Sanesul e Imasul Avançam no Plano Integrado de Preservação de Mananciais e Bacia do Rio Paraná em MS
Governo de Mato Grosso do Sul amplia investimentos em segurança hídrica, saneamento básico e monitoramento de bacias hidrográficas para atingir metas do Marco Legal.

A gestão de recursos hídricos e a infraestrutura de saneamento básico em Mato Grosso do Sul alcançaram uma nova etapa estratégica neste mês de outubro de 2026. Em uma ação coordenada voltada para a preservação ambiental e a sustentabilidade no longo prazo, a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) apresentaram a consolidação do Plano Integrado de Preservação dos Mananciais e Proteção da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná.
A iniciativa integra o programa estadual de segurança hídrica supervisionado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). O objetivo central do plano é unir o monitoramento ambiental contínuo dos rios e aquíferos sul-mato-grossenses aos investimentos de expansão na coleta e no tratamento de efluentes sanitários, garantindo a proteção da saúde pública e a conservação da biodiversidade aquática nos 68 municípios onde a concessionária estadual atua.
A Bacia do Rio Paraná representa um dos ecossistemas hídricos mais expressivos e socioeconomicamente estratégicos do Brasil. Ela abrange centros urbanos de grande dinamismo em Mato Grosso do Sul, como Três Lagoas, Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba e Bataguassu. A garantia de água potável em abundância e o tratamento adequado do esgoto sanitário devolvido aos corpos hídricos são fatores determinantes para sustentá-los perante o crescimento demográfico e a expansão industrial e agropecuária da região.
Metas do Marco Legal e Avanço da Universalização
A diretriz operacional do saneamento em Mato Grosso do Sul está alinhada às exigências do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei Federal nº 14.026/2020). A norma nacional estabeleceu metas claras para todos os estados e municípios brasileiros: assegurar que 99% da população tenha acesso à água potável encanada e 90% conte com serviços de coleta e tratamento de esgoto sanitário até 31 de dezembro de 2033.
Mato Grosso do Sul destaca-se nacionalmente por estar em estágio avançado no cumprimento desse cronograma legal. Na cobertura de água potável, a estatal atende 100% da população urbana sob sua concessão em áreas regularizadas. No segmento de esgotamento sanitário, a média de atendimento das 68 cidades sob contrato com a Sanesul já supera a marca de 87%, aproximando o estado de se tornar o primeiro do país a alcançar a universalização plena do saneamento.
O avanço na área de esgoto é impulsionado pelo modelo de Parceria Público-Privada (PPP) firmado pela Sanesul com a concessionária MS Pantanal. A contratação permitiu injetar recursos privados suplementares para acelerar a construção de Redes Coletoras de Esgoto (RCE), Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) em cidades de médio e pequeno porte.
Monitoramento Ambiental e Qualidade da Água pelo Imasul
Enquanto a Sanesul executa obras de engenharia sanitária e distribuição de água, o Imasul atua como o órgão fiscalizador e gestor da política estadual de recursos hídricos. A equipe técnica do instituto coordena a Rede de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais de Mato Grosso do Sul, composta por dezenas de pontos de coleta amostral distribuídos ao longo dos rios tributários da Bacia do Paraná — incluindo os rios Sucuriú, pardo, Ivinhema, Amambai, Iguatemi e Salobra.
Os parâmetros analisados nos laboratórios do Imasul avaliam o Índice de Qualidade da Água (IQA), medindo indicadores fundamentais como oxigênio dissolvido (OD), Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), turbidez, potencial hidrogeniônico (pH), coliformes termotolerantes, nitrato, fósforo total e sólidos em suspensão.
Segundo os dados consolidados nos relatórios trimestrais do órgão ambiental, a elevação da capacidade de tratamento de esgoto nas zonas urbanas provocou uma redução mensurável na carga de matéria orgânica lançada nos leitos d'água. Em municípios onde as ETEs operam com eficiência superior a 90% na remoção de carga poluidora, os corpos receptores apresentaram recuperação gradual da vida aquática e estagnação da eutrofização em trechos críticos próximos às áreas de vazão urbana.
