Operação Conexão desarticula esquema de R$ 2 bilhões em lavagem de dinheiro em Campo Grande
Polícia Federal e GAECO deflagram a Operação Conexão contra lavagem de dinheiro oriunda de jogos de azar em Campo Grande e mais três estados.

Operação Conexão desarticula esquema de R$ 2 bilhões em lavagem de dinheiro em Campo Grande
A Polícia Federal (PF), em ação integrada com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, deflagrou a Operação Conexão Rio Preto para asfixiar a estrutura econômica de uma organização criminosa de abrangência interestadual. O grupo investigado utilizava o sistema financeiro nacional de forma fraudulenta para lavar bilhões de reais gerados pela exploração ilícita de jogos de azar, com destaque para a operação de jogo do bicho e vídeo bingo. Os agentes federais cumpriram mandados judiciais de busca, apreensão e sequestro de patrimônio em residências e sedes de holdings localizadas em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. As investigações indicam que o montante lavado pelos operadores financeiros atinge a expressiva marca de R$ 2,09 bilhões nos últimos sete anos de atividades contínuas.
A investigação aponta que a organização criminosa possuía um núcleo logístico sofisticado na capital sul-mato-grossense. O grupo utilizava empresas do ramo de construção civil, revenda de automóveis importados e factoring para integrar os recursos in dinheiro vivo provenientes das apostas ilícitas no sistema bancário nacional. O monitoramento das contas bancárias dos envolvidos revelou depósitos constantes e transferências estruturadas realizadas por intermédio de laranjas cadastrados em bairros periféricos da cidade. A quebra de sigilo fiscal eletrônico solicitada pela Justiça Federal permitiu desvendar a estrutura corporativa simulada usada para blindar o patrimônio dos líderes da quadrilha.
Durante as vistorias domiciliares em residências de luxo localizadas em condomínios fechados de Campo Grande, as equipes policiais apreenderam carros importados, joias, relógios de marcas famosas e maços de cédulas de reais e moedas estrangeiras. A Justiça Federal, responsável pela emissão dos mandados judiciais, autorizou também o sequestro de dezenas de imóveis comerciais e rústicos pertencentes à rede de empresas vinculadas à holding investigada. O bloqueio cautelar das contas bancárias corporativas foi ativado imediatamente pelo Banco Central com o intuito de interromper o fluxo de capitais e estrangular as transações operacionais do grupo.
O Uso de Meios de Pagamento Eletrônicos no Jogo do Bicho
A sofisticação do grupo criminoso estendia-se à infraestrutura de pagamentos utilizada nas bancas físicas de apostas e nos portais virtuais controlados pela quadrilha. A Polícia Federal e o GAECO descobriram que os bicheiros operavam milhares de máquinas pretas de pagamento por cartão (POS) registradas em nome de empresas de fachada criadas especialmente para simular transações comerciais legítimas. Ao realizarem as apostas do jogo do bicho, os clientes efetuavam o pagamento eletrônico por cartão de débito ou crédito, gerando comprovantes impressos que registravam a transação como compras simuladas de serviços ou produtos comerciais convencionais.

A utilização de terminais POS e chaves Pix associadas a microempresas individuais (MEIs) inativas permitia à organização diluir os recursos ilícitos de forma rápida, misturando-os ao faturamento legítimo de pequenos comércios parceiros. Os peritos de informática forense da PF analisaram as configurações de rede e os fluxos de dados das máquinas apreendidas para rastrear as contas de liquidação final utilizadas para centralizar os dividendos. O rastreamento revelou que os recursos passavam por múltiplas camadas de contas de passagem antes de serem encaminhados às contas bancárias das construtoras do grupo que operavam em Mato Grosso do Sul.
Essa pulverização de pequenos valores em transações por cartões e transações via Pix dificultava a detecção imediata pelos sistemas automatizados de inteligência dos bancos comerciais, que são programados para alertar sobre movimentações atípicas de grandes quantias de dinheiro vivo. O Ministério Público do estado ressalta que essa transição tecnológica do crime de jogo do bicho exigiu o desenvolvimento de novas técnicas de auditoria investigativa digital por parte dos peritos estaduais. As transações eletrônicas mapeadas pelas quebras de sigilo compõem a base probatória que instrui as denúncias criminais apresentadas perante a Justiça Federal de Campo Grande.
O Papel da Construção Civil na Integração dos Recursos Ilícitos
Após a etapa inicial de ocultação por meio das contas de fachada, a quadrilha utilizava o setor imobiliário e a construção civil em Campo Grande como a principal ferramenta para a integração definitiva dos recursos lavados. A investigação criminal do GAECO demonstrou que construtoras e incorporadoras ligadas aos operadores adquiriam terrenos em áreas de valorização acelerada na capital e no interior de Mato Grosso do Sul. A aquisição de materiais de construção e o pagamento de mão de obra eram faturados de forma inflacionada ou simulada para justificar o fluxo de caixa de milhões de reais em dinheiro limpo distribuído em nome de sócios ostensivos.

