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quarta-feira, 08 de abril de 2026
🏥 Saúde

Dourados completa dois anos de vacinação em massa contra dengue e registra queda de 78% nos casos graves

Município foi pioneiro no Brasil ao vacinar população de 4 a 60 anos com Qdenga; modelo serve de referência para expansão nacional da imunização

Patrícia Souza7 min de leituraDourados
Dourados completa dois anos de vacinação em massa contra dengue e registra queda de 78% nos casos graves

Dourados, segundo maior município de Mato Grosso do Sul, completa dois anos da campanha pioneira de vacinação em massa contra a dengue e celebra resultados expressivos no controle da doença. Desde o início da imunização com a vacina Qdenga, em fevereiro de 2024, a cidade registrou queda de 78% nos casos graves e 65% nas internações hospitalares relacionadas à arbovirose.

O município foi o primeiro do Brasil a realizar uma campanha de vacinação em massa contra a dengue, contemplando a população de 4 a 60 anos. A iniciativa, que serviu de modelo para a expansão nacional do programa de imunização, já aplicou mais de 380 mil doses da vacina, alcançando cobertura vacinal de 89% na faixa etária elegível.

Resultados epidemiológicos

Os dados epidemiológicos de Dourados demonstram o impacto positivo da vacinação no controle da dengue. Comparando os períodos antes e depois da campanha, os números mostram redução significativa em todos os indicadores.

Indicador 2023 (pré-vacina) 2025/2026 Variação
Casos confirmados 12.450 4.890 -60,7%
Casos graves 234 52 -77,8%
Internações 1.120 392 -65,0%
Óbitos 8 1 -87,5%

A secretária municipal de Saúde, Renata Oliveira, destaca que a vacinação mudou o perfil epidemiológico da dengue em Dourados. "Antes, tínhamos surtos anuais com milhares de casos e dezenas de internações. Hoje, mesmo com circulação viral, os casos são mais leves e as complicações são raras", afirmou.

Cobertura vacinal

A campanha de vacinação em Dourados alcançou índices de cobertura superiores à média nacional, resultado de uma estratégia que combinou postos fixos, unidades móveis e busca ativa de não vacinados.

Cobertura por faixa etária:

  • 4 a 14 anos — 94% (vacinação em escolas)
  • 15 a 29 anos — 82% (postos e unidades móveis)
  • 30 a 44 anos — 88% (postos e empresas)
  • 45 a 60 anos — 91% (postos e busca ativa)

A vacinação em escolas foi fundamental para alcançar alta cobertura entre crianças e adolescentes. Equipes de saúde visitaram todas as 142 escolas do município, públicas e privadas, aplicando a vacina durante o horário de aula com autorização dos pais.

Para a população adulta, a estratégia incluiu postos de vacinação em empresas, shoppings e eventos públicos. A parceria com o setor privado permitiu vacinar trabalhadores durante o expediente, sem necessidade de deslocamento até as unidades de saúde.

Economia para o sistema de saúde

A redução nos casos graves e internações gerou economia significativa para o sistema público de saúde. Estimativas da Secretaria Municipal de Saúde indicam que a vacinação evitou gastos de aproximadamente R$ 12 milhões em internações, tratamentos e afastamentos do trabalho.

Custos evitados:

  • Internações hospitalares — R$ 6,8 milhões
  • Tratamentos ambulatoriais — R$ 2,4 milhões
  • Afastamentos do trabalho — R$ 1,9 milhão
  • Ações de controle vetorial — R$ 900 mil

O custo total da campanha de vacinação foi de aproximadamente R$ 45 milhões, considerando a aquisição das vacinas, logística e recursos humanos. Com a economia gerada, o retorno sobre o investimento já é positivo, e a tendência é de benefícios crescentes nos próximos anos.

