PRF apreende 75 celulares escondidos em compartimento oculto de carro em Bataguassu
Aparelhos de origem estrangeira estavam em fundo falso no porta-malas de veículo que voltava de Ponta Porã; mercadoria foi encaminhada à Receita Federal

Setenta e cinco celulares. Todos escondidos em um fundo falso no porta-malas de um VW Polo que voltava de Ponta Porã. A PRF encontrou a carga durante fiscalização na BR-267, em Bataguassu, nesta quarta-feira, 16 de abril. Os ocupantes disseram que tinham ido "fazer compras". Compraram — mas esqueceram a nota fiscal.
O Que Aconteceu
A abordagem aconteceu por volta das 10h30 no km 12 da BR-267, trecho entre Bataguassu e Presidente Epitácio, a 310 quilômetros de Campo Grande. Uma equipe da PRF parou o VW Polo com placas de Campo Grande durante operação de fiscalização de rotina.
Os dois ocupantes — um homem de 31 anos e uma mulher de 28 — informaram que voltavam de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, onde haviam feito compras pessoais. Apresentaram apenas algumas sacolas com roupas e perfumes, dentro da cota permitida para compras no exterior.
A desconfiança dos policiais veio do comportamento. O motorista estava nervoso, evitava contato visual e respondia com frases curtas. A PRF decidiu fazer vistoria detalhada no veículo. No porta-malas, sob o revestimento de carpete, os policiais encontraram um compartimento oculto — um fundo falso instalado profissionalmente, com acabamento que imitava o revestimento original do carro.
Dentro do compartimento: 75 aparelhos celulares de marcas como Samsung, Xiaomi e Motorola, todos lacrados, em caixas originais, sem nota fiscal brasileira. O valor estimado da carga é de R$ 150 mil a R$ 225 mil, dependendo dos modelos — que incluíam smartphones de última geração com preço de varejo acima de R$ 3 mil cada no Brasil.
"O fundo falso era bem feito. Sem a vistoria minuciosa, passaria despercebido. O acabamento era idêntico ao original do veículo", relatou o inspetor da PRF responsável pela abordagem.
Contexto e Histórico
O contrabando de eletrônicos pela fronteira de MS é uma indústria. Ponta Porã e Pedro Juan Caballero — cidades gêmeas separadas apenas por uma rua — formam o principal ponto de entrada de celulares, tablets e notebooks contrabandeados do Paraguai para o Brasil.
A diferença de preço é o motor do negócio. Um smartphone Samsung Galaxy S25, que custa R$ 5.200 no Brasil, é vendido por US$ 550 (cerca de R$ 3.100) em lojas de Pedro Juan Caballero. A margem de lucro para o contrabandista — mesmo descontando o custo do fundo falso e o risco da apreensão — é de 40% a 60% por aparelho.
Em 2025, a Receita Federal apreendeu mais de 12 mil celulares de origem estrangeira em operações nas rodovias de MS, totalizando valor estimado de R$ 36 milhões. A BR-267 — que liga Ponta Porã a Bataguassu e de lá segue para São Paulo — é a rota mais usada. Outras rotas incluem a BR-163 (via Dourados) e a MS-384 (via Amambai).
O uso de fundos falsos em veículos é cada vez mais sofisticado. Oficinas clandestinas em Ponta Porã e Dourados instalam compartimentos ocultos por valores entre R$ 2 mil e R$ 8 mil, dependendo do tamanho e da complexidade. Alguns fundos falsos são acionados por mecanismos elétricos — só abrem quando o motorista pressiona uma sequência específica de botões no painel do carro. A PRF já apreendeu veículos com fundos falsos controlados por bluetooth.
O perfil dos "mulas" — como são chamados os transportadores — varia. Há desde jovens desempregados que aceitam o serviço por R$ 1.500 a R$ 3 mil por viagem até casais de classe média que usam a aparência de "família viajando" para despistar a fiscalização. O casal preso em Bataguassu se encaixa nesse segundo perfil.
Impacto Para a População
O contrabando de eletrônicos prejudica o comércio formal e reduz a arrecadação de impostos.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Aparelhos apreendidos | 75 celulares |
| Marcas | Samsung, Xiaomi, Motorola |
| Valor estimado | R$ 150 mil a R$ 225 mil |
| Local | BR-267, km 12, Bataguassu |
| Origem | Ponta Porã / Pedro Juan Caballero |
| Apreensões de celulares em MS (2025) | 12 mil aparelhos (R$ 36 milhões) |
| Diferença de preço Brasil x Paraguai | 40% a 60% |
| Custo de fundo falso | R$ 2 mil a R$ 8 mil |
Para o consumidor que compra celular contrabandeado, o risco vai além da apreensão. Aparelhos sem certificação da Anatel podem ter baterias sem controle de qualidade — com risco de superaquecimento e explosão — e não contam com garantia do fabricante. Em caso de defeito, o prejuízo é total.
O Que Dizem os Envolvidos
A PRF informou que a mercadoria foi encaminhada à Receita Federal em Bataguassu e que os ocupantes do veículo foram autuados por descaminho (artigo 334 do Código Penal). Se o valor da mercadoria ultrapassar R$ 200 mil — o que depende da avaliação oficial da Receita — o crime pode ser enquadrado como contrabando qualificado, com pena de 2 a 5 anos de reclusão.
A Receita Federal em MS informou que vai periciar os aparelhos para confirmar a origem e o valor de mercado. Os celulares podem ser leiloados ou destruídos, dependendo da decisão administrativa.
O veículo VW Polo foi apreendido e será encaminhado para leilão da Receita Federal, já que foi utilizado como instrumento do crime.
A Receita Federal em MS realiza leilões de mercadorias apreendidas a cada dois meses, em média. No último leilão, realizado em março de 2026, foram arrematados 340 lotes de eletrônicos, roupas e acessórios apreendidos na fronteira, totalizando R$ 1,8 milhão em arrecadação. Os celulares apreendidos em Bataguassu devem integrar o próximo leilão, previsto para junho.
O contrabando de eletrônicos não é apenas uma questão fiscal. Aparelhos sem certificação da Anatel representam risco à segurança do consumidor. Em 2025, a Anatel identificou 23 casos de incêndio doméstico no Brasil associados a baterias de celulares sem certificação — aparelhos comprados no Paraguai ou em camelôs que revendem mercadoria contrabandeada. A agência estima que 8% dos celulares em uso no Brasil não possuem certificação, o que equivale a cerca de 18 milhões de aparelhos.
Próximos Passos
A Polícia Federal vai investigar se os ocupantes do veículo fazem parte de uma rede organizada de contrabando ou se atuavam de forma independente. O celular dos suspeitos foi apreendido para análise de comunicações.
A PRF informou que vai intensificar as fiscalizações na BR-267 nas próximas semanas, com uso de scanners portáteis que detectam compartimentos ocultos em veículos. O equipamento, adquirido em 2025, consegue identificar fundos falsos sem a necessidade de desmontar o veículo.
Fechamento
Setenta e cinco celulares em um fundo falso. Um casal que "foi fazer compras" em Ponta Porã. A história é velha, mas o negócio continua rendendo. A diferença de preço entre Brasil e Paraguai é o combustível. Enquanto um celular custar 40% menos do outro lado da fronteira, vai ter gente disposta a instalar fundo falso no carro e arriscar a viagem. A PRF pega alguns. A maioria passa. Os 75 aparelhos apreendidos em Bataguassu representam uma fração do que cruza a fronteira todo dia. Denúncias sobre contrabando podem ser feitas à Receita Federal pelo telefone 146 ou à PRF pelo 191.
Fontes e Referências
- O Estado Online (oestadoonline.com.br)
- PRF — Polícia Rodoviária Federal em MS
- Receita Federal do Brasil — Delegacia em Bataguassu
💰 Apreensão de celulares
Aparelhos apreendidos
75 celulares
Origem
Paraguai (Ponta Porã)
Valor estimado
R$ 150 mil a R$ 225 mil
Destino
Receita Federal
Fonte: O Estado Online / PRF
❓ Perguntas Frequentes
Durante fiscalização de rotina na BR-267, em Bataguassu, policiais rodoviários federais abordaram um VW Polo cujos ocupantes informaram que voltavam de Ponta Porã após realizarem compras. A equipe da PRF decidiu fazer uma vistoria detalhada no veículo e descobriu um compartimento oculto — popularmente chamado de fundo falso — preparado no porta-malas. Dentro do compartimento estavam escondidos 75 aparelhos celulares de origem estrangeira, sem nota fiscal e sem comprovante de importação regular. O fundo falso havia sido instalado profissionalmente, com acabamento que imitava o revestimento original do veículo.
O valor estimado dos 75 aparelhos celulares varia entre R$ 150 mil e R$ 225 mil, dependendo dos modelos apreendidos. Celulares comprados no Paraguai custam em média 40% a 60% menos do que no Brasil, o que torna o contrabando lucrativo. A mercadoria foi encaminhada à Receita Federal em Bataguassu para procedimentos de apreensão e destinação. Os aparelhos podem ser leiloados pela Receita Federal ou destruídos, dependendo da decisão administrativa. Os ocupantes do veículo foram autuados por descaminho, crime previsto no artigo 334 do Código Penal.
Sim. Mato Grosso do Sul é o principal corredor de entrada de eletrônicos contrabandeados do Paraguai no Brasil. A fronteira seca entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero facilita o trânsito de mercadorias sem controle aduaneiro. Segundo a Receita Federal, em 2025 foram apreendidos mais de 12 mil aparelhos celulares de origem estrangeira em operações nas rodovias de MS, totalizando valor estimado de R$ 36 milhões. Os celulares são comprados em lojas de Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero e transportados em veículos com fundos falsos, ônibus de linha e até em mochilas de passageiros de transporte coletivo.
Thiago Oliveira
Repórter
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