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sábado, 11 de abril de 2026
🚔 Polícia

Gaeco deflagra Operação Pietra Cava contra traficantes que escondiam cocaína em mármore

Ação do Ministério Público com apoio do BPChoque mira organização que usava cargas de pedra ornamental para transportar drogas em MS

Marcos Vinícius Borges6 min de leituraCampo Grande
Gaeco deflagra Operação Pietra Cava contra traficantes que escondiam cocaína em mármore

Pietra Cava. Pedra oca, em italiano. O nome da operação deflagrada pelo Gaeco nesta quarta-feira (9) resume o método: traficantes escondiam cocaína dentro de cargas de mármore e pedras ornamentais para transportar a droga por Mato Grosso do Sul sem levantar suspeita. O Batalhão de Choque da PM deu apoio na fase ostensiva.

O Que Aconteceu

Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, cumpriram mandados de busca e apreensão contra alvos ligados à organização criminosa. O BPChoque da Polícia Militar participou da fase de campo, garantindo a segurança das equipes durante as abordagens.

A investigação revelou que o grupo utilizava empresas do ramo de pedras ornamentais — mármore, granito e similares — como fachada para o tráfico de cocaína. A droga era escondida em compartimentos ocultos dentro das cargas ou misturada entre as placas de pedra, dificultando a detecção em fiscalizações rodoviárias. O peso das cargas de mármore — que podem chegar a 25 toneladas por caminhão — torna a inspeção manual praticamente inviável sem equipamentos específicos como scanners de raio-X.

O método é sofisticado. Exige logística para adquirir e transportar grandes volumes de pedra, documentação fiscal aparentemente regular e rotas planejadas para evitar pontos de fiscalização. A operação indica que a organização tinha estrutura empresarial montada para dar aparência de legalidade ao transporte. Os caminhões saíam de cidades do interior de MS com destino a capitais do Sudeste, onde a cocaína era distribuída para o varejo. A rota mais usada, segundo a investigação, passava pela BR-262 em direção a São Paulo.

Os detalhes sobre o número de presos, quantidade de droga apreendida e valores bloqueados não foram divulgados pelo Gaeco até o fechamento desta reportagem, por questões de sigilo investigativo.

Contexto e Histórico

O Gaeco de Mato Grosso do Sul tem intensificado operações contra o crime organizado nos últimos meses. Em março de 2026, o grupo deflagrou a Operação Mão Dupla em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. Em fevereiro, a Operação Barril 67 desarticulou uma rede de tráfico de drogas e armas que operava em vários municípios do estado.

No acumulado de 2026, o Gaeco já deflagrou sete operações em Mato Grosso do Sul, resultando em 43 mandados de prisão cumpridos e mais de R$ 12 milhões em bens bloqueados. A Operação Mão Dupla, em Coronel Sapucaia, revelou que policiais civis facilitavam a passagem de drogas pela fronteira em troca de propina — um caso de corrupção que abalou a credibilidade das forças de segurança na região. Já a Barril 67 desmantelou uma rede que usava barris de combustível adulterado para transportar armas de fogo do Paraguai para o interior de MS.

O uso de cargas legítimas para esconder drogas é uma tática antiga do tráfico, mas que se sofistica com o tempo. Em MS, já foram encontradas drogas escondidas em cargas de soja, óleo de cozinha, carvão, móveis e até em tanques de combustível de veículos. O mármore é uma novidade no repertório. O setor de pedras ornamentais movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas). Mato Grosso do Sul não é produtor relevante de mármore — as principais jazidas ficam no Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia — o que torna o transporte de cargas de pedra pelo estado um movimento que, em tese, deveria chamar atenção. A investigação do Gaeco aponta que a organização criou empresas de fachada com CNPJ ativo, emitia notas fiscais e contratava transportadoras regulares, construindo uma operação que passava despercebida nas fiscalizações de rotina.

Mato Grosso do Sul é rota estratégica do tráfico internacional. A fronteira de 1.498 km com Paraguai e Bolívia faz do estado um corredor natural para cocaína vinda dos países andinos e maconha produzida no Paraguai. As organizações criminosas investem constantemente em novos métodos para burlar a fiscalização. "Cada vez que fechamos uma rota, eles abrem outra. É um jogo de gato e rato que exige inteligência, não só força", disse um promotor do Gaeco durante evento do MPMS em março.

Impacto Para a População

A operação atinge uma organização que operava com aparência de legalidade, usando o comércio de pedras ornamentais como fachada.

Aspecto Detalhe
Operação Pietra Cava
Órgão Gaeco / MPMS
Apoio BPChoque da PM
Alvo Organização de tráfico
Método Cocaína em cargas de mármore
Fronteira MS 1.498 km (Paraguai + Bolívia)
Operações do Gaeco em 2026 Pietra Cava, Mão Dupla, Barril 67

Para o cidadão, operações como a Pietra Cava mostram que o combate ao tráfico vai além das apreensões em rodovias. Desmontar a estrutura empresarial e financeira das organizações é tão importante quanto interceptar a droga na estrada.

O impacto econômico do tráfico em MS vai além da segurança pública. Recursos do crime organizado contaminam setores legítimos da economia — imobiliário, agropecuário, comercial. A lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, como as de pedras ornamentais da Pietra Cava, distorce a concorrência e prejudica empresários que operam dentro da lei. O Gaeco estima que as organizações criminosas que atuam em MS movimentam cerca de R$ 2 bilhões por ano em atividades ilícitas, dos quais uma parcela significativa é lavada em negócios aparentemente legais no próprio estado.

O Que Dizem os Envolvidos

O Gaeco não divulgou detalhes da operação por questões de sigilo. O Ministério Público de MS confirmou a deflagração e informou que os mandados foram cumpridos sem intercorrências.

O BPChoque da PM participou da fase ostensiva e garantiu a segurança das equipes durante as abordagens. A operação mobilizou cerca de 40 agentes entre promotores, policiais militares e servidores do MPMS, segundo fontes ligadas à investigação.

Próximos Passos

A investigação segue em sigilo. O Gaeco deve apresentar os resultados da operação nos próximos dias, incluindo o número de presos, a quantidade de droga apreendida e os valores bloqueados.

Os alvos da operação devem responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Se condenados, as penas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

O Gaeco também solicitou à Justiça o sequestro de bens dos investigados, incluindo veículos, imóveis e contas bancárias. A estratégia de asfixia financeira é cada vez mais usada no combate ao crime organizado: tirar o dinheiro da organização é tão eficaz quanto prender seus membros. Em operações anteriores em MS, o Gaeco conseguiu bloquear mais de R$ 45 milhões em bens de traficantes entre 2024 e 2025.

Fechamento

Mármore por fora, cocaína por dentro. A Operação Pietra Cava é mais uma demonstração de que o tráfico em Mato Grosso do Sul não se resume a carros com fundo falso na BR-163. As organizações se profissionalizam, montam empresas, emitem nota fiscal. E o Gaeco corre atrás. A pergunta é se a velocidade da investigação consegue acompanhar a criatividade do crime. Até agora, a resposta tem sido: depende da operação. Pietra Cava mostra que, quando a inteligência funciona, o resultado aparece.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Gaeco / Ministério Público de MS (mpms.mp.br)
  • BPChoque — Batalhão de Choque da PM de MS

💰 Operação Pietra Cava

1

Órgão

Gaeco / MPMS

2

Apoio

BPChoque da PM

3

Método

Cocaína em carga de mármore

4

Alvo

Organização criminosa

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

A Operação Pietra Cava foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, com apoio do BPChoque (Batalhão de Choque da Polícia Militar). A ação mira uma organização criminosa que utilizava cargas de mármore e pedras ornamentais como fachada para transportar cocaína. O nome da operação — 'Pietra Cava', que significa 'pedra oca' em italiano — faz referência ao método usado pelos traficantes para esconder a droga dentro das cargas de pedra.

Segundo as investigações do Gaeco, a organização criminosa utilizava cargas de mármore e pedras ornamentais como cobertura para o transporte de cocaína. A droga era escondida em compartimentos ocultos dentro das cargas ou misturada entre as placas de pedra, dificultando a detecção em fiscalizações rodoviárias convencionais. O método é sofisticado e indica que a organização tinha estrutura logística para adquirir e transportar grandes volumes de pedra ornamental, usando empresas de fachada ou cooptando transportadoras legítimas.

Não. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) é um braço do Ministério Público, não da Polícia Civil. Enquanto a Polícia Civil investiga crimes comuns e é vinculada ao Poder Executivo estadual, o Gaeco é vinculado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e atua especificamente no combate ao crime organizado, com autonomia para conduzir investigações próprias, solicitar mandados judiciais e deflagrar operações. O Gaeco frequentemente atua em parceria com forças policiais, como o BPChoque da PM, para a fase ostensiva das operações.

#Gaeco#operação#cocaína#mármore#tráfico#BPChoque#MS#crime-organizado
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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter