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sábado, 11 de abril de 2026
🏛️ Política

PT reúne 100 lideranças em Campo Grande e lança estratégia para eleições de 2026

Encontro estadual na Fetems debate reorganização interna, 8º Congresso Nacional e cenário eleitoral com Vander Loubet e Fábio Trad

Juliana Mendes7 min de leituraCampo Grande
PT reúne 100 lideranças em Campo Grande e lança estratégia para eleições de 2026

Enquanto o PL lotava o diretório na Chácara Cachoeira com Flávio Bolsonaro e aliados na sexta-feira, o PT preparava sua resposta para o dia seguinte. Neste sábado (11), cerca de 100 lideranças da Federação Brasil da Esperança — que reúne PT, PCdoB e Partido Verde — se encontraram na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, para o que o partido chama de "largada à estratégia para 2026".

O Que Aconteceu

A programação começou pela manhã com a Reunião Ampliada do Diretório Estadual. Sentaram à mesa membros da executiva, presidentes de diretórios municipais de todo o estado, gestores públicos, coordenadores setoriais e pré-candidatos. O deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, conduziu a abertura política ao lado de Fábio Trad, o nome mais cotado do partido para disputar o governo.

Trad deixou a Embratur semanas atrás para se dedicar à articulação em MS. A saída foi lida como sinal claro de que a candidatura ao Palácio do Governo está no radar, embora ele mesmo tenha dito em entrevistas anteriores que "a candidatura ainda é construída". No encontro, evitou declarações bombásticas. Ficou mais no papel de ouvinte.

Na sequência, o foco virou para o 8º Congresso Nacional do PT. Maria Helena Faria coordenou a mesa, com participação do dirigente nacional Valter Pomar. As discussões giraram em torno da atualização do estatuto e das diretrizes de organização partidária — assuntos internos, mas que definem como o partido vai se estruturar para a campanha.

A deputada federal Camila Jara e a secretária nacional Cida Gonçalves participaram do painel sobre o cenário eleitoral de 2026. À tarde, o evento ganhou peso com a chegada do presidente nacional do PT, Edinho Silva, para um ato político que buscou consolidar os encaminhamentos do dia.

A agenda foi encerrada com coletiva de imprensa às 14h.

O encontro tem peso simbólico. É a primeira vez desde 2022 que o PT de MS reúne dirigentes de todo o estado num evento com presença do presidente nacional. A mensagem é clara: o partido quer mostrar que está vivo em Mato Grosso do Sul, apesar das derrotas recentes.

A escolha da Fetems como sede não é casual. A federação dos trabalhadores em educação é historicamente ligada ao PT e representa uma das bases sindicais mais organizadas do estado. O local reforça a identidade do partido com os movimentos sociais e sindicais — um público que o PT precisa mobilizar para ser competitivo em 2026.

Entre os temas debatidos, a questão da comunicação ganhou destaque. Dirigentes reconheceram que o PT perdeu a batalha das redes sociais em 2022 e que precisa investir em estratégia digital para 2026. A presença de Camila Jara, deputada federal jovem e com forte atuação nas redes, sinaliza essa preocupação.

Outro ponto discutido foi a relação com o governo Riedel. Apesar de ser oposição no nível estadual, o PT mantém diálogo com o governo em temas como saúde e infraestrutura. A liberação do empréstimo de US$ 200 milhões do Banco Mundial, articulada por Vander Loubet com apoio do governo estadual, é exemplo dessa cooperação pragmática.

Contexto e Histórico

O PT em Mato Grosso do Sul vive um momento de reconstrução. O partido não elege governador no estado desde a criação de MS, em 1977. Nas últimas eleições, em 2022, o candidato petista ao governo ficou em terceiro lugar, com 11,4% dos votos no primeiro turno. No cenário nacional, Lula venceu, mas em MS perdeu para Bolsonaro por larga margem — 62,3% a 37,7% no segundo turno.

A aposta em Fábio Trad representa uma tentativa de mudar esse histórico. Trad tem perfil moderado, trânsito com setores que tradicionalmente não votam no PT e nome conhecido na Capital por conta da família — os Trad são uma das redes políticas mais influentes do estado, com presença em diferentes partidos e esferas de poder.

Vander Loubet, por sua vez, é o articulador. Deputado federal com décadas de atuação, ele foi o responsável por confirmar, na sexta-feira (10), a liberação do empréstimo de US$ 200 milhões do Banco Mundial para rodovias de MS — uma vitória que o PT quer capitalizar como resultado da articulação da bancada federal com o governo Riedel.

A Federação Brasil da Esperança, que une PT, PCdoB e PV, é a estrutura que o partido usa para ampliar sua base. Em MS, a federação tem presença em 47 dos 79 municípios, segundo dados do TSE.

Impacto Para a População

O encontro define os rumos do PT em MS para 2026 e sinaliza como será a disputa pelo governo e pelas vagas no Congresso.

Aspecto Detalhe
Evento Encontro Estadual do PT-MS
Local Fetems, Campo Grande
Participantes Cerca de 100
Pré-candidato ao governo Fábio Trad
Presidente estadual Vander Loubet
Presidente nacional presente Edinho Silva
Federação PT + PCdoB + PV
Municípios com presença 47 de 79

Para o eleitor, a polarização PT x PL em MS está posta. De um lado, Flávio Bolsonaro com Riedel e Azambuja apostando no agro e na crítica ao governo federal. Do outro, o PT tentando construir uma alternativa com Fábio Trad e a bandeira dos investimentos federais no estado.

O Que Dizem os Envolvidos

Vander Loubet, na sexta-feira, já havia dado o tom ao confirmar o empréstimo do Banco Mundial. "Trabalhei para garantir esse investimento porque sei o quanto essas obras são importantes para o escoamento da produção, para a segurança nas estradas e para o crescimento da economia do estado", disse.

Sobre o encontro de sábado, a direção estadual do PT informou que os encaminhamentos seriam apresentados na coletiva das 14h, incluindo "diretrizes políticas, organização partidária e a construção do programa de governo".

Fábio Trad, em entrevista anterior ao Campo Grande News, havia dito que a candidatura recebeu "injeção de ânimo", mas que ainda depende de construção. A cautela é calculada: o PT precisa de alianças para ser competitivo em MS.

Próximos Passos

O PT deve realizar mais encontros regionais nos próximos meses, levando a discussão para o interior do estado. A definição formal da candidatura de Fábio Trad ao governo depende das convenções partidárias, previstas para o segundo semestre.

No cenário nacional, o 8º Congresso do PT vai definir as regras internas que vão reger as candidaturas de 2026. As resoluções debatidas em Campo Grande serão levadas como contribuição do diretório estadual.

A próxima agenda política relevante em MS é a Expoagro de Dourados, em maio, onde tanto PL quanto PT devem marcar presença.

A construção de alianças será o maior desafio do PT em MS nos próximos meses. O partido precisa de parceiros para ser competitivo — sozinho, com os 11,4% de 2022, não chega ao segundo turno. A Federação Brasil da Esperança (PT + PCdoB + PV) é o primeiro passo, mas não basta. O partido precisa atrair partidos de centro, como MDB e PSD, que historicamente orbitam o governo estadual.

Fábio Trad tem um trunfo nessa articulação: o sobrenome. Os Trad transitam por diferentes partidos e campos ideológicos há décadas. Nelsinho está no PDB, Marquinhos já passou por vários partidos, e o próprio Fábio migrou para o PT — uma movimentação que, se por um lado afasta eleitores conservadores, por outro dá ao partido um candidato com nome conhecido e trânsito institucional.

A presença de Edinho Silva, presidente nacional do PT, em Campo Grande reforça que a direção do partido considera MS um estado estratégico. Não é para menos: o estado elege 3 senadores, 8 deputados federais e 24 estaduais — números que pesam na composição do Congresso e na governabilidade de qualquer presidente.

Fechamento

O PT jogou sua ficha em Campo Grande neste sábado. Com 100 lideranças reunidas, presidente nacional presente e Fábio Trad posicionado como pré-candidato, o partido tenta mostrar que tem fôlego para disputar Mato Grosso do Sul em 2026. Se vai conseguir furar o bloqueio da aliança PL-PP, que domina o estado, é outra história.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Tribunal Superior Eleitoral — dados de filiação partidária
  • Fetems — Federação dos Trabalhadores em Educação de MS

💰 Encontro do PT em MS

1

Participantes

Cerca de 100

2

Pré-candidato ao governo

Fábio Trad

3

Presidente estadual PT

Vander Loubet

4

Presidente nacional presente

Edinho Silva

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

O Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul realizou neste sábado (11) um encontro estadual na sede da Fetems, em Campo Grande, com cerca de 100 participantes entre dirigentes, parlamentares e lideranças da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). A programação incluiu reunião ampliada do Diretório Estadual, debate sobre o 8º Congresso Nacional do PT com discussões sobre atualização do estatuto, análise do cenário eleitoral de 2026 com a presença da deputada federal Camila Jara, e um ato político à tarde com o presidente nacional do partido, Edinho Silva.

Fábio Trad, que deixou o cargo na Embratur para se dedicar à articulação política, é o nome mais forte do PT para disputar o governo de Mato Grosso do Sul em 2026. Ele participou do encontro estadual ao lado de Vander Loubet, presidente estadual do partido e deputado federal. Apesar de ser tratado como pré-candidato, Trad já declarou em entrevistas anteriores que a candidatura 'ainda é construída', sinalizando que depende de alianças e do cenário nacional para se consolidar. A abertura política do encontro foi conduzida por Vander Loubet com Trad ao lado.

O encontro acontece no mesmo fim de semana em que o PL realizou ato político com Flávio Bolsonaro, Riedel e Azambuja na Expogrande, o que evidencia a disputa pelo eleitorado sul-mato-grossense. Para o PT, o evento marca a largada oficial da organização interna para 2026, com definição de diretrizes, alinhamento do discurso da federação no estado e construção do programa de governo. A presença do presidente nacional Edinho Silva reforça que a direção do partido considera MS um estado estratégico na disputa nacional.

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JM

Juliana Mendes

Repórter