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quarta-feira, 15 de abril de 2026
🚔 Polícia

Vídeo mostra mulher fugindo e pulando muro após ser baleada por PM

Câmera de segurança flagra momento em que mulher baleada por PM aposentado foge pulando muro no Jardim Colúmbia em Campo Grande

Marcos Vinícius Borges7 min de leituraCampo Grande
Vídeo mostra mulher fugindo e pulando muro após ser baleada por PM

A câmera de segurança registrou tudo. A mulher sai correndo de dentro da casa, atravessa o quintal, escala um muro de dois metros e cai do outro lado — com um tiro no abdômen. O vídeo, gravado no Jardim Colúmbia, em Campo Grande, viralizou nas redes sociais neste fim de semana e escancara mais um caso de violência doméstica que quase terminou em feminicídio. O autor do disparo: um PM aposentado de 58 anos que morava com a vítima.

O Que Aconteceu

O caso ocorreu na noite de sábado (12), por volta das 22h, em uma casa na rua principal do Jardim Colúmbia, bairro da região sul de Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, o casal discutiu após o PM aposentado chegar em casa alcoolizado. A discussão escalou, e o homem sacou uma pistola calibre .380 e disparou contra a companheira.

O tiro atingiu o abdômen da mulher, de 32 anos. Mesmo ferida, ela conseguiu correr pelo quintal e escalar o muro que separa a casa do vizinho. A câmera de segurança da residência ao lado captou o momento exato da fuga — imagens que se espalharam pelas redes sociais em poucas horas.

Do outro lado do muro, vizinhos ouviram os gritos e acionaram o Samu e a Polícia Militar. A mulher foi socorrida consciente, mas com sinais de hemorragia interna. Foi levada à Santa Casa de Campo Grande, onde passou por cirurgia de emergência. O projétil perfurou o intestino delgado, e a equipe cirúrgica precisou de quase três horas para conter o sangramento e reparar o dano.

O PM aposentado foi encontrado dentro da casa pela guarnição da PM que atendeu a ocorrência. Não ofereceu resistência. A arma — uma pistola Taurus calibre .380, registrada em seu nome — foi apreendida. Ele foi autuado em flagrante por tentativa de feminicídio e encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Contexto e Histórico

O Jardim Colúmbia é um bairro residencial de classe média baixa na região sul de Campo Grande, com cerca de 6 mil moradores. Ruas tranquilas, casas com quintal, vizinhos que se conhecem pelo nome. O tiro na noite de sábado quebrou a rotina pacata do bairro e trouxe à tona uma realidade que muitas famílias campo-grandenses conhecem de perto: a violência doméstica.

Mato Grosso do Sul ocupa posições alarmantes nos rankings nacionais de violência contra a mulher. Segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), o estado registrou 14.872 ocorrências de violência doméstica em 2025 — média de 41 por dia. Campo Grande concentrou 5.340 desses registros, quase um terço do total estadual.

O envolvimento de policiais militares — da ativa ou aposentados — em casos de violência doméstica é um problema reconhecido pelas próprias corporações. A Corregedoria da PM de MS abriu 28 procedimentos contra PMs por violência doméstica em 2025. O acesso facilitado a armas de fogo torna esses casos particularmente perigosos: quando o agressor é policial, a probabilidade de uso de arma no crime é significativamente maior.

O caso do Jardim Colúmbia tem agravantes. A vítima já havia registrado ocorrência por ameaça contra o PM aposentado em agosto de 2025, na própria Deam. Na ocasião, relatou que o companheiro a ameaçou de morte durante uma discussão. Porém, semanas depois, retirou a queixa — situação comum em casos de violência doméstica, onde a vítima sofre pressão do agressor ou da própria família para desistir da denúncia.

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê medidas protetivas de urgência — como afastamento do agressor do lar e proibição de aproximação — que podem ser solicitadas pela vítima ou pelo Ministério Público. No caso de João Guilherme, a medida protetiva não foi solicitada quando a ocorrência foi registrada em 2025, e a retirada da queixa encerrou o procedimento.

O vídeo que viralizou nas redes sociais gerou comoção e revolta. Em menos de 24 horas, as imagens acumularam milhões de visualizações no Instagram e no TikTok. Comentários oscilam entre solidariedade à vítima e indignação com o agressor. Perfis de ativistas pelos direitos das mulheres em MS compartilharam o vídeo com alertas sobre violência doméstica e informações sobre canais de denúncia.

Impacto Para a População

O caso reacende o debate sobre violência doméstica em Mato Grosso do Sul e sobre o acesso de agressores a armas de fogo.

Aspecto Detalhe
Vítima Mulher, 32 anos
Agressor PM aposentado, 58 anos
Arma utilizada Pistola .380 registrada
Ferimento Tiro no abdômen (perfuração intestinal)
Estado da vítima Grave mas estável, na UTI
Ocorrência anterior Ameaça registrada em 2025
Autuação Tentativa de feminicídio
Violência doméstica em MS (2025) 14.872 ocorrências

Para as mulheres campo-grandenses que vivem situações de violência, o vídeo funciona como alerta e como espelho. A cena da mulher escalando o muro com um tiro no corpo é brutal, mas representa a realidade de milhares que tentam escapar de agressores dentro de casa. A diferença é que a maioria não tem câmera de segurança para registrar.

