Operação Guardiões de Fogo: PF Combate Fraude em Registro de CACs e Apreende Fuzil em Campo Grande
Ação da Polícia Federal contra a posse ilegal de armas de fogo obtidas mediante fraude cadastral apreende fuzil, pistolas e munições na capital sul-mato-grossense.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã de quinta-feira (9 de julho de 2026), no município de Campo Grande, a Operação Guardiões de Fogo, com foco na repressão a fraudes documentais no processo de concessão e manutenção de registros de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). A ação faz parte de um esforço contínuo da PF para impedir o desvio de armamentos para redes criminosas. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal, os agentes federais localizaram e apreenderam 01 fuzil calibre .22, 02 pistolas calibre 9mm, cerca de 300 munições intactas e documentação fraudulenta que viabilizou a aquisição dos armamentos.
O Que Aconteceu
A deflagração da Operação Guardiões de Fogo ocorreu nas primeiras horas da manhã de quinta-feira, na área urbana de Campo Grande. Equipes de agentes e escrivães da Superintendência Regional da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul deslocaram-se para o endereço residencial do principal investigado da ação.
O alvo da busca havia obtido o registro de atirador desportivo (CAC) junto ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), controlado pelo Exército Brasileiro. No entanto, o setor de fiscalização de armas de fogo e produtos controlados da Polícia Federal identificou que os documentos de aptidão psicológica, certidões de antecedentes criminais e comprovantes de residência e atividade lícita apresentados pelo suspeito durante o trâmite de credenciamento continham indícios graves de adulteração material e falsidade de dados cadastrais.
Ao realizarem a busca no imóvel, os policiais confirmaram as suspeitas. Além de encontrarem os documentos originais adulterados, apreenderam um fuzil calibre .22 (arma longa de alta precisão), duas pistolas semiautomáticas calibre 9mm e mais de 300 cartuchos de munição de calibres variados estocados em caixas organizadoras de metal. O suspeito não apresentou justificativa ou comprovação técnica e legal para a posse dos armamentos devido à nulidade da documentação cadastrada no sistema federal, sendo autuado e as armas apreendidas.
Contexto e Histórico
A figura do CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) foi regulamentada na legislação brasileira para permitir a prática de tiro desportivo e atividades de caça e coleção sob rígidas exigências técnicas e burocráticas, fiscalizadas pelas Forças Armadas e pela Polícia Federal. Contudo, nos últimos anos, as investigações da Polícia Federal apontaram um aumento no uso de cadastros de CACs por laranjas ou mediante fraude de documentos para adquirir armas de fogo que, em seguida, são desviadas e vendidas no mercado negro para facções criminosas envolvidas em roubos a bancos e tráfico de drogas.
Mato Grosso do Sul, por ser um estado de fronteira internacional, registra um fluxo constante de comércio ilegal de armamentos leves e pesados. A repressão a fraudes em registros oficiais é vista pelas autoridades federais como uma barreira necessária para conter o armamento de criminosos locais.
A fiscalização e o controle de armas no Brasil passaram por diversas mudanças normativas recentes, exigindo um recadastramento obrigatório de armas de uso permitido e restrito no Sistema Nacional de Armas (Sinarm) da Polícia Federal. Essa centralização de dados cadastrais no Sinarm facilitou o cruzamento de informações pelas equipes de investigação da PF, permitindo detectar inconsistências documentais e fraudes cadastrais que antes passavam despercebidas nos sistemas descentralizados.
Impacto Para a População
A apreensão de fuzis e pistolas adquiridos por meios fraudulentos protege diretamente a população da capital de crimes violentos, impedindo que essas armas circulem de forma clandestina nas ruas de Campo Grande ou caiam nas mãos de quadrilhas de assalto. A regulação correta e a fiscalização de armas garantem que o direito à posse e ao tiro esportivo seja exercido apenas por cidadãos idôneos e qualificados psicologicamente.
A tabela a seguir apresenta os resultados estatísticos de fiscalizações e apreensões efetuadas pela Polícia Federal em Mato Grosso do Sul envolvendo desvios de armas e fraudes de CACs nos últimos anos:
| Ano da Fiscalização | Registros de CAC Auditados (MS) | Armas Apreendidas por Fraude | Processos de Cancelamento |
|---|---|---|---|
| 2024 | 1.240 auditorias | 45 armas confiscadas | 52 registros cassados |
| 2025 | 1.890 auditorias | 68 armas confiscadas | 74 registros cassados |
| 2026 (Até Julho) | 2.150 auditorias | 84 armas confiscadas (Alta) | 92 registros cassados |
A atuação preventiva da Polícia Federal em auditorias de registros reduz o mercado informal de armas de fogo e enfraquece a capacidade de articulação de redes de contrabando interestadual.
