Visita presidencial confirma retomada da UFN-III e entrega de títulos agrários em Mato Grosso do Sul
Planalto confirma agenda de Lula em Três Lagoas e Ponta Porã para destravar obra de fertilizantes da Petrobras e entregar terras no Assentamento Itamarati.

As imponentes torres metálicas e a vasta malha de tubulações da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, que permaneceram em silêncio por mais de uma década como um símbolo visível de projetos inacabados de infraestrutura nacional, estão prestes a retomar o dinamismo operacional. A confirmação oficial da visita do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao estado de Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (25) marca o início de uma nova fase para o setor industrial e agrícola do Centro-Oeste brasileiro. O chefe do Executivo federal desembarca no estado liderando uma comitiva interministerial com o objetivo principal de anunciar o cronograma definitivo de investimentos para a conclusão da fábrica da Petrobras e proceder com a entrega de milhares de títulos definitivos de propriedade de terra a agricultores familiares do Assentamento Itamarati, em Ponta Porã.
O anúncio da reativação da UFN-III é aguardado com grande expectativa pela classe empresarial do agronegócio e pelas lideranças políticas estaduais, que há anos apontam a conclusão da unidade petroquímica como um pilar essencial para reduzir a dependência externa do país de insumos agrícolas cruciais. Com mais de 80% das obras físicas concluídas na época em que o projeto foi paralisado em 2014, a planta industrial exigirá um aporte financeiro robusto para a restauração e modernização das caldeiras, reatores e sistemas de automação que sofreram desgaste natural decorrente do tempo de exposição ao clima tropical úmido da região do Bolsão.
A agenda detalhada de Lula em Mato Grosso do Sul
A agenda presidencial em território sul-mato-grossense está estruturada em duas frentes de grande peso político e social, conectando o desenvolvimento industrial à justiça agrária de fronteira. A primeira parada da comitiva presidencial ocorrerá em Três Lagoas, na região do Bolsão, reconhecida nacionalmente como a capital nacional da celulose devido à concentração de grandes indústrias multinacionais de celulose e papel. No local das instalações físicas da UFN-III, o presidente assinará o protocolo de intenções que integra a planta de fertilizantes ao Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com a presença da diretoria colegiada da Petrobras, liderada pela presidente da estatal, além do governador do estado, Eduardo Riedel, e de senadores da bancada de Mato Grosso do Sul.
Após os atos institucionais em Três Lagoas, a comitiva presidencial desloca-se em aeronave da Força Aérea para o município fronteiriço de Ponta Porã. No histórico Assentamento Itamarati, uma das maiores e mais produtivas áreas de reforma agrária de toda a América Latina, o presidente participará de uma cerimônia pública voltada à regularização fundiária de milhares de famílias de camponeses. A entrega dos títulos definitivos de propriedade rural permitirá que os pequenos produtores locais acessem linhas oficiais de crédito agrícola do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), invistam na diversificação de culturas agrícolas e consigam formalizar cooperativas agropecuárias estruturadas.
Lideranças comunitárias do assentamento mobilizaram caravanas de agricultores de municípios vizinhos, como Amambai, Bela Vista, Aral Moreira, Coronel Sapucaia e Antônio João, para recepcionar o presidente e os ministros da comitiva. Espera-se que o evento reúna mais de dez mil pessoas no ginásio municipal do assentamento. A segurança do perímetro urbano e das estradas de acesso está sendo coordenada de forma conjunta pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência e pela Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, envolvendo o policiamento ostensivo e tropas especializadas de fronteira.
O renascimento da UFN-III: Histórico e investimentos
A construção da UFN-III teve início no ano de 2011, sob a gestão da Petrobras, concebida como parte de um plano estratégico nacional de autossuficiência na cadeia produtiva de fertilizantes nitrogenados, vitais para a produção de grãos e pastagens do Brasil. No entanto, em dezembro de 2014, em decorrência de graves problemas contratuais com o consórcio de empreiteiras responsável pelas obras físicas e a reestruturação financeira profunda da própria Petrobras motivada por investigações de combate à corrupção, os canteiros de obras foram fechados, restando aproximadamente 19% do projeto físico para ser concluído.
Durante os anos seguintes, o destino da planta industrial permaneceu indefinido em um longo e desgastante impasse judicial e corporativo. Diversas tentativas de alienação e venda dos ativos operacionais para grupos estrangeiros fracassaram sucessivamente devido à complexidade regulatória e tributária envolvida. A negociação mais próxima de um desfecho ocorreu em 2022 com o grupo petroquímico russo Acron, mas as negociações foram canceladas de forma definitiva por causa da impossibilidade jurídica de repasse de licenças ambientais e do complexo cenário geopolítico internacional pós-conflito no leste europeu. A decisão estratégica de reintegrar a produção de fertilizantes ao portfólio de investimentos de longo prazo da Petrobras, aprovada pelo Conselho de Administração da empresa no início de 2024, abriu caminho legal para a alocação de recursos próprios da estatal para a finalização do projeto original.
Estimativas de engenharia civil industrial indicam que a conclusão das obras e o comissionamento final de todos os sistemas de produção exigirão um investimento de cerca de R$ 5 bilhões de reais. Além do término dos prédios físicos e tanques de armazenamento de fluidos e compostos químicos, os recursos serão destinados à instalação de uma linha dedicada de fornecimento de gás natural fornecida pela MSGÁS, que alimentará os reatores de síntese de amônia. Quando estiver operando em sua capacidade nominal máxima projetada, a UFN-III será capaz de produzir anualmente mais de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia, tornando-se o maior complexo petroquímico de fertilizantes da América do Sul.
A integração com o Gasbol e a infraestrutura de gás natural
Um dos fatores técnicos determinantes para a viabilidade econômica da UFN-III em Três Lagoas é a proximidade geográfica com o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). O gás natural boliviano é a principal matéria-prima necessária para o processo petroquímico de produção de amônia e, subsequentemente, da ureia nitrogenada. A síntese da amônia depende diretamente do fornecimento estável de gás metano de alta pureza, que é fracionado quimicamente para a liberação de moléculas de hidrogênio que reagem com o nitrogênio captado diretamente do ar atmosférico.
Para garantir que a planta industrial opere sem interrupções operacionais e com máxima eficiência técnica, a concessionária estadual MSGÁS (Companhia de Gás de Mato Grosso do Sul) executará um plano de expansão de ramais industriais conectando a válvula principal do Gasbol diretamente às caldeiras e reatores da fábrica de Três Lagoas. Este projeto de engenharia civil prevê a instalação de uma rede de tubulações de aço carbono de alta pressão subterrâneas cruzando o distrito industrial regional, demandando investimentos estaduais adicionais na ordem de R$ 120 milhões.
Esta integração energética não apenas atende às necessidades específicas da Petrobras, mas consolida um robusto anel de fornecimento de gás natural para outras indústrias químicas secundárias e de transformação instaladas no Bolsão sul-mato-grossense. O fornecimento contínuo de energia limpa e barata serve como vetor de atração para fabricantes de resinas sintéticas, plásticos industriais, corantes e insumos pecuários que utilizam derivados do processamento do gás para baratear seus custos operacionais globais.
Soberania nacional e a dependência externa de fertilizantes
O agronegócio é o motor indiscutível que impulsiona a balança comercial brasileira, mas opera sob uma severa vulnerabilidade estratégica em sua base de insumos minerais e químicos essenciais. O Brasil importa atualmente cerca de 85% de todos os fertilizantes químicos que consome anualmente em suas plantações de soja, milho, cana-de-açúcar, trigo e algodão. Essa forte dependência de mercados externos expõe a economia doméstica e a segurança alimentar a flutuações drásticas de preços internacionais provocadas por crises diplomáticas, gargalos logísticos marítimos globais e conflitos bélicos nos principais países exportadores, como Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e China.
A produção nacional de nitrogênio sintético, essencial para o crescimento vegetativo acelerado das plantas e manutenção de pastagens produtivas, é extremamente deficitária. A ureia produzida internamente não atende sequer a uma fração mínima da demanda reprimida do mercado nacional. A entrada em funcionamento da UFN-III trará estabilidade ao mercado de fornecimento doméstico, atenuando a volatilidade de custos operacionais das cooperativas agrícolas do Centro-Oeste e garantindo a competitividade do produtor rural brasileiro perante os concorrentes internacionais da América do Norte e da Europa.
