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terça-feira, 14 de abril de 2026
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Chuva alaga Calógeras e deixa passageiros ilhados em terminal de CG

Temporal com 50 mm de chuva em poucas horas alagou ruas da região central e passageiros ficaram presos no terminal de ônibus

Camila Ferreira7 min de leituraCampo Grande
Chuva alaga Calógeras e deixa passageiros ilhados em terminal de CG

Cinquenta milímetros em duas horas. A chuva que caiu sobre Campo Grande na tarde desta segunda-feira (13) transformou a Avenida Calógeras em rio e deixou passageiros presos no Terminal Morenão. Carros boiaram, trânsito parou, a Defesa Civil registrou 23 chamados em menos de três horas.

O Que Aconteceu

O temporal começou por volta das 15h30 e se intensificou rapidamente. Em duas horas, a estação meteorológica do Inmet em Campo Grande registrou 50 mm de precipitação — volume equivalente a um terço da média mensal de abril.

A Avenida Calógeras, na região central, foi a mais afetada. A água cobriu a pista em trechos de até 60 centímetros de profundidade, arrastando lixo e entulho. Pelo menos cinco veículos ficaram parcialmente submersos. Motoristas abandonaram os carros e buscaram abrigo em lojas e prédios comerciais.

No Terminal Morenão — principal terminal de ônibus da região central — passageiros ficaram ilhados por mais de uma hora. A água invadiu a plataforma de embarque e impediu a circulação de ônibus. Cerca de 200 pessoas aguardaram dentro do terminal até a água baixar, por volta das 18h.

"Eu tava esperando o ônibus pra ir pra casa e de repente a água subiu. Não dava pra sair. Fiquei ali mais de uma hora, com água no tornozelo", relatou uma passageira ao Midiamax.

A Defesa Civil de Campo Grande registrou 23 chamados entre 15h30 e 18h30: alagamentos em vias, quedas de árvores, destelhamentos e um muro que desabou no Jardim Centro Oeste. Não houve registro de vítimas fatais ou feridos graves.

O Corpo de Bombeiros atendeu 8 ocorrências de resgate de pessoas em veículos alagados. Em um dos casos, uma idosa de 72 anos foi retirada de um carro que ficou preso na Rua Barão do Rio Branco com água acima do capô.

A Comunidade Esperança, na zona norte, também sofreu. Casas da região — construídas em área de risco às margens de córrego — voltaram a alagar. "Entra muita água. Toda vez que chove forte, a gente perde tudo. Colchão, roupa, documento", disse uma moradora ao Midiamax.

Contexto e Histórico

Alagamentos na Avenida Calógeras são problema recorrente em Campo Grande. A via está localizada na bacia do Córrego Prosa, que recebe água pluvial de vários bairros da região central e do Jardim dos Estados. O sistema de drenagem — projetado na década de 1970 — não suporta o volume de chuva atual, agravado pela impermeabilização do solo causada pela urbanização.

Em 2019, a prefeitura realizou obras de macrodrenagem na região da Calógeras, com investimento de R$ 42 milhões. As obras incluíram ampliação de galerias e construção de reservatórios de contenção. O problema diminuiu, mas não foi eliminado — chuvas acima de 40 mm/hora ainda provocam alagamentos.

O Plano Diretor de Drenagem de Campo Grande, elaborado em 2022, prevê investimentos de R$ 280 milhões em obras de contenção de cheias até 2030. Até agora, apenas R$ 68 milhões foram executados — 24% do total previsto.

Campo Grande tem 47 pontos críticos de alagamento mapeados pela Defesa Civil. A Calógeras é o mais conhecido, mas bairros como Jardim Centro Oeste, Comunidade Esperança, Aero Rancho e Nova Lima também sofrem com frequência.

O Inmet havia emitido alerta de chuvas intensas para MS na manhã desta segunda-feira, com previsão de 40 a 60 mm e ventos de até 50 km/h. O alerta foi publicado no site do instituto e nas redes sociais, mas a maioria da população não acompanha esses canais.

"A gente emite o alerta, mas quem lê? O campo-grandense sai de casa de manhã com sol e não imagina que às 3 da tarde vai ter enchente. Precisamos de um sistema de alerta por SMS ou sirene nos pontos críticos", disse o coordenador da Defesa Civil de Campo Grande.

A temperatura em Campo Grande estava em 35°C antes da chuva — calor que favorece a formação de nuvens de tempestade. A queda brusca para 22°C após o temporal causou sensação térmica de frio, e moradores que estavam de bermuda e chinelo no terminal ficaram tremendo enquanto esperavam a água baixar.

Levantamento da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) aponta que a área impermeabilizada na bacia do Córrego Prosa cresceu 18% entre 2015 e 2025, resultado da verticalização acelerada no entorno da Avenida Afonso Pena e da conversão de lotes residenciais em estacionamentos comerciais. Cada metro quadrado de concreto que substitui grama transfere água direto para a galeria. O cheiro de terra molhada que normalmente acompanha as chuvas de abril já não existe na Calógeras — ali, o que se sente é o odor de esgoto que transborda junto com a enxurrada, misturado ao barulho metálico da água batendo nos portões de aço das lojas fechadas às pressas.

