Polícia Civil desmantela facção ligada a tráfico, sequestros e homicídios em Dourados
Operação cumpriu 12 mandados de busca em MS, SP e SC. Investigação começou após apreensão de 185 kg de cocaína e apura execução de ex-presidiário. Arma e celulares apreendidos.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Setor de Investigações Gerais (SIG) e do Núcleo Regional de Inteligência (NRI) de Dourados, deflagrou entre os dias 31 de março e 1º de abril de 2026 uma operação de grande porte para desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico internacional de drogas, sequestros, torturas e homicídios na região da Grande Dourados. A ação, de caráter interestadual, resultou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em três estados brasileiros e na apreensão de armas, munições, celulares e documentos que poderão fundamentar novas fases da investigação.
Abrangência interestadual da operação
A ação policial foi executada de forma simultânea em três estados, demonstrando a capilaridade da organização criminosa investigada:
Mato Grosso do Sul — O eixo principal da operação concentrou-se em Dourados, onde foram cumpridos mandados em residências e imóveis comerciais vinculados a integrantes da facção. As equipes do SIG e do NRI lideraram a coordenação operacional.
São Paulo — Mandados foram cumpridos em Presidente Prudente, cidade do interior paulista que funciona como ponto logístico para o escoamento de drogas vindas da fronteira de MS. A Polícia Civil de SP atuou em apoio operacional.
Santa Catarina — A cidade de Itapema, no litoral catarinense, foi alvo de buscas em imóveis de alto padrão que, segundo as investigações, eram utilizados para lavagem de dinheiro proveniente do tráfico. Há indícios de que lideranças da organização utilizavam imóveis no litoral sul como refúgio.
A operação contou com o apoio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), reforçando o caráter interinstitucional da ação.
Origem da investigação: 185 kg de cocaína
As apurações que culminaram na operação tiveram início em novembro de 2025, quando agentes da Polícia Civil de Dourados realizaram um flagrante que se tornaria o fio condutor de toda a investigação: a apreensão de aproximadamente 185 quilos de cocaína em uma residência no bairro Parque Alvorada, em Dourados.
O volume expressivo de droga apreendida — avaliado em mais de R$ 15 milhões no mercado de varejo — indicava que a operação de tráfico não era obra de pequenos traficantes, mas de uma estrutura organizada e hierarquizada com ramificações que ultrapassavam as fronteiras do estado.
A partir do flagrante, os investigadores do SIG iniciaram um minucioso trabalho de inteligência para mapear toda a cadeia logística do grupo criminoso:
- Fornecimento — De onde vinha a cocaína e quem eram os fornecedores internacionais na fronteira com o Paraguai
- Transporte — Quais as rotas utilizadas para levar a droga de Dourados para outros estados, identificando motoristas, veículos e pontos de transbordo
- Armazenamento — Os locais utilizados como depósitos temporários, incluindo casas alugadas, chácaras e galpões
- Distribuição — A rede de venda no varejo, com identificação de pontos de venda e traficantes de rua
- Financeiro — O fluxo de dinheiro, incluindo contas bancárias, transferências via Pix e investimentos em imóveis e veículos
Conexão com homicídio de ex-presidiário
O trabalho de inteligência revelou uma dimensão ainda mais grave da organização: o envolvimento em crimes violentos contra a pessoa. Os investigadores conseguiram estabelecer conexões entre a facção e a execução do ex-presidiário Leandro Roberto de Oliveira, assassinado em 21 de novembro de 2025 em uma emboscada nas ruas de Dourados.
Segundo a apuração, Leandro teria sido executado por ordem de lideranças da facção em retaliação por uma das seguintes motivações, ainda sob investigação:
- Delação — Suspeita de que ele teria fornecido informações à polícia sobre a estrutura do tráfico na região
- Disputa territorial — Conflito pelo controle de pontos de venda de drogas em bairros periféricos de Dourados
- Dívida de droga — Débito não quitado com fornecedores do grupo criminoso
A polícia acredita que a execução foi encomendada e realizada por pistoleiros contratados especificamente para a ação, e a identificação desses executores é uma das prioridades das investigações em curso.
