Polícia Científica de MS se capacita em Brasília para investigar tortura com Protocolo de Istambul
Peritos da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul participaram de curso em Brasília sobre o Protocolo de Istambul para investigação de tortura e maus-tratos.

Peritos da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul participaram nesta semana de um curso de capacitação em Brasília sobre o Protocolo de Istambul, instrumento internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece diretrizes para a investigação e documentação de tortura e maus-tratos. O treinamento reforça o compromisso do estado com a qualificação técnica de suas forças de segurança e com a defesa dos direitos humanos.
O Protocolo de Istambul
O Protocolo de Istambul é um manual de normas internacionais publicado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos em 1999. O documento estabelece padrões técnicos para que profissionais de saúde, peritos forenses e operadores do direito possam identificar, documentar e relatar evidências de tortura e tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
O protocolo abrange:
- Exame médico — procedimentos para documentar lesões físicas compatíveis com tortura
- Avaliação psicológica — identificação de sequelas psicológicas em vítimas
- Coleta de evidências — técnicas de preservação e documentação de provas
- Elaboração de laudos — padrões internacionais para laudos periciais
- Proteção de vítimas — diretrizes para garantir a segurança de quem denuncia
A Capacitação
O curso realizado em Brasília reuniu profissionais de perícia criminal de diversos estados brasileiros e contou com a participação de instrutores especializados em direitos humanos e medicina forense. Os peritos de MS receberam formação teórica e prática sobre:
- Metodologia de exame físico para identificação de marcas de tortura
- Entrevista com vítimas — técnicas de abordagem respeitosa e eficaz
- Documentação fotográfica de lesões e evidências
- Elaboração de laudos segundo padrões internacionais
- Aspectos jurídicos — legislação nacional e internacional sobre tortura
"A capacitação no Protocolo de Istambul eleva o padrão das nossas perícias e garante que casos de tortura sejam investigados com o rigor que a gravidade do tema exige", afirmou o diretor da Polícia Científica de MS.
Importância Para MS
Mato Grosso do Sul, pela sua posição geográfica de fronteira e pela complexidade do seu sistema prisional, enfrenta desafios específicos na área de direitos humanos. A qualificação dos peritos no Protocolo de Istambul contribui para:
- Investigações mais robustas — evidências melhor documentadas fortalecem processos judiciais
- Prevenção — a capacidade de documentar tortura funciona como elemento dissuasório
- Credibilidade institucional — demonstra compromisso do estado com padrões internacionais
- Proteção de vulneráveis — melhora o atendimento a vítimas em situação de privação de liberdade
| Área de impacto | Benefício |
|---|---|
| Sistema prisional | Investigação de denúncias com rigor técnico |
| Delegacias | Documentação de possíveis abusos |
| Sistema judiciário | Laudos periciais mais qualificados |
| Direitos humanos | Cumprimento de compromissos internacionais |
Contexto Nacional
O Brasil é signatário de diversos tratados internacionais que proíbem a tortura, incluindo a Convenção contra a Tortura da ONU e o Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura. O país também possui legislação própria — a Lei 9.455/1997 tipifica o crime de tortura com penas de 2 a 8 anos de reclusão.
Apesar do arcabouço legal, relatórios de organizações de direitos humanos apontam que a tortura ainda ocorre em contextos específicos no Brasil, especialmente em ambientes de privação de liberdade. A capacitação de peritos é considerada fundamental para combater essa prática.
Fontes e Referências
- Agência de Notícias de Mato Grosso do Sul (agenciadenoticias.ms.gov.br)
- Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ohchr.org)
- Polícia Científica de MS
- Governo do Estado de MS (ms.gov.br)
💰 Capacitação — Protocolo de Istambul
Órgão participante
Polícia Científica de MS
Tema
Investigação de tortura e maus-tratos
Local do curso
Brasília
Protocolo internacional
Protocolo de Istambul (ONU)
Fonte: Agência de Notícias MS
❓ Perguntas Frequentes
O Protocolo de Istambul é um manual de normas internacionais publicado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, que estabelece diretrizes para a investigação e documentação de tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Adotado em 1999, o protocolo orienta profissionais de saúde, peritos forenses e profissionais do direito sobre como identificar e documentar evidências de tortura.
A Polícia Científica de MS participa de capacitações sobre o Protocolo de Istambul para qualificar seus peritos na identificação e documentação de evidências de tortura e maus-tratos. Essa competência é essencial para o funcionamento adequado do sistema de justiça criminal, garantindo que casos de tortura sejam investigados com rigor técnico e que as vítimas recebam a devida proteção legal.
Sim. A capacitação em Protocolo de Istambul eleva o padrão técnico das perícias realizadas em MS, permitindo que casos de tortura em ambientes prisionais, delegacias ou outros contextos sejam investigados com maior eficácia. O conhecimento adquirido também contribui para a prevenção, uma vez que a capacidade de documentar tortura funciona como elemento dissuasório.
Lucas Mendes
Repórter
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