Traficantes abandonam 3,2 toneladas de maconha após furar bloqueio policial
Veículo furou barreira do DOF e ocupantes fugiram pelo mato deixando carga avaliada em R$ 6,4 milhões em rodovia de MS

Furaram o bloqueio. Correram alguns quilômetros. Largaram o caminhão na beira da estrada e sumiram no mato. Dentro do veículo, 3,2 toneladas de maconha em tabletes — carga avaliada em R$ 6,4 milhões. A apreensão do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) nesta segunda-feira (13) é uma das maiores do ano em Mato Grosso do Sul.
O Que Aconteceu
Policiais do DOF montaram bloqueio em rodovia na região de Dourados, no sul de MS, por volta das 14h. Um caminhão Mercedes-Benz com placas de Minas Gerais se aproximou do ponto de fiscalização e, ao avistar a barreira, acelerou e furou o bloqueio em alta velocidade.
Os policiais iniciaram perseguição, mas o caminhão tinha vantagem de distância. Cerca de 8 quilômetros adiante, o veículo foi encontrado abandonado em um trecho de estrada de terra, com as portas abertas e o motor ainda ligado. Os ocupantes — pelo menos dois homens, segundo rastros no solo — fugiram por uma área de lavoura de milho e desapareceram no mato.
Dentro do caminhão, os policiais encontraram 3.247 tabletes de maconha escondidos em um compartimento de fundo falso, cobertos por uma carga de farinha de trigo que servia de disfarce. O peso total da droga foi de 3.218 quilos — mais de três toneladas.
O DOF acionou o helicóptero da Sejusp e equipes de busca com cães farejadores para localizar os fugitivos, mas as buscas foram encerradas ao anoitecer sem resultado. O caminhão foi apreendido e a droga encaminhada à Polícia Civil de Dourados para procedimentos.
A placa do caminhão era de Uberlândia (MG), mas a polícia suspeita que seja clonada. O veículo será periciado para identificar o proprietário real e a rota utilizada.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul é o principal corredor de entrada de maconha paraguaia no Brasil. A droga cruza a fronteira em veículos de passeio, caminhões, embarcações e até drones, e segue por rodovias estaduais e federais em direção a São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Em 2025, o DOF apreendeu 152 toneladas de drogas na faixa de fronteira — recorde histórico. Desse total, 128 toneladas eram maconha. No primeiro trimestre de 2026, já são 38 toneladas apreendidas, ritmo que, se mantido, pode superar o ano anterior.
A região de Dourados — a 80 quilômetros da fronteira com o Paraguai — é um dos pontos mais críticos. As rodovias MS-156, MS-379 e BR-163 são as rotas preferidas dos traficantes. O DOF mantém três bases na região, com efetivo de cerca de 120 policiais.
O uso de caminhões com fundo falso e carga de cobertura (farinha, soja, óleo de cozinha) é tática antiga do tráfico. Em março de 2026, o DOF encontrou 1.810 kg de maconha escondidos em carga de óleo de soja na BR-163. Em fevereiro, 2.150 kg foram achados em uma Hilux furtada em Dourados.
"O traficante investe em logística. Fundo falso profissional, carga de cobertura com nota fiscal, motorista com CNH limpa. Parece transporte legítimo. Só descobre com fiscalização detalhada ou inteligência", explicou o comandante do DOF em entrevista ao Campo Grande News em março.
A fuga pelo mato após abandonar o veículo é padrão recorrente. Os traficantes sabem que a polícia prioriza a apreensão da droga sobre a perseguição dos suspeitos. "Eles calculam: se a gente foge, perde a droga mas não vai preso. É conta fria", disse um policial do DOF.
O valor de R$ 6,4 milhões estimado pela polícia considera o preço de atacado da maconha em São Paulo. Na fronteira, o quilo custa entre R$ 50 e R$ 150. No varejo paulistano, pode chegar a R$ 5 mil. A margem de lucro do tráfico é de 3.000% a 10.000% — o que explica por que a atividade persiste apesar das apreensões.
O DOF opera com orçamento anual de aproximadamente R$ 48 milhões, valor que cobre salários, combustível, manutenção de viaturas e equipamentos. O custo médio de cada operação de bloqueio rodoviário é de R$ 3.200 — considerando horas extras, deslocamento e logística. Em 2025, o departamento realizou 4.700 operações de bloqueio, das quais 812 resultaram em apreensão de drogas. A taxa de sucesso de 17% é considerada alta para padrões internacionais de combate ao narcotráfico, mas significa que em 83% das vezes os policiais ficam horas sob o sol escaldante da fronteira sul-mato-grossense sem interceptar nada. Na tarde desta segunda-feira, o cheiro forte da maconha prensada se espalhava pelo pátio da delegacia de Dourados enquanto os tabletes eram pesados e catalogados — trabalho que levou mais de cinco horas e mobilizou toda a equipe de plantão.
