Governo libera R$ 220 milhões para asfaltar 380 km de estradas no interior
Programa Asfalto Novo contempla 28 municípios. Prioridade para rotas de escoamento agrícola e acesso a comunidades isoladas.

O governador de Mato Grosso do Sul anunciou a liberação de R$ 220 milhões para o Programa Asfalto Novo, que pavimentará 380 quilômetros de rodovias estaduais e vicinais em 28 municípios do interior. O programa, executado pela Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos (Agesul), prioriza rotas de escoamento da produção agrícola e acessos a comunidades rurais isoladas cuja ligação com as sedes municipais depende de estradas de terra intransitáveis no período chuvoso.
O mapa das obras
Os 380 km de pavimentação estão distribuídos em 42 trechos rodoviários em 28 municípios, com extensões que variam de 4 km (acessos urbanos) a 32 km (trechos intermunicipais). A seleção dos trechos priorizados seguiu critérios técnicos definidos pela Agesul em conjunto com o Conselho de Desenvolvimento Rural de MS: volume de tráfego, importância para o escoamento agrícola, isolamento de comunidades rurais e estado de conservação da estrada existente.
| Região | Municípios | Extensão (km) | Investimento |
|---|---|---|---|
| Sudoeste (Rota Bioceânica) | Nioaque, Bodoquena, Bonito, Porto Murtinho | 98 | R$ 56,8 milhões |
| Pantanal | Corumbá, Aquidauana, Miranda, Anastácio | 72 | R$ 41,8 milhões |
| Sul | Maracaju, Ponta Porã, Naviraí, Itaquiraí | 64 | R$ 37,1 milhões |
| Bolsão/Leste | Três Lagoas, Paranaíba, Cassilândia, Selvíria | 58 | R$ 33,6 milhões |
| Norte/Central | Coxim, São Gabriel, Camapuã, Rio Verde | 48 | R$ 27,8 milhões |
| Demais | 10 municípios | 40 | R$ 22,9 milhões |
| Total | 28 municípios | 380 km | R$ 220 milhões |
A maior concentração de investimentos está na região sudoeste (R$ 56,8 milhões para 98 km), onde a pavimentação atende a dois objetivos estratégicos: preparar a infraestrutura rodoviária para a Rota Bioceânica — que conectará MS ao Pacífico via Porto Murtinho — e melhorar o acesso ao polo turístico de Bonito, que recebe 412 mil visitantes por ano em estradas parcialmente de terra.
O problema das estradas de terra
Mato Grosso do Sul possui 42 mil quilômetros de rodovias — das quais apenas 11.200 km (27%) são pavimentadas. Os 30.800 km restantes (73%) são estradas de terra, cascalho ou leito natural. A proporção é pior do que a média nacional (42% pavimentadas) e reflete décadas de subinvestimento em infraestrutura viária no interior.
O impacto econômico das estradas não pavimentadas é significativo. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que o frete rodoviário em estradas de terra custa entre 30% e 50% mais do que em rodovias pavimentadas, devido ao maior desgaste dos veículos, à velocidade reduzida, ao consumo elevado de combustível e à impossibilidade de tráfego nos meses de chuva.
Para Mato Grosso do Sul, cuja economia depende do transporte rodoviário da produção agropecuária até os terminais ferroviários e portuários, cada quilômetro de estrada de terra é um custo invisível que reduz a competitividade do agro. O presidente da Aprosoja-MS, Marcelo Bertoni, exemplifica: "Um produtor de soja de Nioaque que precisa percorrer 80 km de terra até a MS-060 paga R$ 18 a mais por tonelada de frete do que seu vizinho em Maracaju, que está na beira do asfalto. Em uma safra de 5 mil toneladas, são R$ 90 mil a mais."
Especificações técnicas
As obras de pavimentação seguirão o padrão técnico da Agesul para rodovias estaduais classe II: pista simples de 7 metros de largura, acostamentos de 1,5 metro de cada lado, sistema de drenagem com sarjetas e bueiros, sinalização horizontal e vertical, e camada asfáltica em Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) com espessura mínima de 5 cm sobre base de brita graduada.
O custo médio projetado é de R$ 580 mil por quilômetro — valor que a Agesul classifica como "compatível com o mercado para regiões rurais com baixa densidade de tráfego". Em comparação, a duplicação de rodovias federais custa entre R$ 4 milhões e R$ 7 milhões por quilômetro, demonstrando que a pavimentação de estradas rurais é um investimento de alto retorno social com custo relativamente baixo.
O cronograma
O programa será executado em duas fases:
Fase 1 (maio 2026 - dezembro 2026): Pavimentação de 180 km nos trechos prioritários — Rota Bioceânica e acessos a Bonito. As licitações desta fase serão publicadas até março, com abertura de propostas em abril e contratação das empreiteiras em maio.
Fase 2 (janeiro 2027 - maio 2028): Pavimentação dos 200 km restantes nas demais regiões. As licitações serão publicadas no segundo semestre de 2026.
A Agesul estima que as obras gerarão 2.800 empregos diretos (operadores de máquinas, motoristas, operários de pavimentação) e 4.200 empregos indiretos na cadeia de fornecimento (transporte de material, britagem, usinas de asfalto). A contratação de mão de obra local será priorizada, com exigência mínima de 60% de trabalhadores residentes nos municípios beneficiados.
Fiscalização e transparência
O programa será fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), que designou equipe específica para acompanhar as licitações e a execução das obras. A Agesul comprometeu-se a publicar trimestralmente relatórios de avanço físico e financeiro no Portal da Transparência do governo estadual.
"Duas preocupações: que as obras comecem no prazo e que a qualidade do asfalto seja durável. Não podemos repetir o erro de gestões anteriores, que pavimentaram trechos com asfalto de baixa qualidade que se deteriorou em 3 anos", alertou o conselheiro do TCE-MS, Iran Coelho das Neves.
O governador estabeleceu como meta que 100% dos 380 km estejam pavimentados até maio de 2028, a tempo da inauguração da Ponte Internacional sobre o Rio Paraguai — que conectará Porto Murtinho ao Paraguai e completará a Rota Bioceânica do lado brasileiro.
💰 O que asfalto novo muda no interior
Investimento total
R$ 220 milhões
Quilômetros a asfaltar
380 km
Municípios beneficiados
28 cidades
Redução no custo do frete
Estimativa de -15%
Fonte: Governo de MS / Agesul / Diário Oficial
❓ Perguntas Frequentes
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Qual trecho rodoviário é mais urgente asfaltar em MS?
Roberto Almeida
Repórter
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