Flávio Bolsonaro diz que terá identidade própria e elogia Tereza Cristina como vice
Senador descarta imitar o pai, coloca agro como prioridade e cita senadora de MS como possível vice na chapa presidencial de 2026

Flávio Bolsonaro chegou a Campo Grande na quinta-feira (9) e estendeu a agenda até sexta (10), quando concedeu entrevista coletiva na sede do PL, no bairro Chácara Cachoeira. Ao lado da senadora Tereza Cristina (PP-MS), do governador Eduardo Riedel (PP) e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o pré-candidato à presidência pelo PL deixou claro: não vai tentar ser uma cópia do pai. "Todo mundo que tentou ser igual ao presidente Bolsonaro se deu mal", disse, sem rodeios. "Ele é inigualável."
O Que Aconteceu
A passagem de Flávio por Mato Grosso do Sul durou dois dias e misturou agendas institucionais com articulação política pesada. Na quinta, o senador visitou o Bioparque Pantanal, montou a cavalo na 86ª Expogrande cercado por apoiadores e ainda encontrou o cantor Zezé Di Camargo no camarim do show, de onde gravou um vídeo para o pai.
Na manhã de sexta, o tom mudou. A reunião na sede do PL reuniu pré-candidatos, deputados estaduais e federais, prefeitos e lideranças regionais. Reinaldo Azambuja, presidente do PL no estado e pré-candidato ao Senado, fez questão de convocar todo mundo. "Aqui temos que entender que para ganhar eleição temos que somar e não dividir", disse Azambuja, olhando diretamente para Flávio.
O senador respondeu com uma frase que resumiu o encontro: "Essas eleições pedem que eu me apresente como Flávio Bolsonaro. Não preciso ficar explicando o meu sobrenome. Sou esse aqui, com todos os ônus e bônus."
Sobre a vice, Flávio não cravou nome, mas deixou a pista mais grossa possível. "Eu faço questão sempre de enaltecer o nome da Tereza, porque ela foi a melhor ministra daquele governo que esse país já teve", afirmou. Tereza Cristina, sentada ao lado dele, ouviu sem esboçar reação.
Contexto e Histórico
A visita de Flávio a Campo Grande acontece num momento em que as pesquisas eleitorais começam a esquentar. O senador lidera as intenções de voto da direita para 2026, mas enfrenta o desafio de se diferenciar do pai sem perder a base bolsonarista. A escolha de Mato Grosso do Sul como parada estratégica não é acidental.
O estado concentra três ativos políticos que Flávio precisa: Tereza Cristina, com trânsito no agro e no Congresso; Reinaldo Azambuja, com máquina partidária consolidada no PL; e Eduardo Riedel, governador com 71% de aprovação segundo pesquisa Ibrape de março de 2026, que busca reeleição com apoio do mesmo grupo.
Mato Grosso do Sul tem 1,9 milhão de eleitores e, nas últimas eleições presidenciais, deu vitória folgada a Jair Bolsonaro. Em 2022, o ex-presidente obteve 62,3% dos votos válidos no estado no segundo turno. Flávio sabe que precisa manter esse percentual — e ampliá-lo.
A Expogrande, maior feira agropecuária do estado, serviu de palco perfeito. O evento reúne produtores rurais, empresários e políticos num ambiente onde o agro é o idioma comum. Flávio aproveitou para reforçar que o setor será prioridade absoluta em seu eventual governo.
O agronegócio responde por mais de 30% do PIB de Mato Grosso do Sul. A safra de soja 2025/2026 deve alcançar 12,8 milhões de toneladas, e o milho safrinha outros 11,2 milhões. A pecuária mantém o estado entre os maiores rebanhos do país. Para Flávio, abraçar o agro em MS é abraçar a base eleitoral mais sólida do estado.
Mas o cenário não é só de aliados. O PT, que perdeu feio em MS em 2022, tenta se reerguer com Fábio Trad — que, ironicamente, é da família Trad, uma das dinastias políticas mais tradicionais do estado. Trad deixou a Embratur para se dedicar à pré-candidatura ao governo e representa uma ameaça real ao domínio da direita, especialmente entre eleitores urbanos de Campo Grande.
A disputa pelo Senado também esquenta. Reinaldo Azambuja (PL) e Nelsinho Trad (PDB) lideram as pesquisas, mas o cenário pode mudar com a entrada de novos nomes. O PL quer emplacar Azambuja e manter a aliança com Riedel intacta. O PT precisa de um nome competitivo para o Senado que complemente a chapa de Trad ao governo.
Impacto Para a População
As declarações de Flávio em Campo Grande sinalizam os contornos da disputa presidencial de 2026 e o papel que Mato Grosso do Sul terá nela.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Pré-candidato | Flávio Bolsonaro (PL-RJ) |
| Possível vice | Tereza Cristina (PP-MS) |
| Aliado para reeleição | Eduardo Riedel (PP) |
| Pré-candidato ao Senado | Reinaldo Azambuja (PL) |
| Endividados no Brasil | Mais de 80 milhões |
| Juros | Entre os mais altos do mundo |
| Eleitores em MS | 1,9 milhão |
| Votação de Bolsonaro em MS (2022) | 62,3% no 2º turno |
Para o eleitor sul-mato-grossense, a movimentação indica que o estado será disputado palmo a palmo em 2026. A presença de Flávio na Expogrande, ao lado de Riedel e Azambuja, consolida a aliança PL-PP que deve dominar a chapa da direita no estado. Do outro lado, o PT realiza neste sábado (11) seu encontro estadual em Campo Grande, com a presença de Vander Loubet e Fábio Trad.
O Que Dizem os Envolvidos
Flávio foi direto ao falar sobre economia. "Mais de 80 milhões de pessoas estão com dívida atrasada ou postergando. Desses, 20% não estão conseguindo pagar nem conta de luz e água", disparou. Sobre o custo de vida: "A gente está parcelando arroz, feijão, cartão de crédito, muito em função do descontrole do governo."
O governador Riedel subiu o tom contra o PT. "Eu sou de uma geração que vi o PSDB, o MDB, depois o PP, o União, o Republicanos, brigar contra uma agenda de 20 anos de um partido que resultou no que resultou", disse. E emendou: "Olha o que está acontecendo em MS? Estamos dando respostas nas áreas social e ambiental."
Reinaldo Azambuja não poupou o governo federal. "Está destruindo o Brasil, encarecendo o custo de vida para o cidadão, endividando as famílias, prejudicando o agronegócio", afirmou. Sobre Flávio, foi categórico: "Ele reúne condições de ser o nome do agro para a presidência."
Tereza Cristina falou em "renascimento da esperança" e reforçou a adesão ao projeto político encabeçado pelo filho de Jair Bolsonaro.
Sobre as apostas esportivas, Flávio foi incisivo. "Grande parte desses endividados é porque ainda estão acreditando na ilusão de que podem ir para sites de aposta e ganhar dinheiro com isso. É uma grande ilusão", declarou. Segundo ele, a regulamentação das bets pelo governo Lula agravou o cenário financeiro das famílias brasileiras.
O senador também falou sobre o agro com tom de urgência. "Muita coisa que o presidente Bolsonaro começou a construir o atual governo destruiu completamente. Parece que enxerga o agro como se fosse um inimigo", afirmou. Citou como entraves a segurança jurídica, as demarcações de terras indígenas, o financiamento agrícola, os juros e a infraestrutura logística.
Próximos Passos
Flávio retornou a Brasília na sexta à noite, mas já tem agenda confirmada para voltar a Mato Grosso do Sul em maio, durante a 60ª Expoagro de Dourados. A definição da vice deve ficar para o segundo semestre, segundo o próprio senador.
No campo oposto, o PT realiza neste sábado (11) o encontro estadual em Campo Grande, com cerca de 100 participantes, incluindo o deputado federal Vander Loubet e o pré-candidato ao governo Fábio Trad. A disputa pelo eleitorado sul-mato-grossense já começou.
A elaboração do plano de governo do PL segue em andamento. "As propostas vão surgindo com o passar do tempo, sem nenhuma pressa de antecipar nada", disse Flávio. Mas o recado ficou: o agro é a espinha dorsal da campanha, e Mato Grosso do Sul é território estratégico.
Fechamento
A passagem de Flávio Bolsonaro por Campo Grande deixou mais perguntas do que respostas sobre a chapa presidencial de 2026, mas consolidou uma certeza: o PL aposta todas as fichas em Mato Grosso do Sul como vitrine do projeto nacional. Com Riedel buscando reeleição, Azambuja mirando o Senado e Tereza Cristina como carta na manga para a vice, o estado se posiciona no centro do tabuleiro eleitoral.
E o PT, do outro lado da cidade, prepara sua resposta.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Midiamax (midiamax.com.br)
- Assembleia Legislativa de MS (al.ms.gov.br)
💰 Cenário eleitoral 2026
Pré-candidato PL
Flávio Bolsonaro
Possível vice citada
Tereza Cristina (PP-MS)
Endividados no Brasil
Mais de 80 milhões
Evento
86ª Expogrande
Fonte: Campo Grande News / Midiamax
❓ Perguntas Frequentes
O senador Flávio Bolsonaro afirmou, em entrevista coletiva na sede do PL em Campo Grande nesta sexta-feira (10), que não pretende imitar o estilo político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, cada um tem seu temperamento e sua forma de atuar. Flávio disse que se apresentará com identidade própria nas eleições de 2026, adotando postura de diálogo e construção de pontes, sem abrir mão de criticar o governo Lula. O senador colocou o agronegócio como prioridade de campanha e citou a senadora Tereza Cristina como possível vice em sua chapa.
Flávio Bolsonaro elogiou publicamente a senadora Tereza Cristina (PP-MS), chamando-a de 'a melhor ministra' do governo de seu pai, e a citou como possibilidade de vice na chapa presidencial. A definição, porém, ainda não foi feita. O senador disse que a escolha será pensada 'com muita calma' e que há 'várias pessoas' dispostas a caminhar no projeto. A senadora, que foi ministra da Agricultura entre 2019 e 2022, é considerada uma das principais lideranças do agronegócio no Congresso e tem forte base eleitoral em Mato Grosso do Sul.
O senador fez críticas diretas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pelo menos três frentes. Na economia, apontou que mais de 80 milhões de brasileiros estão com dívidas atrasadas ou postergando pagamentos, e que 20% desses não conseguem pagar nem conta de luz e água. Criticou a alta dos juros, o aumento de impostos e o encarecimento do custo de vida, dizendo que famílias estão parcelando arroz e feijão no cartão de crédito. Sobre o agro, afirmou que o governo Lula destruiu o que Jair Bolsonaro começou a construir e trata o setor como inimigo. Também responsabilizou a regulamentação das apostas esportivas pelo agravamento do endividamento das famílias.
Roberto Almeida
Repórter
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