Recorde de Letalidade: MS Atinge 76 Mortes por Intervenção Policial em 2026
Morte de Fernando Ferraz Fernandes (35 anos) após tiroteio com a Força Tática da PM na Avenida Duque de Caxias faz estado superar índices de 2025 em apenas sete meses.

Mato Grosso do Sul atingiu a preocupante marca histórica de 76 mortes decorrentes de intervenções de agentes do Estado no ano de 2026, após um novo confronto armado registrado na madrugada de quinta-feira (9 de julho de 2026), na região oeste de Campo Grande. O número acumulado em menos de sete meses já supera de forma absoluta o total de 73 óbitos catalogados em todo o ano de 2025. O caso mais recente envolveu Fernando Ferraz Fernandes, de 35 anos, que faleceu após ser alvejado por policiais militares da Força Tática da 5ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) em um terreno baldio na Avenida Duque de Caxias, no bairro Nova Campo Grande.
O Que Aconteceu
Na madrugada de quinta-feira, uma guarnição da Força Tática da 5ª CIPM realizava patrulhamento preventivo na região do Jardim Sayonara após receber denúncias sobre brigas generalizadas e ameaças de agressão física entre usuários de drogas e moradores locais. Ao se aproximarem da área indicada, os policiais avistaram um grupo de pessoas que se dispersou rapidamente ao notar as viaturas.
Um homem, identificado posteriormente como Fernando Ferraz Fernandes, fugiu em alta velocidade utilizando uma bicicleta, adentrando ruas escuras do bairro adjacente, Nova Campo Grande. Os policiais iniciaram uma busca tática na região e localizaram o suspeito ocultado entre a vegetação de um terreno baldio na Avenida Duque de Caxias.
De acordo com o registro oficial lavrado na delegacia, os policiais deram voz de abordagem e ordenaram que o suspeito colocasse as mãos sobre a cabeça. No entanto, Fernando ignorou os comandos, sacou um revólver calibre .22 de sua cintura e apontou na direção da equipe de Força Tática. Diante da ameaça armada iminente, os policiais revidaram efetuando disparos de arma de fogo. Fernando foi atingido no tórax e no abdômen.
Imediatamente após o tiroteio, a guarnição colocou o suspeito na viatura e prestou socorro de emergência, encaminhando-o à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santa Mônica. Apesar das tentativas de reanimação e dos cuidados da equipe médica de plantão, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu. A arma do suspeito, municiada com cápsulas intactas e porções de cocaína, foi apreendida.
Contexto e Histórico
A elevação do índice de mortes em confrontos com policiais em Mato Grosso do Sul tem gerado debates profundos entre as autoridades de segurança pública, juristas e defensores dos direitos humanos. O patamar de 76 mortes registradas até o dia 9 de julho de 2026 é um recorde estatístico alarmante para o estado, especialmente porque ultrapassa em poucos meses o total acumulado do ano inteiro de 2025.
Historicamente, o estado apresenta um dos maiores índices de resolutividade de inquéritos policiais de homicídio do país, mas também vivencia a interiorização de facções criminosas ligadas ao tráfico interestadual de drogas. Grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho disputam territórios periféricos em Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas, elevando a circulação de armas de fogo e a agressividade nas ruas.
A polícia de Mato Grosso do Sul, em contrapartida, intensificou as ações de patrulhamento tático e cumprimento de mandados de prisão por meio de unidades especializadas como o Batalhão de Choque, o Bope e as Forças Táticas das companhias de área. O perfil dos envolvidos nas mortes por intervenção policial é composto majoritariamente por homens de 18 a 35 anos, reincidentes no sistema prisional e que portavam armas de fogo ilegais no momento da abordagem. A morte de Fernando Fernandes é mais um exemplo desse padrão de violência urbana na periferia da capital.
Impacto Para a População
O aumento nos índices de letalidade policial traz impactos diretos à população de Mato Grosso do Sul, dividindo opiniões entre moradores das comunidades e afetando a sensação de segurança pública geral. Enquanto alguns cidadãos cobram investigações rigorosas sobre os procedimentos operacionais dos agentes, outros defendem que a atuação enérgica da polícia é a única resposta possível contra a violência de criminosos armados.
A tabela a seguir apresenta os dados consolidados das mortes por intervenção policial registradas em Mato Grosso do Sul nos últimos três anos, permitindo analisar a evolução da letalidade no estado:
| Ano da Ocorrência | Mortes em Confronto (Capital) | Mortes em Confronto (Interior) | Total Acumulado no Estado |
|---|---|---|---|
| 2024 | 28 óbitos | 37 óbitos | 65 óbitos totais |
| 2025 | 31 óbitos | 42 óbitos | 73 óbitos totais |
| 2026 (Até Julho) | 34 óbitos | 42 óbitos | 76 óbitos (Recorde) |
Para reduzir os riscos de danos colaterais durante confrontos em áreas residenciais e garantir maior transparência jurídica às ações policiais, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) tem sido pressionada a acelerar o processo de instalação de câmeras corporais de gravação contínua no fardamento dos militares que atuam na linha de frente do policiamento ostensivo.
