Campo Grande pode se tornar polo de tecnologia do Centro-Oeste até 2030
Capital reúne 580 empresas de TI, 3 parques tecnológicos e formou 2.400 profissionais em 2025. Salário médio do setor é 42% acima da renda local.

Campo Grande reúne condições para se tornar o principal polo de tecnologia do Centro-Oeste brasileiro até 2030, segundo diagnóstico publicado pela Federação das Indústrias de MS (Fiems) em parceria com a Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro). A capital sul-mato-grossense conta com 580 empresas de tecnologia da informação, 3 parques tecnológicos, 4 universidades com cursos de computação e um ecossistema de startups que movimentou R$ 890 milhões em receitas em 2025.
O ecossistema de TI de Campo Grande
O setor de tecnologia de Campo Grande é composto por empresas de perfis variados — desde startups de base tecnológica até filiais de grandes empresas nacionais e internacionais:
| Segmento | Empresas | Empregos | Receita anual |
|---|---|---|---|
| Desenvolvimento de software | 220 | 3.400 | R$ 380 milhões |
| Serviços de TI e consultoria | 140 | 2.100 | R$ 220 milhões |
| Agtech (tecnologia agro) | 85 | 980 | R$ 140 milhões |
| Fintechs e healthtechs | 45 | 620 | R$ 82 milhões |
| Infraestrutura e telecom | 38 | 480 | R$ 48 milhões |
| Games, edtechs e outros | 52 | 620 | R$ 20 milhões |
| Total | 580 | 8.200 | R$ 890 milhões |
O destaque é o segmento de Agtech — startups que desenvolvem tecnologia para o agronegócio. Com 85 empresas, Campo Grande é a terceira maior concentração de Agtechs do Brasil, atrás apenas de Piracicaba (SP) e Campinas (SP). As soluções incluem sensoriamento remoto de lavouras, gestão de rebanho por IA, marketplaces de insumos agrícolas e plataformas de rastreabilidade da cadeia de proteínas.
A proximidade com o agronegócio — que representa 52% do PIB de MS — dá às Agtechs de Campo Grande uma vantagem competitiva em testes de campo e acesso a clientes. "Aqui, o desenvolvedor conversa com o produtor rural no mesmo dia. Em São Paulo, essa proximidade não existe", observou Rafael Pereira, fundador da AgroSmart CG, Agtech que monitora por satélite 180 mil hectares de soja em MS.
Os parques tecnológicos
Campo Grande possui 3 parques tecnológicos em diferentes estágios de maturidade:
Parque Tecnológico de Campo Grande (PTCG): Inaugurado em 2018, reúne 32 empresas em um complexo de 12 mil m² no bairro Santa Fé. Oferece espaços compartilhados (coworking), laboratórios de prototipagem, incubadora de startups e aceleradora de negócios. O parque é gerido pela Agesul em parceria com a UFMS.
Hub Inovação UFMS: Espaço dentro do campus da UFMS que abriga 18 startups acadêmicas (spin-offs de pesquisas universitárias), com foco em biotecnologia, materiais avançados e inteligência artificial. Inaugurado em 2022.
Núcleo Softex MS: Centro de excelência em software, com programa de certificação de qualidade (MPS.BR) e capacitação de empresas em processos de desenvolvimento ágil. Atende 45 empresas.
Formação de talentos: força e gargalo
As universidades de Campo Grande formam aproximadamente 2.400 profissionais de TI por ano, distribuídos entre:
UFMS (Ciência da Computação, Engenharia de Computação, Sistemas de Informação): 680 formandos/ano IFMS (Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores): 320 formandos/ano Uniderp/Anhanguera (Ciência da Computação, Engenharia de Software): 780 formandos/ano UCDB (Sistemas de Informação, Jogos Digitais): 420 formandos/ano Outras instituições: 200 formandos/ano
Apesar do volume de formação, o setor estima que a demanda por profissionais supera a oferta em 30% — especialmente para funções de médio e alto nível, como desenvolvedores seniores, engenheiros de dados e especialistas em cibersegurança. A disparidade salarial é significativa: enquanto um desenvolvedor júnior em Campo Grande recebe R$ 3.500/mês, um sênior pode ganhar R$ 12 mil — e é frequentemente atraído por empresas de São Paulo, Curitiba e Florianópolis que oferecem trabalho remoto com salários de R$ 15 a R$ 20 mil.
O programa MS Digital
Para estimular o crescimento do setor, o governo estadual lançou em 2024 o programa MS Digital, com três linhas de incentivo:
Isenção fiscal: Empresas de software sediadas em Campo Grande têm isenção de 100% do ICMS sobre a comercialização de software por 10 anos. A medida torna MS competitivo com estados como Santa Catarina e Paraná, que oferecem benefícios similares.
Crédito para startups: O Fomento MS oferece linhas de crédito de até R$ 50 mil, com juros de 6% ao ano e carência de 12 meses, para startups em fase de validação de produto. Em 2025, 38 startups acessaram a linha.
Capacitação: O Senai-MS oferece cursos gratuitos de programação (Python, JavaScript, React, Flutter), ciência de dados e cibersegurança, com 1.800 vagas anuais distribuídas entre presencial e online.
Desafios e comparações
Apesar do potencial, Campo Grande ainda está distante dos polos de TI consolidados do Brasil. A cidade ocupa a 22ª posição no ranking de ecossistemas de inovação da Abstartups — abaixo de capitais como Goiânia (14ª), Curitiba (6ª) e Belo Horizonte (4ª).
Os principais desafios são: fuga de talentos para centros maiores (especialmente via trabalho remoto), infraestrutura de internet abaixo do ideal em bairros periféricos (a velocidade média de banda larga fixa é de 120 Mbps, contra 200+ em Florianópolis e Curitiba), e volume limitado de venture capital — a maioria dos fundos de investimento em startups do Brasil está sediada em SP.
A Fiems projeta que, mantida a taxa de crescimento atual de 18% ao ano, o setor de TI de Campo Grande pode atingir R$ 2 bilhões em receita e 15 mil empregos até 2030 — estabelecendo-se definitivamente como o polo tecnológico de referência do Centro-Oeste.
💰 A TI como motor econômico de Campo Grande
Empresas de TI em CG
580 empresas
Empregos diretos no setor
8.200 postos
Salário médio TI
R$ 5.800/mês
Receita anual do setor
R$ 890 milhões
Fonte: Fiems / Sebrae-MS / Softex / UFMS
❓ Perguntas Frequentes
🗳️ Enquete
O que falta para Campo Grande se tornar um polo de TI relevante?
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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