Nacional do PSDB reúne lideranças para definir eleições estaduais em MS
Partido realiza encontro em Brasília com dirigentes de MS para traçar estratégia eleitoral e definir alianças para outubro de 2026

O PSDB quer voltar ao jogo em Mato Grosso do Sul. A direção nacional do partido reuniu lideranças de MS em Brasília nesta segunda-feira (13) para traçar a estratégia eleitoral de outubro. Depois de perder o governo em 2022 após 16 anos no poder, o partido busca definir se lança candidato próprio ou se alia a quem tem mais chance.
O Que Aconteceu
A reunião aconteceu na sede nacional do PSDB em Brasília, com participação do presidente nacional do partido, do presidente estadual em MS e de deputados estaduais e federais tucanos. A pauta: definir a estratégia do PSDB para as eleições de outubro de 2026 em Mato Grosso do Sul.
Três cenários estão na mesa. O primeiro: lançar candidato próprio ao governo, apostando no legado dos 16 anos de gestão tucana (2007-2022). O segundo: compor chapa com o governador Riedel (PP), oferecendo apoio em troca de espaço no governo e indicação de candidatos a deputado. O terceiro: aliar-se a um candidato de oposição, rompendo com o grupo que governa o estado.
"O PSDB governou MS por 16 anos. Temos história, temos quadros, temos capilaridade no interior. Mas precisamos ser realistas sobre o cenário atual", disse o presidente estadual do partido ao Midiamax.
A reunião não produziu decisão final. O partido marcou novo encontro para maio, quando os dados de pesquisas eleitorais estarão mais consolidados. A definição deve acontecer até junho — prazo necessário para articular alianças antes do registro de candidaturas em agosto.
Contexto e Histórico
O PSDB é o partido que mais tempo governou Mato Grosso do Sul na história recente. André Puccinelli (2007-2014) e Reinaldo Azambuja (2015-2022) comandaram o estado por 16 anos consecutivos, período em que o PSDB consolidou base política no interior e controlou a máquina pública.
A derrota em 2022 para Eduardo Riedel (PP) — que era secretário de Azambuja e rompeu com o PSDB para se candidatar pelo PP — foi traumática para o partido. O PSDB perdeu não apenas o governo, mas também parte da base parlamentar: na janela partidária de abril de 2026, 3 dos 5 deputados estaduais tucanos trocaram de legenda.
O partido ficou com 2 deputados na ALEMS — a menor bancada desde 1998. Na Câmara Federal, MS tem 1 deputado do PSDB. A estrutura partidária no interior, no entanto, ainda é relevante: o PSDB tem diretórios em 65 dos 79 municípios do estado.
O ex-governador Reinaldo Azambuja é a principal liderança tucana em MS, mas enfrenta desgaste político. A Operação Lama Asfáltica (2018) investigou desvios em seu governo, e embora não tenha sido condenado, a imagem ficou arranhada. A condenação de Tiago Vargas por chamá-lo de "corrupto" recolocou o tema no debate público.
O cenário eleitoral de MS para 2026 é fragmentado. O PP de Riedel lidera as pesquisas para reeleição, mas enfrenta desgaste com a crise da chikungunya e com questionamentos sobre gastos públicos. O PSD de Nelsinho Trad articula candidatura ao Senado. O PT realizou encontro estadual em abril e busca ampliar alianças. O PL de Bolsonaro tem Flávio Bolsonaro como articulador, com Tereza Cristina como peça-chave.
"O PSDB precisa decidir rápido. Se ficar em cima do muro, perde espaço pra todo mundo. O eleitor quer saber de que lado o partido está", avaliou o cientista político da UFMS.
A reunião em Brasília também discutiu a situação nacional do PSDB, que encolheu em todo o Brasil após a derrota de 2022. O partido perdeu governos em São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e busca se reinventar como força de centro-direita.
O encolhimento do PSDB em MS se traduz em números concretos. Nas eleições municipais de 2024, o partido elegeu prefeitos em apenas 9 dos 79 municípios — queda de 47% em relação a 2020, quando venceu em 17 cidades. A arrecadação do fundo partidário estadual caiu de R$ 4,2 milhões em 2022 para R$ 1,8 milhão em 2026, reflexo direto da perda de parlamentares. Com menos dinheiro e menos mandatos, o PSDB depende cada vez mais da estrutura pessoal de Azambuja — que mantém escritório político na Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande, e financia parte das atividades partidárias com recursos próprios.
A base tucana no interior, embora enfraquecida, ainda tem peso eleitoral. Municípios como Coxim, Aquidauana, Miranda e Jardim elegeram prefeitos do PSDB em 2024 e mantêm diretórios ativos com militância organizada. Na região pantaneira, onde o partido construiu alianças com lideranças rurais ao longo de duas décadas, o nome de Azambuja ainda carrega prestígio — sobretudo entre pecuaristas que se beneficiaram de programas estaduais de incentivo à bovinocultura durante seus dois mandatos. O desafio é converter essa lealdade regional em votos estaduais sem a máquina do governo.
