Janela partidária redesenha a ALEMS: 13 dos 24 deputados trocam de legenda em MS
Encerramento da janela partidária provoca o maior rearranjo político da história da Assembleia Legislativa. PL e Republicanos saem fortalecidos; PSDB sofre baixas históricas.

O encerramento da janela partidária, em 3 de abril de 2026, provocou o que analistas políticos consideram o maior terremoto eleitoral da história recente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Dos 24 deputados estaduais que compõem a Casa, nada menos que 13 trocaram de legenda — mais da metade do plenário — em um rearranjo partidário que redesenhou completamente a correlação de forças no Legislativo estadual a seis meses das eleições de outubro.
A janela partidária é o período legal, previsto no calendário eleitoral, durante o qual parlamentares podem mudar de partido sem risco de perda do mandato por infidelidade partidária. Em 2026, a janela se estendeu de 4 de março a 3 de abril — 30 dias que se transformaram em um intenso festival de negociações, articulações e migrações entre as principais forças políticas do estado.
PL: o grande vencedor
O Partido Liberal (PL) foi o grande vencedor da temporada de migração, atraindo parlamentares de peso que consolidaram a legenda como uma das maiores bancadas da ALEMS. Entre os nomes que oficializaram a filiação ao PL estão:
- Mara Caseiro — Deputada experiente com forte atuação na área de assistência social e saúde, Mara trouxe para o PL sua base eleitoral consolidada em Campo Grande e no interior do estado
- Paulo Corrêa — Ex-presidente da ALEMS, Paulo Corrêa é um dos parlamentares mais influentes da Casa. Sua migração ao PL representa um ganho significativo de capital político e articulação institucional para o partido
- Zé Teixeira — Deputado com forte inserção no setor agropecuário e na região sul do estado, Zé Teixeira amplia a presença do PL em um segmento econômico fundamental para MS
- Márcio Fernandes — Parlamentar com atuação voltada para o desenvolvimento urbano e infraestrutura, reforçou a bancada do partido na área de cidades
O movimento acompanha a estratégia nacional do PL de consolidar sua base nos legislativos estaduais, criando um colchão parlamentar robusto para sustentar candidaturas majoritárias nas eleições de outubro. Em nível nacional, o PL é o partido com a maior bancada na Câmara Federal e tem investido pesadamente na expansão de sua presença nos estados do Centro-Oeste e do Sul.
Republicanos também sai fortalecido
O Republicanos foi outro partido que saiu fortalecido da janela partidária. Renato Câmara, deputado estadual com forte atuação na área de educação e com base eleitoral expressiva em Dourados e região, é um dos nomes de peso que migraram para a legenda.
O Republicanos tem atuado com apetite na construção de palanques no Centro-Oeste, aproveitando a projeção nacional que o partido obteve nos últimos anos com a eleição de prefeitos em capitais e a ampliação de sua bancada federal. A estratégia do partido em MS é posicionar-se como alternativa de centro-direita com forte capacidade de articulação tanto com a base governista quanto com a oposição.
PSDB: o grande perdedor
Na contramão do fortalecimento de PL e Republicanos, o PSDB amargou as maiores perdas da janela partidária. A debandada de deputados reduziu significativamente a bancada tucana na ALEMS, refletindo uma crise que transcende as fronteiras de Mato Grosso do Sul.
Jamilson Name, um dos parlamentares mais conhecidos do estado, deixou o PSDB e filiou-se ao PP (Progressistas) — partido do governador Eduardo Riedel. A saída de Name, que possuía forte capital político em Campo Grande, representou um golpe simbólico importante para os tucanos, sinalizando que mesmo lideranças consolidadas não veem mais futuro na sigla.
Analistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que o esvaziamento do PSDB em MS acompanha uma tendência nacional irreversível. O partido, que governou o Brasil por oito anos (1995-2002) e era referência de centro-direita, vem perdendo quadros sistematicamente desde 2018. A dificuldade de posicionamento ideológico — pressionado à esquerda pelo centro e à direita pelo PL — e a perda de espaço midiático contribuíram para o encolhimento progressivo da legenda.
Impacto direto nas eleições de outubro
O redesenho partidário na ALEMS terá consequências diretas e imediatas na corrida eleitoral de 2026. As principais implicações são:
Fundo eleitoral e tempo de TV — Os deputados que migraram para partidos maiores terão acesso a mais recursos para suas campanhas. O PL e o Republicanos dispõem de fatias significativas do fundo eleitoral e do tempo de propaganda gratuita, o que pode ser decisivo em uma eleição competitiva.
