Segurança na Fronteira: ALEMS Debate Criação de Programa Permanente e Centro de Inteligência
Projeto de Lei 97/2026 propõe reforço de efetivos e tecnologia em cidades estratégicas como Ponta Porã e Corumbá para combater crimes transnacionais.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) iniciou os debates em plenário para a votação do Projeto de Lei nº 97/2026, que propõe a criação do Programa Permanente de Segurança de Fronteiras e Divisas. A proposta visa reestruturar a presença e atuação das forças de segurança do estado em 44 municípios situados na faixa de fronteira internacional com o Paraguai e a Bolívia, além de divisas com estados vizinhos. O projeto prevê a alocação de novos recursos para o policiamento ostensivo, uso de drones térmicos de vigilância e a criação de um Centro Integrado de Inteligência Policial de Fronteira, com sede em Ponta Porã. A medida é vista pelos deputados como essencial para conter a entrada de armas e drogas que alimentam facções criminosas em todo o Brasil.
O Que Aconteceu
Na sessão ordinária da ALEMS, deputados estaduais da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) deram parecer favorável à tramitação do Projeto de Lei nº 97/2026. A proposta, de autoria conjunta de parlamentares ligados à bancada da segurança pública, avança agora para votação em primeira discussão pelo plenário da Casa de Leis.
O programa estabelece diretrizes para o fortalecimento do policiamento em cidades gêmeas e pontos cegos de fronteira. A principal novidade é o estabelecimento de incentivos financeiros específicos (adicionais de fronteira) para fixar investigadores e soldados nos municípios mais afastados da capital. O déficit crônico de efetivos em delegacias da fronteira é um dos maiores gargalos da segurança pública estadual.
Além do reforço humano, o PL 97/2026 propõe uma linha orçamentária dedicada à tecnologia. O texto autoriza a aquisição de sistemas de monitoramento por câmeras com reconhecimento de placas de veículos nas pontes e acessos internacionais, além da compra de veículos blindados de transporte tático para operações da PM e da Polícia Civil em áreas de risco elevado.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul compartilha mais de 1.500 km de limites internacionais, sendo cerca de 1.100 km de fronteira seca e fluvial com o Paraguai e a Bolívia. Cidades como Ponta Porã (vizinha de Pedro Juan Caballero) e Corumbá (vizinha de Puerto Quijarro) são conhecidas rotas de escoamento de maconha paraguaia e cocaína boliviana. A porosidade dessa faixa territorial facilita a atuação de grupos criminosos transnacionais organizados.
Até o momento, a segurança nessas regiões baseava-se em convênios temporários e operações sazonais (como as operações Ágata, conduzidas pelas Forças Armadas, e ações pontuais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública - Sejusp). Contudo, a ausência de um programa permanente e com orçamento próprio na lei estadual gerava flutuações na intensidade do policiamento.
A discussão do PL 97/2026 coincide com a entrega recente de viaturas e armas pelo governo estadual no início de julho de 2026. O reforço orçamentário e a regulamentação do Programa Permanente na legislação visam transformar o combate ao crime de fronteira em uma política de Estado contínua, blindando os investimentos contra eventuais mudanças na gestão do governo executivo.
Impacto Para a População
O fortalecimento da segurança na fronteira reflete diretamente na redução dos índices de criminalidade local, como os assassinatos por encomenda (pistolagem), roubos de caminhonetes e comércios nas cidades de fronteira. A pacificação desses municípios fomenta a atividade comercial local e o turismo de compras na fronteira.
A tabela a seguir projeta a alocação de recursos e metas de implementação do Programa Permanente de Segurança de Fronteiras caso o projeto seja aprovado e sancionado até o fim do semestre:
| Meta e Ação do Programa (PL 97/2026) | Recursos Estimados (R$) | Cidades e Regiões Contempladas |
|---|---|---|
| Centro Integrado de Inteligência | R$ 4,5 milhões | Sede em Ponta Porã, abrangendo Defron e PF |
| Monitoramento com Câmeras Termais | R$ 6,2 milhões | Corumbá, Porto Murtinho e Ponta Porã |
| Adicional de Fixação de Policiais | R$ 12,8 milhões | 44 municípios da faixa de fronteira |
| Viaturas Blindadas e Equipamentos | R$ 8,5 milhões | Batalhões de Fronteira e Choque em MS |
A fixação de efetivos policiais evita que delegacias de cidades menores fiquem fechadas nos fins de semana ou dependam do deslocamento de equipes de cidades polo, agilizando o registro de ocorrências e o início de investigações criminais.