Os agentes do Ministério Público e analistas fiscais realizaram vistorias e buscas nos escritórios corporativos das construtoras sob suspeita para colher notas fiscais físicas, contratos de prestação de serviços simulados e livros contábeis internos. A perícia técnica constatou que vários empreendimentos imobiliários possuíam canteiros de obras ativos de fachada, cuja única finalidade era justificar a entrada de capital ilícito no balanço financeiro formal da corporação. A lavagem de dinheiro permitia a distribuição de lucros substanciais aos principais sócios da organização criminosa, que ostentavam um patrimônio incompatível com as atividades comerciais legítimas declaradas à Receita Federal do Brasil.
O Ministério Público e os peritos financeiros estimam que o grupo tenha lavado mais de R$ 250 milhões apenas na praça financeira de Campo Grande ao longo dos últimos três anos de monitoramento das contas de laranjas. Os suspeitos sob investigação responderão pelos crimes de lavagem de ativos, organização criminosa, evasão de divisas e exploração ilegal de jogos de azar. Os mandados judiciais incluem o congelamento temporário de bens para assegurar o futuro ressarcimento dos prejuízos fiscais causados à União.
Tabela de Impacto e Dados Técnicos da Operação Conexão
Abaixo estão consolidados os dados oficiais divulgados pelas assessorias de comunicação da Polícia Federal referentes à operação deflagrada nacionalmente:
Dados Técnicos e Apreensões
| Indicador Operacional | Detalhes Oficiais da Ação |
|---|---|
| Nome da Operação | Operação Conexão Rio Preto |
| Órgãos Executores | Polícia Federal (PF) e GAECO |
| Data de Deflagração | 29 de julho de 2026 |
| Cidades com Mandados | Campo Grande (MS), São José do Rio Preto (SP), Rio e Porto Alegre |
| Volume Financeiro Investigado | R$ 2.090.000.000,00 (dois bilhões e noventa milhões de reais) |
| Período de Monitoramento | 2019 a 2026 (sete anos de transações) |
| Medidas Judiciais | Busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de contas |
| Setores Econômicos Visados | Construção civil, revenda de veículos, postos de combustíveis |
| Tipificação Penal | Lavagem de capitais, organização criminosa, evasão |
O Impacto das Ações Integradas Contra o Crime Financeiro
A integração operacional entre a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual é considerada peça-chave pelas autoridades de segurança para combater redes criminosas que atuam além das divisas estaduais. A Operação Conexão enfraquece a sustentação econômica de facções que utilizam os lucros das apostas clandestinas para financiar outras modalidades de crimes, incluindo o tráfico interestadual de armamentos e drogas na fronteira de MS. O congelamento de ativos impede que o grupo contrate defesas milionárias ou transfira o patrimônio para contas ocultas em paraísos fiscais no exterior.
Os computadores e discos rígidos apreendidos nas empresas sob intervenção serão periciados pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF para extrair listas de clientes, registros de depósitos e mensagens eletrônicas trocadas entre os operadores financeiros. A Receita Federal foi comunicada para iniciar auditorias fiscais extraordinárias nas empresas ligadas ao grupo para aplicar as devidas sanções administrativas e multas tributárias correspondentes. Os acusados detidos durante as diligências encontram-se custodiados temporariamente e aguardam a decisão do Poder Judiciário Federal sobre a manutenção das prisões cautelares.
O portal do Foco do Estado mantém o monitoramento constante dos desdobramentos jurídicos decorrentes da deflagração da Operação Conexão em Mato Grosso do Sul. A sociedade local pode enviar informações relevantes de forma anônima para a Polícia Federal com o objetivo de colaborar no mapeamento de outros pontos de operação do grupo criminoso. O combate à lavagem de capitais representa um marco institucional na preservação da integridade econômica regional.
Perguntas Frequentes sobre a Operação Conexão da Polícia Federal
Perguntas Frequentes
Qual é o montante total investigado pela Polícia Federal na Operação Conexão?
O montante financeiro total sob investigação na Operação Conexão alcança a marca de R$ 2,09 bilhões de reais movimentados em transações atípicas entre os anos de 2019 e 2026. Desse valor, estima-se que mais de R$ 250 milhões tenham sido movimentados e integrados ao circuito de economia formal por meio de construtoras e revendedoras de veículos em Campo Grande.
Quais foram as medidas judiciais de sequestro e bloqueio autorizadas pela Justiça?
O Judiciário Federal expediu mandados de busca e apreensão domiciliar e empresarial, além de autorizar o sequestro cautelar de dezenas de imóveis comerciais e rústicos registrados em nome de empresas de fachada. O Banco Central executou o bloqueio imediato de todas as contas correntes ligadas aos investigados para cessar o fluxo logístico de capital.
Como as empresas de Campo Grande operavam para simular a origem lícita do dinheiro?
A quadrilha usava empresas legítimas parceiras, como postos de combustíveis e incorporadoras imobiliárias, para simular vendas de combustíveis e serviços fictícios de transporte rodoviário. Essas transações eram faturadas eletronicamente e os lucros simulados reintroduzidos formalmente no caixa corporativo da organização criminosa para posterior distribuição de dividendos.
Para acompanhar os andamentos de processos criminais da justiça federal na fronteira, consulte o portal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul ou verifique as notas oficiais da Polícia Federal.
Fonte: https://www.gov.br/pf
Redação Foco do Estado
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