O Que Dizem os Envolvidos
O comando da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul emitiu nota reforçando que a corporação segue rigorosos protocolos técnicos de uso progressivo da força e que o disparo de arma de fogo é sempre a última alternativa adotada, exclusiva para salvaguardar a vida dos policiais e de terceiros. "Nossos policiais saem às ruas com o objetivo de prender criminosos e manter a ordem pública. Se há o confronto letal, isso decorre da decisão voluntária do criminoso de apontar uma arma contra os agentes da lei", ressaltou o porta-voz da PMMS.
Entidades de defesa dos direitos humanos e conselhos de segurança comunitários manifestaram preocupação com o avanço acelerado das mortes neste ano, apontando que o aumento de 100% nas mortes em comparação com o mesmo período do ano anterior exige auditorias internas detalhadas e reavaliação de táticas de aproximação e cerco policial para evitar desfechos letais.
A Defensoria Pública do Estado e o Ministério Público Estadual (MPMS), por meio de suas promotorias de controle externo da atividade policial, informaram que acompanham a apuração de cada caso e solicitam celeridade na entrega de laudos necroscópicos e de balística criminal para garantir que todas as mortes decorrentes de ação policial sejam devidamente justificadas sob o manto da legítima defesa.
Próximos Passos
O inquérito sobre a morte de Fernando Ferraz Fernandes foi instaurado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Centro) e será conduzido pela delegacia de área correspondente ao bairro Nova Campo Grande. Os policiais militares que participaram da ação e efetuaram os disparos contra o suspeito prestaram depoimento preliminar e tiveram suas armas institucionais (pistolas calibre 9mm) apreendidas de forma provisória para perícia técnica.
O corpo de Fernando foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) para realização do exame de necropsia, que apontará a quantidade exata de tiros que o atingiram e a trajetória dos projéteis. O laudo definitivo deve ficar pronto em até 10 dias e será anexado aos autos de investigação criminal.
Após a conclusão das investigações por parte da Polícia Civil, o caso será encaminhado ao Ministério Público Estadual, que analisará se houve excesso doloso ou culposo por parte dos policiais ou se os agentes agiram em estrito cumprimento do dever legal e legítima defesa, promovendo o arquivamento ou a denúncia em juízo.
Fechamento
O avanço rápido das estatísticas de letalidade policial em Mato Grosso do Sul, superando o ano anterior em pouco mais de seis meses, evidencia a gravidade do cenário de violência urbana e a complexidade das operações policiais de rua em Campo Grande e no interior do estado. A discussão sobre métodos de policiamento de alta performance e uso da força letal continuará em pauta nas instâncias judiciais e políticas do estado. O portal Foco do Estado manterá a cobertura jornalística sobre os desdobramentos de investigações e novas diretrizes de segurança adotadas em MS. Para denúncias ou relatos sobre segurança nos bairros de Campo Grande, a população pode ligar para o Disque-Denúncia no número 181 ou no telefone de emergência 190 da PMMS.
Fontes e Referências
- Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) - Registro de Ocorrência da 5ª CIPM (09/07/2026).
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) - Estatísticas de Crimes Violentos e Letalidade Policial (2024–2026).
- Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Campo Grande - Guia de necropsia e entrada de corpo.
- Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) - Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial de Campo Grande.
Fonte: Polícia Militar de MS / Sejusp
❓ Perguntas Frequentes
O caso ocorreu na madrugada de 9 de julho de 2026, na região do Jardim Sayonara e bairro Nova Campo Grande. Policiais da Força Tática da 5ª CIPM faziam rondas após receberem denúncias de brigas entre usuários de drogas. Durante a verificação, Fernando Ferraz Fernandes, de 35 anos, fugiu de bicicleta. Ele foi localizado em um terreno baldio na Avenida Duque de Caxias, onde sacou um revólver calibre .22 e apontou contra a equipe policial, motivando o revide armado.
O ano de 2026 tem registrado um aumento nas ocorrências de confronto entre suspeitos armados e forças especiais de segurança, como a Força Tática, Choque, Garras e Bope. De acordo com especialistas em segurança pública, a interiorização de facções criminosas e o aumento no fluxo de tráfico de armas na fronteira elevam o nível de periculosidade das abordagens em áreas urbanas de MS, resultando em reações armadas mais frequentes dos criminosos durante ações de captura.
Em menos de sete meses, o estado de Mato Grosso do Sul registrou 76 mortes por intervenção de agentes do Estado, superando oficialmente o acumulado total de 2025, que fechou com 73 mortes. Em 2024, o índice foi menor, demonstrando uma curva acentuada de crescimento em 2026. Esse avanço rápido nas estatísticas tem provocado debates entre órgãos de direitos humanos, comandos policiais e o Ministério Público Estadual sobre o uso da força e treinamento.
Camila Ferreira
Repórter
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