Impacto Para a População
A apreensão de 3,2 toneladas retira do mercado uma quantidade significativa de droga, mas representa fração do volume total que cruza a fronteira.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Droga | Maconha (3.218 kg) |
| Tabletes | 3.247 |
| Valor estimado (atacado) | R$ 6,4 milhões |
| Veículo | Caminhão MB, placas de MG |
| Disfarce | Carga de farinha de trigo |
| Fundo falso | Sim |
| Suspeitos | 2+ (fugiram pelo mato) |
| Apreensões DOF (2025) | 152 toneladas |
| Apreensões DOF (1º tri 2026) | 38 toneladas |
| Interceptação estimada | 10-15% do total |
Para as comunidades da região de Dourados, o tráfico de drogas é fonte de violência e insegurança. Disputas por rotas e pontos de venda geram homicídios, e o dinheiro do tráfico corrompe agentes públicos e distorce a economia local.
Para o contribuinte, cada operação do DOF tem custo — combustível, horas extras, manutenção de viaturas, helicóptero. Mas o custo de não combater é maior: mais drogas nas ruas, mais dependentes, mais violência, mais gastos com saúde e segurança pública.
O Que Dizem os Envolvidos
O DOF informou que "a apreensão é resultado de trabalho de inteligência e monitoramento de rotas" e que "as buscas pelos fugitivos continuam com apoio de equipes da Polícia Civil e da PRF".
A Polícia Civil de Dourados registrou a ocorrência e instaurou inquérito para identificar os responsáveis pelo transporte. "O caminhão será periciado e as câmeras de pedágio e postos de combustível ao longo da rota serão analisadas", disse o delegado.
A Sejusp destacou que "a apreensão de mais de 3 toneladas em uma única operação demonstra a eficácia do trabalho do DOF na fronteira".
Próximos Passos
As buscas pelos fugitivos continuam com apoio de cães farejadores e drone. A Polícia Civil vai analisar câmeras de segurança ao longo da rota do caminhão para identificar os ocupantes e o ponto de carregamento da droga.
O caminhão será periciado para verificar se as placas são clonadas e identificar o proprietário real. A análise do GPS do veículo pode revelar a rota completa desde a fronteira.
O DOF anunciou que vai intensificar os bloqueios na região de Dourados nas próximas semanas, com reforço de efetivo e equipamentos.
Fechamento
Três toneladas e duzentos quilos. O peso de dois carros populares. Tudo em maconha, escondido atrás de sacos de farinha num caminhão com placa de Minas. Os traficantes fugiram pelo milharal e provavelmente já estão planejando a próxima carga. O DOF apreendeu, mas sabe que pegou só uma fatia. A fronteira de MS tem 1.498 quilômetros e 400 policiais. A conta não fecha. Denúncias sobre tráfico: 181 (Disque Denúncia, anônimo).
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- DOF — Departamento de Operações de Fronteira (dof.ms.gov.br)
- Sejusp-MS (sejusp.ms.gov.br)
- Polícia Civil de MS (pc.ms.gov.br)
💰 Apreensão recorde
Droga
3,2 toneladas de maconha
Valor estimado
R$ 6,4 milhões
Veículo
Caminhão abandonado
Suspeitos
Fugiram pelo mato
Fonte: Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
A apreensão aconteceu nesta segunda-feira (13) em uma rodovia na região de Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul. Policiais do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) montaram bloqueio na via e o veículo que transportava a droga furou a barreira em alta velocidade. Os ocupantes abandonaram o caminhão alguns quilômetros adiante e fugiram pelo mato. Dentro do veículo, os policiais encontraram 3,2 toneladas de maconha em tabletes, com valor estimado em R$ 6,4 milhões. O caminhão tinha placas de outro estado e apresentava fundo falso adaptado para o transporte da droga.
O valor de 3,2 toneladas de maconha varia conforme o ponto da cadeia do tráfico. Na fronteira com o Paraguai, onde a droga é comprada, o quilo de maconha custa entre R$ 50 e R$ 150. No atacado em São Paulo, o preço sobe para R$ 800 a R$ 2.000 por quilo. No varejo, pode chegar a R$ 5.000 por quilo. A estimativa da polícia de R$ 6,4 milhões considera o valor de atacado. Se a droga chegasse ao varejo em São Paulo, o valor poderia ultrapassar R$ 16 milhões. A maconha apreendida em MS geralmente vem do Paraguai e é transportada por rodovias estaduais e federais em direção ao Sudeste.
O DOF (Departamento de Operações de Fronteira) é uma unidade especializada da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul que atua exclusivamente na faixa de fronteira do estado — uma área de 150 quilômetros a partir da linha divisória com Paraguai e Bolívia. O DOF realiza patrulhamento rodoviário, bloqueios, operações de inteligência e apreensões de drogas, armas e contrabando. Em 2025, o DOF apreendeu mais de 150 toneladas de drogas, sendo a maior parte maconha do Paraguai. O departamento opera com cerca de 400 policiais distribuídos em bases ao longo da fronteira e utiliza drones, cães farejadores e equipamentos de raio-X para inspeção de veículos.
Patrícia Souza
Repórter
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