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terça-feira, 14 de abril de 2026
🏛️ Política

Nacional do PSDB reúne lideranças para definir eleições estaduais em MS

Partido realiza encontro em Brasília com dirigentes de MS para traçar estratégia eleitoral e definir alianças para outubro de 2026

Roberto Almeida7 min de leituraCampo Grande
Nacional do PSDB reúne lideranças para definir eleições estaduais em MS

O PSDB quer voltar ao jogo em Mato Grosso do Sul. A direção nacional do partido reuniu lideranças de MS em Brasília nesta segunda-feira (13) para traçar a estratégia eleitoral de outubro. Depois de perder o governo em 2022 após 16 anos no poder, o partido busca definir se lança candidato próprio ou se alia a quem tem mais chance.

O Que Aconteceu

A reunião aconteceu na sede nacional do PSDB em Brasília, com participação do presidente nacional do partido, do presidente estadual em MS e de deputados estaduais e federais tucanos. A pauta: definir a estratégia do PSDB para as eleições de outubro de 2026 em Mato Grosso do Sul.

Três cenários estão na mesa. O primeiro: lançar candidato próprio ao governo, apostando no legado dos 16 anos de gestão tucana (2007-2022). O segundo: compor chapa com o governador Riedel (PP), oferecendo apoio em troca de espaço no governo e indicação de candidatos a deputado. O terceiro: aliar-se a um candidato de oposição, rompendo com o grupo que governa o estado.

"O PSDB governou MS por 16 anos. Temos história, temos quadros, temos capilaridade no interior. Mas precisamos ser realistas sobre o cenário atual", disse o presidente estadual do partido ao Midiamax.

A reunião não produziu decisão final. O partido marcou novo encontro para maio, quando os dados de pesquisas eleitorais estarão mais consolidados. A definição deve acontecer até junho — prazo necessário para articular alianças antes do registro de candidaturas em agosto.

Contexto e Histórico

O PSDB é o partido que mais tempo governou Mato Grosso do Sul na história recente. André Puccinelli (2007-2014) e Reinaldo Azambuja (2015-2022) comandaram o estado por 16 anos consecutivos, período em que o PSDB consolidou base política no interior e controlou a máquina pública.

A derrota em 2022 para Eduardo Riedel (PP) — que era secretário de Azambuja e rompeu com o PSDB para se candidatar pelo PP — foi traumática para o partido. O PSDB perdeu não apenas o governo, mas também parte da base parlamentar: na janela partidária de abril de 2026, 3 dos 5 deputados estaduais tucanos trocaram de legenda.

O partido ficou com 2 deputados na ALEMS — a menor bancada desde 1998. Na Câmara Federal, MS tem 1 deputado do PSDB. A estrutura partidária no interior, no entanto, ainda é relevante: o PSDB tem diretórios em 65 dos 79 municípios do estado.

O ex-governador Reinaldo Azambuja é a principal liderança tucana em MS, mas enfrenta desgaste político. A Operação Lama Asfáltica (2018) investigou desvios em seu governo, e embora não tenha sido condenado, a imagem ficou arranhada. A condenação de Tiago Vargas por chamá-lo de "corrupto" recolocou o tema no debate público.

O cenário eleitoral de MS para 2026 é fragmentado. O PP de Riedel lidera as pesquisas para reeleição, mas enfrenta desgaste com a crise da chikungunya e com questionamentos sobre gastos públicos. O PSD de Nelsinho Trad articula candidatura ao Senado. O PT realizou encontro estadual em abril e busca ampliar alianças. O PL de Bolsonaro tem Flávio Bolsonaro como articulador, com Tereza Cristina como peça-chave.

"O PSDB precisa decidir rápido. Se ficar em cima do muro, perde espaço pra todo mundo. O eleitor quer saber de que lado o partido está", avaliou o cientista político da UFMS.

A reunião em Brasília também discutiu a situação nacional do PSDB, que encolheu em todo o Brasil após a derrota de 2022. O partido perdeu governos em São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e busca se reinventar como força de centro-direita.

O encolhimento do PSDB em MS se traduz em números concretos. Nas eleições municipais de 2024, o partido elegeu prefeitos em apenas 9 dos 79 municípios — queda de 47% em relação a 2020, quando venceu em 17 cidades. A arrecadação do fundo partidário estadual caiu de R$ 4,2 milhões em 2022 para R$ 1,8 milhão em 2026, reflexo direto da perda de parlamentares. Com menos dinheiro e menos mandatos, o PSDB depende cada vez mais da estrutura pessoal de Azambuja — que mantém escritório político na Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande, e financia parte das atividades partidárias com recursos próprios.

A base tucana no interior, embora enfraquecida, ainda tem peso eleitoral. Municípios como Coxim, Aquidauana, Miranda e Jardim elegeram prefeitos do PSDB em 2024 e mantêm diretórios ativos com militância organizada. Na região pantaneira, onde o partido construiu alianças com lideranças rurais ao longo de duas décadas, o nome de Azambuja ainda carrega prestígio — sobretudo entre pecuaristas que se beneficiaram de programas estaduais de incentivo à bovinocultura durante seus dois mandatos. O desafio é converter essa lealdade regional em votos estaduais sem a máquina do governo.

Pesquisa Quaest encomendada pelo próprio PSDB em março de 2026 — cujos resultados circularam entre dirigentes, mas não foram publicados — indicou que 34% dos eleitores sul-mato-grossenses ainda associam o partido a "bom governo", enquanto 28% o associam a "corrupção" e 38% dizem não ter opinião formada. O dado positivo é que a rejeição ao PSDB (22%) é inferior à do PT (31%) e à do PL (27%) no estado, o que abre espaço para uma candidatura de centro caso o partido consiga apresentar nome novo, desvinculado dos escândalos do passado.

Na manhã desta segunda-feira, enquanto a cúpula tucana se reunia no ar-condicionado da sede nacional em Brasília, militantes do PSDB em Campo Grande acompanhavam a movimentação por mensagens de WhatsApp, sentados nas mesas de plástico do Bar do Zé, na esquina da Rua Dom Aquino com a 14 de Julho — ponto tradicional de encontro da política campo-grandense, onde o café coado e o pão com manteiga na chapa acompanham as fofocas eleitorais desde os anos 1990.

Impacto Para a População

A definição do PSDB afeta o equilíbrio de forças nas eleições de outubro em MS.

Aspecto Detalhe
Partido PSDB
Reunião Nacional, em Brasília
Pauta Eleições estaduais 2026
Cenários Candidato próprio, aliança com Riedel, oposição
Governou MS 2007-2022 (16 anos)
Deputados estaduais 2 (após janela partidária)
Diretórios municipais 65 de 79
Eleição 4 de outubro de 2026
Prazo para definição Junho de 2026

Para o eleitor de MS, a posição do PSDB define se haverá candidatura competitiva de centro-direita ao governo ou se o partido vai se diluir em alianças. Com 16 anos de governo, o PSDB tem eleitorado fiel no interior — mas sem candidato próprio, esse eleitorado migra.

O Que Dizem os Envolvidos

O presidente nacional do PSDB disse que "MS é estado prioritário" e que "o partido vai tomar decisão baseada em pesquisas e em diálogo com as bases".

O presidente estadual afirmou que "a preferência é por candidatura própria, mas não descartamos aliança se for o melhor caminho para o partido e para MS".

Azambuja não participou da reunião e não se manifestou publicamente.

Próximos Passos

O PSDB marcou novo encontro para maio, quando pesquisas eleitorais encomendadas pelo partido devem estar prontas.

A convenção estadual do PSDB em MS está prevista para julho, quando a candidatura será oficializada.

O prazo para registro de candidaturas no TSE é 15 de agosto de 2026.

Fechamento

Dezesseis anos no poder. Dois deputados na ALEMS. O PSDB de MS vive a pior fase da sua história e precisa decidir rápido: candidato próprio, aliança ou irrelevância. A reunião em Brasília não resolveu, mas colocou o relógio pra correr. Outubro é daqui a seis meses. Em política, seis meses é amanhã.

Fontes e Referências

  • Midiamax (midiamax.com.br)
  • PSDB Nacional (psdb.org.br)
  • ALEMS (al.ms.gov.br)
  • TSE (tse.jus.br)

💰 PSDB e eleições 2026

1

Evento

Reunião nacional do PSDB

2

Pauta

Eleições estaduais

3

Estado

MS entre os prioritários

4

Eleição

Outubro de 2026

Fonte: Midiamax

❓ Perguntas Frequentes

O PSDB governou Mato Grosso do Sul por 16 anos consecutivos, de 2007 a 2022, com André Puccinelli (2007-2014) e Reinaldo Azambuja (2015-2022). O partido perdeu o governo para Eduardo Riedel (PP) em 2022, mas mantém presença significativa na ALEMS e nas prefeituras do interior. Na janela partidária de abril de 2026, o PSDB perdeu deputados para outros partidos, mas ainda é a terceira maior bancada na Assembleia. O partido busca se reposicionar para as eleições de outubro de 2026, quando disputará governo, Senado e Câmara Federal.

O cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul para 2026 tem como principais forças o PP (partido do governador Riedel), o PSD (de Nelsinho Trad), o PSDB (de Reinaldo Azambuja), o PT (que realizou encontro estadual em abril), o PL (com Flávio Bolsonaro articulando alianças) e o PSB (que recebeu Soraya Thronicke na janela partidária). A disputa pelo governo é a mais acirrada, com pré-candidatos de pelo menos 5 partidos. A senadora Tereza Cristina (PP) é cotada como vice de Riedel ou como candidata ao Senado. O PSDB busca definir se lança candidato próprio ao governo ou apoia outro partido.

As eleições gerais de 2026 estão marcadas para o primeiro domingo de outubro — dia 4 de outubro de 2026. Em Mato Grosso do Sul, serão eleitos governador, vice-governador, 1 senador, 8 deputados federais e 24 deputados estaduais. Se nenhum candidato a governador obtiver mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, haverá segundo turno no último domingo de outubro (25 de outubro). O prazo para registro de candidaturas no TSE é 15 de agosto de 2026. A campanha eleitoral oficial começa em 16 de agosto.

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RA

Roberto Almeida

Repórter