Material apreendido
Durante o cumprimento dos 12 mandados de busca, as equipes policiais apreenderam um conjunto significativo de materiais de prova:
| Material | Relevância |
|---|---|
| Aparelhos celulares (diversos) | Rastreamento de comunicações entre membros da organização |
| Pistola calibre 9 milímetros | Arma de fogo ilegal, possível vinculação a crimes violentos |
| Cadernos de anotações | Registros manuscritos de transações financeiras e dívidas |
| Computadores e notebooks | Dados financeiros, comunicações e registros contábeis |
| Documentos e recibos | Comprovação de movimentações financeiras suspeitas |
| Pen drives e cartões de memória | Armazenamento de dados que serão submetidos a perícia digital |
Todo o material foi encaminhado ao Instituto de Criminalística e ao Núcleo de Inteligência para análise pericial detalhada. Os celulares, em particular, serão submetidos a extração forense de dados — processo que pode revelar conversas, fotografias, localizações e contatos que ajudem a identificar outros integrantes da organização ainda não identificados.
Dourados: corredor estratégico do tráfico
A região de Dourados, pela proximidade com a fronteira com o Paraguai — distante menos de 120 quilômetros da linha divisória — é historicamente uma das rotas mais utilizadas para o tráfico internacional de drogas e armas no Brasil. A cidade ocupa posição estratégica nos corredores de escoamento que ligam os pontos de entrada na fronteira (Ponta Porã, Mundo Novo, Coronel Sapucaia) aos grandes centros consumidores do Sudeste e Sul do país.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), Dourados concentrou em 2025 mais de 25% de todas as apreensões de drogas do estado, números que refletem tanto a intensidade do tráfico na região quanto o trabalho das forças de segurança locais.
A presença de facções criminosas de atuação nacional na região da Grande Dourados é uma preocupação constante das autoridades. Organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) disputam territórios e rotas na fronteira, gerando conflitos violentos que impactam diretamente a segurança da população.
Investigações continuam
A Polícia Civil de MS informou que a operação realizada entre 31 de março e 1º de abril representa apenas uma fase de um inquérito mais amplo. As investigações prosseguem com foco na identificação dos executores contratados para o homicídio de Leandro Roberto de Oliveira e no mapeamento de novas ramificações da organização em outros estados.
A cooperação interestadual com as polícias de São Paulo e Santa Catarina deve ser mantida, com a possibilidade de novas fases operacionais nos próximos meses, à medida que a análise do material apreendido revelar novos alvos e conexões.
As informações desta reportagem foram apuradas com base em dados oficiais da Polícia Civil de MS e em reportagens publicadas pelo Campo Grande News, Dourados Informa, Arena de Notícias e Diário Digital.
Canais de denúncia e colaboração da população
A Polícia Civil de MS solicita que cidadãos com informações sobre atividades de tráfico de drogas, armamento ilegal e organizações criminosas na região de Dourados denunciem pelo Disque-Denúncia (197) ou diretamente ao SIG de Dourados. A identidade do informante é protegida por lei e as denúncias podem ser feitas de forma anônima. A Sejusp-MS reforça que o combate ao crime organizado na fronteira é uma das prioridades do governo estadual e que os investimentos em inteligência policial, capacitação de efetivo e aquisição de equipamentos de investigação serão ampliados nos próximos meses, visando a manutenção da pressão sobre as facções criminosas que atuam na rota internacional de tráfico.
Fonte: Campo Grande News / Dourados Informa / Arena de Notícias / Diário Digital
❓ Perguntas Frequentes
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão de forma simultânea em Dourados (MS), Presidente Prudente (SP) e Itapema (SC).
A apuração começou em novembro de 2025, após a apreensão de cerca de 185 quilos de cocaína em uma residência no Parque Alvorada, em Dourados.
Sim. A operação interestadual revelou ramificações em São Paulo e Santa Catarina, demonstrando a capilaridade nacional do grupo.
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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