Riedel reforma secretariado após saída de cinco nomes para disputar eleições
Governo de MS oficializa mudanças no primeiro escalão. Jaime Verruck, Marcelo Miranda e outros deixaram pastas para concorrer em outubro. Adjuntos assumem as secretarias.

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), oficializou no início de abril uma reforma em seu secretariado provocada pela desincompatibilização eleitoral de cinco ocupantes de cargos no primeiro e segundo escalão do governo. O prazo legal para que gestores públicos se afastassem de suas funções caso pretendam concorrer nas eleições de outubro encerrou-se em 4 de abril de 2026, seis meses antes do pleito, conforme determina a legislação eleitoral brasileira.
A saída simultânea de cinco nomes estratégicos obrigou o Palácio do Governo a promover uma reorganização administrativa que, embora prevista no calendário eleitoral, exigiu planejamento antecipado para evitar descontinuidade nos projetos em andamento.
As cinco saídas
As baixas no secretariado atingiram pastas de alta relevância na estrutura administrativa do estado:
Jaime Verruck — Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) — Considerada a perda mais significativa da reforma. Verruck era um dos nomes mais influentes do primeiro escalão, responsável pela condução de pautas estratégicas como a política ambiental do estado, a Operação Pantanal e os programas de desenvolvimento tecnológico e inovação. Sua gestão na Semadesc foi marcada pela articulação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, tema sensível em um estado que abriga o Pantanal. Verruck deve disputar uma vaga na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa, fortalecendo a base parlamentar governista.
Marcelo Ferreira Miranda — Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc) — Miranda liderou a pasta responsável pela gestão do turismo no Pantanal — setor que movimenta centenas de milhões de reais anualmente — e pelos programas culturais do estado. Sua saída ocorre em um momento de expansão dos projetos de turismo ecológico e esportivo, incluindo a consolidação de Bonito como destino turístico de classe mundial. O secretário adjunto Alessandro Menezes de Souza, que acompanhou de perto todos os projetos, assume a titularidade.
Viviane Luiza da Silva — Secretaria de Estado da Cidadania — Responsável pelas políticas de assistência social, inclusão e proteção a populações vulneráveis, Viviane deixa a pasta em um momento em que programas de transferência de renda e de atendimento a famílias em situação de pobreza extrema estão em plena execução. José Francisco Sarmento Nogueira, adjunto da secretaria, assume o cargo.
Frederico Felini — Secretaria de Estado de Administração (SAD) — A SAD é a espinha dorsal administrativa do governo, responsável pela gestão do funcionalismo público estadual, contratos administrativos, concursos e processos licitatórios. A saída de Felini exigiu atenção especial na transição, considerando que a pasta gerencia processos burocráticos que impactam diretamente a operação de todas as demais secretarias. Roberto Gurgel de Oliveira Filho assume como titular.
Fernando da Silva Souza — Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários — A saída de Fernando é particularmente sensível em um estado com a segunda maior população indígena do Brasil, com mais de 80 mil indígenas de diversas etnias, incluindo Guarani-Kaiowá, Terena, Kadiwéu e Guató. A subsecretaria é responsável pela articulação de políticas de saúde, educação, segurança alimentar e regularização fundiária para essas comunidades.
Quem assumiu as pastas
A estratégia adotada pelo governo foi a de promoção interna, elevando os secretários-adjuntos ao cargo de titular. A opção por figuras que já integram as equipes visa minimizar o impacto da transição:
| Pasta | Novo Titular | Perfil |
|---|---|---|
| Semadesc | Artur Henrique Leite Falcette | Técnico com experiência em políticas ambientais |
| Setesc | Alessandro Menezes de Souza | Gestor do setor de turismo no estado |
| Cidadania | José Francisco Sarmento Nogueira | Especialista em políticas sociais |
| SAD | Roberto Gurgel de Oliveira Filho | Administrador com experiência no setor público |
A escolha de adjuntos já familiarizados com os projetos em andamento é uma tática recorrente em governos que enfrentam reformas obrigatórias por desincompatibilização. A vantagem é a continuidade administrativa imediata. A desvantagem, segundo analistas, é que os novos titulares podem ter menos autonomia política e menor capacidade de articulação institucional em comparação com os antecessores.
Riedel e a reeleição
O próprio Eduardo Riedel não precisou se desincompatibilizar, uma vez que a Constituição Federal e a Emenda Constitucional nº 16/1997 permitem que governadores em exercício concorram à reeleição para um período subsequente. O governador, que mantém índices de aprovação acima de 65% segundo pesquisas recentes do Instituto Ibrape, é pré-candidato à reeleição pelo Progressistas (PP).