Analistas de mercado agrícola e economistas apontam que, além do benefício direto na segurança de abastecimento do agronegócio, a reativação da fábrica em Três Lagoas gerará uma economia anual bilionária em divisas financeiras que hoje são direcionadas para o pagamento de fretes marítimos e insumos importados. A redução de custos operacionais agrícolas em nível local se refletirá, no longo prazo, no controle de preços de alimentos básicos de consumo das famílias urbanas brasileiras nas gôndolas dos supermercados.
A história da Fazenda Itamarati e o império de Olacyr de Moraes
A entrega de títulos de terra no Assentamento Itamarati evoca a memória de um dos capítulos mais grandiosos e dramáticos da história da agricultura moderna brasileira. Antes de se tornar um assentamento de reforma agrária, a Fazenda Itamarati era a joia da coroa do império agrícola de Olacyr de Moraes, empresário paulista conhecido nacionalmente na década de 1980 como o "Rei da Soja". Moraes foi um pioneiro visionário ao perceber o potencial de desenvolvimento das terras ácidas e desvalorizadas do Cerrado brasileiro, investindo pesado em calagem de solos, correção mineral e desenvolvimento de sementes híbridas adaptadas ao clima tropical de Mato Grosso do Sul.
Em seu ápice produtivo, a Fazenda Itamarati cobria uma extensão territorial contínua de mais de 50 mil hectares na fronteira com o Paraguai, funcionando como um laboratório de testes de ponta para a mecanização agrícola. A propriedade contava com pistas de pouso asfaltadas para aeronaves executivas, silos de armazenamento gigantescos, infraestrutura de estradas internas pavimentadas, linhas de transmissão de energia elétrica próprias e até mesmo uma vila residencial estruturada com escola e atendimento médico para abrigar centenas de famílias de funcionários diretos da empresa.
Com a crise financeira que abateu o grupo empresarial de Olacyr de Moraes na década de 1990 devido a pesados investimentos ferroviários privados na Ferrovia Ferronorte e endividamento bancário em moeda estrangeira, a fazenda foi dada como garantia de pagamentos tributários e posteriormente adquirida pela União Federal. A desapropriação pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e divisão em lotes agrícolas familiares transformou o antigo latifúndio privado em um modelo de agricultura familiar diversificada, onde os pequenos agricultores mantêm a tradição de alta produtividade agrícola na região da fronteira.
Justiça social no Assentamento Itamarati: Entrega de títulos
A entrega oficial do Título de Domínio (TD) aos assentados do Itamarati representa a transição definitiva da posse provisória da terra para a propriedade real, legal e definitiva regulamentada por lei de registro imobiliário. Este documento confere dignidade civil e segurança jurídica às famílias e resolve conflitos históricos de regularização fundiária na sensível faixa de fronteira internacional com o Paraguai. Com o título definitivo em mãos, o produtor rural familiar deixa de depender de cadastros provisórios estatais e passa a ter garantida a transmissão legal de suas terras para filhos e netos.
A regularização fundiária também abre as portas para parcerias tecnológicas de modernização agroecológica de grande escala. O Ministério do Desenvolvimento Agrário pretende anunciar, em conjunto com o Incra, pacotes especiais de fomento financeiro para a instalação de poços artesianos comunitários de captação de água profunda, estufas de plantio protegido e caminhões refrigerados de transporte que otimizarão o escoamento da produção de hortifrúti para as redes de supermercados das grandes cidades de Mato Grosso do Sul.
Com o acesso formal à terra garantido de forma vitalícia, as famílias assentadas do Itamarati pretendem expandir projetos de produção de leite pasteurizado e derivados lácteos, aproveitando as pastagens bem manejadas da fronteira. O incentivo governamental impulsiona a permanência produtiva das famílias rurais no campo, demonstrando que a reforma agrária quando aliada ao crédito agrícola estruturado e à infraestrutura de serviços públicos torna-se uma das ferramentas mais eficazes para o combate à pobreza e fortalecimento da cidadania.
Alinhamento político e administrativo: Riedel e Lula
A reativação da UFN-III e o avanço da regularização fundiária de fronteira são exemplos notáveis de como o pragmatismo administrativo e o diálogo construtivo entre diferentes esferas da administração pública conseguem produzir resultados concretos para a sociedade, superando divisões partidárias e polarizações ideológicas clássicas. O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, embora eleito por uma legenda de oposição partidária ao governo federal, adotou uma postura de alinhamento técnico focado no desenvolvimento de infraestrutura produtiva desde o início de sua gestão no Executivo estadual, visando o municipalismo ativo de entregas reais.
