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quinta-feira, 02 de abril de 2026
🚔 Polícia

Quadrilha que roubava carretas na BR-163 é presa em Sidrolândia

Grupo furtou 23 carretas de soja e milho em 6 meses. Prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões. Líder usava rastreador para escolher alvos.

Camila Ferreira6 min de leituraSidrolândia
Quadrilha que roubava carretas na BR-163 é presa em Sidrolândia

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu 7 integrantes de uma quadrilha especializada em roubo de carretas carregadas de grãos na BR-163, entre Sidrolândia e Rio Brilhante. O grupo atuava desde setembro de 2025 e é responsável pelo furto de 23 carretas de soja e milho, com prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões. As prisões aconteceram na madrugada de quinta-feira, 13 de março.

O líder do grupo, identificado como R.A.S., 36 anos, morador de Sidrolândia, usava um aplicativo de rastreamento de frotas hackeado para monitorar a posição das carretas em tempo real. Ele escolhia os alvos com base na carga, na rota e no horário — priorizando veículos que trafegavam à noite, sem escolta.

O modus operandi

O esquema funcionava em três etapas. Na primeira, R.A.S. monitorava o aplicativo de rastreamento e identificava carretas carregadas trafegando pela BR-163 entre 22h e 4h. Na segunda, dois integrantes em motocicletas abordavam o motorista em trechos escuros da rodovia — geralmente entre os km 420 e 460, onde não há iluminação nem câmeras. Na terceira, o motorista era rendido, amarrado e abandonado às margens da estrada, enquanto um membro do grupo assumia a direção da carreta.

A carreta era levada para um galpão em uma fazenda desativada a 18 km de Sidrolândia, onde a carga era transferida para caminhões menores. A soja e o milho roubados eram vendidos para cerealistas de Maringá e Londrina, no Paraná, com notas fiscais falsas.

"O cara tinha uma operação profissional. Rastreador hackeado, galpão de transbordo, comprador certo no Paraná. Não era ladrão de estrada — era empresário do crime", descreveu o delegado Fábio Pereira, da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Furtos) de Campo Grande.

Dos 23 motoristas abordados, 19 foram amarrados e abandonados sem violência física. Quatro sofreram agressões — socos e coronhadas — por resistirem à abordagem. Nenhum foi baleado.

A investigação

A Derf começou a investigar em dezembro de 2025, após 3 motoristas registrarem boletins de ocorrência na mesma semana, todos com o mesmo padrão: abordagem noturna na BR-163, entre Sidrolândia e Rio Brilhante, por dois homens de moto.

A quebra de sigilo telefônico dos celulares encontrados em uma das carretas abandonadas levou ao número de R.A.S. A partir dele, a polícia mapeou os outros 6 integrantes: dois abordadores, dois motoristas de carreta, um responsável pelo galpão e um que falsificava as notas fiscais.

A PRF colaborou com imagens de câmeras de monitoramento da BR-163 que registraram as motocicletas dos abordadores em 8 das 23 ocorrências. "As motos eram sempre as mesmas — uma Honda CG preta e uma Yamaha Fazer azul. Sem placa. Eles tiravam a placa antes de cada ação", detalhou o inspetor da PRF, Carlos Braga.

Prejuízo e recuperação

Das 23 carretas furtadas, 14 foram recuperadas — vazias. A carga já havia sido vendida. As outras 9 carretas não foram localizadas; a polícia acredita que foram desmontadas e vendidas como peças.

O prejuízo de R$ 8,7 milhões inclui o valor das cargas (R$ 6,2 milhões em soja e milho), das carretas não recuperadas (R$ 1,8 milhão) e de danos aos veículos recuperados (R$ 700 mil).

As transportadoras afetadas — 8 empresas de Dourados, Maracaju e Campo Grande — relatam aumento de 40% no custo do seguro de carga na BR-163 desde o início dos roubos. "O seguro subiu de R$ 1.200 pra R$ 1.680 por viagem. Quem paga é o produtor, que já tá apertado com o frete caro", reclamou o transportador Marcos Oliveira, dono de uma frota de 18 carretas em Dourados.

Segurança na BR-163

A BR-163 é a principal rodovia de escoamento agrícola de MS — por ela passam 70% da soja e do milho produzidos no estado. O trecho entre Dourados e Campo Grande (230 km) registrou 47 ocorrências de roubo de carga em 2025, segundo a PRF — aumento de 28% sobre 2024.

A rodovia tem 4 postos fixos da PRF no trecho, mas funcionam com efetivo reduzido à noite. "Das 22h às 6h, temos 2 viaturas pra cobrir 230 km. É insuficiente. O bandido sabe disso", admitiu o inspetor Braga.

Os 7 presos foram autuados por roubo majorado, associação criminosa, receptação e falsidade ideológica. As penas somadas podem chegar a 18 anos de reclusão. R.A.S., o líder, também responderá por invasão de dispositivo informático (pelo hackeamento do rastreador).

Na BR-163, à noite, as carretas seguem. Faróis cortando a escuridão, carga de milhões sobre rodas, motorista sozinho na cabine. Um deles, que pediu anonimato, contou que agora dirige com um taco de beisebol debaixo do banco. "Não é pra jogar beisebol."

O seguro de carga e o impacto nos fretes

O aumento de roubos na BR-163 elevou o custo do seguro de carga em 28% na rota MS-SP nos últimos 2 anos. Transportadoras repassam o aumento ao frete, que impacta o preço final dos produtos agrícolas de MS. A NTC&Logística estima que o roubo de cargas gera prejuízo anual de R$ 2,1 bilhões ao Brasil.

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💰 O roubo de cargas na BR-163

1

Assaltos atribuídos

14 em 6 meses

2

Prejuízo total

R$ 4,2 milhões

3

Presos

7 pessoas

4

Veículos apreendidos

5

Fonte: Polícia Civil de MS / Derf / PRF

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CF

Camila Ferreira

Repórter