104 alterou o Código Penal. A pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. A tentativa de simular suicídio da vítima pode ser considerada agravante, indicando premeditação e frieza.

A coabitação recente — apenas dois meses morando juntos — é um dado que chama atenção. Especialistas em violência de gênero apontam que o início da convivência sob o mesmo teto pode intensificar dinâmicas de controle em relacionamentos com potencial abusivo. E a presença de arma de fogo no domicílio multiplica o risco de desfecho letal.

O caso de Marlene expõe uma contradição dolorosa: a profissional que dedicou a vida a proteger a sociedade sul-mato-grossense não encontrou proteção dentro do próprio lar. A patente de subtenente exige anos de dedicação, aprovação em cursos de formação e promoções sucessivas. Marlene representava uma geração de mulheres que abriram caminho na segurança pública de MS, enfrentando os desafios de uma profissão historicamente dominada por homens.

A violência doméstica contra mulheres que integram corporações de segurança pública é um fenômeno que pesquisadores têm estudado com atenção crescente. O acesso facilitado a armas de fogo no ambiente familiar e a cultura institucional que, em muitos casos, dificulta a denúncia por parte das vítimas são fatores que agravam a situação.

Impacto Para a População

O assassinato de uma policial militar dentro de casa reacende o debate sobre violência doméstica em Mato Grosso do Sul e sobre a vulnerabilidade de mulheres que integram as forças de segurança.

Aspecto Detalhe
Crime Feminicídio (Lei 13.104/2015)
Pena prevista 12 a 30 anos de reclusão
Delegacia responsável DEAM Campo Grande
Prazo do inquérito (preso) 30 dias
Ligue 180 24h, gratuito, sigiloso
Emergência 190 (PM)

A presença de arma de fogo em residências com histórico de violência doméstica é reconhecida internacionalmente como um dos principais fatores de risco para feminicídio. No caso de profissionais de segurança pública, o porte funcional cria uma situação que demanda políticas específicas de prevenção — acompanhamento psicossocial, protocolos de retirada de arma em caso de denúncia, canais internos de apoio.

Mas o problema vai além das corporações. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê medidas protetivas de urgência, delegacias especializadas e juizados de violência doméstica. Em Campo Grande, a DEAM funciona com atendimento para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas. O Tribunal de Justiça de MS mantém varas especializadas que analisam pedidos de medidas protetivas com agilidade.

O Que Dizem os Envolvidos

O Comando-Geral da PMMS emitiu nota lamentando o falecimento da subtenente e reafirmando o compromisso da corporação com o combate à violência contra a mulher. Colegas de farda organizaram homenagens nas redes sociais, compartilhando fotos e relatos sobre a trajetória profissional de Marlene.

"A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul lamenta profundamente a perda da subtenente Marlene Brito Rodrigues e acompanha as investigações conduzidas pela DEAM", informou a corporação em comunicado.

A Associação dos Praças da PM e do Corpo de Bombeiros de MS também se manifestou, cobrando a implementação de programas de acompanhamento psicossocial para policiais e seus familiares, com foco na prevenção da violência doméstica dentro das famílias de profissionais de segurança pública.

O suspeito permanece preso e não teve a defesa divulgada até o fechamento desta reportagem.

Próximos Passos

A DEAM de Campo Grande conduz o inquérito policial, que deverá ser concluído no prazo de 30 dias — contados a partir da prisão em flagrante — e encaminhado ao Ministério Público Estadual para oferecimento de denúncia. O suspeito passará por audiência de custódia, onde o juiz avaliará a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da prisão preventiva.

O MPMS, por meio do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (GAEDV), acompanha o caso e poderá solicitar diligências complementares. A expectativa é de denúncia por feminicídio qualificado, com possível incidência de agravantes como a dissimulação do crime — a tentativa de simular suicídio da vítima.

A perícia balística na arma apreendida e a análise dos vestígios coletados na residência serão peças fundamentais para a instrução processual. Oitivas de testemunhas, incluindo o vizinho policial que ouviu os disparos, e a análise de câmeras de segurança da região complementam as diligências em andamento. O caso também pode motivar discussões na PMMS sobre protocolos de prevenção à violência doméstica envolvendo integrantes da corporação e seus familiares.

Fechamento

O assassinato de Marlene Brito Rodrigues joga luz sobre um problema que atravessa classes sociais e profissões: a violência doméstica não poupa nem quem dedica a vida à segurança pública. A subtenente que serviu por décadas na PMMS foi morta dentro de casa, pelo homem com quem dividia o teto havia dois meses.

Mulheres em situação de violência doméstica em Mato Grosso do Sul podem buscar ajuda pelos seguintes canais:

  • Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, 24 horas, gratuito, sigiloso
  • 190 — Polícia Militar, para emergências e risco imediato
  • 197 — Polícia Civil
  • DEAM Campo Grande — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
  • Disque 100 — para casos envolvendo crianças, adolescentes e idosos

Todas as denúncias podem ser feitas de forma anônima. Em risco imediato, ligue 190.

Fontes e Referências

  • Polícia Civil de Mato Grosso do Sul / DEAM Campo Grande
  • Itamaraju Notícias (itamarajunoticias.com.br) — reportagem sobre o caso
  • Polícia Militar de Mato Grosso do Sul — nota oficial
  • Lei 13.104/2015 (Lei do Feminicídio)
  • Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha)

💰 Dados confirmados do caso

1

Idade da vítima

59 anos

2

Idade do suspeito

50 anos

3

Tempo de namoro

Aproximadamente 1 ano

4

Tempo morando juntos

Cerca de 2 meses

Fonte: Polícia Civil / DEAM

❓ Perguntas Frequentes

Marlene Brito Rodrigues, subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, de 59 anos, foi assassinada a tiros dentro da própria residência em Campo Grande na segunda-feira, 6 de abril de 2026. O crime foi cometido pelo namorado dela, um homem de 50 anos, que foi preso em flagrante após confessar o homicídio. Inicialmente, o suspeito tentou simular que a vítima havia tirado a própria vida, mas a versão foi desmentida pelas evidências no local e pela intervenção de um vizinho policial militar que ouviu os disparos e entrou na casa.

Um vizinho da vítima, que também é policial militar, ouviu os disparos de arma de fogo e entrou na residência de Marlene. Ao chegar, encontrou o suspeito de 50 anos ainda com a arma nas mãos, próximo ao corpo da subtenente. O homem inicialmente alegou que Marlene havia tirado a própria vida, mas diante das evidências encontradas pela perícia e da pressão dos policiais que chegaram ao local, acabou confessando ser o autor dos disparos que mataram a companheira.

As mulheres em situação de violência doméstica em Mato Grosso do Sul podem buscar ajuda pelo Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher que funciona 24 horas com atendimento gratuito e sigiloso. Em emergências, o 190 da Polícia Militar deve ser acionado imediatamente. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande recebe denúncias presenciais. Também é possível registrar ocorrências pelo telefone 197 da Polícia Civil ou pelo Disque 100 quando houver crianças e adolescentes envolvidos.

#feminicidio#policia-militar#campo-grande#violencia-domestica#DEAM#arma-de-fogo#seguranca
Compartilhar:f𝕏watg
JM

Juliana Mendes

Repórter