Palanques majoritários — Muitos dos deputados que trocaram de legenda o fizeram pensando nas candidaturas majoritárias que apoiarão em outubro. A migração para o PL, por exemplo, pode estar atrelada ao apoio a candidaturas ao governo do estado, ao Senado ou à Câmara Federal vinculadas à estrutura nacional do partido.
Candidaturas próprias — Vários dos 13 deputados que trocaram de partido devem disputar vagas na própria ALEMS, na Câmara Federal ou em cargos executivos, buscando a força da nova legenda para alavancar suas campanhas.
Nova configuração na Assembleia
A nova composição partidária da ALEMS altera profundamente a dinâmica legislativa nos meses que restam até as eleições. As mudanças impactam:
Lideranças de bancada — As bancadas precisarão eleger novos líderes, redistribuindo poder de articulação e influência sobre a pauta legislativa.
Comissões permanentes — A composição das comissões temáticas da Assembleia deve ser renegociada para refletir a nova realidade partidária. Comissões estratégicas como a de Orçamento, Constituição e Justiça e Segurança Pública terão novos relatores.
Votações de interesse do Executivo — O governador Eduardo Riedel, que depende da maioria parlamentar para aprovar projetos de lei, terá de recalcular sua base de sustentação. O fortalecimento do PP (seu partido) e de legendas aliadas como PL e Republicanos sugere que a governabilidade se mantém estável, mas as novas configurações exigem renegociações de espaços e cargos.
PP mantém estabilidade
O PP, partido do governador Eduardo Riedel, manteve sua bancada estável durante a janela e ainda incorporou nomes como Jamilson Name. A estratégia do partido governista foi a de preservar seus quadros — evitando perdas — enquanto recebia parlamentares de outras legendas que buscam proximidade com o Executivo.
A estabilidade do PP é vista como fator de segurança para a governabilidade no segundo semestre e para a campanha de reeleição de Riedel.
Contexto e próximos marcos
Com a janela encerrada em 3 de abril, os deputados não poderão mais trocar de partido sem risco de perda do mandato até as eleições. Os próximos marcos do calendário eleitoral incluem:
- Prazo de desincompatibilização — Já encerrado em 4 de abril, provocou reformas nos governos estadual e municipais
- Convenções partidárias — Previstas para julho e agosto, quando as candidaturas serão oficalizadas
- Fechamento do cadastro eleitoral — 6 de maio é a data limite para regularização de títulos de eleitor
- Início da propaganda eleitoral — 16 de agosto, quando começa oficialmente o período de campanha
A ALEMS retomou as sessões ordinárias nesta semana já com a nova composição partidária, e os primeiros reflexos do rearranjo deverão ser sentidos nas próximas votações de projetos prioritários do governo estadual.
As informações foram apuradas com base em dados oficiais da ALEMS e em reportagens publicadas pelo Capital News, Diário MS News, Investiga MS e Campo Grande News.
O que muda para o cidadão
Na prática, o cidadão sul-mato-grossense deve observar atentamente as movimentações partidárias e seus reflexos na atividade legislativa da ALEMS nos próximos meses. As novas lealdades partidárias podem influenciar a votação de projetos de lei que impactam diretamente o cotidiano — desde o reajuste de tributos estaduais até políticas de segurança, saúde e educação. A reconfiguração também afeta a fiscalização do Executivo pela Assembleia. Com a maioria dos deputados posicionados em partidos aliados do governo Riedel, a capacidade de fiscalização independente da oposição fica reduzida, o que exige da sociedade civil e da imprensa um papel ainda mais ativo na cobrança de transparência e responsabilidade dos representantes eleitos.
Fonte: Capital News / Diário MS News / Investiga MS / Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
Dos 24 parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), 13 trocaram de legenda durante a janela partidária encerrada em 3 de abril de 2026.
O PL e o Republicanos foram os partidos que mais atraíram lideranças, consolidando-se como as maiores bancadas da Casa.
Sim. O PSDB sofreu as maiores baixas, perdendo parlamentares para outras siglas e reduzindo significativamente sua representação na ALEMS.
Patrícia Souza
Repórter
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