Guerra de Facções: Operação Janus Prende 14 por Disputa entre PCC e Comando Vermelho em MS
Ofensiva policial em Três Lagoas e Paranaíba desarticula redes logísticas e de homicídios comandadas de dentro de presídios do Centro-Oeste.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, na manhã de quinta-feira (9 de julho de 2026), a Operação Janus, uma ofensiva integrada de combate ao crime organizado que resultou na prisão de 14 pessoas no leste do estado e em Mato Grosso. O objetivo principal da operação foi desarticular células operacionais e lideranças das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) envolvidas em uma violenta disputa por pontos de tráfico de drogas que vinha impulsionando homicídios e tentativas de assassinato na região. A força-tarefa cumpriu mandados judiciais em Três Lagoas e Paranaíba (MS), além de Cuiabá e Rondonópolis (MT), inclusive com varreduras e prisões efetuadas em unidades do sistema penitenciário.
O Que Aconteceu
A deflagração da Operação Janus ocorreu nas primeiras horas da manhã de quinta-feira, mobilizando dezenas de policiais civis e militares por terra e ar. Sob a coordenação da Seção de Investigações Gerais (SIG) e das delegacias de Três Lagoas e Paranaíba, equipes cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva expedidos pelo Poder Judiciário.
A ação mobilizou o apoio do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), da Polícia Militar, da Polícia Militar Ambiental e do helicóptero da Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo (CGPA) da Sejusp, que realizou voos de suporte tático para monitorar rotas de fuga. No total, a polícia efetuou 14 detenções, sendo 12 prisões preventivas cumpridas de alvos que já estavam sendo monitorados pela inteligência policial, uma prisão em flagrante por posse irregular de arma de fogo e munições, além da internação provisória de um adolescente de 17 anos envolvido no núcleo operacional da quadrilha.
Durante as buscas domiciliares e nas celas de presídios em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, os agentes apreenderam porções de entorpecentes (maconha e cocaína), balanças de precisão, anotações de contabilidade criminosa de facções e 24 aparelhos celulares. Os telefones eram utilizados pelos detentos para transmitir ordens de execução de rivais e gerenciar a logística de entrega de drogas no comércio varejista do interior do estado.
Contexto e Histórico
A região leste de Mato Grosso do Sul, especialmente os municípios de Três Lagoas e Paranaíba, possui relevância estratégica para o tráfico de drogas devido à proximidade geográfica e divisas com os estados de São Paulo e Minas Gerais. A rodovia BR-262 serve como uma das principais artérias para o escoamento de drogas que entram pela fronteira paraguaia e se destinam aos maiores mercados consumidores do Sudeste brasileiro.
Essa facilidade de escoamento atrai a atuação constante de facções criminosas. Historicamente, Mato Grosso do Sul tem forte presença do Primeiro Comando da Capital, mas nos últimos dois anos a facção rival Comando Vermelho tentou expandir sua base de atuação na divisa interestadual, cooptando pequenos traficantes e iniciando uma disputa violenta pelo monopólio do tráfico local.
Essa rivalidade resultou em uma onda de crimes violentos na região leste, incluindo assassinatos executados com características de "tribunal do crime". A equipe de inteligência da Polícia Civil de MS iniciou o mapeamento dos suspeitos há cerca de seis meses, cruzando dados de redes sociais, interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e confissões de presos. O nome da operação, "Janus" (o deus de duas faces), simboliza a atuação policial focada nas duas pontas desse confronto entre as facções rivais no Centro-Oeste.
Impacto Para a População
O desmantelamento das células das facções criminosas traz alívio imediato para os moradores de Três Lagoas e Paranaíba, que vinham presenciando tiroteios e execuções em áreas residenciais. A retirada de circulação de armas e lideranças reduz os índices locais de crimes patrimoniais (como roubos de veículos e comércios), frequentemente cometidos para capitalizar o tráfico.
A tabela a seguir apresenta os resultados tangíveis da Operação Janus e seu impacto direto nas comunidades afetadas pela disputa territorial das facções:
| Indicador Operacional da Ação | Volume Registrado na Ação | Impacto Direto na Comunidade |
|---|---|---|
| Prisões Preventivas Executadas | 12 prisões de líderes | Desarticulação do comando de homicídios |
| Prisões em Flagrante | 01 caso (posse de arma) | Retirada de arma de fogo ilegal de circulação |
| Aparelhos Celulares Apreendidos | 24 telefones recolhidos | Bloqueio de comunicação de dentro dos presídios |
| Adolescentes Apreendidos | 01 menor detido | Retirada de menor de idade de atividades criminosas |
Com a interrupção das comunicações de dentro do sistema penitenciário de Mato Grosso e de MS, as polícias civil e militar estimam uma redução drástica nas ordens de execução de crimes violentos na faixa leste de MS nos próximos meses.
