Projeto 'Clarisse me Disse' Expande Parceria Entre Prefeitura de Campo Grande e TJMS para Proteção Infanto-Juvenil nas Escolas Municipais
Iniciativa educacional e jurídica capacita professores da Rede Municipal de Ensino para identificar sinais de violência e acolher alunos com dignidade.


A Prefeitura Municipal de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude, formalizaram neste sábado, 5 de setembro de 2026, a expansão do projeto socioeducativo "Clarisse me Disse" para 100% das unidades da Rede Municipal de Ensino (REME). A iniciativa pioneira utiliza literatura infantil adaptada, peças teatrais pedagógicas e capacitação continuada de educadores para criar uma rede de proteção eficaz contra abusos e violência doméstica atingindo crianças e adolescentes.
O projeto foi concebido a partir do livro infanto-juvenil de mesmo nome, escrito por profissionais da psicologia e do direito da infância, que aborda de maneira delicada, lúdica e acessível temas como limites do corpo, sentimentos de desconforto, segredos seguros e a importância de confiar em adultos protetores no ambiente escolar e familiar. A distribuição de exemplares ilustrados alcançará mais de 110 mil alunos matriculados nas escolas municipais e Escolas de Educação Infantil (EMEIs) da capital.
Além do fornecimento de material didático específico para estudantes do ensino fundamental, o termo de cooperação prevê o treinamento obrigatório de diretores, coordenadores pedagógicos, professores, assistentes de sala e psicólogos escolares. Os profissionais passam por oficinas ministradas por juízes da infância, promotores de justiça e psicólogos peritos do TJMS sobre como identificar sinais não verbais de trauma, mudança repentina de comportamento, queda no rendimento escolar e marcas físicas que indiquem possíveis maustratos.
Articulação Comunitária e Protocolos de Escuta Protegida
Um dos aspectos mais inovadores da expansão do "Clarisse me Disse" é a implementação estrita da Lei da Escuta Protegida (Lei Federal nº 13.431/2017) nas escolas públicas de Campo Grande. O protocolo estabelece que a escola não deve realizar inquérito ou questionamentos ostensivos à criança vítima, mas sim praticar a escuta empática e acolhedora, encaminhando o relato imediatamente para a rede de garantia de direitos formada pelos Conselhos Tutelares, Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e CREAS.
A coordenação pedagógica da Semed ressaltou que a escola é, em muitos casos, o único ambiente seguro onde crianças vulneráveis encontram coragem para romper o silêncio e pedir ajuda contra abusadores, que frequentemente pertencem ao círculo familiar ou comunitário próximo das vítimas.
| Etapa de Expansão do Projeto | Alcance de Alunos e Escolas | Atividade Pedagógica Aplicada | Órgãos de Apoio Envolvidos |
|---|---|---|---|
| Formação de Educadores e Gestores | 4.500 professores da REME | Capacitação em Escuta Protegida | TJMS, Semed e Psicólogos |
| Distribuição de Kit Literário Lúdico | 110.000 estudantes da capital | Leitura guiada e oficinas de arte | Equipes Pedagógicas |
| Apresentações Teatrais Interativas | 95 escolas de Ensino Fundamental | Teatro educativo e debates | Companhias Culturais Locais |
| Integração com a Rede de Proteção | 205 EMEIs e escolas de Campo Grande | Fluxo rápido para Conselho Tutelar | DEPCA, CREAS e Conselhos |
Suporte Psicossocial Continuado e Equipes Multidisciplinares
A ampliação do programa inclui a presença quinzenal de equipes multidisciplinares compostas por assistentes sociais e psicólogos da Semed dentro das escolas municipais localizadas em regiões de maior vulnerabilidade social da capital. Essas equipes prestam atendimento continuado não apenas às crianças atendidas, mas também realizam acompanhamento psicossocial das famílias, orientando sobre acesso a programas sociais e mediação de conflitos.
O apoio especializado garante que os encaminhamentos efetuados pela escola tenham desfecho resolutivo na rede de saúde mental infantil (CAPS i) e assistência social, impedindo o desamparo institucional das vítimas.
Inclusão Digital e Materiais Adaptados para Alunos com Deficiência
Para garantir que o projeto beneficie a totalidade dos estudantes matriculados na REME, a Semed e o TJMS produziram versões acessíveis de todo o acervo do "Clarisse me Disse". O material inclui livros impressos em Braille para alunos com deficiência visual, audiobook com audiodescrição e animações em vídeo traduzidas em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Essa atenção inclusiva assegura que crianças com deficiência ou necessidades educacionais específicas exerçam pleno direito ao conhecimento de seus mecanismos de proteção e autonomia pessoal.