O Que Dizem os Envolvidos
O deputado relator do projeto na CCJR defendeu a importância de dotar o estado de mecanismos permanentes de combate ao crime organizado. "Não podemos combater o crime organizado de fronteira apenas com operações de curto prazo. Precisamos de presença policial fixa, inteligência integrada e tecnologia de ponta permanente. A segurança de MS é a segurança do Brasil, pois é por aqui que entram as armas e drogas que assolam o Rio e São Paulo", disse o parlamentar.
Críticos temporários do projeto de lei, embora concordem com a importância da segurança de fronteira, manifestaram preocupação com o impacto financeiro da folha de pagamento decorrente da criação do adicional de fixação de policiais. Alguns deputados da comissão de finanças solicitaram estudos técnicos complementares à Sefaz-MS para garantir que o projeto não infrinja os limites de gastos estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Representantes das forças policiais de MS (associações de cabos, soldados e delegados) manifestaram apoio unânime ao projeto. A categoria ressalta que o incentivo à fixação em cidades distantes da capital é uma reivindicação histórica essencial para garantir a dignidade do servidor e a segurança da população que vive no interior.
Próximos Passos
Após a aprovação na CCJR, o Projeto de Lei nº 97/2026 seguirá para votação em primeira discussão no plenário da ALEMS, na qual os deputados avaliarão a constitucionalidade e a relevância da proposta. Se aprovado, o texto passará por comissões de mérito (como Segurança Pública e Finanças) antes de ir a plenário em segunda discussão.
A expectativa da bancada governista e de segurança é que o projeto seja aprovado em definitivo e encaminhado à sanção do governador Eduardo Riedel antes do recesso legislativo parlamentar do meio de ano. Se aprovado sem emendas restritivas, as primeiras contratações e a instalação do Centro de Inteligência devem ter início no início do próximo ano orçamentário.
O governo de MS também planeja buscar cofinanciamento junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para amortizar os custos de aquisição dos sistemas de vigilância termal e drones integrados propostos na lei estadual.
Fechamento
O debate sobre o Programa Permanente de Segurança de Fronteiras na ALEMS representa um avanço estratégico importante para a blindagem territorial de Mato Grosso do Sul contra o crime organizado transnacional. A segurança nas divisas é o alicerce para o desenvolvimento econômico do estado. O portal Foco do Estado acompanhará a votação do PL 97/2026 na assembleia e trará atualizações sobre o posicionamento dos deputados. Para enviar opiniões ou dúvidas sobre o projeto de lei, os leitores podem entrar em contato com a ouvidoria da ALEMS ou acompanhar as sessões plenárias ao vivo pelos canais digitais do Parlamento estadual.
Fontes e Referências
- Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) - Projeto de Lei nº 97/2026 (Autos e Parecer CCJR).
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) - Diagnóstico de Efetivo e Infraestrutura de Segurança na Fronteira (dados de 2026).
- Constituição Federal de 1988 - Artigo 144 (Normas Gerais de Segurança Pública e Limites Territoriais).
- Associação dos Delegados de Polícia de MS (Adepol-MS) - Relatório sobre as Condições de Delegacias no Interior do Estado.
Fonte: Assembleia Legislativa de MS (ALEMS)
❓ Perguntas Frequentes
O PL 97/2026 propõe a instituição do Programa Permanente de Segurança de Fronteiras e Divisas em Mato Grosso do Sul. A proposta prevê o aumento planejado do efetivo das polícias Civil e Militar em municípios situados na faixa de fronteira internacional (com Paraguai e Bolívia) e divisas estaduais, a aquisição de armamentos modernos, drones de vigilância e a criação de um Centro Integrado de Inteligência Policial de Fronteira.
As cidades consideradas de prioridade estratégica máxima no projeto de lei são Ponta Porã e Coronel Sapucaia (na fronteira com o Paraguai) e Corumbá e Porto Murtinho (na fronteira com a Bolívia e Paraguai). Esses municípios concentram os maiores volumes de passagens clandestinas de drogas, contrabando e veículos roubados devido à geografia de fronteira seca ou fluvial.
O Centro Integrado de Inteligência funcionará como um hub de inteligência reunindo dados das polícias Civil, Militar, Rodoviária Federal, Polícia Federal e agentes de segurança do Paraguai e da Bolívia. O objetivo é cruzar dados cadastrais, monitoramento de câmeras termais e interceptações para identificar a cadeia de comando das facções transnacionais antes que as drogas e armas cheguem às rodovias de escoamento.
Juliana Mendes
Repórter
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