O Que Dizem os Envolvidos
O superintendente em exercício da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul declarou que a Operação Guardiões de Fogo é parte de um monitoramento contínuo sobre o comércio de armas de fogo. "Nosso foco é limpar o sistema de registros. Quem tenta burlar as regras para possuir armas de forma ilegal ou desviar armamentos para fins escusos responderá perante a Justiça Federal. A PF manterá tolerância zero com a fraude cadastral", pontuou o superintendente.
Representantes de federações de tiro desportivo de Mato Grosso do Sul manifestaram apoio às investigações da Polícia Federal. A entidade ressalta que a imensa maioria dos atiradores desportivos cumpre rigorosamente as leis e exigências técnicas de saúde mental e segurança, e que os criminosos que utilizam a certificação de CAC de fachada prejudicam a reputação e a prática legal do esporte no país.
Os advogados de defesa do investigado em Campo Grande declararam em nota que a documentação de seu cliente foi providenciada por um despachante de armas credenciado e que o investigado desconhecia quaisquer irregularidades documentais ou fraudes nos cadastros, afirmando que cooperará com as autoridades federais nas próximas oitivas.
Próximos Passos
O investigado responderá em liberdade provisória (mediante pagamento de fiança arbitrada judicialmente) aos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e posse irregular de armas de fogo de uso permitido perante a Justiça Federal. As armas e munições apreendidas permanecerão sob custódia da Polícia Federal no depósito de evidências de Campo Grande.
O material bélico apreendido passará por testes de balística forense nas próximas 48 horas para certificar que o fuzil e as pistolas estão em perfeito estado de funcionamento e que não possuem registros de uso em ocorrências criminais arquivadas em MS.
A Polícia Federal também abrirá uma linha de investigação para identificar o despachante e a rede de falsificadores que comercializavam laudos psicológicos e certidões falsas para facilitar o credenciamento de CACs na capital, visando desmantelar a estrutura de falsificação que atua no estado.
Fechamento
A Operação Guardiões de Fogo reflete o compromisso das forças de segurança federais em assegurar a legalidade e o controle rígido sobre o arsenal bélico em circulação no Brasil. O combate a fraudes documentais nos registros de CAC é um passo crucial para manter o desarmamento de criminosos e facções e garantir a paz nas cidades sul-mato-grossenses. O portal Foco do Estado acompanhará os desdobramentos judiciais do caso e as próximas ações de fiscalização da PF. Para denúncias de comércio ilegal de armas ou fraudes, a população pode entrar em contato com o disque-denúncia da Polícia Federal ou com a Central de Atendimento da PF em MS pelo telefone (67) 3368-1100.
Fontes e Referências
- Polícia Federal (PF) - Superintendência Regional de Mato Grosso do Sul - Registro de Ocorrência da Operação Guardiões de Fogo (09/07/2026).
- Estatuto do Desarmamento (Lei Federal nº 10.826/2003) e Decretos Regulamentadores do Sigma/Sinarm.
- Justiça Federal da 3ª Região - Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul - Mandado de Busca e Apreensão Criminal.
- Associação Nacional de Atiradores Desportivos - Nota sobre a Fiscalização de Credenciamento de Armas.
Fonte: Polícia Federal / Delegacia de Campo Grande
❓ Perguntas Frequentes
A Operação Guardiões de Fogo foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã de quinta-feira, 9 de julho de 2026, com o objetivo de combater fraudes no processo de concessão de registros de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). A investigação mirou indivíduos que apresentaram documentos falsos ou adulterados para conseguir a autorização de compra e posse de armas de fogo de calibre restrito e permitido.
Durante a execução de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal, os agentes da Polícia Federal localizaram e confiscaram na residência do investigado em Campo Grande um fuzil calibre .22, duas pistolas semiautomáticas calibre 9mm, cerca de 300 munições intactas de calibres diversos e documentação fraudulenta usada no credenciamento junto ao Exército.
Os investigados que fraudam o processo de credenciamento de CACs respondem pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso, comércio ilegal de armas de fogo em caso de revenda e posse/porte ilegal de arma de fogo de uso permitido ou restrito (conforme o calibre). As penas somadas para essas condutas graves podem ultrapassar 12 anos de reclusão.
Camila Ferreira
Repórter
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