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terça-feira, 14 de abril de 2026
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Corumbá formaliza R$ 7,2 milhões para revitalizar orla do Rio Paraguai

Prefeitura assina contrato com recursos da Sudeco para transformar a orla fluvial em espaço de turismo e lazer no Pantanal

Juliana Mendes7 min de leituraCorumbá
Corumbá formaliza R$ 7,2 milhões para revitalizar orla do Rio Paraguai

A orla do Rio Paraguai em Corumbá vai ganhar calçadão, ciclovia e mirantes. A prefeitura formalizou nesta segunda-feira (13) o contrato de R$ 7,2 milhões para revitalização da orla fluvial, com recursos da Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste). A obra transforma 1,2 quilômetro de margem abandonada em espaço de turismo e lazer.

O Que Aconteceu

O contrato foi assinado pelo prefeito de Corumbá e pelo representante da empresa vencedora da licitação em cerimônia na sede da prefeitura. O projeto prevê a construção de calçadão com 1,2 quilômetro de extensão às margens do Rio Paraguai, no trecho entre o Porto Geral e a Praça da República.

A obra inclui ciclovia de 3 metros de largura, iluminação com 180 postes LED, bancos em concreto e madeira, 8 quiosques para alimentação e artesanato, 3 mirantes panorâmicos sobre o rio, área de embarque e desembarque para embarcações turísticas e estacionamento para 120 veículos.

O paisagismo será feito com espécies nativas do Pantanal — ipê-amarelo, piúva, bocaiúva e buriti. O sistema de drenagem foi projetado para suportar as cheias sazonais do Rio Paraguai, que inundam a orla entre dezembro e março.

O prazo de execução é de 18 meses a partir da ordem de serviço, prevista para maio de 2026. A conclusão está estimada para novembro de 2027.

"Corumbá é a porta do Pantanal, mas a orla do rio — que deveria ser o cartão-postal — estava abandonada. Mato, lixo, escuridão. Agora vai virar o que sempre deveria ter sido: um espaço bonito, seguro e acessível", disse o prefeito.

Contexto e Histórico

Corumbá tem 112 mil habitantes e está localizada às margens do Rio Paraguai, na fronteira com a Bolívia. A cidade é a principal porta de entrada para o Pantanal sul-mato-grossense e recebeu cerca de 180 mil turistas em 2025, gerando receita estimada de R$ 320 milhões.

A orla fluvial, no entanto, nunca recebeu investimento significativo. O trecho entre o Porto Geral e a Praça da República — área histórica da cidade, com casarios do século XIX — é subutilizado. Não há calçadão, não há iluminação adequada, não há estrutura para receber turistas. À noite, a região é escura e considerada insegura.

O contraste com outras cidades ribeirinhas do Brasil é gritante. Belém tem o Ver-o-Peso, Manaus tem a Ponta Negra, Porto Alegre tem o Cais Mauá. Corumbá, com um dos rios mais bonitos do país passando na porta, não tinha nada.

O projeto de revitalização foi elaborado em 2023 pela prefeitura em parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que fez o estudo de impacto ambiental e o projeto arquitetônico. O financiamento pela Sudeco foi aprovado em 2025, após articulação da bancada federal de MS.

O Rio Paraguai é o principal rio do Pantanal e tem regime de cheias sazonais. Entre dezembro e março, o nível da água sobe até 5 metros acima do normal, inundando áreas ribeirinhas. O projeto da orla foi desenhado para conviver com as cheias — o calçadão fica 2 metros acima do nível máximo histórico, e os quiosques têm estrutura elevada.

A Rota Bioceânica — corredor rodoviário que ligará o Brasil ao Pacífico passando por Corumbá — deve ampliar o fluxo de turistas e viajantes na cidade a partir de 2027, quando a ponte sobre o Rio Paraguai estiver concluída. A revitalização da orla prepara Corumbá para esse aumento de demanda.

"O turista que vem pescar no Pantanal passa por Corumbá, mas não fica. Não tem o que fazer na cidade à noite. Com a orla revitalizada, ele vai ter motivo pra ficar mais um dia, jantar num quiosque olhando o rio, passear de bicicleta. Isso é receita pro comércio local", argumentou o secretário de Turismo do município.

O setor hoteleiro de Corumbá opera hoje com taxa média de ocupação de 41% ao longo do ano, índice que sobe para 78% apenas durante a temporada de pesca, entre março e outubro. A rede hoteleira soma 1.340 leitos distribuídos em 32 estabelecimentos — número considerado insuficiente pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis regional, que projeta necessidade de pelo menos 500 leitos adicionais até 2028 para absorver o fluxo da Rota Bioceânica. A revitalização da orla funciona como âncora para novos investimentos privados: dois projetos de pousada já foram protocolados na prefeitura desde o anúncio do financiamento da Sudeco, ambos na Rua Delamare, a 200 metros do trecho que será reformado.

Quem caminha pela orla atual, no fim da tarde, encontra pescadores artesanais lançando tarrafas no barranco de terra batida enquanto jacarés descansam na margem oposta, do lado boliviano. O cheiro de peixe frito vem das casas do Porto Geral, onde moradores preparam o pintado na chapa — prato que os quiosques da nova orla pretendem oferecer aos turistas. A paisagem pantaneira está ali, intacta; o que faltava era infraestrutura para que as pessoas pudessem contemplá-la sem afundar os pés na lama.

Impacto Para a População

A revitalização da orla beneficia moradores e turistas e pode impulsionar a economia local.

Aspecto Detalhe
Investimento R$ 7,2 milhões
Fonte Sudeco (governo federal)
Extensão 1,2 km de orla
Calçadão Sim, com ciclovia
Quiosques 8
Mirantes 3
Estacionamento 120 vagas
Prazo 18 meses
Turistas em Corumbá (2025) 180 mil
Receita turística (2025) R$ 320 milhões

Para os moradores de Corumbá, a orla revitalizada será espaço de lazer — caminhada, ciclismo, contemplação do pôr do sol sobre o rio. Para o comércio, os quiosques geram emprego e renda. Para o turismo, a orla se torna atrativo urbano que complementa os passeios no Pantanal.

A obra também deve gerar 80 empregos diretos durante a construção, movimentando a economia local em um período de baixa temporada turística.

O Que Dizem os Envolvidos

O prefeito de Corumbá comemorou a assinatura. "É o maior investimento em infraestrutura turística da história de Corumbá. A orla vai mudar a cara da cidade."

A Sudeco informou que "o projeto de Corumbá é modelo para outras cidades ribeirinhas do Centro-Oeste" e que "o acompanhamento da obra será feito por equipe técnica do órgão".

O presidente da Associação Comercial de Corumbá disse que "o comércio local espera aumento de 15% no faturamento com a orla funcionando".

Próximos Passos

A ordem de serviço deve ser emitida em maio de 2026. A empresa contratada tem 18 meses para concluir a obra.

A prefeitura vai abrir edital para concessão dos 8 quiosques da orla, com prioridade para empreendedores locais. O modelo prevê aluguel subsidiado nos primeiros 12 meses de operação.

O governo de MS estuda complementar o investimento federal com recursos estaduais para a construção de um centro de visitantes na orla, com informações turísticas sobre o Pantanal.

Fechamento

Sete milhões e duzentos mil reais para 1,2 quilômetro de orla. Corumbá, a capital do Pantanal, vai finalmente ter um calçadão digno do rio que passa na sua porta. O Rio Paraguai merecia. Os corumbaenses mereciam. Os turistas que vêm pescar e não tinham onde jantar à noite mereciam. A obra começa em maio. Se o prazo for cumprido, em novembro de 2027 o pôr do sol sobre o Paraguai vai ter mirante, banco e iluminação. Informações sobre turismo em Corumbá: Secretaria de Turismo (67) 3234-3040.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Midiamax (midiamax.com.br)
  • Prefeitura de Corumbá (corumba.ms.gov.br)
  • Sudeco (sudeco.gov.br)

💰 Revitalização da orla

1

Investimento

R$ 7,2 milhões

2

Fonte

Sudeco (governo federal)

3

Extensão

1,2 km de orla

4

Prazo

18 meses

Fonte: Campo Grande News / Midiamax

❓ Perguntas Frequentes

A revitalização da orla fluvial de Corumbá prevê a construção de calçadão de 1,2 quilômetro às margens do Rio Paraguai, com ciclovia, iluminação LED, bancos, quiosques para alimentação, mirantes panorâmicos e área de embarque e desembarque para embarcações turísticas. O projeto inclui paisagismo com espécies nativas do Pantanal, sistema de drenagem para evitar alagamentos e estacionamento para 120 veículos. O investimento de R$ 7,2 milhões vem da Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste), órgão do governo federal. O prazo de execução é de 18 meses a partir da ordem de serviço.

Corumbá é considerada a capital do Pantanal e um dos principais destinos turísticos de Mato Grosso do Sul. A cidade de 112 mil habitantes está localizada às margens do Rio Paraguai, na fronteira com a Bolívia, e é porta de entrada para o Pantanal sul-mato-grossense. O turismo de pesca, ecoturismo e turismo de contemplação movimentam a economia local. Em 2025, Corumbá recebeu cerca de 180 mil turistas, gerando receita estimada de R$ 320 milhões. A revitalização da orla busca ampliar a oferta de atrativos urbanos e reter o turista por mais tempo na cidade.

A Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) é um órgão do governo federal vinculado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Sua missão é promover o desenvolvimento econômico e social dos estados do Centro-Oeste — Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. A Sudeco financia projetos de infraestrutura, turismo, logística e desenvolvimento urbano por meio de convênios com estados e municípios. Em MS, a Sudeco já investiu mais de R$ 150 milhões em projetos desde 2019, incluindo pavimentação, saneamento e equipamentos turísticos.

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JM

Juliana Mendes

Repórter