Comércio de Campo Grande cresce 7,2% no primeiro bimestre e surpreende lojistas
Setor de vestuário puxa alta com 12,4%. Rua 14 de Julho e Shopping Campo Grande lideram movimento. Fecomércio projeta melhor semestre em 5 anos.

O comércio varejista de Campo Grande registrou crescimento de 7,2% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados, divulgados pela Fecomércio-MS na segunda-feira, 9 de março, surpreenderam até os mais otimistas do setor — a projeção inicial era de alta de 4,5%.
O faturamento bruto do varejo na capital somou R$ 3,84 bilhões entre janeiro e fevereiro, contra R$ 3,58 bilhões no mesmo intervalo de 2025. Em termos reais, descontada a inflação de 5,2%, o crescimento foi de 1,9% — modesto, mas positivo depois de dois anos de estagnação.
Quem puxou a alta
Vestuário e acessórios lideraram com crescimento de 12,4%. A explicação passa pelo calor recorde — Campo Grande registrou 14 dias com temperatura acima de 38°C em janeiro — e pela antecipação das coleções de outono, que chegaram às lojas já em fevereiro.
"Janeiro foi absurdo. Mulher compra roupa leve quando tá 40 graus. Vendemos 30% mais regatas e shorts do que no verão passado", contou Luciana Yamamoto, dona de uma loja de moda feminina na Rua 14 de Julho.
Materiais de construção vieram em segundo lugar, com alta de 9,8%. O programa Minha Casa Minha Vida turbinado pelo governo federal — que ampliou o teto de financiamento para R$ 350 mil — aqueceu o setor. Em Campo Grande, 2.400 unidades habitacionais estão em construção nos bairros Seminário, Rita Vieira e Jardim Aeroporto.
Supermercados e alimentos cresceram 5,1%, puxados pela inflação de alimentos (7,3% em 12 meses) mais do que por aumento real de consumo. Farmácias e perfumarias subiram 6,7%, impulsionadas pela epidemia de dengue — a venda de repelentes cresceu 280% em janeiro.
O único setor que recuou foi o de eletroeletrônicos: queda de 3,2%. A explicação é o endividamento das famílias, que priorizam gastos essenciais. Segundo a Serasa, 41% dos adultos de Campo Grande estavam inadimplentes em fevereiro — o maior índice desde 2020.
Rua 14 de Julho: o termômetro do varejo
A Rua 14 de Julho, principal corredor comercial do centro de Campo Grande, concentra 480 lojas em 12 quarteirões. O movimento de pedestres no primeiro bimestre foi de 2,3 milhões de pessoas, segundo contagem da CDL — 8% acima do mesmo período de 2025.
A revitalização do calçadão, concluída em novembro de 2025, contribuiu. Novas calçadas, iluminação LED, bancos e paisagismo transformaram o trecho entre a Avenida Afonso Pena e a Rua Barão do Rio Branco. O investimento foi de R$ 18 milhões, bancado pela prefeitura com recursos do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento).
"Antes da reforma, o centro tava morrendo. Loja fechando, ponto vazio. Agora voltou gente. Não é só nostalgia — é que ficou bonito e seguro de novo", avaliou Renato Ishii, presidente da CDL Campo Grande.
Nem tudo são flores. Comerciantes reclamam do estacionamento. A revitalização eliminou 120 vagas de estacionamento na rua, e os dois estacionamentos públicos do centro operam lotados a partir das 9h. "Cliente liga e pergunta: tem onde parar? Se eu digo que não, ele vai pro shopping", reclamou José Carlos Pereira, dono de uma sapataria na 14 de Julho há 32 anos.
Shopping versus rua: a disputa continua
O Shopping Campo Grande, maior da capital com 280 lojas, registrou crescimento de 6,8% no faturamento do primeiro bimestre. O Shopping Norte Sul Plaza cresceu 5,4% e o Bosque dos Ipês, 4,9%.
A participação dos shoppings no varejo total de Campo Grande subiu de 28% em 2020 para 34% em 2025. O comércio de rua perdeu espaço, mas ainda responde por 48% das vendas — os outros 18% são e-commerce.
O e-commerce, aliás, é o elefante na sala. As vendas online de lojistas campo-grandenses cresceram 22% no bimestre, segundo a Fecomércio. Plataformas como Mercado Livre, Shopee e Magazine Luiza absorvem cada vez mais consumidores que antes iam à loja física.
"O lojista que não tem presença digital tá perdendo venda todo dia. Não é mais opcional — é sobrevivência", alertou o economista Paulo Henrique Gomes, consultor do Sebrae-MS.
Emprego no comércio
O setor comercial de Campo Grande emprega 78.400 pessoas com carteira assinada, segundo o Caged. No primeiro bimestre, foram criadas 1.240 vagas líquidas (admissões menos demissões) — o melhor resultado para o período desde 2021.
O salário médio do comércio na capital é de R$ 1.980 — abaixo da média geral de R$ 2.340. A diferença explica a alta rotatividade: 23% dos funcionários do comércio pedem demissão antes de completar 6 meses, segundo dados da Fecomércio.
"Vendedor ganha pouco e trabalha sábado, domingo e feriado. Quando aparece vaga em frigorífico ou fábrica, que paga R$ 2.400 com folga no fim de semana, ele vai embora", explicou a empresária Luciana Yamamoto.
Perspectivas para o semestre
A Fecomércio projeta crescimento de 6,5% para o primeiro semestre de 2026 — o melhor resultado em cinco anos. A projeção considera o efeito do programa MS Supera (que injeta R$ 27,9 milhões mensais na economia dos municípios mais pobres), a safra recorde de soja (que aquece o comércio do interior) e a Copa do Mundo feminina, em julho, que deve impulsionar vendas de eletrônicos e artigos esportivos.
O risco, segundo analistas, é a taxa de juros. A Selic em 13,25% encarece o crédito e freia compras parceladas. "Se o Banco Central não começar a cortar juros até maio, o segundo trimestre pode decepcionar", ponderou Gomes, do Sebrae.
Na Rua 14 de Julho, às 17h de uma sexta-feira, o movimento era intenso. Sacolas de lojas se misturavam com copos de tereré. Um vendedor ambulante de churros disputava espaço com um promotor de cartão de crédito. Campo Grande comprava — com cautela, mas comprava.
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Fonte: Fecomércio-MS / CDL Campo Grande / IBGE
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Patrícia Souza
Repórter
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