Escolas Estaduais de MS Premiam Projetos de Iniciação Científica e Sustentabilidade
Estudantes da rede pública criam soluções inovadoras de reaproveitamento hídrico, bioplásticos e hortas pedagógicas automatizadas com robótica e IA.

A criatividade, o rigor científico e o compromisso com a preservação ambiental demonstrados por estudantes e professores da rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul foram celebrados nesta semana na Mostra Estadual de Iniciação Científica e Tecnologia da Educação Básica. O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Educação (SED-MS) em conjunto com a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), reuniu mais de 150 projetos inovadores concebidos nas salas de aula e laboratórios públicos das sete regiões do estado.
Com o objetivo de estimular o pensamento crítico, a alfabetização científica e a resolução de problemas reais das comunidades locais, os trabalhos premiados evidenciam que as escolas públicas sul-mato-grossenses se tornaram polos efervescentes de inovação tecnológica e sustentabilidade aplicada.
Dentre as soluções mais festejadas pelo júri acadêmico de professores universitários da UFMS e da UEMS destacou-se a transformação de águas pluviais e do descarte de condensadores de aparelhos de ar-condicionado em fontes hídricas para hortas pedagógicas automatizadas por sensores de robótica educativa, projeto concebido por estudantes de ensino médio em tempo integral de Campo Grande.
Da Teoria à Prática: Soluções Sustentáveis Criadas pelos Alunos
Em um estado caracterizado pela força do agronegócio e pela fragilidade ecológica de biomas como o Pantanal e o Cerrado, as propostas escolares apresentadas focaram na conservação de recursos naturais e na bioeconomia circular:
- Reaproveitamento de Água de Condensação:** O projeto "Gota Verde", desenvolvido na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, canalizou os drenos de mais de 30 aparelhos de ar-condicionado das salas de aula. A água captada passa por decantadores e alimenta uma horta de verduras sem agrotóxicos consumida na própria merenda escolar.
- Bioplásticos de Mandioca e Bagaço de Cana:** Alunas de uma escola estadual de Dourados sintetizaram embalagens orgânicas biodegradáveis utilizando subprodutos abundantes na agroindústria sul-mato-grossense. O material degrada-se em menos de 45 dias no solo sem gerar microplásticos tóxicos.
- Monitoramento Climático Escolar por Arduino:** Em Corumbá, estudantes projetaram miniestações meteorológicas de baixo custo capazes de medir a qualidade do ar, a concentração de material particulado de queimadas no Pantanal e a radiação ultravioleta em pátios escolares.
- Inseticidas Naturais a Partir do Nim e da Citronela:** Jovens pesquisadores de Três Lagoas desenvolveram formulações orgânicas para combater o mosquito Aedes aegypti em recipientes urbanos sem agredir a fauna de abelhas polinizadoras.
"A iniciação científica nas escolas públicas é o passaporte definitivo para transformar a realidade social de nossos jovens. Quando o estudante percebe que a ciência é uma ferramenta prática capaz de solucionar o problema de água ou de resíduos do seu próprio bairro, seu rendimento escolar dispara e sua trajetória ganha novos horizontes." — Avaliação da coordenação pedagógica de projetos científicos da SED-MS
Indicadores de Iniciação Científica na Rede Estadual de MS
A tabela a seguir apresenta os investimentos e o alcance dos projetos de pesquisa científica desenvolvidos pelos estudantes da rede estadual em 2026:
| Indicador de Ciência Escolar | Números Consolidados em MS | Impacto na Formação Estudantil |
|---|---|---|
| Projetos Científicos Submetidos | 340 pesquisas inscritas nos editais escolares | Envolvimento de mais de 1.200 alunos da rede |
| Bolsas de Iniciação Científica Júnior | 450 bolsas mensais pagas pela Fundect/SED | Auxílio financeiro que combate a evasão escolar |
| Escolas com Laboratórios Práticos | 210 unidades escolares com kits de robótica | Democratização do acesso à tecnologia de ponta |
| Professores Orientadores Contemplados | 180 docentes com bolsas de incentivo à pesquisa | Valorização da carreira do magistério estadual |
| Participação em Feiras Nacionais e Internacionais | 28 projetos credenciados para Febrace e Mostratec | Reconhecimento fora dos limites do estado |
| Interdisciplinaridade dos Trabalhos | Biologia, Química, Física, Robótica e Sociologia | Aprendizagem ativa e desenvolvimento de competências |
Formação para o Futuro e Acesso ao Ensino Superior
O fortalecimento da iniciação científica na educação básica de Mato Grosso do Sul repercute diretamente no ingresso de egressos das escolas públicas nas universidades federais e estaduais do Centro-Oeste. As competências desenvolvidas na redação de artigos científicos, tabulação de dados estatísticos e oratória em bancas de avaliação proporcionam aos alunos notas superiores nas redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e nos vestibulares seriados.
A Secretaria de Educação confirmou que os recursos destinados aos editais da Fundect para bolsas júnior serão ampliados no orçamento de 2027, garantindo que colégios rurais, escolas indígenas e unidades de ensino técnico profissionalizante também recebam investimentos contínuos para estruturar feiras de ciências e fechar parcerias com centros de pesquisa como a Embrapa e universidades regionais.