Impacto Positivo e Revelação Espontânea Segura
Balanços preliminares de edições-piloto do projeto apontaram que a introdução da literatura lúdica nas salas de aula provocou um aumento substancial no número de revelações espontâneas feitas por alunos a seus professores de confiança. Com o suporte adequado da equipe de psicólogos da Secretaria de Educação, as denúncias foram encaminhadas à Justiça com preservação total da identidade da criança e fornecimento de apoio psicológico de urgência.
O Presidente do Tribunal de Justiça de MS destacou durante a solenidade de assinatura que a prevenção primária por meio da educação é a ferramenta mais poderosa para romper ciclos históricos de violência silenciosa, garantindo um futuro digno para as novas gerações sul-mato-grossenses.
Ações Complementares de Apoio às Famílias e Comunidade
O projeto também contempla rodas de conversa e palestras direcionadas aos pais e responsáveis durante as reuniões de pais e mestres nas escolas da REME. O objetivo é conscientizar as famílias sobre a relevância do diálogo aberto em casa, a supervisão de conteúdos acessados na internet e a eliminação do castigo físico violento como método disciplinar.
Especialistas da infância reforçam que o fortalecimento dos laços afetuosos entre família e escola é fundamental para assegurar um ambiente de desenvolvimento integral seguro e saudável para as crianças.
Próximos Passos e Cronograma de Atividades Escolares
A implementação das oficinas e distribuição dos materiais nas escolas municipais de Campo Grande seguirá um cronograma rigoroso ao longo de todo o segundo semestre letivo.
- Realização do seminário municipal de abertura para gestores escolares na próxima semana.
- Entrega dos kits de livros ilustrados "Clarisse me Disse" às bibliotecas escolares.
- Início do circuito de peças teatrais pedagógicas nas unidades dos bairros mais vulneráveis.
- Criação do comitê escolar interno de acompanhamento de casos de vulnerabilidade social.
- Realização de pesquisas de avaliação de impacto socioeducativo ao término do ano letivo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Como o projeto 'Clarisse me Disse' aborda temas sensíveis de proteção infantil sem causar medo ou trauma nas crianças pequenas? O projeto utiliza uma linguagem extremamente cuidadosa, poética e adequada a cada faixa etária, desenvolvida por psicólogos infantis e pedagogos renomados. Por meio da história da personagem Clarisse, o livro e as atividades teatrais abordam o tema focando no autoconhecimento do próprio corpo, no respeito ao espaço do outro e na diferença entre carinho afetuoso e contatos invasivos desrespeitosos. A abordagem ensina a criança a reconhecer emoções de desconforto e a procurar imediatamente um adulto de confiança (como um professor ou conselheiro), sem utilizar termos chocantes ou assustadores.
O que o professor da REME deve fazer ao receber um relato de abuso feito por um aluno em sala de aula? O professor treinado pelo projeto deve adotar a conduta de escuta acolhedora, sem demonstrar pânico, julgamento ou incredulidade, garantindo à criança que ela fez o certo ao pedir ajuda e que não tem qualquer culpa pelo ocorrido. O educador não deve fazer perguntas investigativas detalhadas para não revitimizar o estudante. Imediatamente após a conversa, o profissional registra o relato em formulário confidencial e repassa o caso à direção escolar, que aciona o fluxo oficial de proteção previsto na Lei da Escuta Protegida, comunicando o Conselho Tutelar e a DEPCA.
Como os pais podem acompanhar as atividades do projeto socioeducativo 'Clarisse me Disse' nas escolas municipais? Os pais e responsáveis são convidados a participar ativamente do projeto por meio das Reuniões de Pais e Comunidade promovidas pelas escolas da REME. Nesses encontros, a equipe de orientação pedagógica apresenta o livro "Clarisse me Disse", explica a metodologia de ensino utilizada e orienta sobre como os pais podem dar continuidade às conversas sobre proteção e respeito em casa. Além disso, os livros distribuídos aos alunos podem ser levados para leitura compartilhada em família, fortalecendo a confiança entre pais e filhos.
Fonte: Foco do Estado MS
Redação Foco do Estado
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