Pesquisa aponta empate técnico entre três pré-candidatos ao governo de MS
Levantamento do Instituto Ranking mostra disputa acirrada para outubro. Riedel lidera com 28%, mas margem de erro embola cenário.

A sete meses do primeiro turno, a corrida pelo Palácio Guaicurus ganhou contornos mais definidos. Pesquisa do Instituto Ranking, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo MS-04821/2026 e divulgada na última sexta-feira, mostra empate técnico entre os três principais pré-candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul. O atual governador Eduardo Riedel aparece com 28% das intenções de voto, seguido pela deputada federal Rose Modesto, com 24%, e pelo ex-prefeito de Dourados, Alan Guedes, com 21%. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento ouviu 1.520 eleitores em 38 municípios entre os dias 8 e 12 de março. O nível de confiança é de 95%.
O cenário na capital e no interior
Campo Grande, que concentra 30% do eleitorado estadual, apresenta números diferentes da média geral. Na capital, Rose Modesto lidera com 31%, contra 26% de Riedel e 18% de Alan Guedes. O desempenho da deputada na capital é atribuído à sua base eleitoral consolidada — ela foi a vereadora mais votada de Campo Grande em 2012 e deputada estadual mais votada em 2014.
No interior, o jogo se inverte. Riedel alcança 33% nas cidades com menos de 50 mil habitantes, beneficiado pelo programa MS Conectado de obras viárias e pela proximidade com prefeitos da base aliada. Alan Guedes domina a região da Grande Dourados, onde chega a 38%, mas tem dificuldade de projeção no restante do estado.
"O eleitor do interior ainda decide o voto mais tarde. Quem chegar com obra entregue e presença nos municípios pequenos leva vantagem", avaliou o cientista político Márcio Oliveira, professor da UFMS, em entrevista ao Foco do Estado.
Alianças em construção
O quadro partidário segue indefinido. Riedel, filiado ao PSDB, negocia uma federação com o MDB e o PSD que, se concretizada, reuniria a maior estrutura partidária do estado — 47 dos 79 diretórios municipais. A costura política é conduzida pelo senador Nelsinho Trad, que articula a aliança desde dezembro.
Rose Modesto, do União Brasil, busca o apoio do PL, que tem a segunda maior bancada na Assembleia Legislativa. A negociação esbarra na resistência de lideranças locais do PL que preferem lançar candidatura própria. Na semana passada, o presidente estadual do partido, deputado Marcos Pollon, declarou que "a decisão será tomada até maio, ouvindo as bases".
Alan Guedes aposta numa coligação de centro-esquerda com PT, PSB e PDT. O ex-prefeito tem evitado o rótulo ideológico e se apresenta como "gestor de resultados", citando os indicadores de Dourados durante sua administração — a cidade subiu 12 posições no ranking do IDHM entre 2020 e 2024.
Rejeição e indecisos
Os números de rejeição acendem alertas para todos os campos. Riedel tem a menor rejeição entre os três (22%), mas enfrenta desgaste pela crise hídrica que atingiu 14 municípios no início do ano. Rose Modesto carrega rejeição de 29%, concentrada no eleitorado masculino acima de 45 anos. Alan Guedes tem 26% de rejeição, puxada por eleitores de Campo Grande que o conhecem pouco.
O dado mais relevante da pesquisa talvez seja o percentual de indecisos: 19%. Somados aos que declaram voto branco ou nulo (8%), quase um terço do eleitorado ainda não se posicionou. Para o analista político Renato Pereira, da consultoria Cenário MS, esse contingente será decisivo.
"Quem conquistar os indecisos ganha a eleição. E esse eleitor não se move por ideologia — ele quer saber de emprego, saúde e segurança. É pragmático", disse Pereira.
O peso do agronegócio
Mato Grosso do Sul tem uma particularidade que diferencia sua dinâmica eleitoral da maioria dos estados: o agronegócio responde por 32% do PIB e influencia diretamente o humor político de pelo menos 50 municípios. Nenhum candidato viável ignora o setor.
Riedel, que é empresário do agro, tem vantagem natural nesse segmento. Mas a queda de 18% no preço da arroba do boi no primeiro trimestre gerou insatisfação entre pecuaristas, e o governador foi cobrado publicamente durante a ExpoAgro em Dourados, em fevereiro.
Rose Modesto tem buscado aproximação com o setor por meio de visitas a cooperativas e participação em eventos do agronegócio. Na Showtec, em Maracaju, em janeiro, ela apresentou propostas de desburocratização do licenciamento ambiental para produtores rurais.
Alan Guedes, por sua vez, aposta na pauta da logística — a duplicação da BR-163 e a ampliação da malha ferroviária são bandeiras centrais de sua pré-campanha, com apelo direto ao produtor que perde competitividade pelo custo do frete.
Calendário eleitoral
O TSE definiu o dia 4 de outubro como data do primeiro turno e 25 de outubro para eventual segundo turno. As convenções partidárias estão previstas para o período de 20 de julho a 5 de agosto. O prazo para registro de candidaturas encerra em 15 de agosto.
A janela partidária para troca de legenda, que permite a migração de filiados sem perda de mandato, se encerrou em 1º de março. Pelo menos três deputados estaduais trocaram de partido nas últimas semanas, sinalizando movimentações que devem se intensificar até as convenções.
Pesquisas anteriores e tendência
Esta é a terceira pesquisa registrada para o governo de MS em 2026. Em janeiro, o Instituto Dados MS mostrou Riedel com 31%, Rose com 20% e Guedes com 16%. Em fevereiro, a Quaest apontou 29%, 23% e 19%, respectivamente. A tendência mostra crescimento consistente de Rose Modesto e Alan Guedes, enquanto Riedel oscila dentro da margem de erro.
O próximo levantamento do Instituto Ranking está previsto para maio, após as definições de alianças partidárias. Até lá, o cenário permanece aberto — e cada ponto percentual vale ouro num estado onde a diferença entre o primeiro e o terceiro colocado cabe numa margem de erro.
Na saída da coletiva de divulgação da pesquisa, um assessor de um dos pré-candidatos resumiu o clima nos bastidores: "Ninguém dorme tranquilo com esses números."
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Fonte: Instituto Ranking / TSE-MS
❓ Perguntas Frequentes
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Qual tema deve dominar as eleições de 2026 em MS?
Roberto Almeida
Repórter
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