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sábado, 11 de abril de 2026
🏛️ Política

Riedel e Flávio Bolsonaro unem forças na Expogrande e miram governo Lula

Governador, senador e aliados do PL fizeram ato político em Campo Grande com críticas ao PT e demonstração de força para 2026

Marcos Vinícius Borges7 min de leituraCampo Grande
Riedel e Flávio Bolsonaro unem forças na Expogrande e miram governo Lula

O diretório do PL no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, ficou lotado na manhã de sexta-feira (10). Pré-candidatos, deputados, prefeitos e lideranças de pelo menos 15 municípios ocuparam as cadeiras dispostas em semicírculo enquanto Flávio Bolsonaro, Eduardo Riedel, Tereza Cristina e Reinaldo Azambuja se posicionavam lado a lado na mesa principal. O clima era de convenção partidária — faltavam só os balões.

O Que Aconteceu

Reinaldo Azambuja abriu o encontro com um recado direto. O presidente do PL no estado e pré-candidato ao Senado disse que convocou "praticamente todos os pré-candidatos dessa coligação enorme" para o ato. "Aqui temos que entender que para ganhar eleição temos que somar e não dividir, temos que deixar a diferença de lado", afirmou, virando-se para Flávio.

O governador Riedel foi o segundo a falar. Trouxe dois secretários — Flávio Cesar Oliveira, da Fazenda, e Rodrigo Perez, de Governo e Gestão Estratégica — e não economizou nas críticas ao PT. "Eu sou de uma geração que vi o PSDB, o MDB, depois o PP, o União, o Republicanos, brigar contra uma agenda de 20 anos de um partido que resultou no que resultou", disparou.

Mas Riedel fez questão de não ficar só na crítica. Apontou que seu governo dá respostas em duas áreas que a esquerda costuma reivindicar: social e ambiental. "Olha o que está acontecendo em MS?", perguntou, citando programas estaduais sem dar detalhes. Na sequência, atacou a política econômica federal: "Ferindo a economia do país como solução para aquilo de negativo que ele próprio criou."

Tereza Cristina falou em "renascimento da esperança" e reforçou a adesão ao projeto. Flávio encerrou pedindo empenho. "Vai ser uma disputa muito difícil, talvez seja a missão mais importante que o país vai tomar esse ano", disse. E arrematou: "Eu acredito que é o fim do ciclo do PT."

Contexto e Histórico

A Expogrande, que chegou à 86ª edição em 2026, é historicamente palco de articulações políticas em Mato Grosso do Sul. A feira agropecuária reúne produtores rurais, empresários e lideranças num ambiente onde negócios e política se misturam com naturalidade. Nos últimos ciclos eleitorais, candidatos a governador e ao Senado usaram o evento como plataforma de lançamento informal.

A aliança PL-PP em MS não é novidade. Em 2022, Reinaldo Azambuja (então no PSDB, hoje no PL) apoiou Riedel para o governo, e Tereza Cristina foi reeleita ao Senado com votação expressiva. O que muda agora é a escala: o grupo projeta influência nacional, com Flávio na presidência e Azambuja no Senado.

Riedel governa com 71% de aprovação, segundo pesquisa Ibrape divulgada em março de 2026. O número dá ao governador capital político para bancar alianças e cobrar reciprocidade. Na prática, o apoio de Riedel a Flávio tem um preço: a manutenção da aliança para sua reeleição.

Do lado oposto, o PT realiza neste sábado (11) seu encontro estadual, com Vander Loubet e Fábio Trad à frente. A disputa pelo eleitorado de MS já está aberta.

A definição da segunda vaga do PL ao Senado — além de Azambuja — será feita por pesquisa, segundo Flávio. O senador Pollon, indicado por Bolsonaro, disse que não volta atrás na disputa, o que pode gerar atrito interno no partido. A gestão dessas tensões será um teste para a capacidade de articulação de Azambuja como presidente estadual do PL.

O cenário econômico também pesa. Se a inflação continuar alta e os juros não cederem até outubro de 2026, o discurso de Flávio contra o governo Lula ganha tração. Se a economia melhorar, o PT terá argumentos para defender a gestão federal. Em MS, onde o agro depende de crédito e câmbio, a política econômica nacional tem impacto direto no bolso do produtor — e no voto.

A Expogrande segue até 20 de abril com programação de leilões, palestras e shows. O evento deve receber mais de 500 mil visitantes ao longo dos 12 dias, consolidando-se como o maior palco político informal de Mato Grosso do Sul antes das convenções partidárias.

Impacto Para a População

O ato político na Expogrande sinaliza como será a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul e no Brasil em 2026.

