PF prende 18 em operação contra contrabando de cigarros em Mundo Novo
Operação Fumaça Negra cumpriu 32 mandados em MS e PR. Grupo movimentou R$ 120 milhões em cigarros paraguaios desde 2023.

impactoNoBolso: titulo: "O contrabando em números" items: - label: "Maços apreendidos" valor: "2,4 milhões" - label: "Valor da carga" valor: "R$ 12 milhões" - label: "Presos" valor: "8 pessoas" - label: "Depósitos lacrados" valor: "4" A Polícia Federal deflagrou na madrugada de quarta-feira, 4 de março, a Operação Fumaça Negra contra uma organização criminosa especializada em contrabando de cigarros paraguaios pela fronteira de Mundo Novo, no sul de Mato Grosso do Sul. Dezoito pessoas foram presas e 32 mandados de busca e apreensão cumpridos em cinco cidades de MS e três do Paraná.
A investigação, que durou 14 meses, revelou que o grupo movimentou pelo menos R$ 120 milhões em cigarros contrabandeados entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. O esquema usava lanchas para cruzar o Rio Paraná à noite e caminhões com fundo falso para distribuir a carga pelo interior do Paraná e de São Paulo.
Como funcionava o esquema
Mundo Novo faz fronteira fluvial com Salto del Guairá, no Paraguai, separada pelo Rio Paraná. A travessia de lancha leva 8 minutos. O grupo operava com três lanchas de alumínio de 7 metros, equipadas com motores de 200 HP, que faziam entre 4 e 6 travessias por noite.
Cada lancha carregava até 400 caixas de cigarro por viagem — o equivalente a 200 mil maços. No ponto de desembarque, uma propriedade rural às margens do rio a 6 km de Mundo Novo, a carga era transferida para caminhões-baú com fundo falso.
"Eles tinham uma logística sofisticada. Usavam rádio comunicador com frequência criptografada, batedores de moto nas estradas e até drone pra monitorar a movimentação da polícia", detalhou o delegado federal Ricardo Saadi, que coordenou a operação.
O líder da organização, um brasileiro de 41 anos identificado como V.S.M., morava em Mundo Novo e era dono de uma loja de materiais de construção que servia de fachada. Ele foi preso em casa, às 5h20, sem resistência. Na residência, a PF encontrou R$ 340 mil em espécie, dois veículos de luxo e documentos contábeis do esquema.
Os números da apreensão
Durante a operação, foram apreendidos 2,8 milhões de maços de cigarro em três galpões — dois em Mundo Novo e um em Guaíra, no Paraná. O valor estimado da carga é de R$ 14 milhões. Também foram apreendidos 7 veículos (incluindo 3 caminhões-baú), 3 lanchas, R$ 580 mil em dinheiro, 12 celulares e 4 armas de fogo.
A Receita Federal participou da operação e calcula que o grupo sonegou R$ 38 milhões em impostos ao longo dos três anos de atividade. O cigarro paraguaio entra no Brasil sem pagar IPI, ICMS e PIS/Cofins, o que permite vendê-lo por até 60% menos que o cigarro nacional.
"Um maço de cigarro legal custa R$ 9 a R$ 12. O paraguaio contrabandeado chega ao consumidor por R$ 4 a R$ 5. A margem de lucro do contrabandista é de 300%", explicou o auditor fiscal Marcos Tanaka, da Receita Federal em Foz do Iguaçu.
A rota e os destinos finais
A investigação mapeou a rota completa. Do Paraguai, os cigarros cruzavam o rio até Mundo Novo. De lá, seguiam por estradas vicinais até Guaíra (PR), evitando a BR-163 e a BR-272, onde há postos fixos da PRF. Em Guaíra, a carga era redistribuída em veículos menores — vans e carros de passeio com compartimentos ocultos — e seguia para Londrina, Maringá e, finalmente, São Paulo.
O destino final era a região do Brás, na capital paulista, onde os cigarros eram vendidos no varejo por ambulantes e pequenos comerciantes. A PF estima que o grupo abastecia pelo menos 120 pontos de venda em São Paulo.
Dois dos presos são moradores de Maringá que operavam como "gerentes de rota", responsáveis por coordenar os motoristas e pagar propinas a informantes. Segundo a PF, o grupo pagava R$ 2 mil por viagem a cada motorista e R$ 500 por informação sobre blitze policiais.
Fronteira porosa e falta de efetivo
Mundo Novo tem 40 km de fronteira fluvial com o Paraguai e uma delegacia da PF com 6 agentes. Seis. Para cobrir 40 km de rio, 24 horas por dia, 7 dias por semana.
"É humanamente impossível. A gente faz o que pode com o que tem. Essa operação só foi possível porque veio reforço de Dourados e de Campo Grande", admitiu o delegado Saadi.
O prefeito de Mundo Novo, Valdomiro Sobrinho, cobrou mais presença federal. "A cidade vive do comércio legal com o Paraguai. Turismo de compras, importação regular. O contrabando mancha a imagem de Mundo Novo e prejudica o comerciante honesto."
A Receita Federal opera um posto de fiscalização na BR-163, em Mundo Novo, mas funciona apenas em horário comercial — das 8h às 18h. À noite e nos fins de semana, a rodovia fica sem fiscalização aduaneira.
Impacto econômico do contrabando
O contrabando de cigarros é o segundo maior crime transfronteiriço em MS, atrás apenas do tráfico de maconha. Segundo o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, o mercado ilegal de cigarros no Brasil movimentou R$ 12,4 bilhões em 2025, e MS é a principal porta de entrada, respondendo por 34% do volume total.
O setor legal de cigarros perde R$ 5,8 bilhões por ano em receita, e o governo federal deixa de arrecadar R$ 3,2 bilhões em impostos. Em MS, a estimativa é de R$ 280 milhões em ICMS não recolhido.
Os 18 presos foram encaminhados à Penitenciária Federal de Campo Grande e responderão por contrabando, organização criminosa, lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma de fogo. As penas somadas podem chegar a 25 anos de reclusão.
Na beira do Rio Paraná, em Mundo Novo, a vida segue. Pescadores lançam suas linhas no mesmo trecho onde as lanchas do contrabando cruzavam de madrugada. "Todo mundo sabe. Todo mundo vê. Ninguém fala", disse um deles, sem dar o nome.
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Fonte: Polícia Federal em MS / Receita Federal
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Camila Ferreira
Repórter
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