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sexta-feira, 03 de abril de 2026
🚔 Polícia

PM apreende mais de mil cápsulas de cocaína em operação no bairro Popular Velha, em Corumbá

Polícia Militar deteve grupo suspeito de atuar como 'mulas' do tráfico internacional na fronteira de MS com a Bolívia. Apreensão é uma das maiores do ano no estado

Camila Ferreira8 min de leituraCorumbá
PM apreende mais de mil cápsulas de cocaína em operação no bairro Popular Velha, em Corumbá

Uma operação da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul realizada no bairro Popular Velha, em Corumbá, resultou na apreensão de mais de mil cápsulas de cocaína e na detenção de um grupo de suspeitos que, segundo as investigações preliminares, atuavam como "mulas" do tráfico internacional de drogas na região de fronteira com a Bolívia. A ação ocorreu no dia 31 de março de 2026 e é considerada uma das maiores apreensões de cocaína no estado neste ano.

A cidade de Corumbá, localizada a 420 quilômetros de Campo Grande, ocupa posição estratégica no mapa do narcotráfico sul-americano. Separada da cidade boliviana de Puerto Quijarro apenas pela faixa de fronteira seca, Corumbá é historicamente uma das principais portas de entrada de cocaína no Brasil — droga que chega das regiões produtoras de Chapare e Yungas, na Bolívia, e é redistribuída para os grandes centros consumidores do Sudeste e do Sul do país.

Como a operação foi desencadeada

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Militar de MS, a operação foi resultado de um trabalho de inteligência que vinha sendo desenvolvido há semanas. As investigações apontaram que uma rede de "mulas" — pessoas recrutadas para transportar drogas em seus corpos ou em malas, geralmente em troca de quantias que variam entre R$ 3 mil e R$ 8 mil por viagem — operava a partir do bairro Popular Velha, um dos mais populosos e tradicionais de Corumbá.

O bairro, que concentra uma população de baixa renda e fica próximo à área central da cidade, já foi palco de diversas operações policiais nos últimos anos. A proximidade com pontos de travessia não oficiais na fronteira torna a região vulnerável ao aliciamento de moradores por facções criminosas que controlam rotas de tráfico no corredor Brasil-Bolívia.

Os policiais militares abordaram os suspeitos em uma residência utilizada como ponto de preparo e armazenamento das cápsulas. No local, foram encontradas as mais de mil cápsulas já prontas para ingestão — método conhecido como "engolir" ou "body packing" —, além de material para embalagem, como filme plástico, cera e lubrificantes, utilizados para facilitar a deglutição e reduzir o risco de rompimento no trato digestivo.

O método das "mulas" e os riscos à saúde

O transporte de drogas por ingestão de cápsulas é um dos métodos mais perigosos do tráfico internacional. Cada cápsula contém, em média, entre 8 e 12 gramas de cocaína e é envolvida em múltiplas camadas de plástico e látex para resistir à ação dos ácidos estomacais durante o trânsito intestinal — um percurso que pode durar de 24 a 72 horas.

No entanto, o risco de rompimento é real e frequentemente fatal. Quando uma cápsula se rompe dentro do corpo, a liberação maciça de cocaína provoca overdose quase instantânea, com parada cardiorrespiratória que pode levar à morte em poucos minutos. Dados do Instituto Médico Legal (IML) de Corumbá e de Campo Grande registram, em média, 3 a 5 óbitos por ano relacionados ao rompimento de cápsulas de cocaína em "mulas" que transitam pela fronteira de MS.

As mais de mil cápsulas apreendidas na operação representariam, na estimativa policial, um carregamento equivalente a aproximadamente 10 a 12 quilos de cocaína pura — volume que, quando fracionado e vendido nas ruas dos grandes centros urbanos, poderia movimentar mais de R$ 2 milhões no mercado varejista.

Corumbá no mapa do narcotráfico

A posição geográfica de Corumbá a coloca no centro de um dos corredores mais ativos do tráfico de drogas na América do Sul. A cidade faz divisa com três localidades bolivianas — Puerto Quijarro, Puerto Suárez e Arroyo Concepción — e está conectada a uma malha rodoviária e ferroviária que permite o escoamento rápido da droga para o interior do Brasil.

Nos últimos anos, as forças de segurança de MS intensificaram as ações na região. Em 2025, a Polícia Federal, em conjunto com a Polícia Militar e o Exército Brasileiro, apreendeu mais de 8 toneladas de drogas na faixa de fronteira sul-mato-grossense, com Corumbá e Ponta Porã liderando o volume de apreensões.