Aspecto Detalhe
Aliança PL + PP + partidos aliados
Presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Governo MS Eduardo Riedel (PP) — reeleição
Senado Reinaldo Azambuja (PL)
Vice possível Tereza Cristina (PP-MS)
Aprovação Riedel 71% (Ibrape, março/2026)
Eleitores MS 1,9 milhão
Expogrande 86ª edição

Para o cidadão sul-mato-grossense, a polarização entre PL/PP e PT/Federação Brasil da Esperança vai definir não apenas quem governa, mas quais políticas públicas serão priorizadas. O agro, a infraestrutura rodoviária e a segurança pública aparecem como bandeiras da direita. Saúde, educação e programas sociais tendem a ser o foco da esquerda.

O Que Dizem os Envolvidos

Azambuja não poupou o governo Lula. "Produz crescimento pífio do país e, para ganhar a eleição, está destruindo o Brasil, encarecendo o custo de vida para o cidadão, endividando as famílias, prejudicando o agronegócio", afirmou.

Flávio reforçou: "O produto já está fadigado", referindo-se a Lula. E completou: "É unânime em todas as pesquisas a tendência do nosso crescimento e o derretimento do outro lado."

Riedel, mais contido, preferiu o tom institucional. "Esse trabalho é que este time está preparado para enfrentar e conquistar a união que resultará na sua eleição", disse, apontando para Flávio.

A senadora Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura entre 2019 e 2022, reforçou a importância do agro na pauta nacional. Sem confirmar nem negar a possibilidade de ser vice, ela se limitou a dizer que o momento é de "construção" e que o grupo político está "mais unido do que nunca".

Deputados estaduais presentes no ato — entre eles Lídio Lopes, Paulo Corrêa, Roberto Hashioka, Coronel Davi e Márcio Fernandes — reforçaram o apoio à aliança. A presença de parlamentares de diferentes partidos da base aliada (PL, PP, Republicanos, União Brasil) demonstra a amplitude da coligação que se forma em MS.

O clima no diretório era de otimismo calculado. Ninguém falou em vitória garantida, mas todos falaram em "tendência de crescimento". As pesquisas, segundo Flávio, mostram "derretimento do outro lado". Se os números confirmam essa leitura, só as próximas sondagens vão dizer.

Próximos Passos

Flávio retornou a Brasília na sexta à noite. Deve voltar a MS em maio para a Expoagro de Dourados. A definição formal da chapa presidencial do PL fica para o segundo semestre, quando as convenções partidárias serão realizadas.

Em MS, Azambuja deve intensificar a articulação para o Senado nos próximos meses, enquanto Riedel segue governando com a base aliada. A próxima pesquisa eleitoral estadual, prevista para maio, vai medir o impacto da movimentação da Expogrande.

O PT, por sua vez, tenta construir uma alternativa com Fábio Trad ao governo e Vander Loubet na coordenação da campanha federal. O encontro deste sábado é o primeiro passo.

Fechamento

A Expogrande virou palanque. E o recado do PL foi claro: a direita em Mato Grosso do Sul está unida, organizada e mirando 2026 com ambição nacional. Se a aliança vai se sustentar até outubro do ano que vem, só o tempo — e as pesquisas — vão dizer.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Midiamax (midiamax.com.br)
  • Pesquisa Ibrape — março de 2026

💰 Ato político do PL em CG

1

Governador presente

Eduardo Riedel (PP)

2

Pré-candidato ao Senado

Reinaldo Azambuja (PL)

3

Evento

86ª Expogrande

4

Aprovação de Riedel

71% (Ibrape)

Fonte: Campo Grande News / Midiamax

❓ Perguntas Frequentes

Na manhã de sexta-feira (10), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, recebeu apoio público do governador Eduardo Riedel (PP), da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) em evento no diretório do PL, no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. O encontro reuniu deputados estaduais e federais, prefeitos e lideranças regionais numa demonstração de força e unidade da oposição ao governo Lula. Os participantes fizeram críticas ao PT em áreas como economia, juros, endividamento familiar e tratamento ao agronegócio.

A movimentação na Expogrande consolidou uma aliança entre PL e PP em Mato Grosso do Sul para 2026. Flávio Bolsonaro é o pré-candidato do PL à presidência, com apoio de Reinaldo Azambuja, que preside o PL no estado e é pré-candidato ao Senado. Eduardo Riedel, do PP, busca reeleição ao governo com apoio do mesmo grupo. Tereza Cristina, também do PP, é cotada como possível vice na chapa presidencial. A aliança reúne as principais lideranças da direita no estado e aposta no agronegócio como bandeira central da campanha.

Eduardo Riedel direcionou críticas ao PT e ao governo Lula em pelo menos dois eixos. Na economia, disse que as políticas do governo federal causaram a alta dos juros e o uso de recurso público para subsídio de políticas sociais, 'ferindo a economia do país como solução para aquilo de negativo que ele próprio criou'. Na área social e ambiental, Riedel apontou Mato Grosso do Sul como exemplo de gestão, perguntando 'olha o que está acontecendo em MS?' como contraponto às pautas defendidas pela esquerda. O governador também disse que o PL conseguiu unificar a oposição após 20 anos de disputa fragmentada.

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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter