Governo entrega reforma de R$ 12 milhões em 8 escolas estaduais de Dourados
Obras incluem laboratórios de informática, quadras cobertas e acessibilidade. Investimento beneficia 6.400 alunos da rede pública.

O governador de Mato Grosso do Sul entregou na sexta-feira, 7 de março de 2026, as obras de reforma de 8 escolas estaduais em Dourados, segunda maior cidade do estado, com investimento total de R$ 12 milhões. As intervenções, que duraram entre 8 e 14 meses, incluíram a instalação de laboratórios de informática, construção de quadras poliesportivas cobertas, adequação de acessibilidade para pessoas com deficiência e reformas estruturais completas, beneficiando 6.400 alunos matriculados nas unidades.
Detalhamento das obras por escola
As reformas foram executadas pelo Programa Escola Viva, lançado pelo governo estadual em 2024 com o objetivo de modernizar a infraestrutura de todas as 370 escolas da rede estadual até 2028. Dourados foi o segundo município a receber as entregas, após Campo Grande, que teve 12 escolas reformadas em 2025.
| Escola | Alunos | Investimento | Principais melhorias |
|---|---|---|---|
| EE Presidente Vargas | 1.100 | R$ 2,1 milhões | Quadra coberta, lab. informática, telhado novo |
| EE Vilmar Vieira Matos | 980 | R$ 1,8 milhão | Acessibilidade completa, refeitório coberto |
| EE Menodora Fialho | 850 | R$ 1,6 milhão | Lab. informática, banheiros adaptados |
| EE Joaquim Murtinho | 780 | R$ 1,5 milhão | Quadra coberta, pintura geral |
| EE Celso Müller | 720 | R$ 1,4 milhão | Lab. ciências, rede elétrica nova |
| EE Antônio Vicente | 680 | R$ 1,2 milhão | Cobertura do pátio, acessibilidade |
| EE Ten. Aviador | 650 | R$ 1,2 milhão | Quadra coberta, lab. informática |
| EE Pedro Manvailer | 640 | R$ 1,2 milhão | Refeitório ampliado, banheiros |
| Total | 6.400 | R$ 12 milhões | — |
Cada uma das 8 escolas recebeu um laboratório de informática equipado com 30 computadores desktop, projetor multimídia, ar-condicionado e mobiliário ergonômico. Os equipamentos foram adquiridos em licitação nacional, com custo unitário de R$ 3.200 por computador — valor que inclui monitor LED de 21 polegadas, teclado, mouse e licenças de software educacional.
Acessibilidade pela primeira vez
Um dos aspectos mais relevantes das reformas é a adequação à Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015). Antes das obras, apenas 2 das 8 escolas possuíam rampas de acesso e banheiros adaptados para cadeirantes. Agora, todas as 8 unidades contam com acessibilidade plena — rampas, corrimãos, pisos táteis, banheiros adaptados e sinalização em Braille.
"Temos 48 alunos com deficiência física matriculados nessas 8 escolas. Muitos deles dependiam de colegas para entrar na sala de aula ou ir ao banheiro. Agora, pela primeira vez, eles têm autonomia. Isso faz uma diferença enorme na autoestima e no aprendizado", disse Maria Helena Oliveira, coordenadora de Educação Especial da SED em Dourados.
A escola Vilmar Vieira Matos, localizada no bairro Jardim Água Boa — uma das áreas de menor renda de Dourados —, recebeu ainda uma sala de recursos multifuncionais para atendimento educacional especializado (AEE), equipada com materiais sensoriais, jogos adaptativos e tecnologias assistivas. A sala atenderá 12 alunos com transtorno do espectro autista (TEA) e 8 com deficiência intelectual.
Quadras cobertas: fim das aulas de educação física canceladas
A construção de quadras poliesportivas cobertas em 5 das 8 escolas atende a uma das reivindicações mais antigas da comunidade escolar de Dourados. A cidade, de clima quente com temperaturas que ultrapassam 40°C no verão, registrava um alto índice de cancelamento de aulas de educação física — estimado em 35% dos dias letivos — por causa do calor extremo ou de chuvas.
As novas quadras têm dimensões oficiais (30m x 15m), cobertura metálica, iluminação LED, arquibancada para 150 pessoas e piso emborrachado antiderrapante. O custo médio de cada quadra foi de R$ 820 mil, incluindo fundação, estrutura metálica, cobertura e acabamento.
"A quadra coberta não é luxo, é necessidade. Em Dourados, não dá para fazer educação física ao ar livre entre outubro e março. As crianças ficavam ociosas ou eram liberadas mais cedo. Agora temos espaço adequado o ano inteiro", avaliou o professor de educação física Rodrigo Martins, que leciona há 14 anos na EE Presidente Vargas.
O Programa Escola Viva em números
O Programa Escola Viva é a maior iniciativa de infraestrutura escolar da história de Mato Grosso do Sul. Lançado em 2024 com orçamento total de R$ 280 milhões para o quadriênio 2024-2028, o programa prevê a reforma de todas as 370 escolas da rede estadual — muitas delas com mais de 30 anos sem intervenções estruturais significativas.
Os recursos provêm de três fontes: Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, 55%), emendas parlamentares federais (25%) e contrapartida do Tesouro Estadual (20%). A execução das obras é feita por empresas contratadas via licitação, com fiscalização conjunta da SED e do Tribunal de Contas do Estado.
Até março de 2026, 20 escolas foram entregues reformadas (12 em Campo Grande + 8 em Dourados), com investimento acumulado de R$ 38 milhões. O cronograma prevê a entrega de mais 32 escolas em 15 municípios até dezembro de 2026 e a conclusão de todas as 370 reformas até 2028.
O secretário de Educação, Dr. Hélio Daher, reconheceu que o ritmo atual de 20 escolas por ano precisa ser acelerado para cumprir a meta de 370 até 2028. "Estamos em conversas com o BNDES para uma linha de crédito específica que nos permita contratar mais construtoras simultaneamente. A meta é reformar 80 escolas por ano a partir de 2027", adiantou Daher.
Impacto no desempenho escolar
Estudos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) demonstram correlação positiva entre infraestrutura escolar e desempenho acadêmico. Escolas com laboratórios de informática, bibliotecas equipadas e espaços adequados de educação física registram, em média, notas 15% superiores no Ideb em comparação com escolas sem essas facilidades.
Em Dourados, o Ideb médio das escolas estaduais foi de 4,8 em 2023 — abaixo da meta de 5,2 estabelecida pelo MEC. A expectativa da SED é que as reformas contribuam para elevar o índice a pelo menos 5,5 até 2027, combinadas com programas de formação continuada de professores e reforço escolar.
A diretora da EE Presidente Vargas, Maria do Carmo Santos, relatou que a reforma já teve efeito imediato na frequência escolar: "No primeiro mês após a entrega, a frequência subiu de 84% para 91%. Os alunos querem vir para a escola. Eles se sentem valorizados quando veem que o governo investiu no espaço deles."
💰 O que R$ 12 milhões em reformas significam para os alunos
Investimento por aluno beneficiado
R$ 1.875/aluno
Computadores instalados
240 novos PCs
Quadras cobertas construídas
8 quadras
Escolas com acessibilidade plena
8 escolas (100%)
Fonte: Secretaria de Educação de MS / Governo de MS
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
Qual investimento é mais urgente na educação de MS?
Patrícia Souza
Repórter
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