A "Operação Barril 67", deflagrada pela FICCO/MS no final de março de 2026, também mirou organizações criminosas que utilizam a rota Corumbá–Campo Grande–São Paulo para transportar cocaína e armas de fogo. As investigações revelaram que a droga era transportada em veículos com compartimentos secretos, caminhões de carga e, em alguns casos, por "mulas" humanas — exatamente o método flagrado na operação do bairro Popular Velha.

Perfil dos aliciados e o papel das facções

O recrutamento de "mulas" na fronteira segue um padrão identificado pela inteligência policial. As organizações criminosas buscam preferencialmente:

  • Mulheres jovens (18 a 30 anos), muitas vezes mães solteiras em situação de vulnerabilidade econômica
  • Homens desempregados ou com renda informal, atraídos pela promessa de pagamento rápido
  • Motoristas de aplicativo e caminhoneiros, que utilizam o trânsito pela rodovia como cobertura
  • Estudantes universitários, especialmente aqueles que viajam regularmente entre cidades de fronteira e capitais

A remuneração oferecida varia de acordo com o risco e a quantidade transportada. Uma "mula" que ingere cápsulas recebe entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por viagem, enquanto motoristas que escondem a droga em compartimentos de veículos podem receber até R$ 15 mil. Para populações em situação de extrema pobreza na região de fronteira, esses valores representam meses de renda, o que torna o aliciamento particularmente eficaz.

As facções criminosas que operam na rota Corumbá–São Paulo incluem o Primeiro Comando da Capital (PCC), que segundo investigações da Polícia Federal controla boa parte do fluxo de cocaína boliviana que entra pelo corredor sul-mato-grossense, e organizações locais que atuam como "franquias" ou distribuidoras regionais.

Desdobramentos e investigações em curso

Os suspeitos detidos na operação foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Corumbá, onde foram autuados por tráfico de drogas (artigo 33 da Lei 11.343/2006), com penas que variam de 5 a 15 anos de reclusão. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que a análise dos aparelhos celulares apreendidos poderá revelar a identidade dos fornecedores da droga no lado boliviano e dos destinatários no interior de São Paulo e outras capitais.

A Polícia Militar de MS reforçou que as ações na região de fronteira continuarão sendo intensificadas, especialmente no período que antecede a Semana Santa e o feriado de Tiradentes, quando o aumento do fluxo de pessoas e veículos pode ser utilizado pelas organizações criminosas para camuflar o transporte de drogas.

O secretário de Segurança Pública de MS destacou que a integração entre as forças estaduais e federais — PM, Polícia Civil, Polícia Federal, PRF e Exército — tem sido fundamental para os resultados obtidos em 2026 e que o estado mantém posição de destaque no combate ao narcotráfico na faixa de fronteira brasileira.

A apreensão de mais de mil cápsulas de cocaína no bairro Popular Velha reforça a necessidade de investimento contínuo em inteligência policial e cooperação internacional. O governo de Mato Grosso do Sul anunciou, no início de 2026, a ampliação do programa MS Mais Seguro, que prevê a instalação de 500 câmeras de monitoramento em pontos estratégicos das cidades de fronteira, incluindo Corumbá, Ponta Porã e Mundo Novo. O sistema, integrado ao Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS), permitirá o rastreamento em tempo real de veículos e pessoas suspeitas, complementando o trabalho de campo das equipes policiais.

A Polícia Militar de MS informou ainda que novas ações estão programadas para as próximas semanas na região de fronteira, com foco especial no período da Semana Santa, quando tradicionais rotas de tráfico costumam intensificar suas operações sob a cobertura do aumento do fluxo turístico e comercial.

Fonte: Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Primeira Página MS (primeirapagina.com.br)

💰 Números da apreensão

1

Cápsulas apreendidas

Mais de 1.000

2

Substância

Cocaína

3

Detidos

Grupo de suspeitos

4

Local

Bairro Popular Velha

Fonte: Polícia Militar de MS / Primeira Página MS

❓ Perguntas Frequentes

A ação da Polícia Militar ocorreu no bairro Popular Velha, na cidade de Corumbá, região de fronteira com a Bolívia (Mato Grosso do Sul).

Foram apreendidas mais de mil cápsulas de cocaína. Os suspeitos detidos são investigados como 'mulas' do tráfico internacional.

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CF

Camila Ferreira

Repórter