A base aliada de Riedel na Assembleia Legislativa — reforçada pelos movimentos da janela partidária — garante ao governador uma posição confortável para a campanha, com maioria parlamentar e apoio de legendas relevantes como PL, Republicanos e PP.
Componente estratégico
A reforma no secretariado, embora motivada exclusivamente por requisitos legais do calendário eleitoral, carrega um componente estratégico importante para a campanha de reeleição de Riedel:
Os cinco nomes que deixaram o governo devem atuar como candidatos ou coordenadores de campanha em diferentes regiões do estado, ampliando a capilaridade da base governista no processo eleitoral. Jaime Verruck, por exemplo, possui forte inserção no setor produtivo e ambiental, podendo canalizar o apoio empresarial para a coligação de Riedel.
Marcelo Miranda, com sua atuação na Setesc, construiu relações com o setor de turismo e eventos esportivos, segmentos com forte presença no interior do estado. Viviane Luiza da Silva, responsável pelas políticas sociais, desenvolveu vínculos com comunidades periféricas e organizações da sociedade civil que podem se converter em capital eleitoral.
Impacto na governança
Especialistas em gestão pública ouvidos pela reportagem alertam que reformas de secretariado em anos eleitorais — mesmo quando planejadas — sempre carregam risco de descontinuidade em projetos de médio e longo prazo. No caso de Mato Grosso do Sul, os programas mais vulneráveis são:
- Operação Pantanal 2026 — Sob responsabilidade da Semadesc, a transição de liderança pode impactar a coordenação do maior programa de combate a incêndios florestais do estado
- Plano Estadual de Turismo — A Setesc gerencia projetos de expansão do turismo no Pantanal e em Bonito com prazos definidos
- Políticas para Povos Originários — A subsecretaria conduz processos de diálogo com comunidades indígenas que exigem continuidade e confiança institucional
O governo garante que a transição está sendo conduzida com planejamento e que os novos titulares receberam dossiês completos sobre todos os projetos em andamento, cronogramas de execução e compromissos assumidos com parceiros institucionais.
As informações foram apuradas com base em dados publicados no Diário Oficial do Estado e em reportagens do Capital News, Campo Grande News, Primeira Página e O Sul Matogrossense.
Calendário eleitoral e perspectivas para o governo
A reforma no secretariado inaugura a fase efetivamente eleitoral do governo Riedel. A partir de abril, todas as ações do Executivo passam a ser vistas sob as lentes do calendário de outubro, e a administração estadual precisará equilibrar a continuidade dos projetos em andamento com as limitações impostas pela legislação eleitoral — que proíbe inaugurações, contratações e publicidade institucional nos três meses anteriores ao pleito. O governo garante que os novos titulares das pastas foram orientados a manter o ritmo de execução dos projetos prioritários, incluindo obras de infraestrutura, programas sociais e a Operação Pantanal 2026, cuja coordenação é vital para a preservação ambiental e para a imagem institucional do estado no cenário nacional.
Base governista e expectativas para o segundo semestre legislativo
A base aliada de Riedel na ALEMS permanece sólida após o período de janela partidária, com a maioria dos deputados alinhados a partidos governistas como PP, PL e Republicanos. Essa composição deve garantir ao governador tranquilidade para a tramitação de projetos prioritários no segundo semestre, incluindo a Lei Orçamentária Anual para 2027 e projetos de lei complementar relacionados à reforma administrativa do estado. A oposição, numericamente reduzida, concentrará seus esforços na fiscalização da execução orçamentária e na cobrança de transparência nas contas públicas, temas que ganham relevância adicional em ano eleitoral.
Fonte: Capital News / Campo Grande News / Primeira Página / O Sul Matogrossense
❓ Perguntas Frequentes
Cinco nomes do primeiro e segundo escalão se desincompatibilizaram: Jaime Verruck (Semadesc), Marcelo Miranda (Setesc), Viviane Luiza da Silva (Cidadania), Frederico Felini (SAD) e Fernando da Silva Souza (Povos Originários).
Sim. O governador não precisou renunciar ao cargo, pois a legislação permite que governadores em exercício concorram à reeleição.
Os adjuntos foram promovidos: Artur Falcette (Semadesc), Alessandro Menezes de Souza (Setesc), José Francisco Sarmento Nogueira (Cidadania) e Roberto Gurgel (SAD).
Patrícia Souza
Repórter
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