O caso também levanta a questão do porte de arma por policiais aposentados. A legislação brasileira permite que PMs aposentados mantenham o porte de arma, desde que cumpram requisitos como avaliação psicológica periódica e comprovação de capacidade técnica. Críticos argumentam que agressores com histórico de violência doméstica deveriam ter o porte suspenso automaticamente — o que não acontece na prática.

O Que Dizem os Envolvidos

A Deam informou que o PM aposentado foi autuado por tentativa de feminicídio qualificado e que o inquérito policial será concluído em até 30 dias. A delegada responsável pelo caso afirmou que as imagens de segurança são "prova contundente" e que o agressor confessou o disparo em depoimento.

A PM de MS divulgou nota informando que o agressor está aposentado desde 2018 e que "a corporação repudia qualquer ato de violência contra a mulher". A Corregedoria foi notificada, mas como o autor é aposentado, a apuração administrativa é limitada.

A Santa Casa de Campo Grande informou que a paciente permanece na UTI e que o quadro é grave mas estável. "A cirurgia foi bem-sucedida, mas precisamos monitorar possíveis complicações infecciosas nos próximos dias", disse o cirurgião responsável.

A família da vítima pediu privacidade e informou, por meio de advogado, que vai solicitar medida protetiva de urgência e que pretende acompanhar o processo criminal até o julgamento.

Próximos Passos

A Justiça deve realizar audiência de custódia do PM aposentado nas próximas 24 horas para decidir se ele permanece preso ou se será liberado com medidas cautelares. O Ministério Público deve pedir a manutenção da prisão preventiva, dado o histórico de violência e o risco à vítima.

A Deam vai concluir o inquérito policial em até 30 dias e encaminhar ao Ministério Público para oferecimento de denúncia. Se denunciado e condenado por tentativa de feminicídio, o PM aposentado pode pegar pena de 12 a 30 anos de reclusão.

A Polícia Federal será notificada para avaliar a suspensão do registro de arma do agressor. Enquanto o processo tramitar, a arma permanecerá apreendida.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres em MS anunciaram vigília em frente à Santa Casa para esta terça-feira (15), em solidariedade à vítima e em protesto contra a violência doméstica.

Fechamento

Uma mulher com um tiro no abdômen escalou um muro de dois metros para sobreviver. A cena, registrada por uma câmera de segurança no Jardim Colúmbia, é das mais brutais que Campo Grande já viu — e viralizou porque o Brasil inteiro precisava ver. O PM aposentado está preso. A mulher está na UTI. E o vídeo continua circulando, lembrando que a violência doméstica não escolhe bairro, classe social nem profissão do agressor. Quem estiver em situação de violência pode ligar para o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou para o 190 (Polícia Militar). A Deam de Campo Grande funciona 24 horas na Rua Firminópolis, 100, Jardim Paulista.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Deam — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande
  • Sejusp — Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de MS
  • Santa Casa de Campo Grande

💰 Caso do Jardim Colúmbia

1

Vítima

Mulher de 32 anos

2

Agressor

PM aposentado, 58 anos

3

Local

Jardim Colúmbia, CG

4

Situação do agressor

Preso em flagrante

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

O vídeo, captado por câmera de segurança de uma residência vizinha, mostra o momento em que a mulher de 32 anos sai correndo de dentro de uma casa no Jardim Colúmbia, em Campo Grande, após ser atingida por um disparo de arma de fogo. Nas imagens, ela corre pelo quintal, escala um muro de aproximadamente dois metros de altura e cai do outro lado, na calçada. Mesmo ferida, com um tiro no abdômen, a mulher consegue se levantar e pedir socorro a vizinhos. O vídeo viralizou nas redes sociais e acumula milhões de visualizações.

O agressor é um policial militar aposentado de 58 anos que morava com a vítima há cerca de três anos. Segundo o boletim de ocorrência, o casal tinha histórico de brigas e a mulher já havia registrado ocorrência por ameaça contra o homem em 2025, mas retirou a queixa posteriormente. O PM aposentado foi preso em flagrante dentro da residência, onde a polícia encontrou a arma utilizada no crime — uma pistola calibre .380 registrada em seu nome. Ele foi autuado por tentativa de feminicídio.

A mulher foi socorrida pelo Samu e levada à Santa Casa de Campo Grande com um ferimento de arma de fogo no abdômen. Ela passou por cirurgia de emergência para conter uma hemorragia interna causada pela perfuração do intestino delgado. O boletim médico divulgado nesta segunda-feira (14) informa que a paciente está na UTI, em estado grave mas estável, respirando com auxílio de aparelhos. A equipe médica avalia que o prognóstico é reservado, mas que a cirurgia foi bem-sucedida.

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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter