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terça-feira, 14 de abril de 2026
🏛️ Política

TCE multa secretário de obras em R$ 95 mil por descumprir fiscalização

Tribunal de Contas puniu gestor por falhas na supervisão de obras da Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul

Juliana Mendes7 min de leituraCampo Grande
TCE multa secretário de obras em R$ 95 mil por descumprir fiscalização

Noventa e cinco mil reais. Do bolso do secretário. O TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) multou o gestor responsável pelas obras da Rota da Celulose por falhas graves na fiscalização — pagamentos autorizados sem comprovação de execução, vistorias que nunca aconteceram, relatórios que não existem.

O Que Aconteceu

A decisão do TCE-MS foi publicada nesta segunda-feira (13) no Diário Oficial do tribunal. O conselheiro relator aplicou multa de R$ 95.400 ao secretário de Infraestrutura e Logística do governo de MS por "descumprimento reiterado de normas de fiscalização de obras públicas" relacionadas à Rota da Celulose.

A auditoria do TCE identificou três irregularidades principais. Primeira: o secretário não realizou vistorias obrigatórias nas obras de pavimentação e recuperação de rodovias da Rota da Celulose, conforme exigido pelo contrato e pela legislação. Segunda: autorizou pagamentos de R$ 18,7 milhões a empreiteiras sem exigir relatórios de medição que comprovassem a execução dos serviços. Terceira: não designou fiscal de contrato qualificado para acompanhar as obras no local.

"O gestor tem obrigação legal de fiscalizar. Não pode assinar cheque sem saber se o serviço foi feito. Isso é negligência grave", disse o conselheiro relator durante a sessão de julgamento.

A multa é pessoal — deve ser paga pelo secretário com recursos próprios, não pelo erário. O gestor tem 30 dias para pagar ou recorrer da decisão ao plenário do TCE.

O governo de MS não informou se o secretário será mantido no cargo. A assessoria disse que "tomou conhecimento da decisão e que o gestor vai exercer seu direito de recurso".

Contexto e Histórico

A Rota da Celulose é estratégica para a economia de MS. As fábricas da Suzano e da Bracell em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo produzem 5,5 milhões de toneladas de celulose por ano, fazendo de MS o maior produtor do Brasil. A celulose é transportada por rodovias estaduais até terminais ferroviários e portos de exportação.

O governo de MS investiu mais de R$ 400 milhões na pavimentação e recuperação das rodovias da Rota da Celulose entre 2023 e 2026, com recursos estaduais, federais e do empréstimo do Banco Mundial (programa Rodar MS). As obras incluem recapeamento, alargamento de pistas e construção de acostamentos.

O problema identificado pelo TCE não é de falta de dinheiro — é de falta de controle. Os R$ 18,7 milhões pagos sem comprovação de execução representam 4,7% do investimento total. Pode ser que os serviços tenham sido executados corretamente e apenas a documentação esteja faltando. Ou pode ser que parte do dinheiro tenha sido paga por serviços não realizados. Sem os relatórios de medição, é impossível saber.

O TCE-MS tem intensificado a fiscalização de obras rodoviárias em MS nos últimos anos. Em 2025, o tribunal aplicou R$ 1,2 milhão em multas a gestores por irregularidades em obras de infraestrutura. A multa de R$ 95 mil ao secretário é uma das maiores já aplicadas a um gestor estadual.

"Obra rodoviária é onde mais se desvia dinheiro público no Brasil. O asfalto está lá, mas a espessura é menor do que o contrato prevê. O acostamento foi pago, mas não foi feito. Sem fiscal no local, ninguém percebe", explicou o auditor do TCE responsável pela investigação.

A Rota da Celulose é usada diariamente por centenas de caminhões pesados que transportam toras de eucalipto e fardos de celulose. A qualidade do pavimento é essencial para a segurança e para a vida útil da rodovia. Obras mal executadas significam buracos em poucos anos — e mais dinheiro público gasto em reparos.

O histórico de fiscalização deficiente em obras rodoviárias de MS não é novidade. Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) realizada em 2023 sobre o programa Rodar MS — que financia parte das obras da Rota da Celulose com empréstimo de US$ 250 milhões do Banco Mundial — identificou 23 contratos com documentação incompleta, totalizando R$ 112 milhões em pagamentos sem medição adequada. O relatório do TCU recomendou ao governo estadual a criação de sistema eletrônico de acompanhamento de obras com georreferenciamento e registro fotográfico obrigatório. Até abril de 2026, o sistema não foi implementado.

A MS-040, principal trecho da Rota da Celulose entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, recebe diariamente cerca de 1.800 veículos pesados — volume que triplicou desde a inauguração da fábrica da Bracell em 2024. Caminhoneiros que percorrem o trecho relatam trechos com ondulações no asfalto e acostamento irregular, sinais de compactação insuficiente da base. Na altura do km 78, onde a rodovia corta uma área de cerrado com ipês-roxos que florescem entre julho e agosto, o desnível entre a pista e o acostamento chega a 8 centímetros — diferença que pode causar perda de controle em veículos de carga pesada, especialmente durante as chuvas de verão.

