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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🔴 Urgente🚔 Polícia

PF deflagra operação contra quadrilha internacional de tráfico na fronteira de Ponta Porã

Operação Corredor Blindado prendeu 14 suspeitos e apreendeu 2,3 toneladas de cocaína que seriam enviadas ao Paraguai e Europa. Organização movimentava R$ 50 milhões por mês.

Lucas Martins7 min de leituraPonta Porã
PF deflagra operação contra quadrilha internacional de tráfico na fronteira de Ponta Porã

A Polícia Federal deflagrou na madrugada deste domingo, 30, a Operação Corredor Blindado, que desmantelou uma organização criminosa internacional responsável pelo transporte de cocaína e maconha pela fronteira seca entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai). A ação mobilizou 280 agentes federais, com apoio do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar de MS e da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai, que executou ações simultâneas em território paraguaio.

Os mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Porã resultaram na prisão de 14 suspeitos — entre eles, dois líderes da organização que residiam em mansões no bairro Ponta Porã I, região nobre da cidade fronteiriça. Outros cinco mandados de prisão foram cumpridos pela SENAD em Pedro Juan Caballero, incluindo a detenção de um cidadão paraguaio apontado como o principal fornecedor de cocaína colombiana para a rede.

Apreensões

A operação apreendeu 2,3 toneladas de cloridrato de cocaína acondicionadas em tabletes com a logomarca "Scorpion" — selo utilizado por cartéis colombianos para identificar a pureza da droga para compradores europeus. A cocaína estava distribuída em três imóveis rurais na região de Aral Moreira, município vizinho a Ponta Porã, onde a organização mantinha "depósitos de trânsito" — locais onde a droga era recebida do Paraguai e preparada para o transporte rodoviário até os portos do Paraná e de Santa Catarina.

Apreensão Quantidade
Cocaína 2.300 kg
Maconha 800 kg
Veículos blindados 12
Armas de fogo 23
Dinheiro em espécie R$ 3,2 milhões
Imóveis bloqueados 8
Contas bancárias bloqueadas 34

Além da droga, foram apreendidos 12 veículos que haviam sido artesanalmente blindados com chapas de aço nas portas, painel e assoalho — técnica utilizada para proteger os motoristas durante eventuais confrontos com forças de segurança e facções rivais. As armas apreendidas incluem fuzis calibre 5.56, pistolas e revólveres, além de munição para centenas de disparos.

A Justiça Federal determinou o bloqueio de 34 contas bancárias em nome de integrantes da organização e de empresas de fachada utilizadas para lavagem de dinheiro, além de oito imóveis avaliados em R$ 12 milhões — incluindo fazendas, casas de luxo e lotes comerciais em Ponta Porã e Dourados.

Modus operandi

De acordo com a investigação, que durou 18 meses, a organização operava em sistema de "corredor logístico" — daí o nome da operação. A cocaína entrava no Brasil pela fronteira seca de Ponta Porã em veículos com fundo falso, era armazenada temporariamente nos depósitos rurais de Aral Moreira e, em seguida, transportada por caminhões frigoríficos disfarçados de transporte de carne bovina até terminais portuários no Paraná.

"A investigação identificou que a organização utilizava uma transportadora de alimentos como fachada. Os caminhões saíam de Ponta Porã carregados com carne bovina legítima, mas com compartimentos secretos contendo a cocaína. A empresa processava notas fiscais reais de carga frigorífica, o que dificultava a identificação nas barreiras e postos de fiscalização", detalhou o delegado que presidiu o inquérito.

A PF estima que a organização movimentava R$ 50 milhões por mês em negócios ilícitos. A droga que chegava aos portos brasileiros era embarcada em contêineres com destino à Bélgica, Holanda e Espanha, onde era distribuída pela rede europeia de traficantes. A Europol forneceu inteligência crucial para mapear os receptores europeus, e três mandados de prisão internacionais foram expedidos via Interpol.

Impacto na segurança regional

O delegado regional da PF em Mato Grosso do Sul classificou a operação como a mais importante contra o narcotráfico na fronteira sul do estado desde 2023. "Essa organização era responsável por uma parcela significativa do fluxo de cocaína que sai da América do Sul rumo à Europa. Desarticulá-la reduz não apenas o tráfico na fronteira, mas impacta a cadeia internacional de distribuição", afirmou.

A atuação da organização era marcada pela violência. A investigação atribui ao grupo pelo menos cinco homicídios na região de Ponta Porã entre 2024 e 2026, todos relacionados a disputas por pontos de passagem na fronteira e acertos de contas por cargas perdidas. Um dos líderes presos responde a processo criminal no Paraguai por participação em sequestro seguido de morte ocorrido em Pedro Juan Caballero em 2024.

As forças de segurança do Paraguai cumprimentaram a cooperação bilateral. O diretor da SENAD declarou que a operação conjunta demonstra "o amadurecimento da cooperação antidrogas entre os dois países" e que as investigações continuarão para identificar ramificações da rede em outros estados brasileiros e países da região.

Cooperação e continuidade

A PF informou que a Operação Corredor Blindado terá desdobramentos nas próximas semanas, com novas fases previstas para atingir os braços financeiros da organização. As investigações sobre lavagem de dinheiro, que envolvem análise de movimentações bancárias e criptomoedas, estão sendo conduzidas em conjunto com o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da PF em Brasília.

O Ministério Público Federal requereu a conversão das prisões temporárias em preventivas para todos os 14 detidos, argumentando que a liberação dos investigados colocaria em risco a continuidade das investigações e a segurança das testemunhas. A audiência de custódia está marcada para segunda-feira na Justiça Federal de Ponta Porã.

A operação reforça a narrativa do governo federal sobre a necessidade de investimento permanente na segurança das fronteiras. O Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (VIGIA), que destina recursos para equipamentos e efetivo nas cidades-gêmeas, prevê ampliação de 30% no orçamento para MS em 2026, alcançando R$ 45 milhões.

Fonte: Polícia Federal em MS

❓ Perguntas Frequentes

14 suspeitos foram presos em mandados judiciais cumpridos em Ponta Porã, Dourados, Campo Grande e Amambai. Outros 5 mandados foram cumpridos no Paraguai por cooperação policial.

2,3 toneladas de cocaína, 800 kg de maconha, 12 veículos blindados artesanalmente e R$ 3,2 milhões em dinheiro vivo.

A cocaína tinha como destino a Europa, sendo transportada em caminhões com fundo falso até portos no Paraná. A maconha abastecia o mercado interno brasileiro.

Sim, com a SENAD do Paraguai e com a Europol, que forneceu inteligência sobre a rede de distribuição na Europa.

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LM

Lucas Martins

Repórter