A Metodologia STEAM e o Protagonismo Estudantil em MS
A evolução qualitativa dos projetos científicos apresentados na mostra estadual de 2026 reflete a consolidação da metodologia pedagógica STEAM (acrônimo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) nas escolas estaduais de Mato Grosso do Sul. Ao integrar diferentes áreas do saber em torno de problemas reais das cidades onde vivem, os estudantes deixam a condição de ouvintes passivos para se tornarem pesquisadores ativos e solucionadores de desafios contemporâneos.
Professores orientadores relatam que o engajamento dos alunos em projetos experimentais transforma radicalmente a dinâmica da sala de aula. Conceitos complexos de termodinâmica, estequiometria química e biologia celular, que antes pareciam abstratos nos livros didáticos, ganham significado prático quando aplicados na fabricação de bioplásticos ou na programação de algoritmos em placas microcontroladoras.
Essa abordagem multidisciplinar fortalece as competências socioemocionais preconizadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incluindo a resiliência perante o erro em laboratório, a capacidade de trabalhar em equipe sob prazos rígidos e a oratória qualificada perante bancas acadêmicas formadas por pesquisadores com mestrado e doutorado.
Impacto Direto nos Índices Educacionais e Acesso Universitário
O incentivo à iniciação científica tem demonstrado uma correlação estatística direta com a melhoria do desempenho das escolas estaduais no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e nas notas da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Estudantes que participam de grupos de pesquisa desenvolvem uma habilidade analítica superior na interpretação de gráficos, textos científicos e formulação de propostas de intervenção social.
De acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Educação de MS, mais de 65% dos egressos do ensino médio que receberam bolsas de iniciação científica da Fundect obtiveram aprovação em vestibulares de universidades públicas federais e estaduais (UFMS, UEMS e UFGD) ou conquistaram bolsas integrais do Programa Universidade para Todos (Prouni) em cursos de ponta, como Medicina, Engenharia Agronômica, Ciência da Computação e Biotecnologia.
O Governo do Estado anunciou que a meta orçamentária para 2027 prevê a expansão dos laboratórios móveis de ciências para 100% dos municípios do interior, assegurando que estudantes de comunidades ribeirinhas de Corumbá e Porto Murtinho, bem como de distritos rurais distantes das capitais regionais, tenham as mesmas ferramentas laboratoriais e oportunidades de transformar a realidade de suas comunidades pela força da educação pública e da ciência.
O Papel das Feiras Regionais e a Integração com o Setor Produtivo
A pujança demonstrada pela mostra estadual de ciências não se limita aos muros das escolas públicas; ela estabelece uma ponte sólida com o setor produtivo e o ecossistema de inovação de Mato Grosso do Sul. Instituições de apoio ao empreendedorismo, como o Sebrae-MS e o Sistema Fiems, têm acompanhado as feiras escolares para identificar protótipos de jovens cientistas com potencial de registro de patentes e transformação em startups de base tecnológica (deep techs).
Um exemplo expressivo dessa sinergia é o interesse demonstrado por cooperativas agroindustriais de grãos e usinas sucroenergéticas nas formulações de bioplásticos e biofertilizantes concebidas por estudantes secundaristas. Em vez de descartar resíduos industriais como cinzas de caldeira ou palha de milho, os alunos criaram compósitos biológicos com alta resistência mecânica que podem ser convertidos em vasos biodegradáveis para mudas florestais utilizadas na recuperação de nascentes.
A Secretaria de Educação confirmou a criação do programa "Patente Jovem", que custeará as taxas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e fornecerá consultoria jurídica gratuita para proteger as invenções de alunos e professores da rede estadual. A iniciativa assegura que os royalties gerados por futuras comercializações retornem em parte para as próprias escolas e para os alunos autores, retroalimentando um ciclo virtuoso de valorização do talento científico juvenil em todo o estado de Mato Grosso do Sul.
Fonte: Secretaria de Estado de Educação (SED-MS) / Fundect
❓ Perguntas Frequentes
O programa é financiado pelo Governo de Mato Grosso do Sul por meio de parceria estratégica entre a Secretaria de Estado de Educação (SED-MS) e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect). A iniciativa concede bolsas de auxílio financeiro mensal a estudantes do ensino fundamental e médio, além de verbas de custeio aos professores orientadores para aquisição de insumos laboratoriais, placas de robótica e materiais científicos para o desenvolvimento prático de protótipos escolares em escolas estaduais de todo o território sul-mato-grossense.
Entre os projetos de maior destaque na mostra estadual estão o sistema de filtragem e reuso da água dos aparelhos de ar-condicionado para irrigação de hortas escolares inteligentes, o desenvolvimento de filmes biodegradáveis a partir de amido de mandioca regional para substituir plásticos descartáveis na merenda, e um protótipo de sensor de baixo custo acoplado a microcontroladores Arduino para monitorar a umidade e a acidez do solo em hortas comunitárias suburbanas do estado com foco em agricultura urbana de precisão.
Sim. Os projetos mais bem pontuados nas categorias de ciências da natureza, engenharia e tecnologia aplicada recebem credenciamento direto e apoio financeiro de passagens e hospedagem concedido pelo Governo do Estado para disputar feiras científicas prestigiadas no Brasil e no exterior, como a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) em São Paulo, a Mostratec no Rio Grande do Sul e a Feira de Ciências e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fecintec) para intercâmbio de conhecimento acadêmico e tecnológico de alto nível.
Redação Foco do Estado
Repórter
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