Pesquisa Quaest encomendada pelo próprio PSDB em março de 2026 — cujos resultados circularam entre dirigentes, mas não foram publicados — indicou que 34% dos eleitores sul-mato-grossenses ainda associam o partido a "bom governo", enquanto 28% o associam a "corrupção" e 38% dizem não ter opinião formada. O dado positivo é que a rejeição ao PSDB (22%) é inferior à do PT (31%) e à do PL (27%) no estado, o que abre espaço para uma candidatura de centro caso o partido consiga apresentar nome novo, desvinculado dos escândalos do passado.
Na manhã desta segunda-feira, enquanto a cúpula tucana se reunia no ar-condicionado da sede nacional em Brasília, militantes do PSDB em Campo Grande acompanhavam a movimentação por mensagens de WhatsApp, sentados nas mesas de plástico do Bar do Zé, na esquina da Rua Dom Aquino com a 14 de Julho — ponto tradicional de encontro da política campo-grandense, onde o café coado e o pão com manteiga na chapa acompanham as fofocas eleitorais desde os anos 1990.
Impacto Para a População
A definição do PSDB afeta o equilíbrio de forças nas eleições de outubro em MS.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Partido | PSDB |
| Reunião | Nacional, em Brasília |
| Pauta | Eleições estaduais 2026 |
| Cenários | Candidato próprio, aliança com Riedel, oposição |
| Governou MS | 2007-2022 (16 anos) |
| Deputados estaduais | 2 (após janela partidária) |
| Diretórios municipais | 65 de 79 |
| Eleição | 4 de outubro de 2026 |
| Prazo para definição | Junho de 2026 |
Para o eleitor de MS, a posição do PSDB define se haverá candidatura competitiva de centro-direita ao governo ou se o partido vai se diluir em alianças. Com 16 anos de governo, o PSDB tem eleitorado fiel no interior — mas sem candidato próprio, esse eleitorado migra.
O Que Dizem os Envolvidos
O presidente nacional do PSDB disse que "MS é estado prioritário" e que "o partido vai tomar decisão baseada em pesquisas e em diálogo com as bases".
O presidente estadual afirmou que "a preferência é por candidatura própria, mas não descartamos aliança se for o melhor caminho para o partido e para MS".
Azambuja não participou da reunião e não se manifestou publicamente.
Próximos Passos
O PSDB marcou novo encontro para maio, quando pesquisas eleitorais encomendadas pelo partido devem estar prontas.
A convenção estadual do PSDB em MS está prevista para julho, quando a candidatura será oficializada.
O prazo para registro de candidaturas no TSE é 15 de agosto de 2026.
Fechamento
Dezesseis anos no poder. Dois deputados na ALEMS. O PSDB de MS vive a pior fase da sua história e precisa decidir rápido: candidato próprio, aliança ou irrelevância. A reunião em Brasília não resolveu, mas colocou o relógio pra correr. Outubro é daqui a seis meses. Em política, seis meses é amanhã.
Fontes e Referências
- Midiamax (midiamax.com.br)
- PSDB Nacional (psdb.org.br)
- ALEMS (al.ms.gov.br)
- TSE (tse.jus.br)
💰 PSDB e eleições 2026
Evento
Reunião nacional do PSDB
Pauta
Eleições estaduais
Estado
MS entre os prioritários
Eleição
Outubro de 2026
Fonte: Midiamax
❓ Perguntas Frequentes
O PSDB governou Mato Grosso do Sul por 16 anos consecutivos, de 2007 a 2022, com André Puccinelli (2007-2014) e Reinaldo Azambuja (2015-2022). O partido perdeu o governo para Eduardo Riedel (PP) em 2022, mas mantém presença significativa na ALEMS e nas prefeituras do interior. Na janela partidária de abril de 2026, o PSDB perdeu deputados para outros partidos, mas ainda é a terceira maior bancada na Assembleia. O partido busca se reposicionar para as eleições de outubro de 2026, quando disputará governo, Senado e Câmara Federal.
O cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul para 2026 tem como principais forças o PP (partido do governador Riedel), o PSD (de Nelsinho Trad), o PSDB (de Reinaldo Azambuja), o PT (que realizou encontro estadual em abril), o PL (com Flávio Bolsonaro articulando alianças) e o PSB (que recebeu Soraya Thronicke na janela partidária). A disputa pelo governo é a mais acirrada, com pré-candidatos de pelo menos 5 partidos. A senadora Tereza Cristina (PP) é cotada como vice de Riedel ou como candidata ao Senado. O PSDB busca definir se lança candidato próprio ao governo ou apoia outro partido.
As eleições gerais de 2026 estão marcadas para o primeiro domingo de outubro — dia 4 de outubro de 2026. Em Mato Grosso do Sul, serão eleitos governador, vice-governador, 1 senador, 8 deputados federais e 24 deputados estaduais. Se nenhum candidato a governador obtiver mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, haverá segundo turno no último domingo de outubro (25 de outubro). O prazo para registro de candidaturas no TSE é 15 de agosto de 2026. A campanha eleitoral oficial começa em 16 de agosto.
Roberto Almeida
Repórter
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