Comércio de Campo Grande projeta aumento de 22% nas vendas de Páscoa
Pesquisa da CDL aponta otimismo entre lojistas. Ovos artesanais e cestas personalizadas lideram preferências dos consumidores em 2026.

O comércio varejista de Campo Grande projeta aumento de 22% nas vendas de Páscoa em 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo pesquisa realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) com 320 estabelecimentos comerciais da capital. O otimismo é sustentado pelo crescimento da renda real dos trabalhadores, a queda na taxa de desemprego estadual para 5,8% e a antecipação do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas do INSS, que injeta recursos adicionais na economia local.
A pesquisa revela que 78% dos lojistas entrevistados esperam faturamento superior ao do ano anterior, enquanto 15% projetam estabilidade e apenas 7% preveem retração. O ticket médio esperado por consumidor é de R$ 185, ante R$ 152 registrado em 2025 — aumento de 21,7% que reflete tanto a inflação acumulada quanto a migração dos consumidores para produtos de maior valor agregado.
Tendências de consumo
| Sabor mais procurado | Ranking 2026 | Preço médio (250g) |
|---|---|---|
| Pistache | 1º | R$ 65 |
| Churros com doce de leite | 2º | R$ 55 |
| Ninho com Nutella | 3º | R$ 50 |
| Frutas vermelhas | 4º | R$ 58 |
| Vegano 70% cacau | 5º | R$ 72 |
A grande mudança observada pela CDL em 2026 é a consolidação dos ovos de Páscoa artesanais como protagonistas das vendas, superando pela primeira vez os ovos industrializados em preferência de compra. Pesquisa com 1.200 consumidores campo-grandenses indica que 54% pretendem comprar ovos artesanais, contra 38% que manterão a preferência por marcas industriais e 8% que não pretendem comprar ovos este ano.
O fenômeno reflete uma tendência nacional, mas ganha contornos especiais em Campo Grande, que se consolidou como polo de produção artesanal de chocolates no Centro-Oeste. A cidade conta com mais de 800 microempreendedores individuais (MEIs) cadastrados na atividade de produção de chocolates artesanais, número que cresceu 45% desde 2024. Esses pequenos produtores movimentam um mercado estimado em R$ 28 milhões somente no período pascal.
"O consumidor de Campo Grande amadureceu. Ele quer saber a procedência do cacau, o tipo de chocolate, se tem conservantes ou não. Os ovos artesanais oferecem personalização que a indústria não consegue entregar — o cliente escolhe o recheio, a decoração, até a mensagem na embalagem. É uma experiência, não apenas um produto", analisou a presidente da Associação dos Chocolateiros Artesanais de MS.
Os sabores mais procurados em 2026 são pistache (que mantém a liderança desde 2024), churros com doce de leite, ninho com Nutella, frutas vermelhas com ganache e opções veganas com chocolate 70% cacau. Ovos temáticos com personagens de cultura pop e tendências de redes sociais também estão em alta, com preços que variam de R$ 40 para ovos de 250g a R$ 280 para peças gourmet de 1kg com recheios especiais.
Impacto no emprego temporário
O aquecimento das vendas gera demanda por contratações temporárias em toda a cadeia do comércio. A CDL estima que 2.800 vagas temporárias foram abertas em Campo Grande para o período pascal, distribuídas entre comércio varejista (1.400 vagas), produção de chocolates artesanais (650), logística e entregas (450) e marketing digital/redes sociais (300).
As vagas de social media e produção de conteúdo para redes sociais são o segmento que mais cresce nas contratações temporárias de Páscoa. Chocolateiras artesanais investem pesado em Instagram e TikTok para divulgar seus produtos, e profissionais que dominam fotografia de alimentos e edição de vídeo curto são disputados no mercado. A remuneração média para essas vagas temporárias é de R$ 2.500 por mês, com alguns profissionais especializados alcançando R$ 4.000.
O Sebrae-MS registrou aumento de 32% na procura por cursos de confeitaria e chocolataria desde janeiro, reflexo de empreendedores que buscam capitalizar a demanda pascal. A entidade oferece capacitação gratuita em temas como precificação, embalagens sustentáveis, marketing digital e boas práticas de manipulação de alimentos, atendendo mais de 1.500 microempreendedores no primeiro trimestre.
Estratégias do varejo tradicional
As grandes redes de supermercados e lojas de departamento não ficam para trás na disputa pelo consumidor de Páscoa. Levantamento da CDL mostra que os supermercados iniciarão as promoções de ovos industrializados duas semanas antes da Páscoa, com descontos progressivos de até 40% na última semana. A estratégia de "ofertas-âncora" — um ovo popular com desconto agressivo para atrair o cliente à loja — será adotada por 85% das redes.
O comércio da Rua 14 de Julho, tradicional polo de compras popular no centro de Campo Grande, espera movimentação intensa. Os lojistas investiram R$ 1,2 milhão em decoração temática, incluindo um túnel de LED com 30 metros de comprimento que simula uma fábrica de chocolates e uma área instagramável com coelhos mecânicos de dois metros de altura. A ação, financiada pela associação de lojistas com apoio da CDL, busca atrair público jovem que pesquisa produtos nas redes sociais e finaliza a compra na loja física.
