PF deflagra Operação Emagrecimento Seguro e apreende canetas emagrecedoras contrabandeadas em Campo Grande
Segunda fase da operação investiga contrabando de medicamentos farmacêuticos ilegais; mandado cumprido em prédio comercial na Avenida Afonso Pena

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, a segunda fase da Operação Emagrecimento Seguro, que investiga o contrabando de canetas emagrecedoras introduzidas ilegalmente no Brasil. A ação tem como foco crimes fazendários relacionados à comercialização irregular de produtos farmacêuticos que não passaram pelo controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, policiais federais cumpriram um mandado de busca e apreensão em um prédio comercial localizado na Avenida Afonso Pena, quase esquina com a Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira. O edifício abriga diversas clínicas médicas e escritórios, sendo um ponto estratégico para a comercialização dos produtos ilegais.
Contexto da operação e primeira fase
A Operação Emagrecimento Seguro teve sua primeira fase deflagrada em fevereiro de 2026, quando a PF identificou uma rede de distribuição de medicamentos contrabandeados que operava em pelo menos 12 estados brasileiros. Na ocasião, foram apreendidas mais de 15 mil unidades de canetas emagrecedoras avaliadas em aproximadamente R$ 18 milhões no mercado paralelo.
As investigações apontaram que os medicamentos entravam no país principalmente pela fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, utilizando rotas já conhecidas pelo tráfico de outros produtos ilegais. A proximidade de Campo Grande com cidades fronteiriças como Ponta Porã e Corumbá facilita a logística do contrabando.
Segundo a PF, os criminosos aproveitam a alta demanda por medicamentos para emagrecimento e a diferença de preço entre o produto original — que custa entre R$ 1.200 e R$ 1.800 nas farmácias brasileiras — e as versões contrabandeadas, vendidas por R$ 400 a R$ 600 no mercado paralelo.
Riscos à saúde pública
A Anvisa alerta que os medicamentos contrabandeados representam sérios riscos à saúde dos consumidores. As canetas emagrecedoras à base de semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) são medicamentos de uso controlado que exigem prescrição médica e acompanhamento profissional.
Entre os principais riscos identificados pelas autoridades sanitárias estão:
| Risco | Descrição | Gravidade |
|---|---|---|
| Dosagem incorreta | Produtos falsificados podem conter quantidade errada do princípio ativo | Alta |
| Contaminação | Fabricação sem controle sanitário pode introduzir impurezas | Crítica |
| Armazenamento | Canetas precisam de refrigeração entre 2°C e 8°C | Alta |
| Falsificação | Produto pode não conter o princípio ativo anunciado | Crítica |
| Efeitos colaterais | Sem acompanhamento médico, reações adversas podem ser fatais | Alta |
O delegado responsável pela operação em MS destacou que muitos consumidores adquirem os produtos pela internet ou em clínicas clandestinas, sem qualquer orientação médica. "Estamos falando de medicamentos que podem causar pancreatite, problemas renais e até parada cardíaca se usados de forma inadequada", alertou.
Investigação e desdobramentos
A segunda fase da operação foi autorizada pela Justiça Federal de Campo Grande após a análise de dados obtidos na primeira fase. Os investigadores identificaram que parte dos medicamentos apreendidos anteriormente tinha como destino final clínicas de estética e consultórios médicos na capital sul-mato-grossense.
Durante o cumprimento do mandado na Avenida Afonso Pena, os policiais federais apreenderam documentos, computadores e telefones celulares que serão analisados para identificar a extensão da rede de distribuição. Não houve prisões nesta fase, mas os responsáveis pelos estabelecimentos investigados foram intimados a prestar depoimento.
A PF informou que a operação continua em andamento e que novas fases podem ser deflagradas nas próximas semanas, à medida que as investigações avançam. A expectativa é de que sejam identificados os principais fornecedores e distribuidores dos medicamentos contrabandeados em Mato Grosso do Sul.
Legislação e penalidades
O contrabando de medicamentos é tipificado no artigo 334-A do Código Penal, com pena de reclusão de 2 a 5 anos. Quando envolve produtos que representam risco à saúde pública, a pena pode ser aumentada em até um terço. Além disso, os envolvidos podem responder por crimes contra a saúde pública (artigo 273 do CP) e associação criminosa.
Os estabelecimentos comerciais que comercializam medicamentos sem autorização da Anvisa também estão sujeitos a sanções administrativas, incluindo multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão e interdição do local.
Orientações à população
A Polícia Federal e a Anvisa orientam a população a adquirir medicamentos apenas em farmácias autorizadas e com prescrição médica. Para verificar se um estabelecimento está regularizado, o cidadão pode consultar o site da Anvisa ou ligar para a ouvidoria do órgão.
Denúncias sobre comercialização irregular de medicamentos podem ser feitas pelos seguintes canais:
- Disque-Denúncia da PF: 181
- Ouvidoria da Anvisa: 0800 642 9782
- Site da PF: www.gov.br/pf (formulário de denúncias)
- Vigilância Sanitária Municipal: (67) 3314-3601
A operação reforça a atuação integrada entre órgãos federais e estaduais no combate ao contrabando de medicamentos, que movimenta bilhões de reais anualmente no Brasil e coloca em risco a saúde de milhares de pessoas que buscam alternativas mais baratas para tratamentos médicos.
Fonte: Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Anvisa
💰 Riscos para o consumidor
Preço caneta original
R$ 1.200 a R$ 1.800
Preço contrabandeada
R$ 400 a R$ 600
Risco à saúde
Alto - sem controle sanitário
Pena por contrabando
1 a 4 anos de reclusão
Fonte: Polícia Federal
❓ Perguntas Frequentes
São medicamentos injetáveis à base de semaglutida ou tirzepatida, originalmente desenvolvidos para diabetes tipo 2, mas que ganharam popularidade para emagrecimento. As versões contrabandeadas não passam pelo controle da Anvisa.
Os riscos incluem dosagem incorreta, contaminação, armazenamento inadequado (precisam de refrigeração), efeitos colaterais graves sem acompanhamento médico e até falsificação do princípio ativo.
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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