| Parâmetro Ambiental de Avaliação | Função no Diagnóstico da Água | Meta Técnica de Desempenho |
|---|---|---|
| Oxigênio Dissolvido (OD) | Mede a presença de gás oxigênio livre indispensável para peixes e organismos aquáticos. | Manter níveis acima de 5,0 mg/L |
| Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) | Indica a quantidade de matéria orgânica degradável lançada na água por efluentes. | Manter níveis abaixo de 5,0 mg/L |
| Eficiência de Remoção das ETEs | Percentual de carga poluente neutralizado antes do descarte nos rios. | Eficiência igual ou superior a 90% |
| Cobertura de Água Potável | Percentual de residências urbanas atendidas por água tratada e fluoretada. | Universalizado em 100% da área urbana |
| Cobertura de Tratamento de Esgoto | Percentual da população com coleta e destinação sanitária adequada. | Meta de 95% em 68 municípios até 2028 |
Gestão do Aquífero Guarani e Segurança dos Mananciais Subterrâneos
Além da água superficial captada nos rios, Mato Grosso do Sul repousa sobre uma das maiores reservas de água doce subterrânea do planeta: o Aquífero Guarani. Grande parte do abastecimento público em cidades do interior do estado provém de poços profundos tubulares perfurados nessa formação aquífera.
O plano integrado estabelece regras rigorosas para o licenciamento ambiental e a outorga de direito de uso de recursos hídricos subterrâneos concedidos pelo Imasul. A legislação impede a perfuração desordenada de poços sem autorização formal e determina áreas de proteção ao redor das cabeceiras de captação para evitar qualquer risco de contaminação por pesticidas agrícolas, necrochorume, vazamentos de combustíveis ou fozes de fossas sépticas primitivas.
A Sanesul mantém rotinas laboratoriais diárias de análise microbiológica e físico-química da água extraída desses poços subterrâneos antes que ela chegue aos reservatórios elevados e à rede encanada das residências. Os laboratórios centrais e regionais realizam mensalmente milhares de análises de amostras colhidas nas pontas de rua, assegurando conformidade estrita com a Portaria de Potabilidade nº 888/2021 do Ministério da Saúde.
Redução de Perdas e Tecnologia na Rede de Distribuição
Um dos pilares operacionais ressaltados na gestão de águas da Sanesul é o investimento na redução das perdas físicas e faturamento no sistema de abastecimento. Em muitas redes concessionárias do país, as perdas de água por vazamentos, quebras de tubulação e furtos chegam a ultrapassar 40% de toda a água produzida na estação.
Para combater esse desperdício hídrico e proteger o volume retirado dos mananciais, a concessionária de MS implementou um programa contínuo de modernização tecnológica. A estratégia inclui a setorização das redes através da criação de Distritos de Medição e Controle (DMCs), nos quais Válvulas Reguladoras de Pressão (VRP) computadorizadas ajustam a vazão de acordo com o consumo real da população em diferentes horários do dia e da noite.
A telemetria computadorizada permite monitorar em tempo real a pressão nos canos principais, identificando variações abruptas que sinalizam rompimentos na tubulação. Com essa automação, equipes de manutenção são despachadas de forma rápida para realizar o conserto no subsolo, minimizando o volume de água potável desaproveitado e protegendo o lençol freático contra erosões subterrâneas.
Sustentabilidade Ambiental e Proteção Socioeconômica
A preservação dos recursos hídricos na Bacia do Rio Paraná repercute de maneira direta no desenvolvimento econômico e na qualidade de vida das populações sul-mato-grossenses. Rios limpos e bacias preservadas mantêm a viabilidade de atividades estratégicas como a piscicultura comercial, a irrigação agrícola sustentável, o turismo ecológico e a navegação hidroviária.
Além disso, a universalização do tratamento de esgoto reduz os custos públicos com a saúde primária. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cada valor investido em saneamento básico gera uma economia equivalente a quatro vezes em gastos com internações e tratamentos de doenças de veiculação hídrica, tais como diarreia infecciosa, verminoses, hepatite A e leptospirose.
Com a integração das ações do Imasul na gestão das bacias hidrográficas e o avanço físico dos investimentos operacionais da Sanesul, Mato Grosso do Sul consolida uma política de estado sustentável que une preservação ecológica, rigor técnico, cumprimento das leis ambientais e respeito absoluto aos recursos naturais para as próximas gerações.
Fonte: Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) / Imasul / Semadesc / Governo de MS
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Redação Foco do Estado
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