Modelo para o Brasil

O sucesso da campanha em Dourados chamou a atenção do Ministério da Saúde, que utilizou a experiência do município como referência para a expansão nacional da vacinação contra dengue. Em 2025, o programa foi ampliado para mais de 500 municípios em todo o Brasil, priorizando regiões endêmicas.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Ethel Maciel, visitou Dourados em março de 2026 para conhecer a operação. "Dourados mostrou que é possível vacinar em massa com eficiência e segurança. O modelo desenvolvido aqui está sendo replicado em todo o país", declarou.

Entre os elementos do modelo de Dourados que foram incorporados ao programa nacional estão:

  1. Vacinação em escolas — Parceria com secretarias de educação
  2. Unidades móveis — Postos itinerantes em bairros e eventos
  3. Busca ativa — Agentes de saúde identificando não vacinados
  4. Comunicação — Campanhas informativas sobre a vacina
  5. Monitoramento — Sistema de acompanhamento em tempo real

Desafios e aprendizados

A campanha de vacinação em Dourados enfrentou desafios que geraram aprendizados importantes para futuras ações de imunização em massa. O principal obstáculo foi a hesitação vacinal, especialmente entre adultos jovens.

Pesquisa realizada pela Secretaria de Saúde identificou que 23% da população elegível inicialmente recusou a vacina, citando preocupações com efeitos colaterais e desconfiança sobre a eficácia. A taxa de recusa foi reduzida para 11% após campanhas de esclarecimento e depoimentos de pessoas vacinadas.

Os efeitos colaterais mais comuns relatados foram:

  • Dor no local da aplicação — 45% dos vacinados
  • Febre leve — 18% dos vacinados
  • Dor de cabeça — 12% dos vacinados
  • Fadiga — 8% dos vacinados

Todos os efeitos foram leves e transitórios, com duração média de 24 a 48 horas. Não foram registrados eventos adversos graves relacionados à vacina em Dourados.

Continuidade da campanha

A Secretaria Municipal de Saúde mantém a vacinação contra dengue como rotina nas unidades básicas de saúde. Crianças que completam 4 anos são automaticamente convocadas para receber as duas doses da vacina, garantindo a manutenção da cobertura vacinal.

Para 2026, está prevista uma campanha de reforço para pessoas que receberam a primeira dose há mais de dois anos. Estudos indicam que a proteção da vacina pode diminuir ao longo do tempo, e o reforço é recomendado para manter a imunidade em níveis adequados.

A prefeitura também investe na manutenção das ações de controle vetorial, entendendo que a vacinação é complementar, e não substituta, das medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. Agentes de endemias continuam realizando visitas domiciliares e eliminando criadouros.

Impacto regional

O sucesso de Dourados influenciou municípios vizinhos a adotarem estratégias semelhantes. Cidades como Itaporã, Fátima do Sul e Vicentina iniciaram campanhas de vacinação em 2025, utilizando o modelo desenvolvido em Dourados.

A Secretaria de Estado de Saúde de MS coordena a expansão da vacinação para todo o estado, com meta de alcançar 70% de cobertura vacinal na população elegível até o final de 2026. Atualmente, 45 municípios sul-mato-grossenses já oferecem a vacina contra dengue na rede pública.

O governador Eduardo Riedel destacou a importância da vacinação no enfrentamento das arboviroses. "A dengue é um problema de saúde pública que afeta milhares de famílias todos os anos. A vacina é uma ferramenta poderosa que, combinada com o controle vetorial, pode mudar essa realidade", afirmou.

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Dourados e Secretaria de Estado de Saúde de MS (SES-MS)

💰 Resultados da vacinação

1

Doses aplicadas

380 mil

2

Cobertura vacinal

89%

3

Queda casos graves

78%

4

Economia SUS

R$ 12 milhões

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Dourados / SES-MS

❓ Perguntas Frequentes

A campanha de vacinação em massa contempla moradores de 4 a 60 anos. A vacina Qdenga é aplicada em duas doses com intervalo de 3 meses entre elas.

Sim, a Qdenga protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), oferecendo proteção ampla contra a doença.

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PS

Patrícia Souza

Repórter