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quinta-feira, 02 de abril de 2026
📈 Economia

Gasolina em Campo Grande atinge R$ 6,48 e é a mais cara do Centro-Oeste

Preço subiu 11% em 3 meses. ANP aponta diferença de R$ 0,72 entre postos da mesma cidade. Procon notifica 14 estabelecimentos.

Patrícia Souza7 min de leituraCampo Grande
Gasolina em Campo Grande atinge R$ 6,48 e é a mais cara do Centro-Oeste

O litro da gasolina comum em Campo Grande atingiu média de R$ 6,48 na terceira semana de março, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo. É o preço mais alto do Centro-Oeste — acima de Goiânia (R$ 6,31), Cuiabá (R$ 6,27) e Brasília (R$ 6,18). Em dezembro de 2025, a média era R$ 5,84. A alta de 11% em três meses corrói o bolso do campo-grandense.

O diesel S10, combustível dos caminhões e ônibus, subiu 8,4% no mesmo período: de R$ 5,92 para R$ 6,42. O etanol, que deveria ser alternativa mais barata, está a R$ 4,89 — 75,5% do preço da gasolina, acima do ponto de equilíbrio de 70% que torna a troca vantajosa.

Por que Campo Grande paga mais

A explicação passa por logística e tributação. MS não tem refinaria. Toda a gasolina consumida no estado vem da Replan (Paulínia-SP) ou da Repar (Araucária-PR), transportada por caminhão-tanque em percursos de 900 a 1.100 km. O frete adiciona entre R$ 0,18 e R$ 0,24 por litro ao custo.

O ICMS sobre combustíveis em MS é de 17% — alíquota modal definida pela reforma tributária de 2023. Mas a base de cálculo inclui o frete, o que eleva o imposto efetivo. Na prática, o campo-grandense paga ICMS sobre o transporte do combustível, não só sobre o produto.

"É uma distorção. O consumidor de São Paulo, que mora perto da refinaria, paga menos imposto porque o frete é menor. O de Campo Grande paga mais porque está longe. A reforma tributária não corrigiu isso", explicou o economista Paulo Henrique Gomes, do Sebrae-MS.

O Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de MS (Sindpetro) alega que a margem dos postos é de R$ 0,38 por litro — 5,9% do preço final. "O posto não é vilão. A gente repassa o que paga na distribuidora. Se o preço sobe na base, sobe na bomba", disse o presidente do sindicato, Edson Lazarotto.

A disparidade entre postos

O levantamento da ANP revela diferença de R$ 0,72 entre o posto mais barato (R$ 6,12, na Avenida Cônsul Assaf Trad) e o mais caro (R$ 6,84, no bairro Chácara Cachoeira) de Campo Grande. A variação de 11,8% dentro da mesma cidade é a maior do Centro-Oeste.

O Procon-MS notificou 14 postos que praticam preços acima de R$ 6,70 para apresentar justificativa em 10 dias. "Preço livre não é preço abusivo. Se o posto não justificar a diferença com nota fiscal de compra, vamos autuar", disse o diretor do Procon, Marcelo Salomão.

Motoristas de aplicativo, que rodam 200 a 300 km por dia, são os mais afetados. "Eu gasto R$ 120 de gasolina por dia. Há 3 meses, gastava R$ 105. São R$ 450 a mais por mês. Meu lucro líquido caiu de R$ 2.800 pra R$ 2.350", calculou o motorista Reginaldo Santos, que dirige por aplicativo há 4 anos.

Na fila do posto da Avenida Cônsul Assaf Trad — o mais barato da cidade —, 23 carros aguardavam às 7h de uma terça-feira. O tempo de espera: 35 minutos. "Venho aqui porque economizo R$ 18 no tanque cheio. Compensa esperar", disse a professora Luciana Ferraz, que mora no Tiradentes e cruza a cidade para abastecer.

Alternativas e GNV

O gás natural veicular (GNV) surge como alternativa. O metro cúbico custa R$ 4,29 em Campo Grande — equivalente a R$ 3,21 por litro de gasolina em termos de rendimento. A economia é de 50%.

O problema é a infraestrutura. Campo Grande tem 8 postos com GNV — para uma frota de 420 mil veículos. A conversão do carro custa entre R$ 4.500 e R$ 6.000 e leva 2 dias. O payback, para quem roda 2 mil km por mês, é de 5 meses.

A MSGás, distribuidora estadual de gás natural, anunciou investimento de R$ 14 milhões para instalar 12 novos pontos de abastecimento de GNV em Campo Grande até dezembro de 2026. "A rede de gás natural já passa por 60% da cidade. Falta o último quilômetro até o posto", disse o diretor da MSGás, Rudel Trindade.

O que esperar dos preços

Analistas não veem alívio no curto prazo. O petróleo Brent está cotado a US$ 82 o barril — 9% acima de dezembro. O dólar a R$ 5,90 encarece a importação de derivados. E a Petrobras, que não reajusta o preço na refinaria desde novembro, acumula defasagem de 6% em relação ao mercado internacional.

"Se a Petrobras reajustar, a gasolina em Campo Grande bate R$ 6,80. Se não reajustar, a defasagem vira prejuízo pra empresa e pressão sobre o governo. É uma bomba-relógio", analisou o consultor de energia Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

No estacionamento de um supermercado na Avenida Afonso Pena, um adesivo no vidro traseiro de um Gol 2014 resumia o sentimento: "Saudade de quando gasolina era R$ 4,50." Abaixo, outro adesivo: "Vendo este carro. Aceito bicicleta."

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💰 O combustível no bolso

1

Gasolina média CG

R$ 6,28/litro

2

Etanol médio CG

R$ 4,18/litro

3

Diferença p/ média nacional

+R$ 0,42/litro

4

Gasto mensal (30L/semana)

R$ 753

Fonte: ANP / Procon-MS / Sindicato dos Revendedores de Combustíveis

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PS

Patrícia Souza

Repórter