As cestas de Páscoa corporativas são outro segmento em alta. Empresas de Campo Grande estão investindo mais em cestas personalizadas para presentear funcionários e clientes. O ticket médio das cestas corporativas subiu de R$ 80 para R$ 120, com inclusão de produtos locais como doces de leite de fazenda, geleias artesanais e cafés especiais de torrefações sul-mato-grossenses. A CDL estima que 15 mil cestas corporativas serão vendidas na capital.
Logística e entregas
O segmento de entregas rápidas se tornou um componente crucial do comércio de Páscoa. As plataformas de delivery registram crescimento de 60% nos pedidos de chocolates artesanais em relação ao período pascal de 2025, e os motoboys que atuam no segmento de entregas expressas têm agenda lotada nas duas semanas que antecedem o feriado.
As chocolateiras artesanais se organizaram em cooperativas de logística para reduzir custos de entrega. A cooperativa "Doce Entrega CG", formada por 120 produtoras, opera com frota própria de veículos refrigerados que garante entrega no mesmo dia para pedidos feitos até as 14h. O serviço, que cobra frete de R$ 12 dentro do perímetro urbano, foi responsável por 35% das vendas das associadas em 2025.
Projeção econômica
Economistas da UFMS projetam que o período pascal movimentará R$ 380 milhões na economia de Campo Grande, considerando todos os setores envolvidos — do comércio de chocolates ao turismo religioso, passando por restaurantes, hotéis e entretenimento. O valor representa crescimento real de 18% em relação a 2025 e reforça a Páscoa como a terceira data comemorativa mais importante para o comércio local, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães.
A CDL alerta, no entanto, que os consumidores devem pesquisar preços e ficar atentos a promoções enganosas. O Procon-MS anunciou que realizará fiscalizações intensivas a partir da próxima semana, verificando práticas como maquiagem de preços (aumento anterior ao desconto) e falta de informação nutricional obrigatória nos rótulos de chocolates artesanais. Em 2025, o Procon aplicou 23 multas a estabelecimentos por irregularidades durante o período de Páscoa.
O consumidor consciente e a sustentabilidade pascal
Uma tendência que ganha força no mercado campo-grandense é a preocupação com a sustentabilidade nas compras de Páscoa. Pesquisa da CDL indica que 38% dos consumidores consideram a embalagem sustentável como fator decisivo na escolha do produto — índice que era de apenas 12% em 2023. Chocolateiras artesanais que utilizam embalagens biodegradáveis, caixas de papelão reciclado e substituem o papel alumínio convencional por alternativas compostáveis registram crescimento de vendas 30% superior à média do segmento.
O movimento "Páscoa Circular", iniciativa de 45 chocolateiras artesanais de Campo Grande, oferece desconto de 10% para clientes que devolvam embalagens dos ovos para reutilização ou reciclagem. Na edição de 2025, a iniciativa coletou 8 toneladas de embalagens, das quais 6,5 toneladas foram efetivamente recicladas. Para 2026, a meta é dobrar o volume coletado, com instalação de 50 pontos de coleta em supermercados, farmácias e escolas da cidade.
As escolas públicas e particulares de Campo Grande também se tornaram protagonistas do comércio pascal. A tradição de troca de ovos entre alunos movimenta um mercado estimado em R$ 8 milhões, com predomínio de ovos na faixa de R$ 20 a R$ 50. A Secretaria Municipal de Educação emitiu orientação para que as escolas não realizem atividades que constranjam alunos de famílias que não possam comprar todos os ovos, promovendo alternativas como troca de presentes simbólicos e atividades pedagógicas sobre o significado cultural e religioso da data.
A Vigilância Sanitária municipal reforçou a fiscalização em cozinhas domésticas de chocolateiras artesanais, realizando 320 inspeções em março. Das unidades inspecionadas, 92% estavam em conformidade com as normas sanitárias — índice que subiu significativamente após o programa de capacitação do Sebrae-MS em boas práticas de manipulação de alimentos, demonstrando que a profissionalização do setor artesanal é possível e vem ocorrendo de maneira consistente.
Fonte: CDL Campo Grande
❓ Perguntas Frequentes
Economistas projetam R$ 380 milhões considerando chocolates, turismo religioso, restaurantes e entretenimento — crescimento de 18% sobre 2025.
Nem sempre. Ovos artesanais de 250g custam a partir de R$ 40, mas os gourmet de 1kg podem chegar a R$ 280. O diferencial é personalização e qualidade.
2.800 vagas em Campo Grande: 1.400 no varejo, 650 na produção artesanal, 450 em logística e 300 em marketing digital.
Verifique se tem alvará da Vigilância Sanitária e CNPJ (MEI). 92% das inspecionadas em 2026 estavam em conformidade sanitária.
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Ana Paula Ribeiro
Repórter
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