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quinta-feira, 02 de abril de 2026
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Tremor de 3,8 na escala Richter é sentido em Campo Grande e assusta moradores

Sismógrafo da UFMS registrou abalo às 22h14 de segunda-feira. Epicentro em Miranda, a 200 km. Não houve danos. Fenômeno é raro na região.

Juliana Mendes5 min de leituraCampo Grande
Tremor de 3,8 na escala Richter é sentido em Campo Grande e assusta moradores

Um tremor de magnitude 3,8 na escala Richter foi sentido em Campo Grande e em pelo menos 12 municípios de Mato Grosso do Sul na noite de segunda-feira, 17 de fevereiro de 2026, às 22h14 (horário local). O abalo sísmico, registrado pelo sismógrafo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), teve epicentro próximo ao município de Miranda, a aproximadamente 200 km da capital, com profundidade de 12 quilômetros. Não houve vítimas nem danos estruturais relatados, mas o evento assustou moradores e gerou centenas de ligações para a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

O que foi registrado

O sismógrafo instalado no Laboratório de Geofísica da UFMS, no campus de Campo Grande, captou o abalo às 22h14min32seg. A magnitude de 3,8 na escala Richter foi confirmada pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), referência nacional em monitoramento sísmico, e pelo Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo (CSEM), que opera uma rede global de estações.

A localização do epicentro foi calculada por triangulação entre 4 estações sismográficas: UFMS (Campo Grande), USP (São Paulo), UnB (Brasília) e uma estação boliviana em Puerto Suárez. O ponto exato é uma coordenada a 28 km ao sul de Miranda, em uma área de fazendas de gado à margem do rio Miranda, dentro da planície do Pantanal.

Dado Valor
Magnitude 3,8 Richter (mb)
Profundidade 12 km
Epicentro 28 km ao sul de Miranda
Hora local 22h14 (17/02/2026)
Duração percebida 4-6 segundos
Raio de percepção 200 km
Danos estruturais Nenhum
Réplicas 2 (magnitude 1,2 e 0,8)

Duas réplicas de menor magnitude — 1,2 e 0,8 — foram registradas nas duas horas seguintes, mas não foram perceptíveis para a população.

A reação dos moradores

Em Campo Grande, o tremor foi sentido principalmente por moradores de apartamentos acima do 5º andar em bairros como Centro, Chácara Cachoeira, Carandá Bosque e Monte Castelo. Relatos nas redes sociais descreveram paredes tremendo por 4 a 6 segundos, copos vibrando em prateleiras, lustres balançando e animais domésticos ficando agitados antes do abalo.

"Eu estava na sala assistindo televisão e senti o sofá vibrar. Primeiro pensei que era um caminhão pesado passando na rua, mas aí vi a luminária do teto balançando e percebi que era um tremor. Nunca tinha sentido isso na vida", relatou a bancária Luciana Tavares, 34 anos, moradora do 8º andar de um edifício no bairro Santa Fé.

A Defesa Civil de Campo Grande recebeu 347 ligações entre 22h15 e 23h30, a maioria pedindo orientações sobre como proceder. O Corpo de Bombeiros despachou equipes para vistoriar 4 edifícios no centro da cidade após reclamações de moradores sobre fissuras em paredes, mas os laudos preliminares indicaram que as rachaduras eram pré-existentes e não foram causadas pelo tremor.

Em Miranda, município mais próximo do epicentro, o abalo foi sentido com mais intensidade. Moradores relataram objetos caindo de prateleiras, portas se abrindo sozinhas e um estrondo surdo precedendo a vibração. A prefeitura ativou o Plano de Contingência Municipal por precaução, mas não houve necessidade de evacuações.

Mato Grosso do Sul e a sismicidade

Embora o Brasil não esteja localizado em uma borda de placa tectônica — como Chile, Japão ou Califórnia —, o país registra tremores regularmente. Segundo o Observatório Sismológico da UnB, o Brasil tem em média 250 abalos sísmicos por ano, a grande maioria de magnitude inferior a 3,0 e imperceptíveis sem instrumentos.

O Centro-Oeste brasileiro, incluindo Mato Grosso do Sul, está sobre a placa Sul-Americana, considerada geologicamente estável. No entanto, falhas geológicas internas — heranças de processos tectônicos ocorridos há milhões de anos — podem acumular tensões e liberá-las na forma de tremores de baixa a moderada magnitude.

O professor Dr. Edson Campanhola Bortoluzzi, do Departamento de Geociências da UFMS e responsável pelo sismógrafo da universidade, explicou que o tremor de Miranda está associado à Falha de Miranda, uma estrutura geológica de aproximadamente 80 km de extensão que corta a borda do Pantanal em direção noroeste-sudeste.

"Esta falha é conhecida e periodicamente libera energia acumulada. Tivemos tremores menores nesta mesma região em 2009 (magnitude 2,1), 2015 (2,4) e 2021 (2,8). O de hoje, com 3,8, foi o mais forte já registrado na falha, mas ainda está dentro do esperado para este tipo de estrutura geológica", explicou Bortoluzzi.

Histórico de tremores em MS

Mato Grosso do Sul não é estranho a abalos sísmicos. O maior terremoto já registrado no estado ocorreu em 15 de junho de 1961, com magnitude 4,2, epicentro próximo a Aquidauana. Em 2005, um tremor de 4,0 foi sentido em Corumbá. Mais recentemente, em setembro de 2021, um abalo de 2,8 na mesma região de Miranda causou espanto, mas nenhum dano.

No contexto brasileiro, o maior terremoto já registrado no país foi o de João Câmara (RN), em 1986, com magnitude 5,1 — forte suficiente para causar rachaduras em construções, mas incomparavelmente menor do que os terremotos devastadores de regiões como Chile (8,8 em 2010) ou Japão (9,0 em 2011).

Recomendações da Defesa Civil

A Defesa Civil de MS emitiu nota orientando a população sobre como agir durante e após tremores de terra:

Durante o tremor: Proteja-se debaixo de mesas resistentes ou em vãos de portas. Afaste-se de janelas, espelhos e objetos que possam cair. Não use elevadores. Se estiver na rua, afaste-se de edifícios, postes e árvores.

Após o tremor: Verifique se há feridos e preste primeiros socorros. Observe se há rachaduras nas paredes, especialmente em pilares e vigas. Não entre em edifícios com danos visíveis. Ligue para a Defesa Civil (199) ou Corpo de Bombeiros (193) se notar danos estruturais.

Preparação: Mantenha documentos em local de fácil acesso. Tenha um kit de emergência com água, lanterna e medicamentos essenciais. Identifique os pontos mais seguros de sua casa.

O professor Bortoluzzi tranquilizou a população: "Um tremor de 3,8 não causa danos em construções adequadas. O risco real seriam magnitudes acima de 5,0, que são extremamente improváveis na nossa região geológica. O que aconteceu é um fenômeno natural, sem relação com mudanças climáticas ou atividade humana."

A UFMS informou que continuará monitorando a atividade sísmica na região de Miranda e publicará boletins diários em seu site e redes sociais até que a sequência de réplicas cesse completamente.

Fonte: UFMS / Observatório Sismológico da UnB / Defesa Civil

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Juliana Mendes

Repórter