Impacto Para a População

O temporal afetou o trânsito, o transporte público e a rotina de milhares de campo-grandenses.

Aspecto Detalhe
Chuva acumulada 50 mm em 2 horas
Região mais afetada Calógeras / Centro
Profundidade da água Até 60 cm
Veículos alagados 5+
Passageiros ilhados ~200 (Terminal Morenão)
Chamados Defesa Civil 23
Resgates Bombeiros 8
Pontos críticos em CG 47 mapeados
Investimento em drenagem (previsto) R$ 280 milhões
Executado até agora R$ 68 milhões (24%)

Para quem depende de transporte público, o alagamento do Terminal Morenão significou atraso de mais de uma hora para chegar em casa. Linhas de ônibus que passam pela Calógeras foram desviadas, e passageiros tiveram que caminhar sob chuva até pontos alternativos.

Para moradores da Comunidade Esperança, o alagamento é rotina traumática. Famílias que vivem em área de risco perdem móveis, roupas e documentos a cada temporal forte. A prefeitura tem programa de reassentamento, mas a fila de espera é de 3 anos.

O Que Dizem os Envolvidos

A Defesa Civil informou que "todas as ocorrências foram atendidas" e que "não houve registro de vítimas fatais". O órgão reforçou a orientação para que a população "não tente atravessar áreas alagadas".

A Semadur disse que "as obras de drenagem previstas no Plano Diretor estão em andamento" e que "a licitação para a próxima etapa da macrodrenagem da Calógeras será publicada no segundo semestre".

O Consórcio Guaicurus informou que "as linhas de ônibus foram desviadas durante o alagamento" e que "o serviço foi normalizado às 18h30".

Próximos Passos

O Inmet prevê mais chuvas intensas para Campo Grande entre terça e quinta-feira, com acumulados de 30 a 50 mm por dia. A Defesa Civil mantém alerta e recomenda que a população evite áreas de risco durante temporais.

A prefeitura vai publicar edital de licitação para a segunda etapa das obras de macrodrenagem da Calógeras no segundo semestre de 2026, com investimento de R$ 35 milhões.

A Defesa Civil estuda a implantação de sistema de alerta por SMS para moradores de áreas de risco, com previsão de funcionamento até o final de 2026.

Fechamento

Cinquenta milímetros. Duas horas. E Campo Grande vira Veneza — sem o charme. A Calógeras alaga, o terminal para, carros boiam, gente fica ilhada. O roteiro se repete a cada temporal forte, e a solução — R$ 280 milhões em obras de drenagem — está 76% atrasada. Enquanto isso, quem mora na Comunidade Esperança torce pra não chover. Defesa Civil: 199. Bombeiros: 193.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Midiamax (midiamax.com.br)
  • Defesa Civil de Campo Grande
  • Inmet — Instituto Nacional de Meteorologia (inmet.gov.br)

💰 Temporal em Campo Grande

1

Chuva acumulada

50 mm em 2 horas

2

Região mais afetada

Calógeras / Centro

3

Passageiros ilhados

Terminal Morenão

4

Ocorrências Defesa Civil

23 chamados

Fonte: Campo Grande News / Midiamax

❓ Perguntas Frequentes

O temporal desta segunda-feira (13) atingiu principalmente a região central de Campo Grande, com alagamentos severos na Avenida Calógeras, Rua 14 de Julho, Rua Barão do Rio Branco e imediações do Terminal Morenão. A região do Jardim Centro Oeste e da Comunidade Esperança, na zona norte, também registrou alagamentos. A chuva acumulou 50 mm em aproximadamente duas horas, volume que superou a capacidade do sistema de drenagem da cidade. A Defesa Civil registrou 23 chamados entre alagamentos, quedas de árvores e destelhamentos. Não houve registro de vítimas fatais.

A Avenida Calógeras é uma das vias mais baixas da região central de Campo Grande e está localizada na bacia do Córrego Prosa, que recebe grande volume de água pluvial de bairros adjacentes. O sistema de drenagem da avenida foi projetado décadas atrás para um volume de chuva menor do que o atual, e a impermeabilização do solo causada pela urbanização aumentou o escoamento superficial. A prefeitura realizou obras de macrodrenagem na região em 2019, mas o problema persiste em chuvas intensas. O Plano Diretor de Drenagem de Campo Grande prevê investimentos de R$ 280 milhões em obras de contenção de cheias até 2030.

Em caso de alagamento, a orientação da Defesa Civil é não tentar atravessar áreas alagadas a pé ou de carro — a força da água pode arrastar pessoas e veículos mesmo em profundidades aparentemente baixas. Se estiver em um terminal de ônibus ou prédio, permaneça no local até a água baixar. Não toque em postes, fios ou equipamentos elétricos que possam estar em contato com a água. Se a água estiver subindo dentro de casa, suba para o andar superior ou para o telhado e ligue para a Defesa Civil (199) ou Corpo de Bombeiros (193). Após o alagamento, descarte alimentos que tiveram contato com a água e limpe a casa com água sanitária.

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CF

Camila Ferreira

Repórter