O Que Dizem os Envolvidos
O delegado coordenador da SIG de Três Lagoas destacou o sucesso da integração entre as forças estaduais e de estados vizinhos na repressão a grupos faccionados. "A Operação Janus demonstra que a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul tem capacidade técnica de combater e sufocar a criminalidade organizada. Nós não permitiremos que facções instalem uma faixa de guerra e terrorismo urbano nas nossas cidades", garantiu o delegado em entrevista coletiva.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), em nota, ressaltou o papel essencial do suporte aéreo da CGPA e a coordenação de inteligência da Agência de Inteligência da Polícia Civil no monitoramento dos alvos, parabenizando todos os policiais civis e militares envolvidos pela precisão técnica na execução simultânea dos mandados em presídios e residências.
Advogados de defesa de quatro dos investigados presos preventivamente alegaram em petições iniciais que seus clientes não possuem vínculos formais com facções criminosas e que a inclusão de seus nomes na operação decorreu de meras associações informais de vizinhança, afirmando que provarão a inocência de seus representados no decorrer do processo judicial.
Próximos Passos
Os 14 suspeitos detidos durante a Operação Janus foram encaminhados às delegacias locais de Três Lagoas e Paranaíba, onde passaram por exames de corpo de delito no IMOL e foram recolhidos às celas de carceragem, aguardando transferência para presídios de segurança máxima do estado de Mato Grosso do Sul.
Os 24 aparelhos celulares apreendidos com os investigados e nas celas do sistema prisional serão encaminhados ao laboratório de tecnologia e inteligência da Polícia Civil para passar por extração e análise de dados autorizada pela Justiça. O material extraído ajudará a mapear a rede de fornecedores de drogas que abasteciam as facções na divisa interestadual.
A Polícia Civil de MS informou que as investigações continuam ativas para localizar e cumprir novos mandados de prisão contra outros integrantes secundários do grupo que fugiram para áreas rurais ou estados vizinhos no momento em que as viaturas chegaram às residências de Três Lagoas.
Fechamento
A Operação Janus representa um duro golpe de inteligência policial contra a tentativa de expansão de facções criminosas violentas como o PCC e o Comando Vermelho na região leste de Mato Grosso do Sul. A repressão focada e a cooperação interestadual são as ferramentas mais eficientes para preservar a ordem pública nas fronteiras e divisas do estado. O portal Foco do Estado manterá cobertura constante sobre o andamento dos processos penais resultantes desta operação e novas ações de segurança pública no interior de MS. Para denúncias anônimas sobre tráfico de drogas na região de Três Lagoas, a população pode ligar para o telefone (67) 3521-4984 da SIG de Três Lagoas ou utilizar o Disque-Denúncia geral no 181.
Fontes e Referências
- Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) - Delegacia Regional de Três Lagoas - Relatório Técnico da Operação Janus (09/07/2026).
- Seção de Investigações Gerais (SIG) de Três Lagoas - Auto de Apreensão de Bens e Telefones Celulares.
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) - Boletim Geral de Ações Integradas contra Facções Criminosas.
- Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) - 1ª Vara Criminal de Três Lagoas - Mandados de Prisão Preventiva expedidos.
Fonte: Polícia Civil de Mato Grosso do Sul / SIG Três Lagoas
❓ Perguntas Frequentes
A Operação Janus foi motivada por investigações detalhadas conduzidas pela Seção de Investigações Gerais (SIG) de Três Lagoas e a Delegacia de Paranaíba. As investigações mapearam uma escalada de homicídios tentados e consumados na região leste do estado, originada pela disputa violenta de pontos de tráfico e comércio de drogas entre as duas maiores facções criminosas brasileiras (PCC e Comando Vermelho).
As ações policiais ocorreram na manhã de quinta-feira, 9 de julho de 2026, com o cumprimento simultâneo de mandados em Três Lagoas e Paranaíba (Mato Grosso do Sul), além de Rondonópolis e Cuiabá (Mato Grosso). Foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e uma prisão em flagrante por posse de arma, totalizando 14 prisões, inclusive com a execução de buscas dentro de penitenciárias.
O nome da operação é uma alusão ao deus romano Janus, conhecido na mitologia por ter duas faces voltadas em direções opostas. O conceito foi adotado pela equipe de investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para simbolizar as duas principais facções criminosas rivais (PCC e Comando Vermelho) que disputavam o controle do território e eram investigadas de forma simultânea pela polícia.
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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