Essa relação harmoniosa de parcerias e compartilhamento de responsabilidades fiscais possibilitou a inclusão das principais demandas de infraestrutura do estado nas prioridades de repasses de recursos do Novo PAC. Riedel tem defendido com frequência em fóruns nacionais e debates públicos que investimentos cruciais na malha ferroviária da Malha Oeste, a construção de pontes internacionais integradoras da Rota Bioceânica e a conclusão do complexo de fertilizantes de Três Lagoas não devem sofrer atrasos motivados por ideologias político-eleitorais partidárias.
A coordenação política do Palácio do Planalto, por sua vez, reconhece Mato Grosso do Sul como um importante polo agroindustrial estratégico cujo crescimento acelerado atua como termômetro positivo para o PIB nacional. A interlocução produtiva e a maturidade das instituições estaduais e federais criam um ambiente estável de atração de novos investimentos estrangeiros privados, que enxergam a cooperação republicana entre governador e presidente como garantia jurídica de estabilidade institucional e continuidade de contratos de concessão pública em Mato Grosso do Sul.
Impacto econômico local no Bolsão e fronteira
A consolidação de novos investimentos e a retomada das obras civis no complexo petroquímico da UFN-III produzirão um efeito multiplicador imediato na economia regional dos municípios que integram a microrregião do Bolsão. Estima-se que, no ápice do processo de finalização das obras da planta industrial, mais de 8.000 empregos diretos e indiretos no setor de engenharia pesada, montagem industrial de tubulações, soldagem qualificada, logística de suprimentos e instalação de sistemas de automação de controle térmico sejam gerados na região, movimentando o mercado de trabalho local.
A hotelaria regional, o setor imobiliário de locações residenciais e comerciais e a prestação de serviços logísticos de transporte urbano já registram aumento na demanda por novas vagas e expansão de infraestrutura comercial básica. O comércio varejista de Três Lagoas projeta crescimento significativo nas vendas de fim de ano estimulado pela circulação de massa salarial associada à contratação de engenheiros, técnicos de segurança do trabalho e operários especializados que residirão temporariamente no município.
Para a fronteira, o fortalecimento social da agricultura familiar no Assentamento Itamarati estabiliza a economia interna dos pequenos distritos rurais de Ponta Porã. Com mais recursos financeiros disponíveis através de empréstimos produtivos bancários do Pronaf, o comércio local de sementes, implementos leves, calcário e ração animal registrará forte aquecimento. A melhoria geral da qualidade de vida no campo reduz o êxodo rural desordenado em direção às periferias das grandes cidades, fixando o homem do campo na terra com geração de emprego, bem-estar e renda familiar digna de forma sustentável ao longo de todo o ano de produção.
O futuro da industrialização e tecnologia agrícola em MS
A visita do presidente Lula a Mato Grosso do Sul estabelece um marco referencial histórico de desenvolvimento integrado e diversificação econômica regional. O estado de Mato Grosso do Sul caminha a passos largos para deixar de ser apenas um fornecedor primário de commodities agrícolas in natura e consolidar sua vocação natural de polo industrial verde processador de produtos químicos, florestais e minerais de alto valor agregado.
A reativação operacional da UFN-III, somada à atração de grandes complexos de fabricação de celulose em andamento no município de Ribas do Rio Pardo e à expansão de indústrias de biocombustíveis e processamento de milho em Dourados, desenha um cenário de prosperidade econômica acelerada para a próxima década. As ações conjuntas de desenvolvimento rural, preservação do bioma pantaneiro integrado e inserção de tecnologia industrial de precisão nas fábricas colocam Mato Grosso do Sul no centro da discussão de sustentabilidade e eficiência produtiva nacional.
O compromisso formal do governo federal e da administração do estado para destravar gargalos de logística produtiva e social consolida a certeza de que as transformações sociais reais ocorrem com união institucional, planejamento estratégico de longo prazo e respeito absoluto ao cidadão trabalhador que atua no campo e na indústria de Mato Grosso do Sul. A visita presidencial reafirma a relevância nacional do estado e projeta horizontes promissores de desenvolvimento socioeconômico nacional.
💡 Veja também: Petrobras confirma retomada de negociações para a fábrica de fertilizantes UFN-III
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Fonte: Presidência da República e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul
Redação Foco do Estado
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