A Agesul, responsável pela gestão dos contratos, opera com quadro técnico de 42 engenheiros para fiscalizar obras em todo o estado — número que o Crea-MS considera insuficiente. O conselho profissional recomenda pelo menos 1 engenheiro fiscal para cada R$ 15 milhões em contratos ativos; a proporção atual na Agesul é de 1 para cada R$ 28 milhões.

Impacto Para a População

A multa ao secretário é sinal de que o TCE está de olho nas obras rodoviárias de MS.

Aspecto Detalhe
Multa R$ 95.400
Punido Secretário de Infraestrutura
Motivo Falha na fiscalização de obras
Obra Rota da Celulose
Pagamentos sem comprovação R$ 18,7 milhões
Investimento total na Rota R$ 400+ milhões
Produção de celulose em MS 5,5 milhões ton./ano
Multas TCE a gestores (2025) R$ 1,2 milhão
Prazo para recurso 30 dias

Para o contribuinte, a fiscalização do TCE é a última linha de defesa contra o desperdício de dinheiro público. Se R$ 18,7 milhões foram pagos sem comprovação, o risco de prejuízo ao erário é real.

Para os motoristas que trafegam pela Rota da Celulose, a qualidade das obras é questão de segurança. Rodovias mal pavimentadas causam acidentes e aumentam o custo de manutenção dos veículos.

O Que Dizem os Envolvidos

O TCE-MS informou que "a decisão é resultado de auditoria operacional que identificou falhas graves no controle de obras" e que "o gestor tem direito de recurso".

O governo de MS disse que "respeita a decisão do TCE" e que "o secretário vai exercer seu direito de defesa".

A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), responsável pela execução das obras, não se manifestou.

Próximos Passos

O secretário tem 30 dias para pagar a multa ou recorrer ao plenário do TCE-MS. Se o recurso for negado, a multa será inscrita em dívida ativa.

O TCE determinou que o governo de MS apresente, em 60 dias, os relatórios de medição faltantes e comprove a execução dos serviços pagos. Se não comprovar, o tribunal pode determinar a devolução dos R$ 18,7 milhões ao erário.

O MPMS foi notificado e pode abrir investigação criminal por improbidade administrativa.

Fechamento

Noventa e cinco mil reais de multa pessoal. Dezoito milhões pagos sem comprovação. A Rota da Celulose, que deveria ser vitrine do desenvolvimento de MS, virou exemplo de como não se fiscaliza obra pública. O secretário assinou os cheques sem verificar se o asfalto estava no chão. O TCE verificou por ele — e mandou a conta. Informações sobre fiscalização de obras públicas: TCE-MS (67) 3317-1500.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • TCE-MS — Tribunal de Contas do Estado (tce.ms.gov.br)
  • Agesul (agesul.ms.gov.br)
  • Governo de MS (ms.gov.br)

💰 Multa do TCE

1

Multa

R$ 95 mil

2

Punido

Secretário de obras

3

Motivo

Falha na fiscalização

4

Obra

Rota da Celulose

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) multou o secretário de obras em R$ 95 mil por descumprimento de normas de fiscalização em obras da Rota da Celulose. A auditoria do TCE identificou que o gestor não realizou vistorias obrigatórias nas obras, não exigiu relatórios de medição das empreiteiras e autorizou pagamentos sem comprovação de execução dos serviços. A Rota da Celulose é um conjunto de rodovias estaduais que ligam as fábricas de celulose de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo aos portos de exportação, com investimento total de centenas de milhões de reais.

A Rota da Celulose é o nome dado ao conjunto de rodovias estaduais que servem ao transporte de celulose produzida pelas fábricas da Suzano e Bracell em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. As principais rodovias são a MS-040, MS-338 e MS-395, que ligam as fábricas aos terminais ferroviários e rodoviários de escoamento. O governo de MS investiu centenas de milhões de reais na pavimentação e recuperação dessas rodovias nos últimos anos, com recursos estaduais e federais. A celulose é o segundo maior produto de exportação de MS, movimentando R$ 12 bilhões por ano.

Sim. O Tribunal de Contas do Estado tem competência constitucional para fiscalizar a aplicação de recursos públicos e punir gestores que descumprem normas de administração financeira e orçamentária. As sanções incluem multas (que podem chegar a centenas de milhares de reais), determinação de devolução de valores, inabilitação para exercício de cargo público e encaminhamento ao Ministério Público para ação penal. A multa aplicada ao secretário de obras de MS, de R$ 95 mil, é pessoal — ou seja, deve ser paga pelo gestor com recursos próprios, não pelo erário.

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JM

Juliana Mendes

Repórter